Um amor perdido

14 Capítulo 15Final


Notas iniciais
Então galera, desculpem a demora pelas postagens, mas aqui vai um MEGA CAPÍTULO FINAL PARA VOCÊS

...

No meio do beijo minha mãe entra no quarto e nos interrompe.

–Desculpa, estou atrapalhando né?

–Agora não mais. Vou lá resolver uns problemas.

Dou um último beijo em Christina. – Até mais tarde.

Despeço-me da minha mãe e vou para a garagem. Ela tinha me pedido para dar uma olhada no carro dela que tinha dado algum problema antes de eu chegar.

O carro velho da minha mãe já está num estado deplorável, é de se surpreender que ele ainda não esteja inútil. Tenho que ver isso logo se eu quiser chegar ao evento a tempo.

Tento ligar o carro, mas não consigo. Vou checar o motor. Levanto o capô do carro e começo a tentar descobrir o problema.

–Você deve ser muito bom em consertar as coisas. – Ana chegou tão de repente que nem percebi e, pelo susto, bati minha cabeça no capô do carro.

–Desculpe-me, acho que devia ter avisado que estava por aqui.

–Você acha?

–Sinto muito. Deixe-me ver como está isso aí.

Enquanto ela vê como está, começo a me sentir tonto e sinto algo molhado logo acima do meu olho.

–Nossa. Você teve um corte feio aqui. Vamos lá para dentro, vou te ajudar com esse machucado.

...

Entramos a minha casa e eu me sento no sofá. Minha mãe já conhece Ana então não a viu como uma estranha. Elas se cumprimentaram e Ana explicou o que aconteceu. Depois de tudo explicado, avistei Christina na entrada da sala com uma expressão de preocupação, quase chorando. Acho que o machucado está mais feio do que eu pensava.

Ana avistou Christina na porta da sala.

–Oi, acho que ainda não fomos apresentados. Como se chama?

–Oi. Eu me chamo Christina. O que houve?

–Ah, ele só bateu a cabeça, mas logo vai estar bem. E você é o que dele?

–Eu sou...

–Ela é minha namorada.

...

–Ah, sua namorada. Você não me disse que tinha uma.

–É... Bem, não é nada sério ainda.

–Tudo bem, acho que vou para casa. Vejo vocês mais tarde.

Ana se despediu e foi embora. Desculpei-me com Christina pelo que falei, só queria que Ana fosse embora. Não que eu estivesse nervoso com ela aqui, eu só preciso descansar um pouco.

Depois de um longo descanso, me levantei bem a tempo de ir para a corrida. Arrumei-me correndo e saí de casa.

Já estava no início da trilha e fui caminhando um pouco, encontrando velhos amigos meus da cidade e começamos a conversar e jogar papo fora enquanto os outros não chegavam.

A corrida já ia começar, fui para o meu lugar e esperei os outros. Enquanto os outros chegavam eu ia cumprimentando-os e desejando-lhes boa sorte. Quando Ana chegou, cumprimentei-a, mas ela parecia um pouco diferente.

A corrida estava tranquila demais, diferente dos outros anos, não estava tão empolgada assim. Até Ana, que sempre me deixava muito para trás, estava bem atrás de mim. Decidi continuar como se a corrida estivesse normal e acelerei. Quando eu estava muito a frente de todos, ouvi um barulho muito alto e muitos gritos vindos de lá de trás.

...

Voltei para ver o que tinha acontecido. Quando chego ao local, me deparo com uma cena horrível: Ana bateu de frente com uma árvore e abriu um corte profundo na testa.

Depois que os socorristas chegaram, disseram que iriam levá-la ao hospital e que cuidariam dela como pudessem. Pediram para os pais irem juntos para o hospital, e eles foram. A expressão de todos era de total desespero. Todo mundo nessa cidade se conhece. Todo mundo se dá bem com todo mundo.

Todos foram para as suas casas, o clima ficou pesado por toda a cidade depois daquilo. Ficamos, Christina e eu, sentados em um banco de uma praça ali perto. Eu deitei-me no colo dela, fiquei apenas observando as estrelas enquanto nós conversávamos. A gente acabou conversando sobre o que aconteceu naquele dia, ela pediu perdão de novo e disse que ela sempre quis, só ficou muito nervosa na hora.

Então nós conversamos mais e decidimos nos dar outra chance. Sei que, depois de tudo, é meio que burrice eu voltar nisso, mas não sei, nunca consigo raciocinar direito quando se trata da Christina.

De volta em casa, tentei conversar com minha mãe, mas ela não parecia estar “em órbita”. Fui para o meu quarto, acompanhado de Christina. Conversamos por um tempo, ela notou que eu estou meio abatido e disse que iria me deixar em paz. Pedi a ela que ficasse e que precisava de alguém comigo. Ela aceitou e se sentou na cama, ao meu lado. Nós passamos um bom tempo conversando e namorando um pouco até minha mãe entrar correndo no quarto (De novo, mãe?!).

