Um amor inesperado
64 Casamento à vista
Giane foi com o pai para o pronto-socorro, assim que a ambulância chegou. Ficou tomando oxigênio. Muita gente acabou indo para a delegacia prestar esclarecimentos, inclusive Bento, Amora, Fabinho, Socorro, Plínio, Irene e Malu. Da delegacia, Fabinho ligou para Silvério, que já estava em casa:
— Seu Silvério, como é que tá a Giane? — perguntou Fabinho.
— A gente tá acabando de chegar do hospital. — disse Silvério. — É. Não, fica calmo, tá tudo bem, ela tá ótima. Você tá onde? Delegacia? A Amora foi presa, é? Bom, quando chegar, passa por aqui, tá? Tá, tchau.
Giane, que estava sentada na mesa da cozinha, ouviu o pai falar ao celular.
— Quer dizer que a Amora foi presa? — perguntou Giane, revoltada. — Então foi ela mesmo, né? Aquela safada!
— Não se sabe ao certo. — disse Silvério. — Parece que a Amora atacou a Socorro dentro da delegacia. Por causa disso, o delegado mandou ela pra cadeia.
— Devia ter mandado as duas. — disse Giane. Suspeitava que Socorro era cúmplice de Amora no atentado. Socorro fazia tudo o que Amora pedia.
— Você acha mesmo que Amora teria coragem... — disse Silvério.
— De me matar, pai? — completou Giane.
— É. — disse Silvério.
— Não sei. Só sei que eu pensei que fosse morrer dentro daquela van, com aquela fumaça toda. Seja lá quem aprontou isso, é gente da pesada. — disse Giane.
— É. E você não tem a menor ideia de quem possa ter sido? — perguntou Silvério, enquanto a filha tossia, cobrindo a boca com a mão. — Bom, uma coisa é certa: se não foi a Amora, é alguém tentando incriminá-la.
Para Giane, Amora estava envolvida até o último fio de cabelo no atentado. Amora podia não ter sabotado a van, mas certamente mandou alguém fazer o serviço sujo. Neste momento, Bárbara Ellen entrou na cozinha.
— Com licença. É que a porta estava aberta, então eu entrei. Eu... Eu queria saber como é que você tá depois de tudo o que aconteceu. — disse Bárbara, dirigindo-se à Giane.
— Tá com medinho, Bárbara? Tá sabendo que a sua top filha foi presa mesmo? — perguntou Giane, irônica.
— Ela foi presa? — perguntou Bárbara, espantada. — Então... Então quer dizer que ela é culpada?
— A gente não sabe ainda. — disse Silvério.
— Mas a polícia vai descobrir. — disse Giane. — E se foi ela mesmo, ela vai pagar pelo que fez. E você, também.
Mais tarde, Fabinho foi visitar Giane. Conversaram sobre o atentado.
— Quer dizer que eu quase morro e a culpa é minha? — perguntou Giane.
— Exatamente! Tava acabando de botar a roupa, tinha que ter me esperado. — disse Fabinho.
— Se vocês tivessem saído juntos, estavam os dois presos na van. — disse Silvério. — Foi sorte você ter ficado pra trás.
— Pelo menos eu flagrei a Amora na cena do crime. — disse Fabinho.
— É. — disse Giane.
— Você acha mesmo que foi ela? Tá muito óbvio. — disse Silvério. — A Amora é esperta demais. Não ia deixar pistas tão evidentes, né?
Silvério foi para a cozinha. Giane disse:
— É. Se não foi ela, foi alguém pago por ela, que a Amora sempre foi assim, desde criança. Ela faz a besteira, depois faz carinha de santa.
No ponto de vista de Giane, Amora sempre se fez de santa para Bento, desde a infância. Na infância ela não era bandida, mas já era meio sonsa. Por isso Bento sempre caía nas armações dela. Era só a Amora vir para o lado dele toda meiguinha, que ele não enxergava mais nada. Giane achava um absurdo Amora aprontar um monte, prejudicar tanta gente e ainda conseguir se safar. Continuava revoltada com Amora, por ela ter feito tantas maldades com ela, com Bento, com Fabinho, com todo mundo. Não acreditava que Amora estivesse sinceramente arrependida. Se tivesse se arrependido de verdade, não teria tentado seduzir Fabinho nem a teria ameaçado. Porém, Plínio e Irene haviam resolvido testemunhar a favor de Amora. Afinal, Irene estava presente quando Amora recebeu uma mensagem do celular do Bento, e Irene acreditava que teria visto se Amora tivesse enviado uma mensagem para si mesma. Mas Giane acreditava que Amora podia ter pago alguém para fazer todo o serviço, e que esse alguém podia ter enviado uma mensagem para Amora pelo celular do Bento. Amora seria bem capaz de forjar um álibi.
