Um anjo e um Winchester
10 Capítulo 10 - A toca da bruxa e Enoquiano
Notas iniciais

KATRINA
Levantamos algumas horas depois do sol nascer, mesmo com preguiça e um desejo imenso de nunca mais levantar daquela cama. Devagar nos vestimos e saímos do depósito em direção a casa, a todo tempo com as mãos dadas.
– Tem leite ai? — perguntou John enquanto eu mantinha minha cabeça na geladeira.
Procurei pela caixa e vi uma bem no fundo, peguei e ela estava cheia, com um pouco de receio olhei a validade, nunca tinha visto Bobby tomar leite, então não entendi muito bem por que daquilo ali, mas estava dentro do prazo, então entreguei a John sem mais perguntas.
– Acho que vou acordá-los — falei me referindo a Ruffus e Bobby, John riu um pouco da minha sugestão, então apostamos $10 que eu conseguiria.
– Onde conseguiu $10? — ele perguntou com uma sobrancelha arqueada.
– Bobby sempre perde no poker — respondi e o ouvi rindo.
Me aproximei de Ruffus na intenção de acorda-lo primeiro o cutuquei e sacudi um pouco, como não tive resultados, decidi utilizar uma tática mais funcional.
– RUFFUS UM METAMORFO! — Gritei em sua orelha imediatamente ele gritou e se jogou no chão, e com a garrafa de whisky procurou a inexistente criatura.
– Onde ela está?! — perguntou ele enquanto eu e John ríamos com sua reação, ele olhou em volta e se tocou do que estava acontecendo — estavam tirando uma?
Continuei rindo e ele tomou como um sim, mostrou o dedo do meio pra mim, mas não voltou a dormir, foi para o banheiro e se trancou lá, talvez tenha decidido tomar banho. Nisso olhei para John.
– Ainda falta o Bobby — ele falou rindo sozinho, sorri para ele com apenas com lado do meu rosto.
Andei na direção de John e segurei em sua mão puxando-o comigo para o quarto de Bobby, subimos as escadas rapidamente e quando chegamos lá em cima conseguíamos ouvir os roncos de Bobby, era cômico. Fomos andando devagar até a porta do quarto e em direção a sua cama, ele dormia de um jeito que se assemelhava a uma estrela do mar, a cama dele estava arrumada sendo que ele apenas tinha se jogado ali, então soltei a mão de John e pedi que ele segurasse a coberta de um lado enquanto eu segurava do outro. Comecei a contar até três e John percebeu o que eu queria fazer.
–...3! — falei e juntos puxamos a coberta dele.
Bobby simplesmente saiu rolando como uma batata, o ouvimos grunhir enquanto riamos de sua reação. Ele começou a nos xingar alto e claro enquanto levantava com dor nas costas.
– Vocês são uns Idjits! Vão se foder! Ah! — ele gritou e saiu andando passando por nós e pela porta do quarto sem parar de reclamar um segundo e a fundo ouvimos ele gritar — Ruffus! saia dai! Preciso usar!Não conseguimos parar de rir por um momento que fosse quando finalmente aliviamos a gargalhada eu cheguei perto de John e o abracei.
– Você me deve 10 dólares — disse e depois lhe dei um rápido beijo nos lábios.
Ele ficou me olhando algum tempo ate que colocou as mãos em minha cintura e repetiu meu ato, então perguntou:
– Posso te pagar de outras maneiras? — ri com sua resposta, mas sua reação foi dar um longo beijo em mim, só sabia que sorríamos enquanto nossos lábios se tocavam.
***
JOHN WINCHESTER
Depois de alguns instantes Trina e eu ouvimos Bobby retornar para o quarto e descemos rapidamente para tomar café, Ruffus já tinha tomado e estava se preparando para ir embora, tomou café deu um abraço em cada um, roubou algumas cervejas e foi embora antes do Bobby descer.
– Onde foi aquele desgraçado? — ele desceu perguntando — minha água quente acabou!
– Não pode ter sido culpa dele — Trina falou sorridente. Ela estava muito animada essa manhã, assim como eu.
– Claro que foi! – Bobby resmungou enquanto andava em direção a cozinha, diretamente para a geladeira – Ele roubou meu gás...
Ri um pouco com a situação, e quando Bobby olhou para mim ameaçadoramente, Trina deu uma cotovelada em minha barriga e me pus a fazer café.
– Tenho certeza que era a intenção dele desde o começo – Trina disse e fez com que Bobby se alegrasse um pouco – Descobriu alguma coisa sobre a casa de ontem?
– Sim! – Bobby falou animado – O nome dela era Serena Jorijuy e ela era uma bruxa que matava criancinhas para usar em rituais satânicos e para sua sorte, ela procurava seres sobrenaturais para testar em seus feitiços.
