Um anjo e um Winchester
3 Capítulo 3 - Onde os Ghouls estão
Notas iniciais

JOHN
– Tome — escutei a mulher da loja dizer — acho que esta vai servir.
– Obrigada — respondeu Katie.
Tínhamos saído do hotel e levei a garota para comprar uma calça, a de Dean tinha ficado muito grande para ela e a de Sam, que eu tinha encontrado em algum canto do carro, muito pequena. A blusa, gigantesca, não a incomodava e como eu não tinha muito dinheiro e preferia não usar o cartão, ela não se importou de dividir essa parte comigo, mesmo que coubessem duas dela dentro de uma blusa minha. Enquanto ela provava a calça jeans simples que tinha escolhido eu me mantive em um canto da loja para ligar para os garotos, peguei o celular e disquei o numero do hotel em que os tinha deixado.
– Hotel Break, em que posso ajudar? — O dono do lugar tinha uma voz grossa e parecia estar furioso com alguma coisa, mas era o tom de voz normal dele.
– Me ligue com o quarto 25, por favor — Pedi e imediatamente ouvi o sinal de chamada.
– Alô? — uma voz masculina atendeu. Dean.
– Oi, filho — disse olhando para trás por um momento, Katie ainda estava no provador — Como está?
Ele demorou um pouco para responder, ouvi sua respiração ainda no telefone, devia estar olhando alguma coisa aleatória.
– Oi pai, estamos bem — Ele finalmente respondeu — E você? Por que demorou tanto para ligar? Saiu daqui há uns 3 dias.
– Eu tive um pequeno problema no meio do caminho, apareceu um caso novo envolvendo Ghouls e eu terei que ir na casa do Bobby antes de voltar...
– O que houve? — Ele perguntou preocupado, antes de responder escutei ele pedindo para Sam abaixar o volume da TV — Pai, onde você está? Está ouvindo música pop?
– O que? — parei de falar por um momento e percebi que uma música de mulherzinha estava tocando — Não, eu estou em uma loja...ignore isso... só liguei para saber como estão, e a escola?
– Está tudo bem — ele respondeu, de modo curto e grosso.
– Ótimo — disse querendo acabar logo com aquilo — eu volto um uma semana.
– Ok, Tchau — Ele desligou.
Olhei para o telefone e virei os olhos, Dean não tinha o costume de ser grosso comigo pelo telefone, no mínimo tinha arrumado briga no colégio e não queria comentar ou fora por causa de alguma garota. Decidi ignorar aquilo, me virei para esperar, mas Katie já estava vestida. Ficara interessante com a gigantesca blusa preta com um número 8, a calça jeans justa e a bota militar velha de Sam que lhe servira perfeitamente.
– Tudo bem? — ela me perguntou.
Demorei um pouco para responder, o telefonema tinha me deixado tonto.
– Sim, vamos, tenho que pagar — Ultrapassei ela e dei o dinheiro a moça do caixa.
Ela contou o dinheiro duas vezes, a calça fora $30, não tinha necessidade de achar que eu tinha lhe roubado, mas não poderia julga-la, principalmente porque se eu lhe pagasse com cartão, estaria roubando.
– Obrigada, senhor — falou a moça me dando o troco — volte sempre.
– Claro — respondi friamente, notei que Katie levantou uma sobrancelha, ignorei seu ato e coloquei a mão em suas costas empurrando-a para fora.
– Obrigada! — Katie gritou.
– Vamos logo — falei — entre no carro.
Fazendo o que eu disse, ela começou a dar a volta no impala para entrar do lado do passageiro, entrei mais rápido que ela para jogar a bagunça daquele lado para trás e desligar o rádio, acabei deixando em alguma rádio qualquer que pensei que uma garota gostaria, imaginei que ouvir músicas deste tipo faria que ela se lembrasse de alguma coisa. Olhei pela janela e vi que ela não estava entrando no carro, mas olhava para a rua. Sai do veículo e dei a volta para me aproximar dela.
– O que foi? — perguntei
Ela observava uma senhora do outro lado da rua, usava um vestido florido e um chapéu enorme, talvez fosse engraçado, mas era desse objeto em questão que ela não tirava os olhos, ficara vidrada com ele.
– Quer um chapéu desse? — perguntei tentando fazê-la falar alguma coisa, mesmo que fosse um xingamento.
– Ela não está na lista de pessoas que apresentaram comportamentos estranhos? — Katie falou de repente, não estava levando muito a sério a contestação.
– Por que? — perguntei.
– Tem sangue — ela respondeu assustada e com a voz trêmula — tem sangue em toda a roupa dela...