— Eu acho o fim da picada os meus pais ficarem bancando advogado pra Amora porque o Bento pediu. — disse Fabinho. — É por causa dessas e de outras que ela sempre se safa. Agora, se depender de mim, a Amora vai mofar na cadeia. — aproximou-se e pegou no queixo dela. — E você para de se meter em encrenca.
— Encrenca! — disse Giane, beijando-o. — Olha quem fala! Um encrenqueirinho! — deu mais dois beijos nos lábios dele.
— Vem cá, eu salvo a sua vida, e você me agradece assim?
— Eu agradeci, mas eu quase morri sufocada de tanto que você demorou pra chegar. — disse Giane, brincando.
Fabinho abraçou-a.
— Seu Silvério, vem cá, dá um jeito nessa filha que é muito ingrata. — disse Fabinho, e dirigiu-se à Giane. — Te amo!
Beijaram-se. No dia seguinte, Bento trouxe André e Mayara para a Casa Verde. André e Mayara haviam passado a noite na mansão de Malu. As crianças ficariam com Bento enquanto a Amora estivesse presa. Afinal, legalmente, ele continuava casado com Amora, então ficou com a guarda dos sobrinhos dela. Ao que tudo indicava, Amora permaneceria presa por algum tempo. O advogado tentou tirar Amora da cadeia, porém, o juiz entendeu que Amora oferecia risco às testemunhas e resolveu ouvir os mais implicados antes de liberá-la. O habeas corpus ainda demoraria alguns dias para sair. Ninguém havia ainda descoberto quem podia ter sabotado o bufê de Wilson, empurrado a Malu escada abaixo e tentado matar Giane. Só sabiam que havia alguém tentando incriminar Amora. Na noite anterior, Jonas havia ouvido Socorro falar ao celular, e achou a conversa muito estranha. Socorro estava nervosa e falava com alguém sobre o atentado contra Giane, e levou um susto ao ver Jonas, que garantiu não ter ouvido nada. No dia seguinte, Jonas pegou o telefone de Socorro e viu que tinha um número não identificado. Jonas ligou, e ouviu a voz de um homem, porém, Socorro tomou o celular de volta. Jonas até achou a voz conhecida, mas não conseguia se lembrar de quem era. Estavam todos se esforçando para descobrir quem era o sabotador. Não apenas para defender Amora, mas porque o sabotador colocou em risco a vida de muita gente. Todos tinham medo do que poderia acontecer. O sabotador poderia fazer mais vítimas.
Bento estava decidido a ficar de olho na Socorro. Tinha certeza de que Socorro era cúmplice do sabotador. Até falou com Jonas e Douglas. Douglas jogou charme para Socorro, e a convidou para ir ao shopping. Douglas daria um jeito de instalar um aplicativo de localização no celular da Socorro. Era uma maneira de tentar descobrir quem era o sabotador. Quando Socorro fosse se encontrar com o sujeito, alguém da polícia a seguiria. Jonas ficou monitorando o Douglas pelo telefone, e foi para a delegacia depor, contar ao delegado tudo o que sabia a respeito da Socorro. Assim, a polícia ficaria na cola da Socorro. Gilson apareceu na casa do Silvério para conversar. Giane e Fabinho estavam presentes. Falaram sobre tudo o que haviam descoberto.
— Eu só tô dizendo que, nesse caso, a Amora é inocente, só isso. — disse Gilson.
— É. Eu sou obrigado a concordar com o Gilson, Fabinho. — disse Silvério. Não simpatizava com Amora, mas parecia que ela era inocente desta vez, e ele não queria ser injusto.
— Tudo bem, ela pode não ter feito isso dessa vez, mas a ficha da Amora é mais suja do que pau de galinheiro. Eu não preciso lembrar pra vocês que ela é perigosa. — disse Fabinho.
