Um amor inesperado
57 A farsa é descoberta
No dia seguinte, cedo, Giane e Silvério foram para a casa de Fabinho, para se despedirem dele. Ele iria embora, hospedar-se em um hotel. Não havia condições de ele continuar morando ali, na rua, depois do que aconteceu. Os vizinhos estavam muito revoltados, até andaram falando em chamar a polícia.
— É, dona Margot, melhor eu ir embora mesmo. — disse Fabinho, abraçado à mãe. — Tá todo mundo olhando torto pra vocês. Daqui a pouco, vão chamar a polícia.
— Meu filho, a Malu vai trazer o tal doutor, vai resolver. —disse Margot.
— Não, mãe. Não dá pra botar fé nisso. E a Amora é muito mais inteligente do que a Malu e todos nós juntos. — disse Fabinho. — Se der alguma coisa errada, é bom eu estar longe, pelo menos por enquanto. Vamos evitar conflito.
— Você tem razão. — disse Giane. — O Bento e a Amora daqui a pouco estão chegando aí e o Bento disse que não quer te ver. Melhor você ficar longe daquela lacraia da Amora.
— Pode deixar. Não caio mais nessa não, Gi. — disse Fabinho.
— Gi? — disse Giane, olhando para o pai, que estava abraçado a ela, dando uma cotovelada nele. — Você me chamou de Gi, foi? Fraudex.
Deu para ver que Fabinho detestou o apelido.
— Fraudex? Fraudex é a tua mãe. — disse Fabinho.
Silvério, dona Margot e Giane acharam graça.
— Vou arrumar a minha mochila. — disse Fabinho. — Vocês ficam de olho se alguma coisa vai acontecer, hein? Quais são as novidades.
Fabinho foi arrumar a mochila, e Giane foi ajudar. Depois de arrumar a bagagem, Fabinho foi se despedir da mãe, e Giane estava abraçada a ele. A essa altura, Silvério já havia ido embora.
— Tô indo, mãe. — disse Fabinho.
— Meu filho, leva mais um dinheirinho, leva. — disse dona Margot, fuçando na sua carteira.
— Não precisa, não. Consegui um hotel barato na Alfredo Pujol. —disse Fabinho.
— Hum. — disse Giane, cheirando o pescoço dele. — Queria ir com você, mas eu tenho que ir lá pra Para Sempre.
— Você promete que passa lá depois? — perguntou Fabinho.
— Fazer o quê? — disse Giane, derretida, beijando-o. — Virei essas tontas que só pensam em namorado.
— Olha, vou cozinhar pra você. Vou levar comida todo dia, viu? — disse Margot. — E qualquer coisa, Fabinho, liga, tá? — fez um gesto com a mão, representando um telefone.
— Tá bom. Pode deixar que eu ligo. — disse Fabinho, dando um beijo no rosto da mãe. — Beijo. — dirigiu-se à Giane. — Beijo. — deu três beijos nos lábios dela. — Tchau.
Fabinho foi embora, e Giane sentou-se em frente ao balcão.
— É muita injustiça, né? — disse Margot.
— É. Ele aprontou muito, mas ele não merecia ser pego pra Cristo deste jeito. — disse Giane, e colocou a mão sobre o ombro de Margot. — Mas fica tranquila, dona Margot. Vai dar tudo certo.
Giane acreditava que em breve tudo seria esclarecido. Todos saberiam que Fabinho era inocente, que Amora nunca esteve grávida e não sofreu aborto nenhum. Em breve todo mundo ficaria sabendo da armação dela. Fabinho podia ter aprontado, mas ele mudou e não era o monstro que pintavam. Logo todos saberiam que o verdadeiro monstro era Amora.
Giane foi na Para Sempre. Assim que chegou, foi até à sala de Char-lene. Charlene agora era a nova dona da Para Sempre. Uma das donas. Verônica havia vendido a empresa para Karmita Lancaster. Assim, Karmita se tornou sócia de Charlene na empresa. Karmita entrava com o dinheiro e Charlene entrava com o trabalho. Verônica estava iniciando a carreira de cantora, com o nome artístico de Palmira Valente.
— Oi, gente. — disse Giane.
— Oi. — disse Lili.
— Só pra avisar que eu já cheguei. — disse Giane.
Charlene estava nervosa. Acabou de falar com Wilson pelo celular. Wilson enlouqueceu, fez besteira. Wilson iria se ver com ela. Mas resolveu focar no trabalho. Levantou-se da mesa em que estava sentada.
— Isso mesmo, isso mesmo. Vamos esquecer esses loucos. — disse Charlene, aproximando-se de Lili e pegando nas mãos dele. — Vamos focar no trabalho.
Lili assentiu.
— Focar no trabalho. — disse Lili.
— Vamos lá. — disse Giane.
Pediu umas dicas de maquiagem para o Lili. Ela já sabia se maquiar, mas não era especialista, como o Lili. Queria aprender uns truques novos, para realçar sua beleza.
— Quer dizer, então, que você quer umas aulinhas de maquiagem, é isso? — perguntou Lili.
— É. Sabe como é, né, tio? Esse negócio de ser modelo, a gente tem que estar arrumadinha. — disse Giane, sem jeito, mexendo no cabelo.
— Sei! É só o motivo do trabalho, mesmo, ou tem algum outro motivo? Fala pra mim, fala! — disse Lili.
— Muita pergunta! Muita pergunta! — disse Giane, rindo.
