Um amor inesperado

62 Briga no ponto de ônibus


Bento continuou a fazer campanha para a doação de medula. Muita gente foi ao hemocentro para doar a medula. E todos os conhecidos visitaram a Simone. Porém, apesar dos esforços, não foi possível encontrar um doador que fosse compatível com Simone, que acabou não resistindo e morreu em poucos dias. Todos compareceram ao velório, pois Simone era querida por muita gente. Era muito triste ver alguém partir tão jovem, deixando dois filhos pequenos. Deu para ver que Amora estava realmente sofrendo pela perda, as crianças também. Bento permaneceu o tempo todo ao lado da Amora e das crianças no enterro. Deu para ver que os dois ainda tinham um laço forte, apesar de tudo o que aconteceu.

Apesar de estarem todos devastados com a morte de Simone, Verônica resolveu fazer o show e dedicá-lo à falecida. Pensou em adiar, mas acabou não fazendo isso. Também estava marcada a festa da Dancing’ Days, que seria realizada na Para Sempre, mais ou menos na mesma hora do show da Palmira Valente. Era Maurício quem estava dando a festa, mas ele decidiu ir ao show da mãe e o evento ficou nas mãos da Renata, que cuidaria de tudo, e também da Charlene, que iria para a Para Sempre assim que o show terminasse.

Horas mais tarde, todos na Casa Verde foram ao show da Palmira Valente. Giane arrumou-se, botou um vestido branco e foi com Fabinho ao show. Chegando ao local, sentaram-se em uma das mesas e ficaram esperando o show começar. Giane e Fabinho conversaram com Malu, que contara que Amora apareceu na mansão para pedir perdão. Giane não conseguia acreditar.

— Quer dizer que a Amora foi te pedir perdão? — perguntou Giane.

— Ela citou a irmã. — disse Malu. — Ela tava bem emocionada. Foi... Foi bonito o que ela falou. — levantou-se da mesa.

— E o Bento tava junto com ela, aposto. — disse Giane.

Giane achou que Amora só podia estar fazendo teatro para impressionar e comover o Bento, para ver se conseguia voltar com ele. Amora ainda queria Bento à sua disposição. Se bem que não havia mais uma fortuna em jogo. Wilson estava falido. Ainda assim, Amora estava na pior, sem emprego. Ela não tinha mais nada a perder. Devia estar desesperada. Não estava conseguindo arrumar trabalho, porque o país inteiro estava com ódio dela. Ela tinha uma reserva, mas o dinheiro que tinha guardado iria acabar um dia. Já devia ter gastado bastante com o tratamento do câncer da irmã, com o funeral, com os sobrinhos e todas as despesas que tinha. Cedo ou tarde ela iria atrás de alguém que a banque e a ajude com as crianças. Estava se antecipando. Bento podia não ser milionário, mas até que ganhava bem, o suficiente para sustentar Amora e os sobrinhos. Se bem que antes Bento era pobre, e ainda assim Amora deu o golpe, usou de meios ilícitos para enriquecê-lo. Quem garantia que ela não tentaria aplicar outro golpe? Além do mais, não faltavam razões para Giane desconfiar de Amora. Amora já mentiu tanto. Giane acreditava que Amora só se arrependia de ter deixado rastro, de ter sido pega e por estar na pior. Era sempre assim: Amora aprontava e depois se fazia de santa, ou de coitada, não apenas para o Bento, como para todo mundo. Giane morria de medo que Bento voltasse com Amora. Amora já fez muito mal a ele.

Malu assentiu.

— Você não acreditou nisso, né, Malu? — perguntou Giane. Continuava com o pé atrás em relação à Amora. Não seria a primeira vez que ela dissimulava. Ela vivia se fazendo de santa para o Bento. Giane não sabia o que Amora pretendia, mas alguma ela estava aprontando e certamente estava querendo envolver o Bento na armação. Ela já fez isso antes, como por exemplo, no caso da troca dos exames e do incêndio da Toca. Giane tinha medo de que Amora metesse Bento em outra roubada. Amora sempre mentia, armava e Bento sempre caía como um patinho.

— Giane, ela foi bem convincente. — disse Malu. — Sério, e meu pai deixou claro que... Que mesmo que a gente aceitasse o perdão, isso não ia absolver ela de tudo o que ela fez. E se ela tiver se arrependido de verdade?

