Um amor inesperado.
14 Sintomas de paixonite.
Depois daquele segundo beijo, percebi que realmente, Bruno parecia estar gostando de mim. Porém, o meu maior medo era me iludir com isso, pensar que ele poderia perder todo o interesse por mim algum dia, e me deixar sozinha. Não que eu me importasse de ficar sozinha, pois minha vida toda sempre fui acostumada a essa situação. O problema era ele, ou melhor, a falta dele. Eu não queria me afastar mais dele, Bruno chegou ontem na minha vida de uma maneira avassaladora, e acabou me pegando de surpresa. Por mim, o mundo poderia ficar vazio. Desde que Bruno estivesse comigo, eu estaria feliz.
– Bruno, — Eu o chamei. — Posso te perguntar algo?
– Claro, pergunte o que quiser. — Bruno sorriu.- Como você sabe quando você está apaixonado? — Perguntei.
– Nossa, que pergunta difícil. Por quê a pergunta? — Bruno me respondeu, com outra pergunta.
– Não, nada, só curiosidade mesmo.
– Ah, eu sei lá... Acho que eu sorrio bastante para a pessoa, e fico mais tímido com ela. Não sei. Preciso pensar. — Bruno respondeu. Isso não me convenceu, mas deixei quieto. Continuamos comendo nosso café da manhã, em silêncio. Fiquei então observando os peixes que nadavam incessantemente no aquário. Eram tão bonitos, tão delicados. Eram coloridos, haviam peixes laranjas, rosas, azuis. Cada um com sua beleza.
Bruno me pegou hipnotizada com os tais peixes, e perguntou:
– São bonitos, não?
– Lindos. Adoro peixes, ainda mais esses peixes coloridos. — Comentei.
– Eu já tive alguns deles, mas não tinha muito tempo para cuidar deles, sabe? Então acabei doando-os para um amigo. — Bruno disse, agora também fascinado com os peixes, e tocando a sua mão na minha.
– Eu queria ter um deles. Mas minha avó nunca quis comprar um pra mim. — Lamentei.
– Isso é triste. São tão bonitos, não é? — Bruno afirmou.
– Sim, são mesmo. — Confirmei. Nesse momento, avistei Milena na porta, fazendo um sinal para irmos embora.
– Bruno, precisamos ir. — Eu disse.
– Por quê? Está tão confortável aqui. — Bruno indagou.
– Minha avó pediu para não demorar, ainda preciso ajudá-la em casa.– Menti.
- Tudo bem então, vá entrando no carro enquanto eu pago. — Bruno me deu as chaves e foi em direção ao balcão, enquanto eu ia até o carro.
Abri o carro sem dirigir uma única palavra à Milena. Apenas entrei no carro. Ela entrou em seguida e perguntou:
– E aí, como foi?
– Muito bom, Mi. Sinceramente, acho que estou sim apaixonada por ele. — Desabafei. — É estranho falar sobre isso, eu nunca falei nada parecido antes.
– Todo mundo já percebeu isso, Ana! E não tem nada melhor do que saber que ele também está afim de você! — Milena disse, sorrindo.
– Ele não gosta de mim, Mi! Aposto que quando ele for embora, nem vai mais lembrar meu nome.
– Pare com isso, já viu o jeito que ele olha pra você? É óbvio que ele também está morrendo de amores por você. — Milena me animou, embora eu não quisesse demonstrar isso. Logo, Bruno entrou no carro e nós ficamos em silêncio. Bruno dirigiu-nos até minha casa, e disse:
– Espero vê-las em breve, foi um prazer passar essa manhã com vocês. — Sorriu.
– Concordo. Até mais, Bruno. — Respondi, sorrindo também. Então, entramos em casa e Bruno acelerou o carro, sumindo logo após virar a esquina.
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