O que ela queria era estar sempre linda para Fabinho. E para si mesma também. Aprendeu a ser mais vaidosa, a gostar de se arrumar.
— Já entendi. Senta aqui. — disse Lili, e Giane sentou-se na cadeira, em frente ao espelho. — Pra deixar você ultrassexy.
— Ui, ui, ui! — disse Giane.
— Ai, eu também quero aprender, hein! — disse Vanessa.
Lili passou blush nas maçãs do rosto de Giane. Em seguida, passou o rímel. Pegou um batom vermelho e entregou para a garota.
— Quer passar? Passa aí. — disse Lili.
— Quero. — disse Giane, e passou o batom nos lábios. Riu.
— Nossa Senhora! Tá linda! Tá linda! — elogiou Lili.
Giane pegou um perfume e passou no pulso. Cheirou.
— Giane! — disse Charlene, entrando na sala. — Nossa, como você tá linda!
— Ah, é! Ela tá de parar o trânsito! — disse Lili. — Os homens que se cuidem, viu?
— É, mas eu só quero saber de um carinha aí. — disse Giane.
Charlene e Lili sabiam muito bem a quem ela estava se referindo.
— Hum. Bom, você sabe o que tá falando. — disse Lili.
— Liga não, meu amor, eu te entendo. — disse Charlene. — Todo mundo dizia pra eu não casar com o Wilson. Mas, mesmo com todos os problemas, eu não me arrependo um segundo da minha decisão. A gente é muito feliz.
— Também. Obrigada, gente! Vocês são incríveis! — disse Giane.
— De nada! De nada, linda! Linda! — disse Lili.
Charlene aproximou-se e passou as mãos no rosto de Giane.
— Você tá linda! — elogiou Charlene.
— Ai, obrigada! — disse Giane.
Mais tarde, ao voltar para a Casa Verde, Giane ficou sabendo que Malu sofreu um acidente. Malu estava indo falar com Bento, quando caiu de uma escada, em frente à vidraçaria, onde Bento estava. Desmaiou. Bento a acompanhou até o hospital, na ambulância. Logo a notícia se espalhou pela rua, e todos estavam sabendo. Felizmente, não foi nada grave. Malu bateu a cabeça, porém, a tomografia não indicou nenhuma lesão. Malu ficou toda dolorida, porém, por sorte, não quebrou nenhum osso. Não precisaria ficar internada, em breve teria alta. Foi um verdadeiro milagre, pois Malu podia ter se machucado seriamente, ter tido alguma sequela ou até morrido. Bento ligou, dando mais notícias. Alguém empurrou a Malu da escada. Malu não viu quem era. Mas sentiu duas mãos empurrando-a.
— Alguém empurrou a Malu escada abaixo? — perguntou Silvério.
— Foi o Bento que disse. — disse Giane.
— Deus do céu, tomara que não desconfiem do Fabinho. — disse Margot.
O acidente ocorreu logo depois que Fabinho saiu de casa. Era bem capaz de os vizinhos desconfiarem que foi o Fabinho quem empurrou a Malu. Afinal, a vizinhança ainda achava que Amora perdeu o bebê por causa do Fabinho. Quem era capaz de agredir uma mulher grávida, era capaz de tudo, de acordo com o raciocínio dos vizinhos.
Giane digitou o número do Fabinho no celular, para contar a ele a respeito do acidente da Malu. Também queria se certificar de que Fabinho estava bem longe dali quando ocorreu o acidente. Não queria que ninguém desconfiasse do Fabinho. Ficou esperando Fabinho atender. Estava cansada de ver as pessoas sempre acusarem o Fabinho de tudo. Outra pessoa podia ter empurrado a Malu. Fabinho não tinha razões para fazer mal à Malu. Ele gostava dela.
— Ah, peraí, né? Agora tudo que acontece é culpa dele? — disse Giane.
Logo ouviu a voz de Fabinho, do outro lado da linha.
— Ei, onde é que você tá? — perguntou Giane.
— Dá aqui, dá aqui, deixa eu falar com ele. — disse Margot.
— Peraí. — disse Giane para Fabinho, antes de entregar o celular para Margot.
Margot falou no celular com Fabinho. Perguntou se ele havia pegado ônibus. Contou que Malu havia sofrido um acidente, caído da escada. Perguntou se o filho tinha um álibi. Fabinho respondeu que não pegou ônibus, estava indo para o hotel a pé. Não tinha álibi nenhum. Margot continuava com medo de que as pessoas desconfiassem de Fabinho.
Toda a vizinhança comentou sobre o acidente.
— Puxa, mas que loucura, né? — disse Nestor. — Bem que eu vi a Malu saindo toda apressadinha da casa do Bento, assim que a Amora chegou.
— É, a gente tava aqui colhendo as flores. — disse Odila, abraçada à Giane. — Só se foi um pouquinho antes do acidente. Ó, a Socorro aí, ela estava lá, ela saiu logo depois. — apontou para Socorro, que veio em direção a eles.
— Vocês estão falando de mim? — perguntou Socorro, nervosa.
Giane estranhou a reação da Socorro. Por que o nervosismo? O que será que havia acontecido entre a Malu e a Amora, na casa do Bento? Giane lembrou-se de que Malu iria trazer o médico e desmascarar Amora. Será que a Amora andou ameaçando a Malu, por causa da história do falso aborto? Será que foi Amora quem empurrou Malu da escada, para impedir que ela contasse ao Bento? Era possível. Malu não tinha inimigos, a não ser a Amora. E é claro que com a história da falsa gravidez, Amora seria a primeira suspeita.