Malu ainda tinha dúvidas, mas havia uma parte dela que queria acreditar que Amora estava sendo sincera, que estava arrependida de verdade. Quando Amora apareceu na mansão e pediu perdão a todos, Malu des- confiou. Achou que Amora estava fingindo, fazendo teatro para comover a todos e fazer Plínio desistir do processo pela troca dos exames, ou fazer ela, Malu, desistir de denunciá-la pelo incêndio e pela pichação na Toca (ela não iria registrar queixa contra Amora para não prejudicar as crianças. Se Amora fosse presa, André e Mayara iriam para um abrigo. Mas Amora não sabia que ela não pretendia denunciar). Ou então, Amora estava tentando impressionar o Bento. Mas Plínio fez questão de dizer que o arrependimento da Amora, se realmente era sincero, não a absolveria e que ela teria de arcar com as consequências de seus atos. Uma coisa era bondade, outra era justiça e desta Amora não escaparia. Amora disse não querer absolvição, que só tinha vindo pedir perdão. E Amora poderia até querer voltar com Bento, mas Bento garantiu que nunca mais teria nada com ela. Bento disse que tinha boas razões para acreditar que Amora estava arrependida de verdade, e que resolveu dar um crédito a ela em nome da Simone, que pediu isso a ele um pouco antes de morrer. Malu agora achava que talvez Amora tivesse sido sincera. Amora estava emocionada, certamente a morte da irmã mexeu com ela. Além do mais, ela percebeu que Amora estava diferente nos últimos dias.

— Ah, Malu, só um trouxa pra acreditar nisso, né? — disse Giane. — Vou ali rapidinho falar com a Rosemere. — levantou-se da mesa.

Foi dar uma palavrinha com Rosemere e Perácio. Depois voltou a sentar-se à mesa com Fabinho, Malu e Luz. Verônica estava demorando a aparecer.

— Será que a Verônica desistiu? — perguntou Malu.

— Acho que não. — disse Giane. — Ela nunca teve medo de palco lá no Cantaí, né?

— Será que ela não vai cantar porque o Érico não tá aqui? — perguntou Fabinho.

Malu avistou Maurício e chamou:

— Mau! Cadê sua mãe?

Maurício se aproximou da mesa.

— Essa noite minha mãe é Palmira Valente. — disse Maurício, e apontou para o palco.

Malu estava morrendo de vontade de dar um beijo em Maurício. Só de vê-lo, seu coração batia mais forte. Mas também ficava balançada ao ver Bento. Malu sentia-se confusa. Ela gostava de cada um de um jeito. Ela amou Maurício durante anos. Depois se apaixonou pelo Bento, e a história foi interrompida bruscamente quando ela e Bento descobriram que eram irmãos. Mas isso não impediu de ela voltar a gostar do Maurício, de se envolver com ele de novo. Ainda assim, ela tinha de reconhecer que estava dividida. Às vezes, ela se perguntava como teria sido se ela e Bento tivessem ficado juntos, se Amora não tivesse armado para separá-los. Ao mesmo tempo, não podia negar para si mesma que amava Maurício. Porém, adorava Bento e lhe doía ver que Bento continuava ligado à Amora, mesmo depois deter se separado dela. Mesmo depois de tudo o que Amora fez Bento ainda continuava se preocupando com ela. Ele parecia ter uma ligação forte com a mulher que o destruiu, o fez sofrer. E Malu sabia que Bento gostava dela, mas também gostava da Amora. Para Malu, estava na cara que Bento gostava dela de um jeito, e da Amora de outro.

A relação de Bento com Amora era baseada na memória afetiva da infância e em uma paixão visceral. Havia entre eles uma tensão, um magnetismo animal. Bento nunca esquecia a menina que conheceu no lar de adoção, o que gerava um desejo de salvá-la misturado com atração forte. Já com Malu, o sentimento era de admiração, paz e afinidade. Malu percebia que, embora Bento gostasse de sua companhia, a respeitasse e quisesse estar ao lado dela, o olhar dele para Amora tinha uma eletricidade e uma urgência que ela nunca conseguiu despertar. Malu sentia que não estava competindo apenas com uma mulher, mas com uma lembrança idealizada que Bento se recusava a abandonar, por mais que Amora errasse. Malu sentia também que Bento nunca teve por ela o mesmo desejo incontrolável que tinha por Amora. Embora Bento a admirasse, ele não a desejava com a mesma intensidade. Prova disso era que nunca foram para a cama. Amora armou para estragar a noite deles, mas ainda assim, Malu achava que se Bento realmente quisesse transar com ela, podiam ter tentado de novo e nada nem ninguém impediria de ficarem juntos. Malu não queria ser a escolha segura, que Bento a escolhesse por achar que era o certo, tampouco queria ser prêmio de consolação.

