Quando leio penso que é uma brincadeira, mas algo me faz acreditar que aquilo é verdade. Escrevo no bilhete e mando de volta para ela.

“Claro, a gente pode decidir o lugar no intervalo.” Tento controlar a animação, mas não consigo me conter muito. Acabo soltando um sorriso enorme. Espero que ele não tenha percebido. Difícil não perceber isso.

Vejo que ele viu quando sorri e sinto meu rosto queimar. Nunca me senti envergonhada por algo tão bobo antes.

Intervalo. Chris e eu andamos pelos corredores. Conversando. Estamos decidindo aonde vamos e nós dois queremos ir a algum lugar mais distante daqui. Estou um pouco nervoso. Já saí com garotas antes, mas ela é diferente. Ela não é nada semelhante a nenhuma das garotas com quem já saí. Ela é especial.

Quando finalmente decidimos aonde ir, o sinal do fim do intervalo toca. Agora temos aula de matemática. História e matemática no mesmo dia, que droga. Decidimos sentar juntos. Nenhum de nós gosta de matemática então vamos ficar jogando papo fora.

Finalmente acabaram as aulas da manhã. A ansiedade fez cada minuto parecer eterno. Pelo menos esses minutos foram ao lado dela então valeram a pena. Saímos do colégio para pegar o ônibus. Nessa hora esse ônibus está vazio. Sentamos no banco e vamos conversando. De repente, ela se deita no meu ombro e se ajeita ali, parece que ela está confortável assim. Assim como eu também estou.

Descemos do ônibus. Não estamos longe do restaurante que escolhemos. É um lugar bem interessante, bem romântico também.

Até agora imagino se é um sonho eu estar saindo com ela ou se é realidade. Minha animação é grande, mas tento me conter.

Passamos o almoço todo conversando, nos conhecendo melhor. Estamos quase voltando ao colégio quando recebo uma mensagem no celular: “O professor da tarde faltou, pode ir para casa ou continuar o encontro :D“. Digo a ele sobre a falta do professor e então resolvemos continuar o encontro.

Começamos a andar pela cidade, tentando decidir o que fazer agora. Decidimos ir ao cinema. Ele aceita ir ver um filme de romance que está em cartaz que eu queria ver.

Que fria está essa sala. Será que ele se importa se eu ficar abraçada com ele, só para esquentar um pouco? Antes mesmo de eu perguntar ele me envolveu com seus braços e me abraçou forte. Agora melhorou. Passamos o filme todo assim, abraçados. De vez em quando tento olhar seu rosto, mas nossos olhares se encontram e logo viro de volta o rosto para esconder minha vergonha. Admito, gostei dessas trocas de olhares.

Quando acaba o filme já está ficando tarde e preciso ir para casa. Ele diz que vai me levar até em casa.

A viagem é longa até em casa, acabamos dormindo abraçados no ônibus. Quando chegamos à porta da casa dela ela me convida a entrar, mas, infelizmente, tenho que recusar. Tem algumas tarefas a fazer em casa. Mas não vou me preocupar com isso agora.

–Adorei o dia de hoje.

–Eu também. Espero que a gente possa repetir a dose qualquer dia desses.

–E vamos.

Abraço-a para me despedir, um abraço longo, demorado. Afasto-me um pouco até ficarmos frente a frente. Nossos olhares se cruzam. Aproximo-me mais um pouco e nós nos beijamos.

...