— Você sabe o que aconteceu na casa do Bento, hoje de manhã? — perguntou Silvério para Socorro.
— Fala, Socorro. — disse Giane. — O quê que a Malu foi fazer lá? Ela foi brigar com a Amora?
Giane suspeitava que Malu e Amora deviam ter brigado por causa da história do falso aborto. Queria que Socorro confirmasse sua suspeita. Que contasse o que havia acontecido. Porém, percebeu que Socorro hesitava. Não respondia.
— Fala, mulher, você tava lá, você viu! — disse Nestor.
— E eu... Eu sei lá de Bento, de Amora, de Malu? Me deixem em paz, gente! — explodiu Socorro, e apontou para Nestor. — E você devia cuidar da sua vida ao invés de ficar fuxicando a dos outros, velho babão!
Socorro foi embora. Nestor e Odila ficaram espantados com a explosão da garota. Margot e Silvério também.
— Essa menina é nervosa assim, sempre? — perguntou Margot, apontando para Socorro.
— Eu, hein! — disse Silvério.
Um pouco mais tarde, Giane resolveu ir atrás da Socorro. Nada tirava de sua cabeça que foi Amora quem empurrou a Malu da escada, e é claro que ela deu um jeito de botar a culpa no Fabinho, como sempre fazia. Certamente, Amora forjou alguma pista falsa. E Socorro devia saber de alguma coisa. Socorro testemunhou a briga entre a Malu e a Amora. Socorro era capacho da Amora. Sempre viveu em função da Amora, fazia de tudo para agradá-la. Estava sempre disposta a servi-la. Até levava café da manhã para Amora. A idolatria da Socorro pela Amora não tinha limites. Além do mais, Amora sabia manipular as pessoas. Ela manipulava a Socorro direitinho. Giane sempre suspeitou que Socorro ajudou Amora a forjar aquele atropelamento. Desta vez, Amora devia ter pedido para Socorro fazer o serviço sujo, como por exemplo, pegar algum objeto que pertencia ao Fabinho e colocar no local do acidente da Malu. Giane foi até a casa do Gilson, e encontrou Socorro toda nervosa, bebendo água.
— Socorro. — disse Giane.
Socorro, que estava de costas para Giane, virou-se e colocou a mão no peito.
— Que susto, Giane! O quê que você quer?
— Socorro, eu tô só te sacando. Você tá com muita cara de que sabe mais do que deve. O quê que a sua musa andou aprontando? Fala. — disse Giane.
Socorro ficou quieta, não emitiu um som. Giane perdeu a paciência.
— Socorro, desembucha, anda. Você tava cedo lá na casa do Bento, você sabe o que rolou entre a Malu e a Amora! Fala, Socorro! — disse Giane.
—Não, Giane, eu não sei de nada! Eu não sei de nada! — disse Socorro, nervosa, afastando-se.
— Não sabe de nada? Tá muito nervosa pra quem não tem o rabo preso. — disse Giane. — Socorro, olha só, mais uma vez: foi a Amora que empurrou a Malu, não foi? Socorro, fala, por quê?
— Não, Giane, eu não sei de nada. Não tenho nada a ver com isso!
— Olha só, olha só! — disse Giane, agarrando-a pelos braços. — Eu e o Fabinho, a gente tá te observando! Você é cúmplice da Amora! Foi você que armou aquele acidente, né? Pra botar a culpa no Fabinho, não foi?
— Não, Giane. Você tá me machucando, por favor! — disse Socorro.
— Olha só! Se você não falar, eu vou transformar a sua vida num inferno!
Porém, Socorro não falava nada. Giane insistiu, agarrando os pulsos dela:
— Fala, senão eu vou transformar a sua vida num inferno!
— Não, Giane! Giane, me larga! — disse Socorro.
Atraídos pela confusão, Gilson, Jonas e Érico entraram. Fabinho também.
— Socorro, fala! Eu vou torcer mais seu pulso! — disse Giane.
— Giane, me larga, Giane, tá me machucando! — gritava Socorro.
— Eu vou torcer seu pulso! — disse Giane.
Jonas separou Giane de Socorro. Érico segurou-a.
— Que é isso, Giane? — perguntou Érico.
— Larga ela! — disse Gilson.
— Essa louca... — berrou Socorro, apontando para Giane. — Chegou aqui, toda truculenta, querendo me matar! Eu devia chamar a polícia!
— Chama a polícia, Socorro! Chama a polícia! — gritou Fabinho. — Chama a polícia! Aproveita e fala todos os teus podres!
Com certeza, Fabinho achava que Amora sabotou o bufê do Wilson, e que Socorro estava envolvida nesta história de sabotagem até o último fio de cabelo. Agora, ele também achava que Amora tentou matar Malu.
— Eu já disse que eu não fiz nada. Gente, me deixa em paz! — disse Socorro.
— Tá na cara que a Amora tentou matar a Malu! — gritou Fabinho. — E você não só sabe de tudo, como você é cúmplice!
— Socorro, isso é verdade? — perguntou Jonas.
— E cúmplice, Socorro, também vai pra cadeia! — disse Fabinho. — Então, você pensa muito bem antes de ficar defendendo a tua musa! O quê que ela fez? Por que ela fez isso? — agarrou Socorro pelo braço.
