Um anjo e um Winchester
11 Capítulo 11 - Balthazar?
Notas iniciais

JOHN WINCHESTER
– Viu tudo isso agora? – Perguntei preocupado.
Depois do desmaio de Trina e seu pedido desesperado de irmos para Chicago, retornamos á casa de Bobby, levando alguns livros conosco. Enquanto Bobby procurava pelas páginas algo que nos dissesse que tipo de criatura lia Enoquiano, fiquei ao lado dela enquanto ouvia a história. Ela me contou de forma abrangente o que tinha visto e o que acontecera antes de nos encontrarmos.
– Esses nomes não me são estranhos – comentou Bobby depois que ela terminou a história.
– Eu não tenho ideia de quem são – Trina disse, estava trêmula, e muito nervosa – Só sei que esse homem sabe quem eu sou e isso que importa.
Bobby e eu nos entreolhamos, cocei a cabeça pensativo e comecei a andar de um lado para o outro na frente do sofá onde Trina estava.
– O que foi? — Ela perguntou, estava com um pouco mais de firmeza na voz.
– Trina – Eu comecei, ela estava atenta as minhas palavras – Você imagina como esse homem, Balthazar, é? Digo, aparentemente?
Ela pensou por um tempo, imaginando se tinha alguma imagem de sua memória.
– Não...- respondeu – Não sei...
– É uma viagem muito longa para ser perdida Trina – Bobby falou tirando as palavras de minha boca. Ficamos encarando-a por algum tempo.
– Se tem certeza do que quer – Continuei – Partimos agora, mas temos que saber se esse homem é real e estará lá...
Ela olhou para o chão e ficou com o foco ali por algum tempo, ela se levantou e para contrariar eu me sentei, ela ficou olhando para o chão, e começou a andar pela casa. Olhei para Bobby que, apesar de tudo, deu de ombros e continuou estudando os livros, quando olhei para Trina ela estava subindo as escadas.
– Vai atrás dela – Bobby disse, não me demorei em levantar e subir as escadas para procurá-la.
Andei no andar de cima da casa, ela estava no quarto ao lado do de Bobby, fui até ela e esperei algum sinal de que ela queria conversar. Como ela não disse uma palavra, decidi me pronunciar.
– O que quer fazer? – Perguntei.
– Precisamos ir – Ela respondeu – É a única dica que tenho...
– Entendo...
– Quanto tempo de viagem? – Ela perguntou.
– Umas nove horas – Respondi pensando no caminho.
– Se quiser ficar aqui, posso fazer isso sozinha – Ela disse me surpreendendo.
Levantei e fiquei mais perto dela, ela estava olhando para a janela e eu fiquei apenas atrás dela, esperando alguma reação, ela estava muito mais nervosa que o normal, o turbilhão de emoções não era comum para ela, fosse o que ela era, não devia se emocionar facilmente.
– Não vou deixar você ir sozinha – Respondi – Já disse que não vou fazer isso.
– Eu não quero que deixe de fazer o que precisa ou o que acha que tem por estar me ajudando – Ela virou e ficou de frente para mim – Agradeço, mas não posso te obrigar a isso.
– Não vai estar me forçando a nada, além disso, eu quero tanto quanto você, saber quem você é...
– E se eu for um demônio? – Ela perguntou tentando tranquilizar a situação.
– Teremos uma relação complicada – Respondi a abraçando – Mesmo assim, vou te ajudar a se encontrar.
– Obrigada – Ela respondeu correspondendo ao abraço – De verdade, muito obrigada...
Sorri por sua resposta e juntos descemos para nos preparar para a viagem.
***
KATRINA
– Vão viajar agora? – Bobby perguntou enquanto eu arrumava minha mochila.
– Sim, ainda está cedo – Respondeu John olhando para o relógio, eram 14h00 e considerando o tempo de viagem chegaríamos lá antes da meia noite.
Enquanto nos organizávamos vi que Bobby estava um pouco ansioso, me aproximei dele e lhe abracei, ele pareceu surpreso, mas correspondeu.
– Vai ficar tudo bem – Eu disse – Para todos nós...
– Eu sei – Ele disse – Cuidado.
Separei-me dele e sorri, John se aproximou e o abraçou rapidamente, depois mandando um tchau e dizendo que esperasse com cervejas para a próxima, pediu que fosse ver os filhos dele pelo menos se ele não voltasse em uma semana. Então, fomos para o Impala, entrei no carro e me senti nervosa, John percebendo isso segurou minha mão e, olhando para mim, disse:
– Vai ficar tudo bem, mesmo que de tudo errado. Ok?
Sorri e assenti, então ouvi o carro ligar e o acelerador sendo utilizado, senti um pequeno solavanco e fomos para a estrada, durante o caminho ouvimos muitas músicas que eu não conhecia, o estilo musical que ele gostava era completamente diferente do de Bobby, era melhor, não podia negar. Olhando pela janela, observando enquanto a paisagem corria para trás dela, não podia ver nada mais, as únicas memórias eram aquelas e não saiam de modo algum da minha cabeça. As dúvidas vinham, quem era Castiel, Uriel e principalmente, Balthazar. Perdida nesses pensamentos eu cai no sono depois de 3h viajando, John e eu não conversamos muito até ai de qualquer jeito, ele era muito quieto enquanto dirigia principalmente, só fui acordar quando estávamos há uma hora de Chicago.
– Trina – Escutei John – Acorde, vamos comer alguma coisa.
Abri os olhos devagar e com preguiça, olhei no relógio, já era 10 da noite. John abriu a porta do carro e me deu a mão para ajudar a sair.
– Devia ter me acordado antes – Falei enquanto caminhávamos para a lanchonete que ele tinha parado e estacionado.
– Não, você precisa descansar mais – Ele falou.
Arqueei as sobrancelhas me perguntando do que ele estava falando.
– Você dorme pouco – Ele complementou – Eu percebi isso esses dias com você.
– Entendi...- Falei cansada – Mesmo assim, me acorde agora, ok?
Ele assentiu e entramos no bar, sentamos na primeira mesa que estava vaga, pedimos algo que fosse rápido para preparar e esperamos enquanto éramos atendidos.
Começamos a conversar sobre o que deveríamos procurar em Chicago, quem devíamos encontrar na cidade, o que deveríamos fazer ao chegar lá e onde seria o primeiro destino, quando fomos atrapalhados, por alguém que, surpreendentemente, estava me chamando.
– KATRINA! – Disse um homem.
Ele era magro, alto, tinha os olhos esverdeados e os cabelos louros, uma barba rala e tinha um jeito meio exagerado, usava terno e calça pretos, mas uma camisa roxa, no seu pescoço um colar engraçado que não tinha a mínima relação com ele, mais parecia um colar de mulher.
– Procurei você por todos os lugares! – Ele falou, realmente preocupado – Por onde esteve?!...
Ele parou e olhou para John que observava o homem com um olhar extremamente restrito, o analisando detalhadamente, ao que eu estava com quase toda a certeza de quem ele era.
– Está conversando com caçadores? – Ele perguntou – Trina o que você tem? Fale comigo!
– Você é Balthazar? – Perguntei levantando e ficando mais perto da altura dele.
– Não lembra de mim? – Ele questionou preocupado.
– Não lembro de nada – Falei.
Ele olhou para mim espantado, a cada momento observando as portas e as pessoas em volta. John estava com uma arma na mão a todo tempo e ficou olhando para mim um longo tempo, quando vi uma brecha decidi ser mais direta do que poderia, mas era o certo.
– Balthazar? – O chamei e ele olhou para mim – O que eu sou?
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