Malu não duvidava de que Bento e Amora voltassem, por mais que Bento dissesse que não iria voltar para ela. Bento e Amora tinham uma história antiga e uma atração muito forte e poderosa um pelo outro. E Bento caiu nas armações da Amora porque quis. Ele se deixou enganar, porque era Amora quem ele amava. No fundo, Bento sempre alimentava uma esperança de que iria conseguir salvar Amora, ter de volta aquela garotinha por quem ele se apaixonou aos dez anos de idade. Malu tinha a sensação de que, se decidisse ficar com Bento, haveria sempre a sombra da Amora pairando entre eles. Era mais que sensação. Era fato.

Verônica apareceu, e todos bateram palmas. O show começou. Érico logo apareceu, trazendo flores. Todos ficaram observando Verônica cantar. No final do show, todos bateram palmas e Érico entregou as flores para Verônica.

Sílvia aproximou-se de Giane e Fabinho.

— Acho que o nosso sócio vai resolver a vida amorosa dele hoje. — disse Sílvia, sorrindo, contente, passando a mão no ombro de Fabinho.

— Tava na hora, né? — disse Fabinho, sorrindo.

— Tomara. — disse Giane.

Verônica foi direto para o camarim. Érico e Natan ficaram esperando do lado de fora. Fabinho e Giane aproximaram-se. Fabinho disse:

— O que você tá fazendo aqui, meu sócio, vai pro camarim dar um beijo na tua estrela.

— Ah, Fabinho, deve estar cheio de gente lá. — disse Érico. — Deixa pra lá.

— Mas você sabe que é você que ela tá esperando. — disse Giane.

— Coitada da Rê. — disse Tina, aproximando-se. — Ela tava tão triste. Ainda bem que ela foi embora.

— A Renata tava aqui? — perguntou Érico.

— Tava. — disse Tina. — Ela pediu pra eu não contar, mas eu vou contar. Ela saiu daqui chorando. Quer dizer, chorando assim, chorando pra caramba, não. Mas sabe quando a pessoa tá com o olhinho assim, marejado? Olha, eu queria pedir pra você não trair ela. Vou te explicar o porquê. Porque apesar de você ter uma relação aberta, eu acho...

Deu para ver que Érico estava se sentindo mal, pois não queria magoar a Renata. Giane achou que Tina estava sendo muito inconveniente.

— Tina, Tina, pelo amor de Deus, tá louca? — disse Giane, puxando-a e arrastando-a para longe de Érico.

Um pouco mais tarde, Malu e Maurício resolveram ir embora. Giane e Fabinho também.

— Vamos que amanhã você trabalha cedo. — disse Fabinho, levantando-se da mesa com Giane.

— E daí? Eu também. — disse Camilinha, de mãos dadas com Caio.

— É, só que você não tem namorado. — disse Giane.

— Agora eu tenho. — disse Camilinha, abraçando Caio.

— A gente não pergunta nada e ela responde tudo. Vamos. — disse Fabinho.

Foram embora. Namoraram um pouco, antes de ir cada um para sua casa. No dia seguinte, Giane acordou cedo e resolveu ajudar os vizinhos a recolher as flores. Viu Nestor e Bento empilhando as caixas e aproximou-se.

— Epa! Essa função aí é minha, tio! — disse Giane para Nestor.

— Ah, tudo bem? — cumprimentou Nestor.

— Ah, a gente não queria incomodar a nora do Plínio Campana. — disse Bento.

— Eu saí da cooperativa, mas eu morro de saudades de vocês. — disse Giane.

— Oh, querida. — disse Nestor, continuando a lidar com as flores.

— A Acácia Amarela vai ser pra sempre tua, Giane. Você sabe. — disse Bento.

— E você vai ser pra sempre o meu melhor amigo, né? — disse Giane, fazendo um carinho no rosto dele. — Você sabe.

— Tanto quanto você é minha. — disse Bento. — Você tá feliz, né?

Bento sempre torceu pela felicidade de Giane. Ela era como uma irmã para ele, sempre seria, e sentia-se feliz por vê-la tão contente. E como ela não estaria feliz? Ela estava vivendo o melhor momento da vida dela. Estava apaixonada, se dedicando à carreira de modelo e fotógrafa.