Trina e eu nos entreolhamos e eu não resisti em perguntar:
– Como isso pode ser sorte?
– Sorte porque no galpão deve ter livros diferentes dos meus que indiquem o que ela –Ele disse apontando para Trina – É...
Olhei para Trina que estava com o olhar fixo em Bobby, ela estava sentada tranquila no sofá e agora desviara o olhar para a janela, me parecendo pensativa.
– Ok – Ela disse – Vamos para lá então.
Depois de terminarmos o café Trina subiu para se vestir, fiquei a esperando com Bobby na sala e estranhei muito quando ele ficou me encarando sem parar. Esperei que ele fosse mudar de postura depois de um tempo, mas nada.
– Sou tão bonito assim? – Perguntei o mais ironicamente que consegui e o olhei.
– O que vocês fizeram essa noite? – Ele falou me surpreendendo.
Não disse nada apenas o encarei pensando em uma resposta que mudasse sua opinião, então eu abri a boca para falar com ele e explicar.
– NÃO ME VENHA COM CONVERSA FIADA JOHN! – Ele foi mais rápido – ESSA MENINA NÃO MERECE ISSO!
– Não quero magoá-la – respondi sendo sincero.
– Você nunca quer! – Ele exclamou se levantando e andando de um lado pro outro, como lhe era típico – Você nunca quer magoar ninguém, mas magoa John!
Percebi que não era hora de abrir a boca, então esperei que ele terminasse.
– Ela não é uma garota qualquer que você encontrou por aí John, ela é muito mais, não digo que ela se tornou como uma filha ou algo assim, mas saiba que não vou te perdoar se magoá-la – Ele finalizou.
– Eu sei – Respondi – Nem eu me perdoaria.
Bobby olhou para mim de um jeito estranho, meio confuso e atordoado, meio com pena e aquilo me fez franzir a sobrancelha e continuar o que eu dizia.
– Sim, nós transamos Bobby – Eu falei e vi que ele endureceu um pouco – Mas, foi diferente e...
– Estou pronta! – Ouvi Trina gritar do topo da escada.
– Conversamos outra hora – Disse Bobby e antes de terminar a conversa ele sussurrou para mim – Mas escute, acredito que goste dela, nunca o vi olhar para alguém como olha pra ela, então cuidado.
Ele foi de encontro a Trina antes que eu pudesse responder, fiquei pensativo com aquela conversa e demorei alguns instantes para seguir com eles até o carro.
– Vai com o Bobby? – Perguntei a Trina.
– Não, hoje com você – Ela respondeu sorrindo. Mesmo estando um pouco abatido com a conversa de Bobby, mas o sorriso dela me animou, meio inconscientemente segurei seu queixo e lhe dei um rápido beijo, ela entortou a cabeça, mas sorriu – Vamos.
– Nos encontramos lá? – Bobby gritou de sua caminhonete, eu mandei um sinal de ok para ele e ele foi na frente, enquanto Trina se organizava.
Fiquei a observando um tempo, pensando no que Bobby dissera. Havia o conhecido pouco depois de me tornar caçador, pouco a pouco nos tornamos grandes amigos, mas ele não me conhecera quando Mary era viva. Disse que eu olhava para Trina de um modo diferente, e eu sabia disso, era o mesmo modo que eu olhava para Mary. Trina o fazia lembrar muito de Mary, a coragem das duas, a bondade, e a capacidade de sorrir em qualquer situação. Em questão de aparência eram bem diferentes, e isso era bom, mesmo assim, não sabia dizer exatamente como se sentia em relação a ela, será que seria...
***
KATRINA
– John? – Chamei o tirando de um devaneio incomum – Tudo bem?
– Sim, eu estava pensando – Ele falou – sobre seu passado.
– Nem eu penso nele, como você consegue – Ele riu do meu comentário e entrou no carro, o segui, me sentando no banco do passageiro.
– Sobre o que aconteceu essa noite – John começou a falar, antes que ele pudesse terminar, coloquei a mão sobre a boca dele.
– Eu sei o que foi aquilo John, não me explique, sei o que fiz, sei o que era – falei e vi seus olhos arregalados – Vamos tentar não falar disso, cada um sabe o que sentiu não é? Vamos indo, tá bom?
Tirei a mão de sua boca e beijei seu rosto rapidamente, ele ficou me olhando por algum tempo, mas logo virou o rosto e deu partida.
Levamos alguns minutos para chegar no armazém abandonado, Bobby estava olhando as marcas que ficavam nas paredes, eram em maior parte pentagramas e escritas em latim, que por alguma razão eu entendia. Bobby nos viu e acenou, seguiu então para o buraco que fizera no galpão na noite anterior e adentrou no local, eu fui logo atrás e John veio depois.