Giane continuava revoltada. Amora aprontava e sempre se safava. Malu, Bento, Plínio e Irene estavam sendo muito bonzinhos com Amora. Ela, Giane, era boazinha, mas não era boba. Não era nenhuma idiota. Amora fez muitas maldades, prejudicou um monte de gente. Giane achava que Amora tinha de ser punida por tudo o que fez. Giane sabia que Fabinho havia feito muita coisa errada, mas ele havia se arrependido de verdade. Ele estava respondendo a vários processos, foi preso mais de uma vez, enquanto a Amora não estava respondendo nem por metade do que ela fez. Ela, Giane, contou todos os podres, todos os crimes da Amora para a imprensa, mas quase ninguém prestou queixa na polícia pelos crimes da cobra. Amora estava sendo processada por ter mandado adulterar os exames, mas não estava sendo devidamente punida pelo incêndio na Toca, pela pichação, pelo falso bazar, pela escuta plantada no quarto da Malu, nem pelo falso aborto. Malu acabou não registrando nenhuma queixa por consideração à Simone e às crianças. Ainda mais agora, depois da morte da Simone, ninguém quis registrar nenhuma queixa contra Amora, para não prejudicar André e Mayara. As crianças não tinham mais ninguém. Se Amora fosse presa, as crianças iriam para um abrigo.
Mas Giane não achava justo Amora ficar impune. Assim iria parecer que o crime compensa. Giane não achava impossível que alguém estivesse querendo incriminar Amora. Afinal, o que a Amora mais colecionou foi inimigos. Mas quem iria querer matá-la? E por que alguém a mataria, só para botar a culpa na Amora? Não era motivo suficiente. Para Giane, não fazia o menor sentido. Quem mais teria interesse em se vingar dela, do Wilson e da Malu era a Amora. E Amora era uma bandida, que cometia crimes e botava a culpa em outra pessoa. Arrumava sempre um bode expiatório. Quem podia garantir que Amora não estaria fazendo o mesmo desta vez? Amora podia ter mandado outra pessoa fazer todo o serviço sujo, inclusive mandar mensagens no celular dela. O celular do Bento foi encontrado na bolsa da Amora. Certamente, alguém pegou o celular do Bento, fez o serviço a mando da Amora e depois devolveu o celular para ela. Todos estavam falando de um sabotador misterioso, mas ninguém tinha prova de nada. Ninguém sabia se o número não identificado no celular da Socorro era o mesmo de quem mandava mensagens ameaçadoras para Amora. Isso se Amora realmente estivesse recebendo mensagens de ameaça. Giane continuava não acreditando no arrependimento da Amora. Amora se dizia arrependida, mas nem bem enterrou a irmã, já estava dando em cima do Fabinho. Se Amora tivesse se arrependido de verdade, não tentaria dar o golpe no Fabinho. Não dava para ficar passando a mão na cabeça da Amora depois de tudo o que ela fez.
Claro que Giane não iria querer que André e Mayara ficassem desamparados. Tinha pena das crianças, que haviam acabado de perder a mãe. Mas as crianças eram responsabilidade da Amora. Ela devia ter pensando primeiro nos sobrinhos, antes de aprontar. Além do mais, Bento continuava casado com Amora, e ele podia cuidar das crianças. Malu até se ofereceu para ajudar com as crianças. Sozinhas elas não ficariam.
— Ô pai, e você, que vive reclamando que é o país da impunidade, na hora de punir uma criminosa, vai ficar passando a mão na cabeça de safado? — reclamou Giane.
— As circunstâncias atenuantes têm que ser consideradas. — disse Gilson.
— Sim, mas que circunstâncias? Ela aprontou barbaridades pra cima de mim e da Malu. — disse Fabinho. — Você não lembra, tio?
— Tio, ó, não dá pra ficar tendo coração mole com gente ruim não. — disse Giane. — Tem que punir mesmo pra dar o exemplo. Que país é esse, que ninguém é preso?
— Eu não tô respondendo? Então, Amora tem que responder também. — disse Fabinho. — Se ela é inocente, ok, mas eu não vou aliviar pra ninguém.
— Peraí, ela já tá pagando. A irmã dela morreu. Ela tá cuidando das crianças... — disse Gilson, contando nos dedos as punições da Amora. Acreditava que Amora já estava sendo punida pela vida.
— Pois é. No dia seguinte da morte da irmã, o quê que ela fez? Veio aqui dar em cima do meu namorado. — disse Giane, revoltada. — O que mais falta pra vocês entenderem que ela não vale nada?
