Um amor maior
23 Capitulo 22 - Desejos
Notas iniciais
Depois de almoçarem no Dirty Robber, Jane e Maura decidiram ir passear. Escolheram passear pelo Boston Public Garden, um dos mais pequenos parques da cidade, mas não menos belo do que os outros.
Boston é conhecida como a “The Walking City”, a cidade para caminhar, e não é à toa. É muito fácil ir a pé de um ponto ao outro no centro. E estando lá, Boston Public Garden faz as delicias dos seus visitantes, conhecido, logicamente, pelos seus jardins, as suas fontes, pelo seu lago com barcos com cabeça de cisne e por algumas estátuas que possui como por exemplo a estátua equestre de George Washington, o primeiro presidente dos estado unidos, tudo isto fazia do jardim um lugar perfeito para crianças e casais apaixonados, tal como Maura e Jane eram.
Andaram de mãos dadas enquanto iam conversando e observando tudo à sua volta, em tudo o que observavam Maura tinha sempre uma explicação ou uma curiosidade para mostrar e isso deixava Jane encantada, todo aquele lado de sabichona que deixava tanta gente desconcertada tinha o efeito contrário em Jane, aquilo a fazia apaixonar-se mais por Maura dia após dia.
— Jane sabias Public Garden é usado como cenário do filme Good Will Hunting, com o Robin Williams e o Matt Damon? — indagou a loira enquanto passeavam fitando a morena
— Já tinha ouvido falar sim Maur— respondeu a morena com um sorriso
— Jane podemos sentar-nos um bocadinho?
Depois de terem percorrido praticamente o parque todo Maura e Jane sentaram-se num dos seus bancos e ficaram a ver as crianças a correr e a brincar com os cisnes. Jane colocou o braço sobre os ombros de Maura e puxou-a para si
— Sinto-me tão bem assim— falou Maura
— Assim como? – falou a morena sem compreender
— Contigo… abraçada… ao sol… perto da natureza… com crianças – murmurou algumas palavras a loira
Quando um casal passou à frente das duas a empurrar um carrinho de bebé, podiam perceber pelo rosa usado que era uma menina, Maura soltou um suspiro e fez uma expressão de tristeza, ainda sentia muito ter tentado fazer a inseminação e no fim o resultado do exame ser negativo.
— Nós ainda vamos ter a nossa menina Maur – falou a morena ao entender o suspiro de Maura
— Com a porcaria desta doença acho que já não vamos a tempo— falou Maura transparecendo a sua mágoa
— shiuuuu— fez a morena dando de seguida um beijo no topo da cabeça da loira
Ficaram ali a ver os esquilos a subir as árvores e a saltar de um lado para o outro, e não puderam deixar de rir com as travessuras dos pequenos mamíferos. O dia estava bom, convidada a banhos de sol e ao contato com a natureza, com tanta tranquilidade ali sentadas mal deram pelo tempo passar.
Vários pequenos carrinhos com produtos iam alimentares passaram a frente de ambas enquanto ali estavam sentadas naquele banco
— Jane…
— Sim amor— respondeu a morena
— Acho que estou a ficar com fome…
— Podemos ir comprar um hambúrguer naquela lanchonete ao fundo do parte, o que achas?
— Oh… — falou Maura num tom desanimado com a sugestão
— O que foi? – questionou Jane olhando para Maura
— Não queria comer hambúrguer
— Ai Maur, por favor não me venhas pedir coisas verdes, naturais e saudáveis e bla bla bla, teremos muito tempo para isso, hoje podemos abusar um bocadinho?!
— Não, também não desejo comer nada “verde” como dizes Jane
— Ué… tas com desejos? De quê? — falou a morena fitando Maura com curiosidade
— Apetece-me comer algodão doce… - respondeu a loira
— Doutora Maura Isles— falou Jane a olhar para Maura com cara de espanto – a querer comer uma “porcaria” assim? Maur sentes-te bem?— falou Jane num tom de deboche
— Qual é o problema Jane? Uma vez não faz mal e sim eu tou com vontade de comer algodão doce— falou Maura com um sorriso meigo no rosto
— Então o seu desejo, doutora, é uma ordem… Vamos procurar logo esse carrinho de algodão doce?!
— Vamos
Andaram um pouco pelo parque e avistaram o pequeno carrinho do outro lado da estrada, Jane não pode deixar de sorrir ao ver a satisfação de Maura a olhar gulosamente para aquele carrinho cheio de algodão-doce, parecia uma criança feliz, ingénua e fácil de agradar. Mas muitas vezes era assim que Jane via Maura, por for uma mulher, dona de um corpo definido e que a deixava maluca e por dentro uma criança, ingénua que precisava de ser protegida, acarinhada e amada.
