Santa foi visitar Margot, e a acompanhou quando ela foi fazer uma entrega para uma vizinha.

— Obrigada, querida. — disse Santa para a vizinha.

Margot e Santa começaram a andar na rua.

— Ah, eu tô gostando cada vez mais desse lugar que você tá morando, viu? — disse Santa. — Que rua tranquila, bonita, florida!

— Gostoso aqui, né? — disse Margot. — Eu também tô muito feliz, ganhando o meu dinheirinho, com a minha comidinha, Fabinho carinhoso comigo. Olha ele aí! — viu Fabinho indo ao encontro dela.

— E aí, Santa? Visitando os pobres? — disse Fabinho, sorrindo, abraçando a mãe.

— Gente, mas você falando pobre, com um sorriso? — surpreendeu-se Santa. — Mas isso não é mudança! Isso é um milagre!

Santa estava admirada. Antes, Fabinho tinha verdadeiro horror à pobreza. Não queria saber de viver com a mãe, muito menos na Casa Verde. Agora, parecia que ele não tinha a mesma aversão aos pobres e à vida simples. E estava tratando melhor a Margot.

— Agora eu virei um cara sério. Agora eu sou um criativo da Crash Mídia. — disse Fabinho.

— Falar nisso, como é que vai o Érico? — perguntou Santa.

— O Érico vai bem. — disse Fabinho. — Esse é outro, que precisou bater a cabeça pra melhorar também. — olhou para Érico, que estava agarrando a Renata. — Olha ele lá, ó. Garanhão, safado! Olha lá.

— O Érico voltou com a Renata? — perguntou Santa.

— Voltou nada. O Érico tá pegando todo mundo agora. — disse Fabinho. — Pegou a Malu ontem, pra você ter uma ideia. O negócio é rápido.

— Fabinho! — disse Érico, aproximando-se, depois de se despedir de Renata. — E aí, como é que vai o meu criativo favorito?

— E aí? — disse Fabinho, e Érico bateu com a mão aberta na dele, cumprimentando-o.

Érico olhou para Santa.

— Oi, Santa. Tudo bem?

— Tudo bem. Ainda mais agora, vendo você tão disposto. — disse Santa, contrariada. Érico estava lembrando o Natan com aquele comportamento. E ela estava cansada de ver Verônica sofrer por causa do Érico.

— É. — disse Érico, e olhou para Margot. — Tudo bom com a senhora?

Margot assentiu.

— Vem cá. — disse Érico, pegando no braço de Fabinho. — Vamos embora, que a gente tem reunião. — foi andando na frente. — Não pago você pra ficar batendo perna, não. Vambora, garoto.

— Valeu. — disse Fabinho, indo atrás do Érico.

Foram até a Crash Mídia, onde encontraram o resto da equipe.

— E aí, rapaziada, tudo bem? — cumprimentou Érico.

— Tudo ótimo! O crédito empresarial da Crash Mídia foi aprovado.

— Que maravilha! Não, com esse crédito a gente vai conseguir fazer muita coisa. — disse Érico. — E o prazo pra pagar tá ótimo e as taxas também.

— Bom, inclusive, a gente podia comprar aquele programa de edição de imagem que eu pedi, né? — disse Jonas. — Aliás, a gente podia fazer uma ilha de edição aqui, porque tá difícil.

— Ideia! — disse Tina, levantando o dedo indicador. — A gente podia contratar um boy, gente. Se possível, alto, gato, sarado, pra dar um up aqui no visual da gente.

— Não, gente, agora, falando sério, né? — disse Júlia. — A prioridade, eu acho que é um ar refrigerado, porque, com esse calor, não dá. — abanou-se com uma pasta. — Como é que a gente vai atender os clientes, entendeu, nesse forno?

— Calma, gente. Uma coisa de cada vez. — disse Sílvia. — Eu vou fazer uma lista de prioridades, mas, no momento vamos todos voltar a trabalhar, por favor?

Todos começaram a falar ao mesmo tempo, discutindo sobre a lista de prioridades. Algum tempo depois, o cliente chegou e a equipe se reuniu para apresentar as ideias ao cliente. Érico mostrou o projeto e disse:

— Bem, esse daqui é o nosso projeto gráfico que combina perfeitamente com o nosso slogan que é... Fabinho, por favor, tenha a honra.

— Quadriciclo Tratore, perto dele o mundo fica mais seguro! — disse Fabinho.

O cliente começou a gargalhar.

— O quê que foi? Alguém falou alguma besteira? — perguntou Érico.

— Todos vocês! — disse o cliente. — Mas que piada é essa? Por que razão vocês estão me passando a mesma proposta de campanha que o Natan Vasquez me fez?