Gilson, Jonas e Érico procuraram apartar, separar Fabinho de Socorro.
— Fabinho! Fabinho, larga ela, cara! Larga! — disse Érico.
— Não sei! Pra Malu... Pra Malu não dizer nada. — disse Socorro.
— Não dizer nada sobre o quê? Fala! — disse Fabinho.
— Se abre, Socorro. O quê que você tá sabendo? — perguntou Gilson.
— Bom, a Malu vai dizer, então... A Amora, ela... Ela falsificou os exames de DNA. — disse Socorro. — Quer dizer, ela praticamente me obrigou a falsificar!
— O que você tá falando, Socorro? — perguntou Fabinho.
— Eu troquei os resultados do exame. — disse Socorro. — O Bento não é filho do Plínio. O filho do Plínio Campana é você, Fabinho.
Todos ficaram chocados, inclusive Giane. Ela não esperava por isso. Quando pressionou Socorro, imaginou que ela iria falar que a gravidez da Amora era falsa. Achava que era esse o motivo pelo qual a Amora poderia ter empurrado a Malu da escada. Para ela não falar sobre o falso aborto.
Giane não imaginava outro motivo que não esse. Então Amora mandou Socorro trocar os exames? E pelo visto, a Malu já estava sabendo disso. Giane nunca imaginou que fosse possível fraudar exames de DNA. Mas Socorro não iria inventar uma coisa dessas. Se ela falou, era porque era verdade. Amora era pior do que ela, Giane, pensava. Foi capaz de enganar todo mundo. Ela manipulou a vida de muita gente para fazer o Bento ficar rico. Manipulou a vida do Bento, da Malu, do Fabinho, até da Irene e do Plínio. Até onde ia a maldade e o egoísmo de Amora? Ela só pensou nos próprios interesses, sem se preocupar com os sentimentos dos outros. Ela fez o Bento e a Malu pensarem que eram irmãos, sem o menor remorso.
— Eu sou filho do Plínio? — perguntou Fabinho, chocado.
— Socorro, você tem ideia do que você fez? — disse Gilson. — Você adulterou dois exames de DNA porque a sua deusa pediu?
— Socorro, isso é crime, cara! — disse Giane. — Você pode ir pra cadeia.
Giane não entendia muito de leis, mas tinha certeza de que falsificação de resultado de exame era uma prática ilegal.
— Eu sei. Eu sei, mas... Mas eu não sabia que as coisas iam chegar a esse ponto. —disse Socorro. — Eu só queria ajudar a Amora a fazer justiça.
Como fazer justiça? Giane achou que Socorro só podia estar de brincadeira. Amora e Socorro brincaram com a vida de muita gente. Causaram a maior confusão. Bento sofreu muito, achando que era irmão da Malu. Ele achava que estava namorando a irmã. Malu sofreu também, por achar que era irmã do rapaz por quem era apaixonada. Irene e Plínio se apegaram ao Bento. Principalmente o Plínio, porque Irene podia até gostar do Bento, mas continuava tratando Fabinho como filho. E agora, o Plínio e a Irene iriam descobrir que o Bento não era filho deles, e sim o Fabinho. E agora, como iria ser? E Glória? Ela se pegou ao Bento. Sempre considerou o Bento neto. E no fim era verdade. Glória devia ter sofrido muito com a troca dos exames. E o Fabinho, que quase morreu na rua, como um indigente? Será possível que Socorro não tenha pesado as consequências do que fez?
— A fazer justiça? Vocês quase acabaram com a minha vida! Você tá maluca? — gritou Fabinho, revoltado, andando em direção à Socorro.
Giane e Érico o seguraram.
— Calma, Fabinho! — disse Giane.
— Mas se eu não fizesse isso, quem ia acabar com a vida de um monte de gente, só porque ficou rico era você! — berrou Socorro, revoltada. — Gente que eu amo! Você não lembra, tio Gilson? Ele chegou aqui na rua dizendo que ia comprar tudo, que ia demolir tudo!
— Isso não justifica você cometer dois crimes, Socorro! — disse Gilson.
Nesse momento, ouviram o barulho da van.
— É a van da Acácia, é o Bento. Eu vou contar pra ele, Socorro. — disse Giane. Achava que Bento precisava saber a verdade. Não suportava mais ver Bento sendo feito de idiota pela esposa dele.
Porém, quando Giane saiu, a van já estava se distanciando. Gilson também saiu de casa, logo atrás dela.
— Bento, você vai fazer besteira! — gritou Madá.
— Onde é que o Bento foi com essa pressa? — perguntou Giane.
— Ah, foi atrás do teu irmão, Gilson. — disse Madá.
— Do Wilson? Por quê? — perguntou Gilson.
— Porque ele agora cismou que possivelmente foi o Wilson que deu um empurrão na Malu pra ela cair da escada. Ah, Gilson, ajuda a gente. — disse Madá. — Olha, nós precisamos fazer alguma coisa pelo Bento, gente. Eu nunca vi esse garoto tão descontrolado.
— O Bento e o Wilson? Isso não pode acontecer. — disse Gilson.