Jane dirigiu-se à vendedora e comprou dois pauzinhos de algodão doce
—Toma comprei rosa porque sei que sabe a morango— falou Jane esticando o braço com um algodão doce na direcção de Maura
—É por isso que eu te amo Jane, porque faz sempre as minhas vontades – respondeu Maura pegando o algodão doce e soltando um sorriso meigo
— Desde quando gosta tanto de algodão doce?— perguntou a morena fitando Maura ao seu lado
— Nunca comi, mas eu desejo comer algodão doce — começando a comer o algodão doce
— Lá em França nas cidades chiques que conheceste não há algodão doce?— indagou a morena
— Que delicia Jane, acho que vou comer o teu também— respondeu Maura enquanto se lambuzava tal e qual a criança que Jane tinha imaginado
Jane não pode conter uma gargalha com a afirmação da morena.
— De onde vêm esses há mais amor… Podemos…— respondeu tirando um pedaço do seu algodão doce
Jane não teve tempo de continuar, pois Maura já tinha tomado os seus lábios para lhes depositar um beijo, lento, apaixonado, que expressava tudo o que ambas sentiam e com sabor a algodão doce. Jane entregou-se totalmente aquele beijo, como ela amava aquela mulher, como aquelas mulheres se amavam, pensavam entre si.
— Os teus lábios sabem a algodão doce — falou Maura enquanto dava mais um beijinhos e outro e outro!
— Boba… — respondeu a morena por entre beijos
O final da tarde aproximou-se a olhos vistos e Jane e Maura tiveram de deixar o parque. Antes de ir para casa passaram na escola e pegaram Fred. Jane estacionou o lexus de Maura e ambas saíram do carro em direcção à escola, junto ao portão estava Fred que aguardava ansiosamente a chegada das duas, quando as avistou ao longe correu em direcção de ambas, deixando a mochila para trás, e saltou para o colo de Jane, cheio de sorrisos, depois aproximou-se de Maura e envolveu-a dentro de um abraço apertado.
— Pensei que não fossem chegar mais — falou o menino dirigindo-se às duas
— Agora que já chegamos podemos ir para casa? — sugeriu Maura
— A professora Christiane pediu para falar com vocês quando chegassem – respondeu o menino abaixando a cabeça e fitando o chão
— O que andaste a aprontar menino Fred – questionou Jane percebendo que algo de errado se passava com o menino
— Eu briguei com um menino, no recreio
— Fred isso é errado – respondeu Maura
— Maur espera, deixa o Fred explicar os motivos dele – falou a morena olhando para a loira
— Ele falou coisas que eu não gostei… — falou o menino com os olhos a marejar
— o que é que ele falou para ti, Fred? – questionou Jane num tom compreensivo
— Ele falou que é errado ter duas mães!
— O quê?! Fez muito bem meu filho – respondeu a morena num tom de irritação
— Janee— repreendeu a loira – Meu amor anda cá— Maura sentou-se num banco que ficava no pátio do colégio e chamou o menino para o seu colo
— Peço desculpa – falou Jane sentando-se ao lado de Maura naquele banco
— Fred olha para a mamã — falou a loira erguendo a cabeça do menino – o que é que diz aqui? – fez apontando o coração do menino
— Eu amo vocês, e eu amo ser vosso filho, o meu coração diz isso – respondeu o menino olhando Maura
— Sempre que tiveres uma dúvida, pergunta ao teu coração, ele sempre dará a melhor resposta meu amor— falou a morena afagando as costas do menino
— Porque não chamas o menino para ir lá em casa brincar, para ele ver que não é errado? — sugeriu Jane
—Eu não sei, eu não gosto mais dele não! – respondeu Fred
— Eu acho uma boa ideia Jane— falou a loira agora com um sorriso para a morena
— Eu tinha dito que fizeste bem em brigar com o teu coleguinha, mas como a mamã Maura disse isso não é certo. Quando alguém te disser algo assim, tu respondes que é errado viver sem amor, não precisas de brigar e convidas essa pessoa a ir passar um dia a nossa casa.
— Porquê? – questionou Fred confuso
—Porque essa pessoa irá ficar com pena de não ter uma família como a sua – respondeu a morena
— Então Fred, queres convidar o teu coleguinha para ir lanchar a nossa casa no fim de semana? Podemos fazer bolo, chocolate quente? — sugeriu a loira
— Com bolo e chocolate quente não tem como dizer não, mamã. Obrigada, vocês são as melhores mães do mundo – falou Fred puxando as duas para um abraço.
