Um anjo e um Winchester
19 Capítulo 19 - Controlando John
Notas iniciais
Capítulo 19 –
KATRINA
Abri os olhos subitamente, como se eu tivesse levado um susto, minhas últimas lembranças envolviam flashs de luz e o rosto dos filhos de John, supus que eles me carregavam, mas no estado de desmaio que eu me encontrava, sabia eu, não pude ter certeza de nada daqueles momentos. Quando meus olhos se abriram imediatamente se fecharam por terem sido praticamente queimados com o forte raio de luz que encontraram. Os pisquei várias vezes antes de abrir apenas o olho direito, tentando me acostumar com a luminescência, finalmente consegui abrir os dois olhos, assim pude me sentar na cama macia onde eu estava.
Quando me sentei senti meu cabelo batendo na extensão das minhas costas e soube que estava sem camisa, num movimento involuntário ergui as cobertas que havia caído levemente até a altura de meus seios, olhei rapidamente por baixo delas, eu estava usando apenas calcinha, depois segurei as cobertas. Olhei em volta do quarto, estava no mesmo hotel que John havia me deixado, fiquei feliz em saber que Dean e Sam não tinham tentado me jogar em um lugar qualquer, considerei com isso que eles sabiam que eu não planeja entregá-los como oferenda.
O quarto era o mesmo que eu vinha dormindo desde a partida de John uma semana antes do ocorrido com Alaric, mas ele estava mais limpo e organizado, sem roupas jogadas, ou malas abertas em qualquer lugar, na realidade elas estavam em um lugar especifico e muito bem fechadas, quando olhei para o lado direito da cama, havia um soro hospitalar ligado à tubinhos que dariam à um acesso que estava no meu braço.
“Por quanto tempo eu dormi” Pensei enquanto me arrumava melhor na cama e com delicadeza retirava a agulha do meu braço. Um pouco de sangue saiu e apenas limpei com a outra mão, fiquei sentada ouvindo agitação e vozes por trás das paredes, eu tinha certeza que se eu levantasse não aguentaria mais do que cinco minutos em pé, então nem me atrevi à tentar fazê-lo, além disso quando pensei em me virar para tentar pegar algumas roupas na cadeira ao lado da cama, independente de a quem elas pertencessem, ouvi uma porta bater e depois passos virem em minha direção, meus olhos ficaram fixos na porta, quando John parou ali e ficou me olhando sem dizer uma palavra.
— Não deve se mexer – Ele finalmente falou, de modo severo e frio, ele se aproximou e segurou meu braço com mais força que o necessário enquanto limpava a área do acesso que estava com cola dos adesivos que o prendiam ali.
— Por quanto tempo eu dormi? – Perguntei delicadamente.
John não respondeu, continuou o que fazia, envolvendo em meu braço uma faixa, tudo em absoluto silêncio. Aquela frieza me incomodava, mas continuei tentando, fazia – Pelo menos imaginei – pouco mais de uma semana que ele me vira pela última vez, ele teria que dizer algo.
— Dean e Sam, eles estão bem? – Perguntei tentando novamente.
Ele terminara o curativo e ainda em silêncio pegou as coisas do acesso, o soro e a água, e começou a limpá-los e descartá-los. Deduzi que ele não diria nada, então no momento que ele virou de costas para sair do quarto, me deixei tomar levar e joguei os pés para fora da cama, sem me importar com minha nudez ou com minhas dificuldades em andar, e acelerei o passo atrás dele, consegui segurar seu braço e virá-lo antes de ele sair do quarto. Quando nossos olhos se encontraram, percebi a besteira que eu tinha feito e senti a vertigem que veio mais tarde.
— O Que está Fazendo?!!! – Ele gritou enquanto me segurava, me pegava no colo e tentava me colocar de volta na cama, mas eu não deixei que ele me deitasse, fiquei sentada na borda da cama e ele se ajoelhou na minha frente, sem opção.
— Faz uma semana que você me deixou aqui, e quando volta não olha para mim?! – Gritei de volta e vi o brilho dos seus olhos se esvaindo.
