Um amor não correspondido
7 Capítulo 7
Notas iniciais
POV PRISCILA
— Quero ficar sozinha! – declarei para meus avôs, entrando no quarto.
— Vou te preparar uma vitamina de morango e torradas, está bem? – apesar de estar falando comigo, vovó não me encarava nos olhos. Acho que ela ainda estava chateada comigo por ter expulsado ela e meu avô do quarto de hospital.
— Tá, tá! Só me deixa sozinha! – dei os ombros e já estava preparada pra fechar a porta.
— Priscila... – vovô tentou falar, mais eu neguei com a cabeça.
— Sozinha! – enfatizei, fria.
Assim quando fechei a porta, deixei meu corpo escorregar pela sua madeira.
Agachei-me e enterrei minha cabeça nos braços, apoiados pelo meus joelhos.
“Eu não gosto da Priscila! Não gosto e nunca vou gostar!” a voz do Joaquim surgiu na minha cabeça, fazendo-me derrubar algumas lágrimas.
Havia passado a noite no hospital em observação. Minha vó havia ficado o tempo todo comigo, embora eu só a tratasse com frieza. Eu não queria... Mais fazia. Oque é uma coisa difícil de entender. Às vezes as ações não são feitas para serem explicadas. Apenas sentidas. E naquele momento, meu coração estava frio e triste.
Levantei-me do chão e fui pro banheiro, e tomei um longo banho. Após sair, sinto mais lágrimas descerem, mesclando-se com o meu rosto molhado pela água.
Vesti uma calça jeans, e uma blusa preta. Peguei um moletom antigo, que estava no fundo do guarda-roupa e o vesti. Penteei meus cabelos e os deixei molhados mesmo, para seca-los com o tempo.
Mergulhei sobre minhas cobertas quentinhas, e dei um suspiro...
— Quanto tempo perdido, esperando apenas um sinal... – cantei, numa fina melodia – Achei que esse amor não seria em vão... Doce ilusão a minha... – derrubei mais algumas lágrimas.
Passei a noite em claro, tentando achar às palavras certas, para combinar com o refrão, que eu havia feito sem perceber.
Mais não havia ritmo. Apenas uma melodia triste e vazia, e eu decidir que a música não seria naquele timbre. Iria ser animada.
E eu decidir outra coisa: não iria mais sofrer pelo Joaquim! Eu passei muito tempo correndo atrás de uma pessoa que não dava a mínima pra mim. E eu me desvalorizei demais.
Mais parecia que quanto eu mais sofria, mais o meu amor por ele aumentava e eu não queria aquilo. Iria focar e mim e no meu corpo para emagrecer. Eu tinha que ficar bonita a qualquer custo! Em breve serei ainda mais famosa e milhares de garotos caíram ao meus pés.
E depois eu vou olhar pra trás e rir de como eu fui boba ao gostar do Joaquim. Enquanto isso... Era chorar e lamentar por um amor não correspondido.
POV JOAQUIM
Entramos no Café dito pela própria Chloé, e achei o cenário bem bonito. As paredes puxavam um marrom chocolate, enquanto que os pilares eram um café com leite, com alguns detalhes curvados em preto.
Parei de admirar o local, quando Chloé me puxou pela mão e me fez sentar em umas das mesas.
— Ei, por favor! – ela chamou atenção de uma garçonete que estava perto do balcão. — Vai querer oque? – então olhou-me.
— Chloé, eu... – cocei a nuca, muito constrangido – Não tenho dinheiro!
Ela me fitou, e deu uma leve risada.
— Se eu te convidei, é óbvio que eu vou pagar! – sorriu, e eu abri um de lado – Um descafeinado, por favor! – ela pediu a garçonete, que já estava do lado da nossa mesa.
— E você? – ela anotou o pedido em um bloco de notas, e depois olhou pra mim.
— Um cappuccino duplo! – ela assentiu, voltando a anotar no bloco de notas e depois saiu.
— Então... – Chloé me observou vagamente, oque me fez ficar um pouco desconfortável. Pois sua beleza intimidava. – Primeiro de tudo: preciso urgentemente do seu autógrafo! – ela declarou, com os olhos brilhando. Então tirou um caderninho na bolsa que carregava e me entregou. A capa era bem bonita, com flores e corações. Seu nome estava entalhado em letras bem grandes. Abri um sorrisinho, e girei a capa, encontrando a primeira folha limpa.
— Com amor, de Joaquim Vaz. – soletrei oque eu escrevia, e após acabar, o entreguei de volta. Foi nessa mesma hora que nossos pedidos chegaram.
— Obrigada! – agradeceu Chloé sorrindo levemente, bebericando seu café.
— Obrigado. – também agradeci e a garçonete sorriu, logo saindo, voltando ao seu posto de origem.
— Eu ainda não acredito que estou aqui, com você! – exclamou ela – Sou muito sua fã e da banda. Amo todas as músicas. Também tenho o sonho de ser cantora, mais não tive oportunidade entende? – ela abaixou o olhar, soltando uma pequena rajada de vento pelas narinas.
Fiquei sem saber oque dizer. Tomei um gole do meu cappuccino, quando resolvi me pronunciar:
— Não fique assim. – pedi, com certo pesar – Tenho certeza que um dia realizará seu sonho, como eu realizei o meu! – então em seu rosto iluminou em um sorriso, dando pra vê nitidamente seus dentes perfeitos.