— Vamos embora, abaixou a cabeça. — disse Fabinho. Ele e Giane saíram.
Giane foi para a agência Karmita. Caio começou a fotografar Brunettý para um comercial de sorvete You. Brunettý fazia várias poses, enquanto provava o sorvete.
— E aí, como é que estamos indo? — perguntou Érico, ao entrar no estúdio.
— Érico! — disse Nelson.
— Tudo perfeito. — disse Camilinha, levantando-se da cadeira onde estava sentada. — Deu pra sentir o clima que está rolando entre a Brunettý e o Nelson?
— Ih! — disse Érico. Brunettý e Nelson já haviam anunciado o casamento.
— Você não tá sabendo não, Camila? — perguntou Brunettý. — A gente vai casar.
— Ah, agora entendi! — disse Camilinha.
Nelson apontou para Érico e disse:
— E olha, te prepara, que você vai ser o padrinho junto com a Karmita, hein?
— É sério? — perguntou Érico.
— Topa? — perguntou Nelson.
— Claro que eu topo. — disse Érico, feliz, apertando a mão de Nelson. — Mas que honra, Nelson.
— Uuh! — disse Brunettý. Érico abraçou Nelson.
— Valeu. Adorei.
— O problema é de arrumar um lugar legal, porque a Brunettý quer que seja uma cerimônia bem íntima, tá? — disse Nelson.
— É verdade, num lugar onde eu tenha sido feliz e as pessoas realmente gostem de mim, né? — disse Brunettý.
— Você acha que pode... Pode ser no Cantaí, será? — perguntou Nelson para Érico.
— Ah, lógico! Meu pai vai adorar, inclusive. — disse Érico.
— Que legal! Ai, eu chamo a dona Odila e o seu Nestor para os meus padrinhos, o que você acha? — perguntou Brunettý para Nelson.
Nelson assentiu, concordando. Caio disse:
— Brunettý, só mais um minutinho pra gente terminar. — disse Caio. — Pode ser? Pode ser, gente? Desculpa!
Caio estava prestes a fotografar, quando Giane resolveu falar com ele. Percebeu que Caio estava tenso. Será que ele estava com problemas?
— É impressão minha ou você tá meio tenso? — perguntou Giane.
— Tenso? — disse Camilinha, e riu. — O Caio tá uma pilha, isso sim. — dirigiu-se a Caio. — Já contou pra Giane que a Lara te dopou?
— Ah não, Caio! Você não caiu nessa, né? — disse Giane. Afinal, o truque de batizar a bebida era mais velho do que andar para a frente.
Caio estava preocupado. Lara o dopou, o levou para a cama e levantou a suspeita de estar grávida. Lara estava lhe causando muitos problemas, tentando aplicar um golpe nele. Lara nunca se conformou em perder dois milhões de dólares. Caio não sabia mais o que fazer para se livrar da Lara. Até chamou o Manolo e contou tudo o que Lara andava aprontando.
— O Caio, fica tranquilo, tá? A Lara vai casar com o Manolo. Não se fala em outra coisa nas redes sociais. — disse Brunettý.
— Tomara que seja verdade e eu me livre dessa vigarista, Brunettý. — disse Caio.
