Um amor inesperado.

16 Uma breve despedida


Já era noite quando finalmente consegui sentar na minha cama e pensar na vida. "Na vida", na verdade era sobre o Bruno mesmo. Acho que depois da conversa que tive com Milena, fiquei mais confiante, finalmente estava acreditando que ele me amava também. Cansada das tarefas diárias, deitei na cama e caí no sono.

Três horas da manhã. Ouço um barulho na janela, e levantei para ver o que era. Abri a janela, e quem diria? Era Bruno, com uma cara preocupada.

- O que aconteceu, Bruno? Ai, não olhe pra minha cara de zumbi, que vergonha, que vergonha! — Prendi o cabelo rapidamente e esfreguei os olhos.

- Ana, é urgente, eu recebi uma notícia agora há pouco e, bem, não sei como dizer isso. — Bruno colocava a mão nos cabelos, pensando.

- O que, Bruno? Fale logo, estou preocupada.

- Bem, minha mãe ligou e... ela me deu uma notícia de que preciso voltar pro Havaí o quanto antes. — Bruno colocou as mãos no rosto, e eu também. Não era possível. Estava tudo tão bom, bom demais para ser verdade.

- Mas como, o que aconteceu? — Perguntei, quase que em lágrimas.- Meu tio faleceu, e ele foi um pai pra mim. Não posso deixar de vê-lo pela última vez. — Bruno deixou escorrer uma lágrima.

- Não chora, por favor, eu vou chorar junto! — Eu disse, tarde demais. Já estava em lágrimas. — E quanto tempo vai demorar pra você voltar?

- Voltarei logo, eu prometo. Eu tenho um apartamento aqui em São Paulo agora, então ainda voltarei. — Bruno segurou minhas mãos, enquanto eu estava em choque. Eu abracei ele, e em seguida, ele afastou meu rosto do dele, e disse:

- Não se preocupe. Eu não vou te deixar. Eu te amo. — E me beijou, novamente. Cada beijo dele me levava aos céus.

- Não me deixe, por favor! Volte o quanto antes, Bruno! — Implorei, chorando. Ele limpou minhas lágrimas e disse:

- Não quero te ver assim. Tome aqui, um presente pra você. — Bruno pegou do chão, um pequeno aquário de vidro. Dentro, havia dois pequenos peixes, um azul e um rosa. — Gosto de chamá-los de Bruno e Ana — Bruno disse, sorrindo.

- Você está me dando eles? — Perguntei, confusa.

- Sim, pode ficar com eles. Ah, aqui está o potinho de ração deles. — Bruno sacou um pote branco do bolso. Ele deu o potinho em minha mão e disse: — Eu voltarei. — Em seguida, soltou minha mão e foi em direção ao carro, já que o outro lado da minha janela era a rua.

Eu fechei a janela e fiquei parada, observando os pequenos Bruno e Ana nadarem no aquário. Eram tão delicados, talvez me fizessem melhor enquanto Bruno estivesse no Havaí, a muitos quilômetros de mim, enquanto eu estaria aqui, como sempre, apenas aguardando a sua volta.