— Tem razão. – tomou mais um gole do seu descafeinado – Mais vem cá... É verdade que você e a Priscila estão namorando? Nas redes sociais só comentam isso!
Engasguei com a minha própria saliva.
Tomei um gole do meu café pra disfarçar, enquanto que minha garganta queimava por dentro.
“É tudo pela banda!” a voz de Regina ressurgiu na minha mente. “É tudo pela banda!” reafirmei em pensamento, liberando um suspiro frustrado.
— Sim...
Chloé me encarou surpresa.
— Pensei que era só boatos... – ergueu uma sobrancelha – Pois em muitas bandas acontecem isso...
Eu suspirei.
— Acho que foi a convivência sabe? – eu sorri forçado – A P-Priscila... – dei uma lufada de ar, e o aspirei de novo pelas narinas, soltando-o mais uma vez – Ela é l-linda e uma pessoa legal... Com ela, consigo ser eu mesmo...– senti meu rosto inteiro queimar.
— Ainw, que fofo! – ela sorriu, mostrando suas covinhas – Bem que eu queria conhecer a banda e a gravadora! – Chloé suspirou, apoiando seus cotovelos sobre a mesa.
Parei pra pensar por alguns segundos.
— Ei, eu posso falar com o Vicente, o produtor da banda... – ela fixou seus olhos em mim, abrindo um sorriso grande – E podemos chamar sua visita de: “Um dia com os Cúmplices”...
— Você faria isso mesmo? – levantou-se da cadeira, batendo palminhas. Em seguida, deu a volta na mesa e jogou-se em meus braços – Brigada, brigada! – encheu minha bochecha de beijos.
Durante o processo, sentir uma luz diferente vindo em nossa direção. Envergonhado, afastei Chloé e me mexi na cadeira, desconfortável com a situação.
— Aí Joaquim! – ela colocou a mão na boca – Desculpe... – abaixou os olhos.
— Não se preocupe... – nervoso, mexi no meu cabelo e abri um sorrisinho de canto.
— Vou pagar os cafés... – pegou a bolsa em cima da mesa – Me espere aqui! – proferiu, e em seguida saiu.
Fiquei batucando a mesa por alguns segundos, até mergulhar nos meus pensamentos de novo.
Porque eu fiquei tão tímido ao falar da Priscila? Será que era o motivo de eu mentir pra uma fã? Por me sentir tão péssimo?
Agarrei meu gorro com às mãos, e fiz uma expressão raivosa. Esses pensamentos vão me enlouquecer, se eu continuar assim...
Eu suspirei, voltando a batucar a mesa, agora com um ritmo:
Você quer ser minha princesa?
E fugir comigo pra qualquer lugar
Se só o que me importa agora
É te amar.
Você quer ser minha princesa?
E fugir comigo pra qualquer lugar
Se só o que me importa agora
É te amar
A imagem de uma Manuela sorridente me apareceu. Mais logo dissipou-se, dando lugar a uma Priscila triste e sozinha. Me lembrei no dia que ela me pediu pra não contar a seus avós sobre seu mal estar.
Coloquei a mão sobre minha cabeça, gritando com o meu subconsciente. Oque estava acontecendo comigo, afinal?
— Joaquim?! – alguém colocou a mão no meu ombro. Tirei minhas mãos da cabeça, e encarei Chloé um pouco assustado. – Desculpe se eu te assustei... Mais você tava com uma cara e... Enfim, desculpe!
— Tudo bem... – assenti com a cabeça – Podemos ir?
Ela balançou a cabeça levemente, e eu me levantei da mesa. Saímos do café e andamos até um ponto de ônibus.
— Foi incrível, Joaquim! – ela comentou – Tipo, muito obrigada mesmo. – beijou minha bochecha – Aqui tá meu telefone! – ela tirou um papelzinho dentro da sua bolsa e me entregou – Se concordarem, me liga tá? Tchau! – ela acenou e começou a andar.
— Tchau Chloé! – gritei e ela girou a cabeça e sorriu, virando seu corpo pra frente.
Enfiei o papelzinho dentro do bolso da calça, e comecei a caminhar sentido ao meu prédio. Não havia me afastado muito, então durou quase quinze minutos. Encontrei o Dinho na portaria, e agradeci mentalmente por não ser a Meire. Dei um breve “olá” e me dirigir até meu apartamento.
Destranquei-o com a chave, e joguei-me no sofá, com o olhar perdido no tempo. E em menos de cinco minutos, pude ouvir a voz dos meus irmãos se aproximando da porta.
— Argh, odeio aquela velha e... – Júlia deixou seu xingamento no ar ao me vê – JOAQUIM! – e jogou-se em meus braços, beijando minha bochecha – Que bom que está melhor. – e sentou-se no sofá.
— É, eu também.
— Tô com fome! – declarou Felipe, se esparramando na poltrona – Sorte que a Tia Alicia nos convidou pra comer na casa dela. Aliás, ela disse que veio aqui, mais o apartamento tava trancado!
— Fui dá uma volta! – levantei-me do sofá – Depois eu explico! Tomem logo seus banhos, pra gente ir!
— Não faço a menor questão. – disse Felipe, com uma expressão despreocupada no rosto.
— Garoto porco. – retrucou Júlia, deixando a sala.
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