Um anjo e um Winchester

15 Capítulo 15 - Katrina


Notas iniciais
Espero que gostem ^_^

KATRINA

Demorou menos de 10 minutos para que eu pudesse observar o Impala chegando e estacionando na estação, eu estava sentada em um dos bancos tomando um pouco de sol, me sentia fraca demais e nem podia imaginar por quê. John não me viu imediatamente, ele ficou procurando de dentro do carro, pude ver sua cabeça mexendo de um lado pro outro tentando me encontrar, eu queria mostrar para ele que estava ali, acenando ou gritando, mas não tinha forças para isso. A fraqueza tomara conta completamente. Finalmente ele me avistou e mais do que rápido saiu do carro e veio em minha direção, como eu suspeitei ele estava furioso e até pensei em me encolher para evitar seus gritos que viriam, mas não consegui me mexer, novamente.

John chegou na minha frente, fechei os olhos esperando pela gritaria, quando senti algo no meu colo, no mesmo instante elevei as mãos e olhei para baixo, John se ajoelhou na minha frente e abraçava minha cintura, com o rosto virado para baixo, não podia ver sua expressão, mas podia jurar que senti ele soluçar rapidamente. Reuni todas as forças que tinha e coloquei as mãos em seus cabelos, aproximei meu rosto deles e dei um beijo suave ali, ele pareceu se acalmar um pouco e depois de alguns instantes elevou o rosto. Era uma mistura de raiva com alívio e felicidade e novamente fúria, sem querer soltei um riso fraco e o sentimento de felicidade que tinha sobrando ali sumiu.

– Por onde esteve? – Ele perguntou rouco, mas com muita autoridade.

– Não é um bom lugar – Falei e pude notar a fraqueza na minha voz também, e John notou igualmente.

– O que você tem? – Ele perguntou preocupado, se levantando e colocando as mãos em meu rosto.

– Eu não sei – Respondi me largando completamente no banco – Sinto como se não conseguisse me mexer...

Ele ficou olhando para mim, atencioso, mesmo eu sentindo que sua raiva não diminuía, ele colocou a mão na minha testa, e olhou para cor da minha pele, observou bem dentro dos meus olhos e eu não conseguia nem sentir mais nada.

– Há quanto tempo você não come? Ou não bebe água? – Ele perguntou.

Parei para pensar, mas a última coisa que eu tinha comido fora na casa de Bobby, e para mim não fazia tanto tempo assim.

– Há uma semana – Respondi – Mas não é como se tivesse passado todo esse tempo...

A menos que ao voltar para a Terra o meu relógio metabólico não tivesse sofrido alteração. Fiquei pensando nisso quando me senti ser levantada, e dei um grito, antes de perceber que era John. Ele me pegara e estava me levando para a parte de trás da rodoviária.

– O que está fazendo? – Perguntei um pouco brava.

– Primeiro comida, depois casa – Ele respondeu firme e decidi não falar mais nada.

***

JOHN WINCHESTER

Depois de obrigá-la a comer alguma coisa, a cor de Katrina voltou ao normal, não que ela fosse bronzeada, mas ela estava da cor de um folha de papel, e visto que ela comeu o tanto que comeu, tinha certeza que ela estava faminta, então voltamos para a casa de Bobby. Um percurso silencioso que se baseava em eu tentando esvair a minha raiva e ela olhando para a janela, pensativa. Em dez minutos era possível avistar os carros na casa de Bobby e chegando lá, estacionei, desliguei o carro, mas nenhum de nós saiu e apesar dos latidos de Rumsfeld, Bobby não saiu da casa, talvez ele não estivesse acordado, ou consciente de meu retorno.

– Quero que me conte o que aconteceu com você nesses dias...- Pedi, controlando a voz, e também apertando o volante com tanta força que minhas mãos estavam brancas.

–Eu estive no céu, no inferno e no purgatório no mesmo dia, lembrei de todo o meu passado, que para sua informação é uma merda e descobri exatamente o que eu sou...- Respondeu tranquila enquanto senti minha cor desaparecer – Sem contar que Balthazar realmente sabia quem eu era, só para informar...

Não pude dizer nada, então decidi continuar ouvindo e esperar o impacto final, meu e dela.