Não era a primeira vez que Bento e Wilson brigavam. Já haviam brigado mais cedo. Socorro andou espalhando por aí que Bento e Amora estavam pensando em comprar o Kim Park. Wilson não gostou nada de saber. Wilson logo suspeitou de que foi Bento quem sabotou o bufê, para vê-lo na lama e comprar o parque por um preço mais baixo. Achou estranho Bento, do nada, falar em comprar o parque. No ponto de vista de Wilson, Bento só podia estar querendo se vingar dele. Wilson foi até a Acácia Amarela, ver se encontrava o Bento por lá. Resolveu tirar satisfações. Não sabia que Bento havia ido ao hospital buscar Amora. Quando Bento voltou do hospital com Amora, ficou sabendo que Wilson foi até a Acácia Amarela atrás dele. Bento foi atrás de Wilson, e Renata foi com ele. Ao chegar lá, Renata e Bento viram que Wilson havia atirado pedras na vidraça da loja. Bento e Wilson começaram a brigar, a trocar socos, e Renata separou-os. Wilson foi embora e Renata foi junto. Bento ficou para consertar o estrago. Bento estava na vidraçaria, no fim da rua da Acácia Amarela, quando viu Malu rolar escada baixo. Mais tarde, Bento e Madá foram olhar o local do acidente da Malu, e encontraram um anel da Amora no local. Amora negou, disse que não havia empurrado a Malu, que nem saiu de casa. Primeiro ela tentou acusar Malu de ter armado para ela, depois acusou Fabinho e Giane, mas não funcionou, então em seguida deu a entender que podia ter sido Wilson quem empurrou a Malu da escada, e plantou uma pista falsa para incriminá-la. Por isso Bento foi que nem louco atrás de Wilson.
— O que tem o Bento e o Wilson? — perguntou Salma, aproximando-se.
— O Bento saiu enlouquecido, querendo matar o Wilson. — disse Gilson. — E, Salma, eles são mesmo pai e filho.
Giane espantou-se, Madá também.
— Oi? Como é que é? — perguntou Madá.
— A Socorro acabou de confessar que ela alterou os exames de DNA. — disse Gilson. — E se o Bento não é filho do Plínio, ele só pode ser filho do Wilson e da Lívia.
Madá e Salma estavam chocadas. Então Bento era filho do Wilson, não do Plínio. Não conseguiam entender como Socorro podia ter alterado dois exames de DNA, como fez. Achavam que era impossível fraudar os exames. Até onde elas sabiam, os laboratórios faziam de tudo para evitar fraudes.
Um pouco mais tarde, Silvério foi para a casa de Gilson e ficou sabendo de tudo o que estava acontecendo. Gilson, Salma, Socorro, Giane e Fabinho continuavam na sala. Estavam todos quietos, com os nervos à flor da pele. A pedido de Gilson e Salma, Socorro havia explicado como fraudou os exames. Socorro enganou o Bento e o Fabinho, fazendo-os acreditar que os resultados dos exames pertenciam a eles e estavam relacionados aos materiais fornecidos na coleta. Socorro trocou o material de Fabinho pelo de outro cliente. Mandou o material errado para a análise. Fez Fabinho assinar o cartão errado. O cartão estava no nome do Fabinho, por isso ele nem desconfiou, mas o sangue que estava no cartão não era o dele. Em seguida, Socorro fez o mesmo com Bento. Trocou o material do Bento pelo de Fabinho. Socorro deu um jeito de tirar um pouco mais de sangue de Fabinho. Fez com que Fabinho sangrasse, e pingou o sangue dele na cadeira. Assim que Plínio e Fabinho saíram, ela tirou do bolso outro cartão com o nome de Bento. Colocou o papel filtro do cartão sobre a gota de sangue na cadeira. Fez Bento assinar o cartão que continha o sangue de Fabinho, depois mandou para análise. Bento não desconfiou, pois o cartão estava no nome dele. Por isso o exame de Fabinho deu negativo e o de Bento deu positivo. A ideia de adulterar os exames foi da Amora.
Giane ficou pensando que Amora era realmente muito inteligente e ardilosa. Amora foi capaz de manipular um monte de gente, inclusive ela. Ela chegou a comemorar quando o exame de Fabinho deu negativo, tamanho o ódio que sentia dele. Agora ela sabia que havia comemorado um crime. Amora sabia que Gilson, Salma, Silvério, Nestor, Odila e demais vizinhos da Casa Verde, o Plínio, a Irene, todos iriam cair na armação dela. Ela lançou a suspeita de que os bebês haviam sido trocados e todos se deixaram enganar com aquela história de que recém-nascido era tudo igual, que a Zezé era atrapalhada e com o resultado do exame. Amora se valeu da raiva que todos tinham do Fabinho. Quase todos aceitaram o resultado do exame sem questionarem. Porque assim os problemas de todos estariam resolvidos e Fabinho não incomodaria mais ninguém, deixaria de ser uma pedra no sapato. Todos preferiam que Bento fosse filho do Plínio, com exceção de Gilson, Salma, Glória e Malu. Ninguém nem pensou em repetir o exame, pois acharam impossível o exame estar errado. As pessoas ali tinham plena confiança na ciência e não seguiram a intuição. Até Odila e Silvério, que trouxeram os bebês, caíram na armação. Confiaram no laboratório. Afinal, os laboratórios fazem de tudo para evitar fraudes e não cometeriam dois erros tão grosseiros, na visão deles.
Dava para ver que Fabinho estava muito revoltado. Permaneceu um longo tempo pensativo, debruçado sobre uma mesa. Fabinho virou-se.
— Socorro, eu tinha que te jogar na rua, pra você passar fome, pra você passar frio, pra você apanhar, pra você quase morrer... — disse Fabinho, aproximando-se de Socorro e apontando o dedo na cara dela. — Pra você entender o que eu passei!