–Desculpa atrapalhar, mas queria avisar logo a você, Leo. Infelizmente a Ana não resistiu aos ferimentos e faleceu há alguns minutos. Eles tentaram de tudo, mas ela já tinha perdido muito sangue no caminho para o hospital e também teve algumas fraturas. Ela não resistiu. – As palavras de minha mãe saiam aos poucos, como se cada palavra fosse acabar em uma lágrima a mais. Ana era querida por todos daqui, vê-la partir assim não seria fácil.

Minha mãe saiu em desespero do quarto, elas sempre foram bem próximas, logo percebi que ela iria acabar chorando em pouco tempo, mas acho que ela não queria fazer isso na frente da Christina. Ela entrou em seu quarto e se trancou lá. Não vai sair dali tão cedo, não vai nem adiantar tentar conversar.

Christina e eu conversamos por um tempo a mais, mas acho que estava cansado demais porque, de repente, comecei a me sentir “longe dali” e devo ter dormido ali mesmo.

Acordei na manhã seguinte. Abraçado com Christina. Uma noite dormindo ao lado dela, era disso que eu precisava. Agora posso morrer feliz. Ao menos eu achava que podia.

...

Christina acordou e disse que teria que ir embora logo. Não demorou muito para arrumar suas coisas e sua mãe vir buscá-la. Eu teria que terminar as coisas aqui e iria logo atrás, então me despedi de Christina e sua mãe e disse que as veria logo.

Passei a manhã ajudando minha mãe a arrumar e limpar a casa. Até ajudaria a fazer o almoço, mas sou um desastre na cozinha.

Minha mãe ligou a TV no noticiário. Logo apareceu uma notícia ao vivo de um acidente na estrada. Duas mulheres saíram gravemente feridas dali, sendo rapidamente levadas para o hospital. Quando disseram quem eram as mulheres, fiquei devastado. Christina e sua mãe tinham acabado de se envolver num acidente de carro.

Peguei a chave do carro e saí correndo para fora, gritei por minha mãe para ela vir, pois eu precisava estar lá logo. Minha mãe fechou a casa, entrou no carro e pisou fundo. Fomos procurando entre os hospitais mais próximos dali até achá-las num hospital um pouco distante.

Subimos correndo até o quarto, mas não tinha ninguém lá. Disseram que tinham as levado para a sala de cirurgia e que nós teríamos que esperar.

Longas horas se passaram. Minha mãe disse que tinha de ir a casa para terminar os serviços, mas eu fiquei ali. Impaciente e ansioso. Espero que elas estejam bem.

O médico chegou à sala de espera. –Você é parente delas?

–Pode-se dizer que sim.

–Tenho uma boa e uma má notícia para te dar.

–Diga.

–A senhora sobreviveu, com algumas sequelas, mas ela está bem. Vai viver. Já a jovem, o estado dela é bem crítico e temo que ela não tenha mais do que algumas horas de vida. Eu sinto muito.

Meu mundo desabou. Parece que todos os sentimentos que inundavam a minha mente agora a pouco, se tornaram nada. Fiquei mudo por um bom tempo e o médico se virou e estava saindo.

–Eu posso vê-la?

–Pode sim. Venha comigo, por favor.

Quando entrei na sala, Christina estava ligada a uma série de aparelhos, não aguentava vê-la assim.

–Oi.

–O que houve?

–Eu não sei. Não me lembro do que aconteceu

–Me desculpe.

–Pare de se desculpar. Não foi culpa sua. Mas relaxa que vai ficar tudo bem.

Minha mente se perde nas palavras do médico. “Temo que ela não tenha mais do que algumas horas de vida.” – Eu sei disso.

–Você ainda vai ter que me aguentar por um bom tempo.

Suas palavras são caladas por um bipe contínuo. Seu coração acabou de parar. Sinto lágrimas rolando pelo meu rosto enquanto sou retirado à força da sala. Fora da sala, só consigo pensar no pior.

Alguns minutos depois o médico sai da sala com uma expressão que já me diz tudo. –Sinto muito.

Fico olhando a expressão dele, me viro e saio dali com lágrimas rolando pelo meu rosto. Não consigo mais pensar em nada direito.

Duas pessoas que eu amava, perdidas em questão de horas. Não vou aguentar mais uma dor assim.

“Já faz cinco anos. Cinco anos que ela se foi. Meus amigos dizem que eu deveria esquecê-la e seguir em frente, mas eu simplesmente não consigo, o melhor ano da minha vida terminou com a pior tragédia que poderia ter acontecido; eu perdi o amor da minha vida.”

“Sinto muito, pai. Perdoe-me, mãe. Eu só não consigo viver com a dor de perder pessoas que eu amo. Já faz cinco anos e eu ainda sinto a mesma dor como se eu tivesse acabado de receber aquelas notícias. Espero que recebam isso. Amo vocês. Adeus.”

Notas finais
Espero que tenham gostado, vejo vocês aqui numa próxima fic :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!