Horas mais tarde, Fabinho apareceu na agência e contou tudo o que descobriu. A polícia estava sabendo de tudo. Havia mesmo alguém querendo incriminar Amora, e Socorro estava envolvida até o último fio de cabelo. O sabotador sequestrou Socorro, que havia levado o celular junto. Por conta do aplicativo instalado no celular, foi possível a polícia localizá-la. Foi assim que a polícia pegou o criminoso. Foi Tito quem sabotou o bufê do Wilson, empurrou a Malu da escada e tentou matar Giane. Tito fez todo o serviço sujo a mando da Lara, que queria tirar Amora do caminho. Afinal, Amora havia voltado a apresentar o Luxury. Caio tirou Lara do Luxury e colocou Amora no lugar dela. E como o casamento de Amora estava em crise, Lara tinha certeza de que Amora ia dar em cima do Caio. Lara e Tito eram cúmplices, e fingiram que haviam rompido, para todo mundo pensar que não estavam juntos. Assim, ninguém desconfiaria de nada. As mensagens de ameaça que Amora recebia eram enviadas do celular de Beta, empregada de Lara. Lara mandou Tito empurrar Malu escada abaixo para se vingar, porque Maurício gostava de Malu e Lara gostava de Maurício. Tito também sabotou o bufê de Wilson, para se vingar do pai, que não o tratava bem, e para incriminar Amora. Tito sabia que Amora havia planejado sabotar o bufê. No dia em que Lara esteve na casa de Amora, instalou um equipamento de espionagem. Era assim que Tito e Lara sabiam de tudo oque Amora pretendia fazer. Como Tito e Lara ouviram Amora combinando tudo com Socorro para sabotar o bufê, Tito foi ao Kim Park ficar de butuca, para poder provar a culpa de Amora. Porém, de última hora, o capanga de Amora se mandou e Tito tinha a chave. Resolveu fazer o serviço. Wilson já andava com problemas financeiros, o parque iria falir de qualquer jeito, e Tito apenas deu um empurrãozinho. Foi Lara quem pegou o anel da Amora e deixou no local do acidente da Malu. Lara pegou o anel no dia em que plantou a escuta. Tito tentou matar Giane porque Lara queria se livrar dela. Assim, Lara ficaria com o caminho livre com o Caio. Caio era apaixonado por Giane, e enquanto Giane existisse, Lara não teria a menor chance de conquistar o Caio e dar um golpe nele. Caio não se conformava com o fim do namoro e só pensava em tentar voltar com Giane. Se Giane morresse, Caio logo esqueceria dela. Lara planejava se casar com Caio, pegar a grana dele e depois, ela e Tito ficariam juntos. O que Lara queria era recuperar os milhões de dólares que perdeu com a morte de Cardoso.
Mas Lara e Tito se deram mal. Lara seria indiciada, e Tito, além de ter confessado todos os crimes, não era réu primário. Tito acabou sendo preso. E Socorro certamente prestaria serviços comunitários. E todos achavam que Lara não seria condenada, pois contaria com um excelente advogado.
— Não te falei pra ficar longe desse cara? — disse Fabinho, abraçado a Giane, referindo-se a Caio. — Viu só no quê que deu?
Giane jamais imaginou que Lara ia querer matá-la. Que a Lara não se conformava por ter perdido uma fortuna, ela sabia. Mas ela, Giane, estava com Fabinho, não com Caio. No ponto de vista de Giane, a perda dos dois milhões de dólares enlouqueceu a Lara, a fez perder a razão. Só mesmo sendo doida para achar que ela era uma ameaça. Ela não estava nem aí para o Caio, nunca deu bola para ele e nunca ligou para a grana dele. Pensando melhor, Lara não era louca, era perversa.
— Então foi tudo culpa daquela lacraia da Lara. — disse Giane.
Os dois saíram da sala, deixando Charlene, Karmita, Vanessa, Caio e Camilinha, que ficaram fazendo comentários sobre o ocorrido.
Meses se passaram. Amora estava livre, porém, ela e Bento não voltaram. Amora até pediu para voltarem. Achava que finalmente poderia se tornar a mulher que Bento sempre sonhou, que sempre quis. Porém, Bento havia chegado à conclusão de que as coisas entre eles não seriam mais como antes. Ele havia ajudado Amora porque achava que não devia abandoná-la em um momento tão difícil. Mas agora que a tempestade havia passado, ele decidiu que era a hora de se libertar da relação doentia que tinha com Amora. Apesar de Amora estar arrependida, as coisas haviam mudado de maneira definitiva. Então afastaram-se.
Bento continuou cuidando das plantas e das flores, e trabalhando na loja, como sempre. Malu continuou com seu trabalho na Toca do Saci. Fabinho continuou trabalhando na Crash Mídia. Giane passou a se dedicar cada vez mais ao trabalho como fotógrafa na agência Karmita. Começou a fotografar as modelos. Maurício continuou tocando seu negócio, dando festas temáticas. Viajou para Angra dos Reis. Havia resolvido se afastar de Malu até ela decidir o que queria.