Socorro encolheu-se, com os olhos cheios de lágrimas.
— Ei, ei, psiu. — disse Gilson. — A Socorro errou, mas você precisava passar por essas coisas todas pra perceber as besteiras que você fez! Ou não?
— Você virou gente, Fabinho. — disse Salma. — Pelo menos um lado bom essa história teve.
Gilson e Salma sabiam que o que a Socorro fez foi horrível. Ela e Amora manipularam a vida de um monte de gente, inclusive do Bento. Salma e Gilson não entendiam como Socorro podia ter sido capaz de fazer uma barbaridade dessas. Mas eles amavam Socorro. Era como uma filha para eles. Eles a criaram com amor e carinho, ensinaram bons princípios. Estavam muito decepcionados, mas não podiam abandoná-la. Eles achavam que tinham de ficar do lado da Socorro, até porque eles eram a única família que ela tinha. Socorro não tinha mais ninguém no mundo. Socorro agora seria odiada na Casa Verde inteira. O que seria dela, sem eles? Fariam de tudo para ajudar Socorro. Contratariam um bom advogado. Não tiravam as razões de Fabinho. Ele sofreu muito, podia até ter morrido. Mas tudo o que ele havia sofrido, em parte foi consequência das besteiras que ele fez. Gilson e Salma achavam até natural que Fabinho tivesse raiva, mas esperavam que ele não se deixasse dominar pela revolta.
— Não tem lado bom dessa história! Porque eu quase morri por causa dessa desgraçada! — esbravejou Fabinho, e partiu para cima de Socorro, querendo dar um chacoalhão nela. — Chora, desgraçada! Chora!
Porém, mal encostou na Socorro, pois Salma o impediu:
— Para! — gritou Salma.
— Sai! — disse Gilson, empurrando Fabinho.
Giane tentou ligar no celular do Bento. Estava na cara que Bento iria fazer uma besteira, e Giane estava muito preocupada. Ela se preocupava com Fabinho também, esperava que ele se controlasse, que não se deixasse dominar pela revolta. Mas Fabinho estava ali, ele iria ficar bem. Ela estava do lado dele, não o deixaria fazer besteira. Já o Bento estava descontrolado, estava querendo matar Wilson e ela não ia deixá-lo cometer esta injustiça. Alguém precisava impedi-lo, para que ele não morresse de remorso mais tarde. Afinal, se tratava do pai dele. Mas ele não atendia.
— E agora? Vocês vão me entregar pra polícia? É pra eles que você tá ligando, Giane? — perguntou Socorro, chorando.
— Socorro, cala essa boca! — disse Giane, com o celular no ouvido. — Tô tentando falar com o Bento. Não consigo! Tô preocupada, tô com...
Giane estava com uma sensação ruim no peito.
— Dona Madá, onde é que ela tá? — perguntou Giane.
— Eu acho que ela foi pra casa do Bento depois que ele saiu. — disse Gilson.
Giane logo imaginou que Madá estivesse correndo perigo, pois a Amora estava lá. Sabia-se lá o que Amora podia fazer. Amora era capaz de tudo para calar a boca da Malu. E se Amora resolvesse sequestrar Madá?
— Meu Deus do céu! — disse Giane, e saiu correndo.
Voou para a casa do Bento. Entrou sem bater.
— Dona Madá! — chamou Giane.
— Hein? O que foi? — disse Madá, enquanto Giane entrava na sala.
Bárbara e Amora estavam na casa.
— Dona Madá, vem! — disse Giane, nervosa, pegando na mão de Madá. — A senhora não pode ficar aqui com essas duas de jeito nenhum! A Socorro já contou da troca dos exames de DNA.
— Do que você tá falando? — perguntou Amora, nervosa.
— É, agora não tem jeito. Você vai presa. Não tem fuga. — disse Giane, olhando para Amora. Dirigiu-se à dona Madá. — Vem! Eu explico tudo pra senhora no caminho.
Madá e Giane foram embora. Giane explicou para Madá como Socorro havia feito a troca dos exames. Madá foi logo contando para Margot. Logo Plínio e Irene chegaram à Casa Verde, e já estavam sabendo de tudo, pois Giane os viu conversando com Fabinho. Érico também estava lá por perto, junto com Margot e Madá. Porém, Giane viu que Socorro estava saindo de fininho da casa do Gilson, com várias bolsas nos braços. Giane chegou à conclusão de que Socorro estava fugindo.
— Ei, Socorro, você tá fugindo, é? — gritou Giane, correndo atrás dela.
— Socorro, sua desgraçada! — gritou Fabinho, correndo atrás de Socorro.
Fabinho e Giane começaram a perseguir Socorro, que subiu as escadas, no mesmo local por onde Fabinho fugiu quando destruiu a estufa. Passou pela casa de Fabinho, que antes era da Charlene.
— Sua desgraçada! — gritou Fabinho, subindo as escadas, atrás de Socorro.
— Volta aqui! — gritou Giane.
— Não! — gritou Socorro, correndo.
Socorro abriu o portão de uma das casas, em frente à casa de Fabinho, e se escondeu atrás do muro. Giane e Fabinho continuaram andando pela rua, à procura dela. Socorro esperou eles passarem, abriu o portão, saiu, atravessou a rua e chamou um táxi. Giane e Fabinho voltaram e a viram, e correram atrás dela.
