Ainda não conseguia acreditar, ele aquele que eu mais odiava, que só recentemente começava a gostar (como amigo) era o rapaz com que eu brincava em pequena e que só por coincidência até tinha sido a minha primeira paixão!? Só podiam estar a gozar! Tudo isto, tudo o que estava a acontecer, fazia-me sentir irreal, uma ficção, fazia-me sentir a heroína de uma banda desenhada em que o enredo são um monte de romances e saídas sem fim, não parecia verdade, não mesmo!

Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje, como se tivesse a acontecer nesta preciso momento, foi no dia 9 de julho na parte da manhã, estamos a brincar no lago que ficava perto da casa da minha avó! Nessa altura já ele sabia o que eu sentia por ele e ele por mim, estávamos a brincar as escondidinhas quando eu encontrei uma borboleta, era a borboleta mais linda que eu já tinha visto! Estava maravilhada, eu fiquei obcecada, não conseguia tirara os olhos dela!

Foi quando o Hiroto chegou e por acidente fez barulho, fazendo com que a borboleta fugisse, eu comecei a chorar (naquela época, eu era realmente uma verdadeira chorona) ele ficou com pena de mim então ele esfarrapou-se todo para encontra-la ou pelo menos uma parecida, e encontrou-a, mesmo em cima do ramo da nossa cerejeira favorita, ele trepou-a com uma perícia de fazer enveja a qualquer um mas quando finalmente a apanhou, o tronco da árvore partiu e ele caiu, mas por sorte só se arranhou no braço, mas o pior veio a seguir!

Eu corri com medo que ele se tivesse aleijado, mas então ele portou se de um modo totalmente egoísta! Resmungou:

—Isto é tudo por tua culpa! Se não tivesses começado a chorar eu não tinha de ter subido à cerejeira!

Eu estava um pouco zangada pelo que ele disse, mas sabia que ele não suportava ver-me chorar pois sempre que eu chorava ele ficava parado sem saber como agir! Então simplesmente pedi desculpa mas tal como ele disse quando nos falamos pela primeira vez depois de anos, ele disse:

—Ai é!? Como castigo quero um beijo!

E beijou-me à força! Agora que penso nisso, como eu fui burra em não me lembrar, realmente ele fez o mesmo, exatamente o mesmo que fizera quando nos zangamos!

E agora, tinha-o à minha frente, o que lhe diria eu depois de me esquecer dele, alias de nós!?