– Oi, prazer, Cristhina. Qual seu nome? – Sua voz era doce e suave, me acalmava ao ouvi-la.

– Oi, Leonardo, prazer. – Tento me manter calmo, mas pelo visto minha voz não saiu normal, percebi pela risada que ela deu depois disso. A risada dela me encanta, e é contagiosa porque acabo sorrindo junto.

A conversa vai se desenrolando, mas não consigo prestar atenção no que digo e no que ouço, meus olhos estão presos a ela, imagino como seria vê-los ao acordar, acho que assim acordaria feliz. Vou tentar me concentrar na conversa.

Ela diz que quer me conhecer, pede para eu me apresentar Acabo descobrindo que ela mora perto da minha casa (beleza, já tenho uma companhia na volta pra casa)

Pergunto a ela sobre sua família. Nunca soube como é ter uma família de verdade, meus pais se separaram antes de eu nascer e meu irmão morreu quando eu tinha dois anos, vítima das drogas.

Os pais dela são casados há 20 anos, quanto tempo, ela tem um irmão e uma irmã, Arthur é o mais velho e Emily é a filha do meio, Christina é a caçula, eu também era. Ela pergunta como é a minha família e eu respondo que nunca tive uma família de verdade, ela parece triste com a resposta. Digo que moro com meu pai e aos fins de semana vou à fazenda onde minha mãe mora.

O sinal do intervalo toca e ela pede para eu acompanhá-la, gostei da ideia, mas tento não demonstrar tanto interesse, mas acabo falhando com um sorriso quando ela me pede isso.

Estamos lanchando, ela fala e eu continuo só escutando, prefiro ouvir a contar histórias tristes e depressivas sobre a minha vida. Ela fala sobre os amigos dela, dou a ela meus pêsames ao ouvir do melhor amigo dela que morreu num acidente de carro no final do ano passado, mas ela diz que está tentando superar.

Ela diz que gosta do meu jeito de me vestir e dá uma risada, não acho esse uniforme “estiloso” e sim brega. Nós rimos juntos disso, acho que ela gosta de piadas sem graça.

A vida dela é muito mais interessante que a minha, ela vai à baladas e open bars, enquanto eu vou às festas country no meio do nada durante os fins de semana, mas isso até que é divertido. Os caipiras são legais.

Estamos conversando, o intervalo está quase acabando, os amigos dela não se aproximaram da nossa mesa o intervalo inteiro, mas ela não estranha isso, imagino o que pode ter acontecido. Ela pede para eu contar mais sobre mim, aviso-a que não são histórias boas, mas ela parece interessada em me conhecer.

Infelizmente o sinal do fim do intervalo toca e eu acabo esquecendo o que ia falar. Agora temos aula de Educação Física. Não estou a fim de fazer essa aula, odeio queimada. Os times são divididos, garotos contra garotas. Tem mais garotas nessa turma, injusto, mas vamos lá.

O jogo começa nada agitado demais, depois de um minuto ninguém acertou ninguém, que jogo sem-graça. As eliminações começam, até agora saíram dois de cada time, tenho o pressentimento de que serei o próximo. Abaixo-me para pegar uma das bolas que caiu no chão. Quando levanto a cabeça só dá tempo de ver aquela enorme bola vermelha a menos de um palmo da minha cara.

Ficou tudo escuro...

...