Amora finalmente conseguiu um emprego como professora de inglês. Afinal, era formada e falava várias línguas. Passou a levar vida simples, pois precisava poupar suas economias, que já estavam acabando. Não havia mais como viver no luxo. Ela gastou muito dinheiro no tratamento da irmã e também nas despesas da casa, pois ficou muito tempo desem-pregada e precisava pagar as contas e sustentar as crianças. Amora também passou a fazer terapia, que não era barata. Sua vida havia mudado radicalmente. Ela agora vivia para os sobrinhos, e havia rompido com Bárbara definitivamente. Decidiu se afastar para sempre de Bárbara, de sua influência nefasta, e deixar a vida de celebridade para trás. Amora acreditava que seria muito difícil reconstruir a carreira de it girl depois de tudo, além do mais, ela não queria mais ser famosa. Em outras circuns-tâncias, ela poderia até tentar recomeçar a carreira de celebridade do zero, de uma maneira mais honesta e limpa. Mas sua imagem estava queimada. Sua imagem já havia sido arruinada antes, quando o Brasil inteiro pensava que ela havia traído Maurício com vários homens. Mas desta vez era pior. Ela ficou conhecida pelo país inteiro como bandida. Além disso, ela não queria mais saber da fama. Havia ficado traumatizada com tudo o que passou. Sofreu demais. O mundo das celebridades já não trazia mais nada de bom para ela. As coisas não seriam mais como antes. Havia sido muito exposta, de maneira negativa. Foi massacrada. Enfrentou muitas críticas, isolamento, julgamento e ódio, por conta de tudo o que aprontou. Era difícil até mesmo sair na rua. As pessoas só faltavam bater nela. Depois de tudo o que passou, não queria mais saber de fama. Queria agora levar a vida no anonimato. Preferia ficar sossegada em seu canto e queria que o Brasil a esquecesse. Aos poucos, ela estava descobrindo que podia se sentir feliz e em paz levando uma vida comum com seus sobrinhos.
Giane continuou ajudando a vizinhança a colher as flores. E ficou contente ao ver que Bento estava voltando a ser o rapaz alto-astral de antes.
— Tão bom ver o Bento feliz assim, né? — comentou com Gilson e Odila.
— Não é? Eu acho que é porque ele passou por um senhor processo de desintoxicação. — disse Odila.
— Ô! — disse Giane. No ponto de vista de Giane, Bento só havia melhorado depois de ter ficado longe de Amora. Bento agora era uma pessoa mais alegre.
— E não é só ele não. Olha quem tá vindo ali. — disse Gilson, ao ver Wilson chegar.
Wilson vinha visitar Bento sempre que podia. Pai e filho estavam se entendendo muito bem. Bento também se dava bem com Glória. Wilson agora estava levando uma vida digna, trabalhando para Karmita.
Logo chegou o casamento da Brunettý com Nelson, que foi realizado no Cantaí. No final da cerimônia, quando os noivos se beijaram, todos bateram palmas. A festa estava bastante animada. Muita gente compareceu à festa, inclusive Giane, Fabinho, Malu e Bento.
— Gente, não entendo, não me conformo de vocês dois não ficarem juntos. — disse Giane para Malu e Bento.
No ponto de vista de Giane, Malu e Bento eram perfeitos um para o outro. Porém, no ponto de vista de Malu, ela e Bento eram como irmãos. Ela tinha um amor e um carinho enorme por Bento, mas não se tratava de um amor romântico. Não era mais apaixonada por Bento. Ela até ficou dividida entre Bento e Maurício. Amou Maurício por muito tempo, desde menina. Mas tinha uma história mal resolvida com Bento. Porém, agora, depois de alguns meses, havia se dado conta de que enxergava Bento como um amigo, um irmão, um parceiro. Afinal, com a história do DNA, ela passou muito tempo achando que Bento era seu irmão e agora já não conseguia vê-lo de outra forma. E voltou a se apaixonar por Maurício. No ponto de vista de Malu, as coisas tinham um tempo certo para acontecer. Se não aconteciam, era porque não era para ser. Bento quis ficar com Malu. Tentou voltar com ela, até a beijou algumas vezes. Achou que podiam retomar de onde haviam parado, viver o que não haviam vivido direito. Porém, ela havia decidido ficar com Maurício e continuar amiga de Bento. Chegou à conclusão de que Maurício era o homem certo para ela.
— Mas a gente tá juntos. — disse Bento, abraçado à Malu. — Só que de um outro jeito.
Ele e Malu continuariam sendo amigos e parceiros nos projetos. Ele tentou ficar com Malu porque acreditava que ela era a mulher certa para ele. Eles se davam bem, tinham afinidades, e Malu oferecia paz e estabilidade, coisa que Amora não oferecia. Amora oferecia caos e desafio, o que o fazia se sentir vivo, contudo, o casamento não deu certo. Mas agora ele pensava que Malu estava certa. Eles funcionavam melhor como amigos. A conexão entre eles era mais de ideais do que de química avassaladora.