— Uma semana? – Ele riu irônico – Trina! Você está desmaiada há quase um mês...
***
JOHN WINCHESTER
Ela ficou em silêncio, sua boca ficou entreaberta, e seus olhos estavam com o mesmo brilho de antes. Tudo tinha acontecido com minha saída, Sam me explicara os acontecimentos com ela, e fui obrigado a explicar a situação dela, tentando inventar algo que fizesse eles não acreditarem que ela era um anjo, ou algo do tipo. Os meninos à haviam trazido de volta, fora fácil para eles perceberem que ela não tinha intenção de colocá-los em problemas, mas era um mal da família. Arrumar problemas.Quando à vi desmaiada na cama, fiz de tudo para conseguir as coisas para tratá-la sem ter que levá-la para o hospital, seria muita loucura depois de descobrir que algumas pontos do sangue dela tinham coloração negra ao invés da vermelhidão do sangue humano. Talvez pelo seu lado como demônio.
— Um mês? – Ela perguntou confusa, ela não tinha noção de tempo enquanto estava desmaiada.
— Achei que você estivesse morta! – Gritei como resposta.
— Me tratar assim não vai mudar nada, eu estou viva o que você acha disso? – Ela respondeu com a voz mais firme que pode.
— Sabe como é foda para alguém que escuta os filhos falando que eles enfrentaram cães demoníacos e um torturador de merda do inferno e quase morreram, então olhar para o quarto e ver que você estava desmaiada, havia uma semana, sem sequer menção de resposta? – Perguntei enquanto me levantava, não conseguia vê-la daquele jeito por muito tempo. Ela estava seminua, tão linda quanto antes, mais magra e um pouco fraca – Vou fazer algo para você comer.
— John, não faz isso – Eu a ouvi dizer enquanto saia do quarto, mesmo assim continuei minha caminhada para a cozinha, Sam e Dean estavam lá, sentados no balcão. Pareciam ter ouvido tudo.
Observei meus filhos com olhos arregalados e expressões de falsa inocência, tentei cozinhar com eles ali por algum tempo quando Trina entrou na cozinha, pelo menos ela tinha se vestido com uma das minhas camisetas que lhe servia de vestido.
— Dean, Sam – Ela falou com uma voz muito fraca e meus filhos olharam para ela e sorriram, Sam foi abraçá-la e Dean se aproximou também – Sinto muito por tê-los metido nisso.
— Não foi a primeira vez – Dean respondeu, e Sam riu apenas, havia uma cordialidade na conversa que me incomodava de algum modo, que eu não sabia explicar.
Quando terminei de esquentar a comida que tinha feito chamei Dean e Sam, lhes entreguei um pouco de dinheiro e pedi que fossem jogar no fliperama até a hora que quisessem.
— Sem limite de tempo? – Sam perguntou me deixando um pouco apreensivo.
— Sem limite, mas com cautela – Respondi e sem receber qualquer outra palavra os vi saindo correndo.
Trina ficou olhando para mim por alguns instantes, sem dizer nada, parecia cautelosa desta vez, diferente de seu normal que seria dizer tudo o que pensava.
— O que foi? – Perguntei sabendo que tinha sido grosso.
— Eu não quero ser mãe deles John...- Ela respondeu, eu sabia que ela tinha pensado que eu estava com esse medo – Nem perto disso...
— Eu sei que não – Respondi deixando a comida de lado por um tempo – Eu só não consigo imaginar o que você quer?
— Como assim o que eu quero?
— Eles à adoram – Falei percebendo que eu estava muito preocupado com isso – Eu não poderia deixar de gostar dessa situação, mas não os quero envolvidos em casos...
— Acha que eu sou um problema pelo que eu sou – Ela afirmou, “não” eu pensei “Acho que eu sou o problema para você” – Se for isso, eu posso ir embora John...