—Bem agora já chega de conversas temos de ir falar com a professora, não é garotão?— falou Jane levantando-se de seguida do banco e estendendo a mão para o menino
Jane e Maura dirigiram-se à sala de Fred e a professora estava sentada na sua secretarias à espera de ambas, bateram à porta e quando receberam o sinal da professora entraram e cumprimentaram a mesma. Depois de expor a situação
— Já percebi que já estavam a par do ocorrido— falou a professora Christiane
— Sim, antes de entrarmos o Fred explicou-nos o que aconteceu— respondeu Maura
— Sabemos que foi errado, mas ele apenas tentou defender-nos e nós já conversamos com ele e já explicamos que não é assim que deve responder – falou a morena dirigindo-se a professora que permanecia sentada
— Nós temos pena que situações assim ainda oconteçam nos dias de hoje, mas nem todas as crianças, foram educadas com a mesma capacidade de entender o mundo e o aceitar do seu jeito como o Fred. Acredito que não seja culpa das crianças…
— Nós sabemos a culpa é mesmo da sociedade onde vivemos, não precisa de se preocupar como a Jane disse já conversamos com o Fred e cremos que arranjamos uma solução para que coisas assim não voltem a acontecer envolvendo o nosso filho— respondeu Maura
— Perdoem a minha curiosidade, o que pensaram fazer?— questionou a professora de forma curiosa
— Bem sugerimos ao Fred, que sempre que um coleguinha volte com o mesmo assunto, ele o convide para ir lanchar a nossa casa, assim poderá ver que errado é falta de amor e não amor de duas mães, ou em outros casos dois pais — respondeu Maura
— E isso que faz o Fred ser um menino especial, a educação e o amor que lhe dão fará dele um cidadão exemplar
—Fazemos apenas o que nos cabe, da melhor forma! — falou Jane olhando para Maura com um sorriso
— Quando as crianças crescem envoltas em amor tudo fica mais fácil e ao olharmos para vocês as duas percebemos o quanto se amam, e o quanto amam esse menino, ele deu sorte em encontrar alguém como vocês
— Nós é que demos sorte dele entrar na nossa vida professora Christiane— respondeu Jane
— Professora será possível arranjarmos o contato dos pais do menino que o nosso filho brigou?— questionou Maura fitando a professora
— Claro dêem-me uns minutos, vou procurar— a professora pegou a agenda e procurou o numero – aqui esta — falou passando o numero para Maura
— Acho que agora já podemos ir, ou a professora precisa de mais alguma coisa?— perguntou Jane dirigindo-se à professora
— Não, obrigada por terem vindo. Se precisarem de alguma coisa contactem-me— a professora levantou-se e dirigiu-se à porta despedindo-se das duas
Depois de falarem com a professora Jane, Maura e Fred dirigiram-se para casa. A sua espera estava Ângela que preparava o jantar para todos. Enquanto Maura e Ângela acabaram o jantar, Jane foi ajudar Fred a tomar banho e a fazer os trabalhos de casa que a professora Christiane tinha mandado.
Quando acabaram de jantarem, Ângela, Jane e Maura foram brincar um bocadinho com Fred. Fred escolheu para os quatro um jogo de tabuleiro, o Monopolio junior. Depois de muitas gargalhadas e muita diversão, Ângela despediu-se e Maura e Jane foram colocar Fred na cama
— Menino Fred, não acha que tá na hora de dormir?
— Eu não quero, ainda e cedo mamã – respondeu o menino a fazer manhã
— E se eu e a mamã Maura contarmos uma historia para dormires?— questionou a olhar para o menino
— Mas temos de fazer cavalinho até ao quarto
—Humm manhoso igual à tua mãe…. Anda…— falou Jane baixando-se para o menino subir para as suas costas
Depois de fazer de cavalinho, aos saltinhos pela casa toda, com Fred ás costas, Jane deitou o menino na cama e Maura cobriu-o com o cobertor. Sentaram-se cada uma de um lado da cama e como haviam combinado leram uma história.

Quando acabaram de contar já o menino dormia.
— Parece um anjo— falou Maura olhando o menino
Jane aproximou-se da loira e encostou o nariz levemente sobre o da loira e balançou-o para que eles se tocassem, a loira repetiu o gesto e sorriu dando um suave beijo nos lábios de Jane.
— O nosso anjo sai à mãe dele – falou Jane a sorrir.
Jane levantou calmamente da cama, para não acordar Fred, esticou a mão em direcção a Maura e a loira entrelaçou os seus dedos nos da morena e levantou-se também da cama.
De mãos dadas ambas foram para o quarto.
Fale com o autor