— Socorro! Socorro! — gritou Fabinho.
Porém, Socorro já havia entrado no táxi, que começou a andar.
— Amigo, para, amigo. Para, para, para! — gritou Fabinho.
Porém, o motorista do táxi não parou.
— Foi por pouco. — disse Fabinho.
— Onde será que ela foi, hein? — perguntou Giane.
— Não, tudo bem. — disse Fabinho, pendurando no braço a mochila que estava carregando. — Essa aí acabou de piorar a situação dela. Agente não pode deixar a Amora fugir.
Um pouco mais tarde, Giane conversou com opai sobre Bento e Wilson. Bento era mesmo o bebê que Glória havia entregado para Silvério na rodoviária. Bento era filho da Lívia, filha da Glória e irmã do Perácio. E o pai era Wilson. Gilson, Salma e Silvério sabiam disso há muito tempo, e iam contar para o Bento, porém, teve a história do exame de DNA, e todos pensaram que os bebês haviam sido trocados. Acabaram não contando nada para Fabinho, com medo de que ele surtasse e voltasse a aprontar se soubesse que era filho de pai rico. Silvério contou que reconheceu Glória quando a viu em uma matéria de revista que falava sobre Filipinho. Filipinho havia tirado uma foto com toda a família. Giane pensou que Bento não iria gostar nada de saber que era filho do Wilson. Mas resolveu contar a novidade para Amora. Afinal, Amora odiava Wilson, e Giane suspeitava que foi Amora quem sabotou o bufê. Giane estava revoltada com Amora, por causa da troca dos exames de DNA. Amora tinha que saber que não precisava ter feito o que fez, brincar com a vida de tanta gente, tudo para fazer Bento ficar milionário. Bento era filho do Wilson. E se Amora não tivesse sabotado o bufê, Bento ainda seria rico. Amora, sem querer, prejudicou Bento. Giane fazia questão de jogar essa história na cara da Amora. Queria ver a cara de tacho da Amora ao saber da novidade.
Quando Giane chegou ao quintal de Bento, ouviu vozes alteradas. Entrou na casa, e viu que Plínio, Irene e Fabinho estavam discutindo com Amora.
— Para de gritar, Amora! Você nos deve explicações, não adianta você ficar assim. — gritava Irene, que normalmente era uma pessoa calma.
— Gente, o quê que está acontecendo aqui? — perguntou Giane, aproximando-se.
— A cocotinha não fez nada. Tudo aqui é culpa da Socorro. — disse Fabinho, irônico.
— Ah, mas é claro que ela vai dizer isso. Ela nunca vai confessar. Vocês esperavam? — disse Giane. — Gente, mais uma novidade. O verdadeiro pai do Bento é o Wilson Rabelo.
Deu para ver que Amora não queria acreditar.
— Você tá falando sério? — perguntou Amora.
Amora achou que não era possível, Bento não podia ser filho do canalha do Wilson. Giane só podia estar de brincadeira.
— De onde você tirou essa informação, Giane? — perguntou Plínio.
— Meu pai que me contou. Mas é uma pena, né, que o Wilson esteja falido? — disse Giane. — Porque alguém que odiava ele sabotou o bufê.
Fabinho riu.
— Sabotou o bufê do sogrão! — disse Fabinho para Amora.
— Eu não fiz isso! Eu não fiz isso! — disse Amora, desesperada, chorando. Estava sendo acusada de crimes que não cometeu.
— Olha aqui, Amora, de todas as barbaridades que você fez, e não foram poucas, a mais imperdoável foi você ter atentado contra a vida da Malu. — disse Plínio, indignado. Ele amava a filha mais do que tudo. Quando Emília contou que Amora tinha tentado sufocar Malu com o travesseiro, ele até deu o benefício da dúvida para Amora. Afinal, ninguém tinha visto Amora tentar sufocar a Malu de verdade. Não dava para saber com certeza o que ela teria feito. Ela só foi vista com o travesseiro na mão, e como ela estava do lado da cama da Malu, Emília desconfiou. Emília podia estar imaginando coisas. Amora podia ter vindo ao quarto da Malu só buscar o travesseiro, porque achou que era dela. Plínio achava que Amora não era flor que se cheire, mas que não seria capaz de matar uma pessoa. Ele preferia pensar que ela não teria coragem. Mas agora, ainda mais depois de saber de tudo o que Amora aprontou, o falso aborto, a troca dos exames, ele não duvidava de mais nada. Amora era muito pior do que ele pensava. Ele achava que Amora ia tomar jeito com a gravidez, afinal ela ia ser mãe. Ela ia ver que precisaria mudar. Mas era tudo mentira.
— Não fui eu! Não fui eu! — gritou Amora, desesperada. Ela não tinha nada a ver com o acidente da Malu, mas ninguém acreditaria nela.
— Não foi a primeira vez que ela sacaneou a Malu! — disse Giane.
— Mas não fui eu! Eu tô falando sério! Sai daqui, gente! Sai! — gritou Amora.
— Você vai pagar por cada um dos seus crimes, Amora! Palavra de honra! — disse Plínio.
— Vambora, Plínio! Vambora! Tá me fazendo mal isso aqui. Vambora. — disse Irene. Irene e Plínio foram andando na frente.
Amora encostou-se em um móvel. Fabinho aproximou-se dela por trás.
— Papai falou, tá falado. — disse Fabinho.
— Sai! Sai daqui! — berrou Amora, virando-se, e Fabinho afastou-se. Amora pegou uma louça e atirou na parede. — Aaah!