O lugar era bem menos macabro visto de dia e provavelmente sem a presença das crianças, eu só consegui ver a mulher quando ela me levara para o quarto, então aquele lugar só me causava arrepios.
– Onde acha que ela guardava os livros? – John perguntou se dirigindo a Bobby.
– Naquele maldito quintal – Ele respondeu – Falando nisso, foi você quem queimou os ossos das crianças ontem?
– Foi – Ele respondeu.
Enquanto os dois conversavam eu olhei por cima do ombro de Bobby e notei uma pequena elevação na parede, me afastei deles, mas senti o olhar deles em mim. Provavelmente não me deixariam sozinha depois de ontem, mesmo assim fui até a elevação e empurrei a parede, que para a surpresa de todos, adentrou e mostrou uma escadaria macabra.
– Tem lanterna? – perguntei para os dois homens que olhavam abismados para mim.
Em alguns instantes John pegou uma lanterna no carro, junto com algumas armas, água benta e uma barra de ferro. Separamos as coisas entre nós e começamos a descer as escadas, elas eram extremamente empoeiradas e lotadas de teias de aranha, aparentemente ninguém passava ali há séculos. A cada lance de escadas havia um símbolo diferente, todos irreconhecíveis.
– São de magia negra? – perguntei.
– Sim – Disse Bobby – Mas não parecem ativos ou algo assim.
– Se estivessem provavelmente não passaríamos – John complementou – Provavelmente devem ter de ser repintados de tempos em tempos.
– É sangue? – perguntei me referindo a “tinta” usada nos símbolos.
John apenas assentiu e continuamos até chegar no fim da escadaria, ali encontramos o que eles chamaram de Covil da bruxa, onde ela provavelmente estudava os seus feitiços e preparava as coisas para os rituais que eram feitos na sala onde ela tinha me mantido. Havia algumas tochas pelas paredes e John as acendeu com um isqueiro, viram então o que procuravam milhares de livros, cada um com um intuito diferente, nos entreolhamos e suspiramos todos ao mesmo tempo. Saímos em direção aos livros.
– Tem um aqui que pode ajudar – Disse John, fazia algumas horas que estavam lendo os títulos e assuntos de cada uma das obras – “Criaturas sobrenaturais, este livro lhe mostrara todas as criaturas do mundo, mas tem que conseguir ler”. O que quer dizer com isso...ah...
– O que foi? – Bobby perguntou se aproximando, e pela curiosidade eu fui junto, me aproximando de John.
– Está em uma língua estranha – Ele disse, e eu olhei para o livro.
– É Enoquiano – Eu disse surpreendendo a mim mesma e a eles, quando vi que eles me observavam peguei o livro da mão de John e o levei para a mesa que tinha no meio da sala.
– Consegue ler isso? – John perguntou.
– Acho que sim – Respondi e comecei a olhar os símbolos – É um pouco confuso, mas...
Tudo girou na minha cabeça quando vi os símbolos Enoquianos, e lembranças vieram com uma bala.
“ – O que faz aqui? – perguntou um rapaz de olhos azuis e cabelos pretos – Trina! O que faz aqui?
– Eu precisava sair dali Castiel – Respondi – Era horrível, não pude aguentar...
– Se Uriel te encontrar vai te matar...
– Me ajuda! – Eu gritei para ele segurando sua camisa com força, lágrimas corriam nos meus olhos.
– KATRINA! – Disse uma voz grossa – Garota do inferno! Nunca devia ter vindo a Terra!
– Deixe-a em paz Uriel – Disse o homem que eu chamara de Castiel – Sabe que nossas ordens são outras.
– Não ligo mais para as ordens Castiel!
Antes que eu pudesse dizer algo Castiel se adentrou comigo em um matagal alto, mais alto que nós, começou a correr comigo pela mata e os únicos sons eram nossos passos e o de Uriel, paramos quando ele achou que estávamos seguros.
Parecendo que pulou uma parte pude ver só mais alguma coisa.
– Procure Balthazar em Chicago! – Castiel dizia – Agora corre! CORRE TRINA!
Ele ficou para traz, atacando Uriel com uma lâmina, havia um corte na minha barriga, eu provavelmente o havia recebido durante o tempo que deu um blackout na memória.
'– TRINA! – Era uma voz de fora, a voz de John.'
O matagal, eu corri para uma estrada, havia a luz dos faróis, eu já não lembrava mais de nada, o carro parou e John saiu.
'– TRINA!'”
Tomei todo o ar que consegui e acordei no chão da sala da bruxa com Bobby e John olhando para mim assustados.
– Trina, está bem? – Disse John passando a mão em meu rosto.
– Chicago – Eu falei, quase sem força.
– O que? – Disse Bobby.
– Eu tenho que ir para Chicago – Falei – Tem algo lá.
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