— Como? – Perguntei sentindo minha voz morrer. Quando contei para Bobby que estávamos juntos, lembrava-me dele falando que eu estava muito diferente com ela, e era verdade, tudo isso era tão atípico de mim, o ciúme, o medo de perdê-la a loucura com o fato de achar que tudo o que se envolvia comigo corria perigo.
Ela apenas assentiu.
— Não quero que vá embora – Falei exasperado – Eu quero que você fique bem, só isso.
— Eu estou bem John – Ela explicou se aproximando, eu estava de costas para ela – Estou viva há muito tempo para que você entenda que não é fácil me machucar...
— Você não entende..
— Então explica, Porra! – Ela gritou me surpreendendo, quando me virei para ela, estávamos mais próximos um do outro, mas ela parecia querer se afastar – É isso o que você tem que fazer, explicar...Uma hora você é cauteloso comigo e na outra me trata como se eu fosse de ferro, este é o ponto John, você precisa me explicar. Eu não sou uma humana, não entendo tudo perfeitamente o que existe aqui, eu tento mas tem coisas que só existem na sua mente e eu não posso compreender, então diz alguma coisa...
— Eu te amo...- Falei impensada e verdadeiramente. Sem receios ou arrependimentos.
Trina ficou em silêncio, imóvel, esperei qualquer tipo de resposta, mas não. Então decidi terminar o que eu havia começado.
— Eu nunca esperei falar isso para alguém de novo, mas é verdade...Eu amo você, de um jeito completamente diferente do que amei Mary, mas com receio de perder você do mesmo jeito que á perdi...
Trina continuou calada, olhando para mim, como se não acreditasse no que eu havia falado, então vi que seu olhar foi para baixo e no momento senti que precisava de uma bebida, andei para onde estava uma garrafa de Whisky e liguei o rádio que ficava ao lado dela, despejei o liquido no copo enquanto ouvia Scorpions e com o efeito de algumas bebidas já tomadas percebi que não devia estar falando com alguém, pois eu já estava cantando com a banda.
— Desculpa...- informei Trina – Estou bêbado.
Ela se aproximou de mim, e tocou no meu rosto, senti-o esquentar e então o efeito de tontura que o álcool causava desapareceu. Quando olhei para os olhos dela novamente, senti um pouco de constrangimento, mas ela sorria, um pouco sem graça, passou o braço por baixo do meu e aumentou o volume.
— Eu não sou Mary, John – Ela falou, e eu sabia disso, eu precisava ouvir para me assegurar que não a perderia – E não vai me perder, sinto por tê-la perdido, mas não vai acontecer a mesma coisa...
Olhei Trina por alguns instantes quando a puxei para mais perto, sua expressão continuava igual, mas sua pele se arrepiara, e ainda mais quando meu lábios encontraram os dela. Eu estava desesperado por aquilo, e nem havia percebido, minhas mãos percorreram seus braços que em poucos momentos estavam enrolados no meu pescoço, assim continuei colocando-as em sua cintura, cada vez mais foram parar em sua bunda e com isso a levantei, e senti suas pernas rodearem meu corpo. Foi fácil tirar a camiseta de Trina, para colocar meu lábios em seu pescoço, enquanto ela puxava não tão suavemente meu cabelo. Carreguei-a para o quarto e fechei a porta com um chute.
Assim como eu, ela tirou minha camiseta com facilidade, coloquei-a na cama, com dificuldade, mas rapidez tirei minha calça e deitei por cima dela, podia tirar aquilo que ainda nos impedia, mas não pude, cobri o corpo de Trina com beijos suaves e sentia suas unhas passearem pelas minhas costas levemente, subi toda a extensão do seu corpo até chegar novamente em seus lábios, toquei-os com os meus levemente e me apoiei para olha-la nos olhos. Nunca me cansava daqueles olhos.
— Eu te amo – Ela falou, finalmente respondendo o que eu tinha dito antes, colocou as mãos no meu rosto e o aproximou do dela – Não vou à lugar nenhum.
E finalmente, selei nossos lábios, enquanto retirava as últimas peças de roupas do nosso corpo.
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