— Eu acho ótimo você não ter ficado com esse aí, maninha. — brincou Fabinho. — Você merece coisa melhor.
Na opinião de Fabinho, Bento dizia gostar da Malu, mas a tratou como estepe. Afinal, Bento havia namorado a Malu depois do namoro com Amora não ter dado certo. Aí, houve a troca dos exames, e não demorou muito para o otário do Bento voltar com Amora. Mais tarde, Bento descobriu as tramoias da esposa, se decepcionou com ela e quis voltar com Malu, ao descobrir que ela não era irmã dele. E ainda assim, Bento não conseguia se desligar da Amora, mesmo depois de se decepcionar com ela. Bento estava do lado da Amora quando ela perdeu a irmã, e continuou do lado dela quando ela foi presa. Bento estaria sempre ligado a Amora. Para Fabinho, Malu merecia mais do que ser a segunda opção, ou um prêmio de consolação de alguém. Maurício pelo menos gostava dela de verdade. Era melhor Malu ficar com Maurício do que com Bento.
Bento e Malu riram. Malu disse:
— Olha aqui, trata de trabalhar menos e vai visitar seus pais.
Fabinho assentiu. Plínio e Irene continuavam juntos e felizes. Estavam curtindo a gravidez de Irene. Já sabiam o sexo do bebê. Era uma menina. A gravidez estava bastante avançada, em pouco tempo a criança nasceria. Giane e Fabinho continuaram na festa. Até que Brunettý resolveu jogar o buquê.
— Gente! Gente! Agora eu vou jogar o buquê! — anunciou Brunettý.
Brunettý foi subindo no palco, e todas as mulheres solteiras da festa se aproximaram. Havia muitas querendo pegar o buquê.
— Quero ver todas as solteirinhas aqui na pista! — disse Brunettý. — Vamos lá! — virou-se de costas. — Estão preparadas? Um, dois e...
Brunettý jogou o buquê, que acabou caindo nas mãos de Giane, sentada em uma das mesas. Giane não quis ficar com o buquê. Para ela, se tratava de um ritual muito piegas e cafona. Ela não era mulher de pegar buquê. Jogou o buquê, que caiu nas mãos da Mulher Pau de Jacu, que ficou toda feliz.
— É meu! É meu! — disse Pau de Jacu, antes de desmaiar.
Giane riu, achando graça da Pau de Jacu.
— Vem cá, posso saber por que você não pegou o buquê? — perguntou Fabinho para Giane.
— Eu lá quero essa coisa de mulherzinha? Eu, hein. — disse Giane.
— Ah, você não quer coisa de mulherzinha? Você não vai casar comigo, então. — disse Fabinho.
— Então casa aí com o Pau de Jacu. — disse Giane, apontando para a Mulher Pau de Jacu e levantando-se.
No ponto de vista de Giane, ninguém precisava pegar o buquê para se casar. Ela ficaria com Fabinho, viveria com ele pegando ou não o buquê. Ela já se considerava mulher dele. Homem não precisava pegar buquê, por que mulher tinha de fazê-lo? Isso era coisa antiga, do tempo em que o principal objetivo de vida da mulher era se casar. Ela não estava rejeitando Fabinho, e sim esta tradição cafona. Era muito coisa de mulherzinha para seu gosto. Ela mudou, passou a ser mais vaidosa, a se arrumar mais, mas não deixou de ser quem era e não mudou de opinião quanto a certos rituais. Portanto, não ficaria com o buquê. E Fabinho estava cansado de saber disso, a conhecia muito bem. Ele estava apenas brincando, implicando com ela, como sempre fazia.
— Eita, que cavalo grosso você é, hein? — disse Fabinho.
— Fraldinha! — disse Giane, abraçando-o e beijando-o.
Camilinha estava observando Giane e Fabinho, quando Caio se aproximou por trás. Havia decidido seguir em frente e ser feliz com Camilinha, esquecer a Giane de uma vez por todas. Até porque Giane gostava era do Fabinho.
— Que tal a gente acabar a noite na sua casa, hein? — disse Caio.
— Só você mesmo pra fazer de mim uma menina caseira, né? — disse Camilinha, beijando-o nos lábios. — Vamos.