– Meu nome, exatamente é Katrinna, com dois N’s e um significado louco. Algo sobre o meu eu interior, eu fui criada por um...homem chamado Crowley que meio que foi obrigado a designar essa função, por um tipo de acordo que ele tinha com meu pai...

– Quem é seu pai? – perguntei, demonstrando que estava realmente atento a conversa, mesmo que não estivesse olhando para ela.

– É nesse ponto que as coisas começam a se complicar – finalmente virei o rosto em sua direção – Eu sou filha de Lúcifer...

– Lúcifer? – Exclamei desacreditado – O Rei do inferno, na bíblia?

– É, acredite ou não, ele é real e teve uma única cria – Respondeu e senti meu queixo cair, eu queria acreditar que ela estava mentindo, mas podia ver em seus olhos a apreensão em me dizer a verdade – Eu...

–E sua mãe?

– É complicado...

– Tem que me contar...

– Não tenho não – Ela respondeu seria e firmemente, estava mais forte, mais decidida e muito mais imponente – Tem coisas que não se é necessário saber, pelo seu próprio bem John, você não precisa saber de tudo...

Volte a olhar para frente, e ela me contou tudo o que sabia, sobre ser um nephilim, sobre a caçarem, o que acontecia todos os dias nas suas tentativas de fugir, contou sobre o quarto no inferno e sobre como Crowley, um demônio, rei das encruzilhadas, acabou se apegando a ela como uma aliada, o fato de o seu sangue demônio nunca ter apresentado sinais de perigo e principalmente da busca incessante nos anjos em lhe matar. Contou sobre como tinha fugido do inferno diversas vezes e como tinha voltado, tal como tinha sido sua última fuga, e a história que terminou nesse diálogo.

– No dia que você me encontrou eu estava na cidade mais próxima daquela estrada, e nisso Uriel me achou, quando eu o vi tentei me apressar em fugir, mas não consegui me mexer e senti ele tocando minha testa, de repente me senti mais fraca do que antes já tinha sentido na vida, mais ainda do que hoje, como você viu – A observava com atenção redobrada e parecia ter medo de ela quebrar a qualquer momento, mal sabia de tudo o que ela já poderia ter visto no inferno – Ele tinha tirado a graça que eu tinha, o meu lado angelical, por assim dizer, o lado que veio do meu pai. Então quando eu vi que não tinha como atacá-lo comecei a correr e dei de cara com Castiel, um anjo que é resignado a minha proteção, ele percebeu que algo estava errado comigo e viu Uriel atrás de mim, então começamos a correr e entramos naquele matagal, então aqueles acontecimentos dos quais me lembrei quando vi o enoquiano aconteceram e eu perdi a memória por causa do Uriel até que encontrei você...então você já sabe...

– É inacreditável, há dois minutos eu não acreditava na existência de um anjo... – comentei e ela simplesmente terminou minha frase.

– Quem diria na de uma união entre ele e um demônio? Não é? – Falou virando para mim e nossos olhos finalmente se encontraram, eu não havia olhado diretamente para ela até então – Eu sei que é maluco, mas por favor, acredite...Eu não tenho razão pra mentir...

Eu não sabia o que dizer, ou o que pensar, minha cabeça dizia que ela não mentia, mas era quase impossível de concordar e acreditar nisso, era uma história absurda, mas no mundo em que eu vivia era tão possível. A vi fazendo coisas inexplicáveis e talvez tudo fizesse mais sentido com isso, mesmo assim, era quase impensável e novamente eu queria não acreditar, mas seus olhos, eram verdadeiros e por isso, hesitante resolvi acreditar, comprometendo-me a matá-la se fosse necessário.

– Quando falou que poderia ser um demônio, eu não estava levando isso a sério – Eu disse.

– Eu sei que não – Respondeu entristecida – E não te culpo se quiser que eu desapareça, só não fiz isso ainda porque eu achei que merecia uma explicação, assim como Bobby...

– Talvez não seja uma boa contar para ele por enquanto – falei, não queria que ela desaparecesse, nunca.

– Eu não iria contar de imediato – Comentou – Eu não posso, na verdade...

A observei questionando o que tinha dito.

– Ninguém deveria saber da existência de anjos, muito menos de um Nephilim – Explicou – Viu o que a bruxa tentou fazer pelo meu sangue e o que eu posso fazer sem ter o meu lado de anjo impregnado...Imagine esse poder nas mãos de Azazel..