Horas depois, Giane e Fabinho estavam no sofá da casa dele. Conversaram sobre os últimos acontecimentos. Érico pediu desculpas a Fabinho, pois descobriu que foi realmente a Júlia quem entregou a campanha para Natan. Fabinho se entendeu com Plínio, que pretendia processar Amora e Socorro.
Plínio e Irene ficaram sabendo de tudo por Malu, que contou tudo o que descobriu. No dia do aniversário da Sandrona, em que os brinquedos do bufê foram sabotados, Malu acompanhou André até o hospital. André havia machucado o pé ao brincar na piscina de bolinhas. Perdeu muito sangue. O garoto tinha uma hemofilia leve, por isso teve uma pequena hemorragia. O hospital estava fazendo campanha para doação de sangue. Bento decidiu doar sangue. Malu não podia doar por causa do peso. Malu ficou sabendo que o tipo de sangue do Plínio e da Irene não batia com o do Bento. Um casal do tipo O jamais poderia gerar um filho do tipo AB. Então Malu pressionou Socorro, que confessou ter fraudado dois exames de DNA, a mando da Amora. E quando Malu ia desmascará-la, Amora inventou que estava grávida, pois sabia que Malu não teria coragem de contar para o Bento. E para acabar com a mentira, ela forjou um aborto, culpou o Fabinho, comoveu o Bento e ainda saiu de vítima. Giane e Fabinho também falaram sobre a Socorro.
— Não tem que se preocupar com a Socorro, não. — disse Fabinho, alisando os cabelos de Giane, que estava deitada no colo dele. — O importante é que agora a Amora se ferrou de vez e eu tô rico, milionário. — riu.
— E o que você vai fazer? Vai esnobar todo mundo e comprar a rua, que nem você ia fazer da outra vez? — perguntou Giane.
No íntimo, Giane tinha medo de que Fabinho deixasse o dinheiro subir à cabeça e passasse a esnobá-la, a virar a cara para ela. Afinal, ele já a esnobou antes. Na época em que Socorro fraudou os exames, ele havia ficado deslumbrado, cheio de si por ser filho do Plínio. Sentiu-se superior por ser filho de pai rico. Destratou todo mundo. Giane tinha medo de que ele a esnobasse, voltasse a se achar superior e achasse que ela não estaria à altura de ser a nora do Plínio Campana. Tinha medo que Fabinho ficasse com vergonha dela, por ser pobre, não ter berço. Se isso acontecesse, ela sofreria muito. Ela o amava demais e não queria perdê-lo. Ele era muito importante para ela. Ela acreditava no amor de Fabinho, mas temia que o amor dele fosse frágil. Não queria que ele deixasse de amá-la. Ela esperava que ele tivesse realmente aprendido que o valor de uma pessoa não estava na conta bancária, ou em um sobrenome ilustre. Ela acreditava que ele tinha mudado, mas morria de medo que ele desse para trás.
— Não sei, o quê que você acha? Tô pensando ainda. — disse Fabinho. — O importante é curtir a vida, né? Viajar, gastar muito, pegar tudo que é mulher.
— É o quê? — disse Giane, levantando-se e olhando para ele.
— Claro. Senão, não vale a pena ser rico, né? Com um maloqueiro desses do lado, não. — brincou Fabinho. — Agora, é atriz, modelo e socialite. Só isso que eu quero.
— Modelo, eu até sou. E se eu quiser, ó, pego homem muito mais rico e bonito do que você. — disse Giane.
— Hum. Tá se achando, né, metida? — disse Fabinho.
— Só tô me dando o devido valor. — disse Giane.
Fabinho olhou para ela, sorrindo.
— Você tá louca. Eu não te troco por dinheiro nenhum. — disse o rapaz, aproximando-se mais dela e olhando-a nos olhos. — Você é a pessoa mais importante da minha vida. A pessoa que eu mais amo.
Para Giane, foi a maior declaração de amor que poderia ouvir. Agora tinha certeza de que Fabinho não viraria a cara para ela. Ele deixou bem claro que para ele, ela era mais importante que dinheiro. Além disso, até então, ele não estava se gabando por ser filho do Plínio.
— Além de rico, ficou romântico também? — perguntou Giane, feliz. Mas ele não cansava de surpreendê-la.
— É que você sempre ficou do meu lado nos momentos ruins. — disse Fabinho, fazendo um carinho no rosto dela. — Agora, eu quero você sempre. Te amo muito.
Giane resolveu dizer o que guardava em seu coração.
— Você sabe que eu nunca pensei que eu fosse dizer isso?
Até pouco tempo atrás, ela o odiava, porque ele se mordia de inveja do Bento e perseguia-o. Ele vivia aprontando, fazendo alguma maldade com Bento. Ela amava tanto o Bento, e era por isso que gostava tão pouco do Fabinho. Além disso, Fabinho também aprontou para caramba com o pessoal ali da rua. Agora, tudo mudou. Fabinho era outra pessoa. Deixou as maldades para trás. E ela nunca pensou que o amaria tanto. Quem diria que ela iria acabar namorando Fabinho? Se há alguns meses atrás, alguém lhe dissesse que ela iria se apaixonar por Fabinho, ela iria dar gargalhadas.
— Mas? — perguntou Fabinho, já sabendo o que ela ia dizer.
— Mas eu te amo também. — disse Giane. Beijaram-se.
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