Ele também estava, aos poucos, voltando a ser feliz. Conseguiu perdoar Glória e estava conseguindo se entender com Wilson. Até conseguiu abraçar Wilson, coisa que seria impossível de se pensar até pouco tempo atrás. Wilson lhe deu de presente uma foto de sua mãe, Lívia, e um brinquedo, um boneco que ele havia feito. Ele e Wilson conversaram sobre Lívia. Bento então soube que ele e a mãe eram muito parecidos. Assim como ele, Lívia era simples, tocava piano e lidava com plantas e flores. Gostaria de ter conhecido a mãe. Aquele ódio todo, aquela animosidade que havia entre ele e Wilson havia ficado para trás. Quanto à sua vida amorosa, ele estava precisando ficar sozinho por um tempo.

— Tô muito. Como eu nunca pensei que eu pudesse ser. — disse Giane, e abraçou-o.

— Então vai, me ajuda a trabalhar aqui. — disse Bento. — Bora lá.

Bento pegou uma caixa com flores e passou para Nestor.

— Vamos carregar. — disse Nestor.

Colocaram as caixas com flores em um carrinho.

— Vambora, vamos lá, vambora. — disse Giane, arrastando o carrinho. — Tchau pra vocês.

Giane continuou ajudando os vizinhos a colherem as flores, quando viu Amora saindo da casa do Fabinho. Não gostou nada. O que Amora queria com Fabinho?

— O que você estava fazendo na casa do Fabinho, hein, sua bandida?

Bento achou que não havia necessidade de Giane falar assim com Amora:

— Ih, Giane, pega leve. Ela acaba de perder a irmã, cara. — disse Bento.

— Precisava dar uma palavrinha com ele, mas eu já tô indo. — disse Amora. — Bento, você pode me levar até o ponto da avenida?

— Claro. Onde é que tá seu carro? — perguntou Bento.

— No rodízio. — disse Amora, retirando-se.

— Cuidado com essa aí, hein, Bento. — disse Giane.

— Bom, gente, já volto, tá? Rapidinho. — disse Bento, indo atrás de Amora.

— Ok. — disse Silvério, acenando para ele.

— Ô folgada. — disse Odila para Amora, que não estava longe dali. — Você é folgada, hein?

Para Amora, não estava sendo nada fácil lidar com a hostilidade do pessoal. Ela sabia que fizera por merecer, mas se perguntava se aquele povo não tinha compaixão. Afinal, ela acabou de perder Simone. No ponto de vista de Amora, o pessoal podia ao menos dar uma trégua.

— Não fala assim, Odila. Ela acabou de perder a irmã. — disse Nestor. — Ela tá precisando de apoio.

— Quer ver? Quer ver que essa aí tá cercando meu namorado? — disse Giane. Silvério abanou a cabeça.

Giane suspeitava que Amora tivesse dado em cima de Fabinho. Ainda mais agora que ele ficou rico. Amora era gananciosa, estava acostumada a viver no luxo. Devia estar frustrada por estar vivendo uma vida classe média. Com certeza, ela não iria se conformar em ficar contando centavos o resto da vida. Por isso ela certamente resolveu não voltar com Bento e dar em cima de Fabinho. Giane acreditava que as pessoas podiam mudar, mas ninguém mudava de um dia para o outro.

Um pouco mais tarde, Giane foi à casa de Fabinho e falou com ele, que contou que Amora veio pedir perdão para ele. Para Giane, era óbvio que Amora havia tentado seduzi-lo. Giane não conseguia ter nenhuma confiança em Amora. Não acreditava no arrependimento dela. Afinal, Amora já tinha vindo com papo de mudança uma vez, e era tudo mentira. Quem garantia que Amora não estava mentindo novamente? Giane achou que Amora só podia estar querendo se aproximar de Fabinho de olho no dinheiro. Afinal, Amora estava na pior, não conseguia emprego e as economias dela não iriam durar para sempre.

— Você não caiu nessa da Amora te pedir perdão não, né? — disse Giane.

— Você acha que eu resisti? — disse Fabinho, sorrindo. — Você sabe qual foi a última pergunta que ela me fez? Se na época que eu pedi ela em casamento tinha sido por amor.

Giane não gostou. Fabinho deu a entender que Amora havia dado em cima dele. E ele parecia estar gostando disso.

— Tá adorando, né? — disse Giane, enciumada. — Tá adorando o assédio dessazinha aí. — virou-se e afastou-se dele. — Se na época ela... Ela tivesse topado, você teria casado?