– Azazel? – perguntei.

– É o demônio de olhos amarelos – Ela continuou , pensei em questioná-la, mas ela percebeu e logo apressou a resposta – Ele é um tirano e me odeia, então não sei como matá-lo muito menos onde ele está...

Ficamos em silêncio de repente e tentei assimilar tudo o que estava acontecendo, antes de falar qualquer coisa.

– Acredito em você – Falei tentando retomar a conversa, senti o seu olhar em mim um pouco curiosa com minha decisão – Mas, ainda tenho dúvidas e...

– Se achar que deve duvidar de mim em qualquer momento, não hesitará em me matar? – Ela completou novamente – Entendo perfeitamente...

Sorri para ela, sabia que nunca precisaria lhe a apontar uma arma.

– Dois mil setecentos e quarenta e dois anos –Ela falou de repente e eu arqueei a sobrancelha tentando entender.

– É a minha idade, mais ou menos – Ela disse com toda a calma do mundo

– Você é mais velha que o mundo? – Perguntei abismado, era a última coisa que eu esperava daquela mulher.

– Na verdade, os anos começam a ser contados depois do nascimento de cristo, mas sim em teoria eu sou mais velha...

– E eu achando que era velho demais para você – Exclamei desconcertado, ela que era a velha da relação agora.

– Parece que o jogo virou, não é mesmo? – Trina disse tentando amenizar a situação, faz com que eu soltasse um riso frouxo.

Saímos do carro devagar e nos sentamos no capô, ficamos apenas em silêncio por alguns minutos quando ela se levantou e ficou bem na minha frente.

– Sinto muito, por tudo isso...- Ela começou e percebi que ela tinha vontade de chorar – Eu só queria que não fosse tão complicado.

– Se não fosse tão complicado – Falei analisando bem a situação, segurei a sua mão e a puxei para mais perto de mim, passando os braços por sua cintura – Não teríamos nos conhecido...e acredite...não consigo trabalhar com essa opção.

Ela sorriu e vi uma lágrima caindo, esperando que o riso fosse sua causa. Puxei ela para perto do meu rosto.

– Não consigo mais imaginar você longe – Falei sentido um sorriso bobo formando no meu rosto, aquilo era extremamente atípico de mim, mas era muito bom para ser verdadeiro.

Novamente ela riu.

– Nem eu – Ela respondeu e em um segundo senti seus lábios nos meus.

Senti seu sorriso junto com o meu e ouvi enquanto ríamos, ficamos algum tempo ali, ela me beijou como só havia feito uma vez, e o resultado fora um ótima noite, mas naquele momento, era dia e Bobby podia apareceu a qualquer segundo, e por mais que suas mãos na minha nuca fossem tentadoras, tal qual o caminho para o quartinho dela, a afastei um pouco, ficando apenas com sua testa grudada na minha.

– Desculpa – Falamos em uníssono.

Ela se separou um pouco mais e ficou pensativa.

– O que foi? – Perguntei depois de um tempo.

– Preciso que me prometa uma coisa...

– O que?

– Que nunca vai falar da minha existência para ninguém, só eu posso fazer isso, para sua proteção...

Olhei para ela um tempo e seus olhos azuis pareciam apreensivos.

– Claro que prometo – Falei assentindo – Faço o que você quiser para provar.

– Existe um acordo de sangue...Que não envolve sangue na verdade...Quero que o assine comigo...

– O que isso significaria? – Perguntei um pouco nervoso.

– Caso você conte isso para alguém...Você esquece que eu existi e eu...morro...

Arregalei os olhos para ela, que parecia firme na sua decisão, não hesitei nenhum minuto em dizer que sim.

– Como selamos isso? – Perguntei e de repente ela me beijou.

Rápido e simples, sem nenhum significado.

– Assim...- Ela falou – Está selado...

– Não vem me buscar em dez anos vem? – Falei brincando.

– Só se for para te levar pro paraíso – Ela comentou sorrindo.

– Leva agora – Falei aproveitando a deixa e a puxando para perto novamente.

– PODEM ENTRAR ENTÃO NÃO É?! – Nos assustamos com o grito inesperado de Bobby e caímos na gargalhada.