Olhei para a mulher atentamente, a roupa estava normal, não havia nenhuma mancha, nem de sujeira, nem de bebidas, muito menos sangue. A senhorinha cumprimentava todos que passavam por ela e tomava o seu chá muito tranquilamente, uma hora olhou para nós dois e levantou a xícara, nos dizendo olá. Acenei de volta para ela, mas percebi que Katie continuava igual, talvez até mais persistente com o que tinha dito.
– John! — Ela exclamou — olha a lista...
– Katie, ela está limpa, não tem sangue na roupa dela — falei, mas ela virou o rosto e olhou diretamente nos meus olhos, meio que implorando, afastei seu corpo do carro e abri a porta, o porta-luvas e peguei o diário, dentro dele haviam registros de pessoas que provavelmente tinham sido trocadas por Ghouls, revirei os papéis e na quinta folha, tinha uma foto da senhora que Katie observava.
– Mas que merda — exclamei — entre no carro.
Katie olhou para mim com a sobrancelha franzida, meio em dúvida e meio com raiva, fiz sinal para que se apressasse e ela o fez. Corri um pouco para dar a volta e sentar no banco do motorista, não demorei muito mais para sentar e ligar o carro, pisei no acelerador e dirigi numa velocidade mais alta que o permitido.
KATIE
– Aonde estamos indo? — perguntei me segurando firme na alça do teto do carro, ele estava em alta velocidade, provavelmente tinha algo a ver com aquela senhora.
– Você estava certa, aquela senhora, quase que com certeza, é um Ghoul — ele respondeu — Se ela é, provavelmente todos na casa da verdadeira senhora estão mortos.
Não abri a boca até chegarmos na casa, era um lugar grande e antigo, a casa era toda branca com janelas azuis e um garoto de uns 14 anos estava regando as flores do lado de fora. Não sabia dizer por que, mas aquilo me parecia meio estranho, me toquei de que ele provavelmente fazia tarefas mandadas, sacudi a cabeça e ignorei a sensação ruim.
– Sabe como usar uma arma? — John me perguntou, quando voltei o olhar para ele, estava segurando uma pistola.
Algo me dizia que não era a solução, mas também, era melhor não negar uma arma naquela situação. Em minha mente busquei qualquer lembrança em relação a armas e apenas algumas instruções de como se preparava a pistola e como se atirava com ela apareceu. Então assenti para ele, que meio angustiado me entrou a pistola prateada e ficou com uma preta que tinha no banco de trás. John saiu do carro e eu apenas segui seus passos, ele chegou do lado da minha porta e me ofereceu a mão, em ajuda para sair. Nessa hora, olhei novamente para o garoto, a camiseta dele tinha sangue. Apertei a mão de John muito forte e ele resmungou.
– O que foi? — perguntou.
– Aquele garoto! — falei em um sussurro — Tem sangue nas costas dele!
– Do que está falando? — John exclamou alto demais e o garoto nos olhou com um brilho assassino nos olhos.
Empurrei ele e o deixei encostado no carro, aproximei os lábios do ouvido dele e disse com um pouco mais de raiva do que já havia falado com ele.
– Tente entender, acabei de ver uma senhora ensanguentada e ela era um Ghoul, agora eu vi esse garoto e ele provavelmente também é um, se isso for verdade a casa estará enfestada! — me afastei um pouco dele e vi que mostrava surpresa — Deve ter algum cemitério por aqui.
– Por que diz isso? — ele perguntou.
– Porque o garoto não é o único banhado de sangue, todos os vizinhos estão assim...
Ele olhou em volta e teve a mesma reação, ele não via o sangue, mas passou a acreditar em mim.
– Vamos entrar na casa e averiguar a situação, se algo estranho aparecer, tentamos matá-los — Ele falou — Eu só não sei como...
– Tem que cortar a cabeça fora — Eu disse, não entendendo muito bem como sabia daquilo — É o jeito de matá-los...
Ele não respondeu imediatamente, o seu foco era um beco que tinha na rua, não sabia aonde dava, mas ele começou a andar para lá e me puxou pela mão para segui-lo, antes de entrarmos no beco eu olhei para trás e o garoto havia sumido, me agarrei no braço de John com força, eu não sei se medo era uma característica minha comumente, mas agora era. Ele viu que eu estava desesperada e deixou a mão firme na minha, enquanto a outra segurava a arma. O beco era bem comprido, mas não levou nem um minuto para atravessarmos.
Para darmos de cara com um cemitério...
Com muitas pessoas...
Cavando os túmulos...
E de repente parando...
Para nos observar, furiosamente.
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