Giane até achava ridículo sentir ciúmes do passado de Fabinho. Mas não conseguia evitar. Não podia deixar de pensar que hoje não estaria com Fabinho, se ele tivesse casado com Amora. Agora, Amora deu em cima dele. E Amora não era de desistir enquanto não conseguisse o que queria. Ainda mais agora que Fabinho havia ficado rico. Não que Giane não con-fiasse em Fabinho. Ela não confiava em Amora. Achava que Amora não iria sossegar enquanto não separá-la de Fabinho. Amora iria insistir, encher o saco, dar problemas. Era bem capaz de armar mil e uma para separá-los. Ela fez o mesmo com o Bento e a Malu. Amora já deu o golpe uma vez. Trocou dois exames de DNA para fazer Bento ficar rico. Agora, ela estava tentando dar um golpe em Fabinho. Giane tinha raiva de Amora, que estava sempre atrás dos homens que ela amava. Só de imaginar Amora se insinuando para Fabinho, Giane já ficava louca da vida. Não é por ela confiar em Fabinho que iria aceitar ver alguém dar em cima dele.

— Ué, você não era louca pelo Bento? — disse Fabinho, aproximando-se. — Você não vivia sonhando com ele? Então, eu sonhava com a Amora.

— Você ainda gosta dela? — perguntou Giane, com ciúmes. Será que ele ainda sonhava com Amora? Tinha alguma fantasia com ela? Ele parecia estar gostando do assédio da Amora, e isso deixava Giane insegura.

— Tanto quanto você gosta do Bento. — disse Fabinho.

Giane deu um tapa no ombro de Fabinho, que riu. Correu para a calça-da, e encontrou Odila varrendo.

— Ei! Tia, tia, tia, onde é... Que ponto é aquele que o Bento foi levar a Amora, hein?

— Deve ser aquele lá de cima, do lado do supermercado. — disse Odila.

— Tá, valeu! — disse Giane, e saiu correndo.

— Giane! Giane! — Fabinho chamou, porém, Giane não deu ouvidos. Estava furiosa. Agora que Fabinho ficou rico, as pessoas iriam querer se aproveitar dele. Primeiro foi a Mel, agora foi a Amora.

Giane resolveu dizer umas poucas e boas para Amora, para que ela não se metesse com Fabinho. Não achava que Fabinho iria trocá-la por Amora. Fabinho não iria querer saber da Amora, ainda mais depois de tudo o que ela fez. Amora quase acabou com a vida dele. Giane tinha certeza do amor de Fabinho por ela. Ele acabou de dizer que não gostava mais da Amora. Mas ainda assim, Giane não queria Amora se metendo no relacionamento deles. Por isso iria enchê-la de tapas, para que Amora ficasse bem longe dela e de Fabinho. Seria uma forma de dar o recado, para que Amora pensasse duas vezes antes de dar em cima do Fabinho, ou de aprontar alguma para separá-los. Mostraria para Amora que ela mexeu com a pessoa errada. Ela, Giane, não era boba, não tinha medo da Amora e iria lutar pelo seu amor.

Passou em casa para pegar dinheiro. Pegou um táxi e ao avistar Amora no ponto de ônibus, disse ao motorista:

— Pode parar aqui, pode parar aqui.

O motorista parou, e Giane pagou a ele:

— Aqui, ó. — entregou o dinheiro ao motorista. — Obrigada, viu?

Desceu do táxi e caminhou em direção a Amora.

— Vagabunda, cara de pau! — xingou Giane, deu um tapa em Amora e derrubou-a no chão. — Foi atrás do meu homem, né?

Amora achou que Giane só podia estar maluca. Não havia necessidade de agredi-la. Ela não fez nada demais. Ela até foi atrás de Fabinho para tentar seduzi-lo. Foi Bárbara quem deu a ideia. Bárbara lhe disse que era sua última chance de ficar rica. Mas quando chegou na casa de Fabinho, não teve coragem de seduzi-lo e aproveitou a oportunidade para pegar o celular dele, para descobrir se era ele seu inimigo oculto, que estava mandando aquelas mensagens ameaçadoras e armando para incriminá-la. Se bem que não podia culpar Giane por desconfiar dela. Acabou não revidando. Em outros tempos, teria devolvido o tapa. Mas ficou surpresa e nem teve reação.

— Ai! — gemeu Amora, colocando a mão no rosto.

— Olha só, sai de perto do Fabinho, sai de perto da gente! — disse Giane, furiosa, apontando para ela. — Você não me viu perder a cabeça, garota. Não queira ver!

— Giane! — disse Douglas, se aproximando de Giane.

— Vou acabar com você! — disse Giane para Amora.

— Giane, o que é isso? — disse Douglas, segurando-a.

— Tá avisada, vagabunda, cretina! — xingou Giane, antes de ir embora. Não deixaria Amora chegar perto de Fabinho novamente.