— Vamos. — disse Caio, e foram embora abraçados.
Giane continuou na festa. Bento havia saído, mas logo voltou. Aproximou-se de Gilson e Salma, que estavam na mesa de doces.
— E aí, Bento? — cumprimentou Gilson.
— Meu filho, onde é que você tava? — perguntou Salma.
— Fui fazer uma coisa que eu tinha que fazer. — disse Bento.
Ele havia levado Malu até a casa de Maurício, que chegou de Angra. Queria ver Malu feliz, mesmo que não fosse com ele.
— Aí, galera, vocês já viram isso aqui? — disse Jonas, aproximando-se e mostrando um panfleto de lançamento de um novo empreendimento da Bluma.
— Quer dizer então que a Bluma vai mesmo construir um shopping no terreno que a gente quer pra nossa fundação? — disse Bento.
Bluma teve muito prejuízo com o flash mob que Bento e todo o pessoal fez há meses atrás. Por vingança, se recusou a vender o imóvel para Bento e Malu. Bluma ficou sabendo que Maurício era laranja no negócio e que o terreno era para a fundação, por isso se recusou a vender o terreno para Maurício. E agora estava construindo outro shopping.
— Isso vai ferrar o trânsito da nossa região. — disse Gilson.
— E se a gente preparar pra ela uma surpresinha especial, hein? — disse Bento. Já estava pensando em dar uma recepção para Bluma para ela nunca mais esquecer. Faria outro flash mob.
— Daquele tipo que ela conhece bem? — perguntou Giane, abraçada à Odila.
— Exatamente! — disse Bento.
— É pra já, galera! Deixa comigo! — disse Jonas.
Jonas mandou mensagens pelo celular para todos os conhecidos, que eram em um número maior do que há meses atrás. Reuniram o maior número de pessoas que conseguiram para o flash mob. Muita gente se organizou e partiu para a inauguração do shopping, o Las Blumas. Mais uma vez, a bateria da escola de samba do bairro veio junto.
— Vamos lá, gente! — gritava Bento, abraçado a Gilson e Salma. — Vamos dar nosso recado!
— Vai lá! — disse Gilson.
Até Fabinho e Giane vieram na manifestação, acompanhados de Margot, Silvério, Plínio, Irene, Dorothy, Luz e Jonas, que agora eram namo-rados. Malu e Maurício também compareceram, junto com algumas crianças da Toca. Foi uma festa. Estava todo mundo animado, cantando e dançando sem parar a coreografia. Havia muitos casais se beijando: Natan e Karol, Perácio e Rosemere, Érico e Verônica, Wilson e Charlene, Damáris e Lucindo, Nestor e Odila, Maurício e Malu, Nelson e Brunettý, entre outros. Quando Bluma viu Bento, entendeu que ele era o responsável pelo flash mob, e ficou furiosa.
— Ah, pelo amor de Deus! Você de novo? Ah! Tchau! — disse Bluma, e entrou no shopping.
Bento nem deu importância para Bluma. Deu um beijo na Glória, que estava acompanhada de Eliseu e Chica, a empregada, e foi andando entre os manifestantes, até que viu Mayara, sobrinha de Amora. Andou em direção à garotinha, e viu que Amora estava ali, sentada, e os sobrinhos estavam por perto. Amora virou-se e ficou feliz ao vê-lo. Levantou-se e aproximou-se. Bento pensou que reencontrar Amora em um flash mob, como aconteceu há meses atrás, parecia um sinal. Só que desta vez Amora não estava do lado de dentro do stand, como it-girl e apresentadora. Ela estava no meio da multidão, como cidadã comum, no mundo real. Ela parecia outra, não a Amora que todos conheciam. Ele acreditava que a mudança dela era real. Amora estava deixando de ser aquela boneca de luxo construída por Barbara Ellen, para se tornar uma pessoa mais autêntica. Aquela mulher à frente dele era mais de verdade. Ela finalmente estava descobrindo quem ela era longe daquela futilidade, daquela ostentação e principalmente, longe da influência nefasta da mãe adotiva. Os dois olharam-se intensamente. Bento não sabia o que o futuro reservava, se ele e Amora ficariam juntos ou não. As coisas nunca mais seriam como antes, mas podiam ser melhores. Ele estava feliz ao ver que Amora havia mudado.
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