Um amor inesperado.
5 Aquele abraço.
Voltei para a mesa, ainda pensando no que minha prima tinha me falado. Eu não sabia como reagir. Então, sentei no meu lugar, ao lado de Bruno, fingindo que não sabia de nada. Minha prima ficou no balcão para pegar suco, e me deixou sozinha naquela situação horrível, todos estavam olhando para a minha cara, e eu tinha que fingir estar confusa, mesmo não estando. Bruno me olhava com um olhar muito meigo, como se estivesse viajando nos meus olhos. Não podia negar, estava apaixonada por ele também.
Continuamos conversando na mesa, sobre assuntos aleatórios. Minha prima voltou e se sentou junto com a gente. Bruno perguntou porque eu não morava com a minha mãe. Perguntei á ela se podia explicar, e ela disse que sim. Então expliquei toda a história para ele, desde que nasci, até o dia em que fui morar com a minha avó. Perguntou de meu pai, e lhe respondi que meu pai havia morrido de uma doença grave, logo após meu nascimento. Consequentemente, minha mãe ficou sozinha para cuidar de mim e de meus irmãos.
Estávamos empolgados com o papo, quando meu tio nos chamou para pegar o buquê, que minha tia iria jogar. Levantamos rapidamente e se reunimos áquela multidão de convidados se descabelando para pegar o buquê. Pude perceber que alguns já estavam bêbados, outros tentavam disfarçar a embriaguez. Começara a contagem regressiva. Cinco, quatro, três, dois, um! O buquê fora jogado, estava agora viajando pelos ares, e se aproximando de mim. O quê? Oh não. Já podia imaginar o que iria acontecer em seguida.
Dito e feito, era exatamente o que estava pensando. Bruno pegou o buquê. Ele ficou um pouco surpreso e olhou para a multidão que agora o observava. Eu estava do lado de minha prima, um pouco mais velha do que eu. Ele olhou para mim e sorriu. Eu dei um sorriso tímido e desviei o olhar. Minha prima me deu um tapinha e disse "Vá dar um abraço nele!". Pois sabe que foi exatamente o que eu fiz? Tomei coragem e perdi a timidez pelo menos uma vez na vida, e abracei ele, sem dar a mínima para o salão inteiro que agora me observava também. Afundei minha cara em seu terno — que por sinal estava muito cheiroso — e o abracei com força. Ele me abraçou de volta. Senti um calor dentro de mim, uma sensação tão boa que eu não queria nunca mais soltá-lo. Sussurrei para ele:
- Eles já pararam de olhar?
- Muitos já. Agora pode sair da sua toca — Bruno disse, rindo em seguida. A risada dele era tão doce quanto sua voz. Só de ouvi-la, já fiquei tranquilizada e consegui tomar minha postura normalmente.
Nos reunimos novamente e sentamos na nossa mesa.
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