— Que história é essa? — perguntou Jonas.

— Olha aqui, ó! — disse o cliente, tirando dentro de sua pasta o material e entregando para Érico.

Érico e Sílvia começaram a olhar os materiais, perplexos.

— Mas o quê que é isso? — perguntou Érico, espantado.

Fabinho também deu uma olhada. Realmente, alguém havia copiado a campanha. Ele bem que havia desconfiado quando Natan pediu para apresentar a campanha mais cedo. Mas quem teria entregado a campanha para o concorrente?

— Então, como é que vocês explicam isso? — perguntou o cliente.

— Eu... Eu, realmente, eu... Eu não sei como é que isso aconteceu. — disse Érico, nervoso.

— Ah, eu sei. Vocês copiaram a campanha do Natan na cara dura! — disse o cliente.

— Alto lá! Porque se o Natan insistiu em fazer a apresentação antes da gente, é porque ele já estava com más intenções! — disse Sílvia. — Porque presta bem atenção, se a gente tivesse copiado realmente, nós não íamos querer fazer tudo, o possível e o impossível pra sermos primeiro que ele?

— Claro, óbvio. — disse Fabinho.

— Mas vocês vão ter a ousadia de difamar o Natan? Um profissional premiado, como trabalho reconhecido no mundo inteiro? — disse o cliente.

Fabinho fez uma careta.

— Não, tá de brincadeira! Não! — disse Fabinho.

— O senhor me desculpa, mas o Natan é um safado ordinário, tá? — disse Érico. — Que vive à custa do talento dos outros! Vive até hoje! Só que agora de um jeito criminal, porque... Gente, ele roubou a nossa ideia! Não. A gente criou todo o conceito, nós temos como provar isso! Porque todo o nosso processo de trabalho está salvo no provedor! É só você verificar as datas!

— Eu não vou permitir que você denigra a imagem de um homem sério! — disse o cliente, levantando-se. — Até o nome Crash Mídia é um plágio deslavado de Class Mídia! Eu vou fazer todo o possível pra queimar o nome dessa agência de fancaria no mercado!

O cliente foi embora, furioso, espumando de raiva.

— Tá na cara que o Natan armou essa sacanagem de apresentar primeiro só pra poder queimar a gente! — disse Jonas.

— Eu não sei como é que ele conseguiu copiar esse projeto! — disse Érico.

— Hackeando a rede não foi, porque isso dá até cadeia! — disse Jonas.

— Gente, olha, eu não fui, tá? Eu não fui! — disse Júlia, nervosa. — Todo mundo aqui sabe que eu odeio o Natan!

— Eu, claro que não fui! — disse Sílvia. — A Tina e o Maurício estão fora de suspeita, porque eles nem viram o material.

— Como assim? Agora todo mundo virou santo? Não. — disse Fabinho. — Alguém entregou essa campanha de bandeja pro Natan. É claro! Ô Júlia, o quê que você estava fazendo com o Edu ontem?

— Aí, ó! Tá vendo? Já vem com intriguinha, o Fabinho, só pra poder se safar. — disse Júlia.

— Se safar do quê? Tá louca? Tá falando do quê? — disse Fabinho.

Percebeu que todos ali começaram a olhar torto para ele.

— O que foi, gente?

Érico suspeitava de Fabinho. Fabinho sempre foi puxa-saco do Natan, e tinha o costume de armar intriga. Fabinho aprontava e botava a culpa nos outros para se safar. A mãe dele até havia sofrido um processo, por ter assumido a culpa por um crime que ele cometeu. Agora, ficou parecendo que Fabinho aprontou e resolveu colocar a culpa na Júlia. Érico estava decepcionado. Deu uma chance ao rapaz porque ele era talentoso, e porque acreditava que ele queria mudar. Mas pelo visto, Fabinho não mudou nada. Continuava aprontando. Era possível que Fabinho tenha planejado isso desde o começo. Fabinho sempre acabava prejudicando quem o ajudava. Ele deu uma chance a Fabinho, e era assim que o salafrário retribuía. Érico se arrependeu de tê-lo contratado. E tinha certeza de que todos ali pensavam como ele. Mas sabia muito bem o que fazer.

— Com licença, pessoal, eu preciso conversar com o Fabinho em particular.

Todos se retiraram. Érico e Fabinho ficaram a sós.

— O que foi, Érico? Você está achando que fui eu? — perguntou Fabinho. Era óbvio que todos estavam desconfiando dele.

— Alguém aqui revelou a nossa campanha pro concorrente. — disse Érico. — Agora, pensa comigo por eliminação, tá? Não fui eu, não foi o Jonas, não foi a Sílvia. — levantou os dedos para contar.

Fabinho bateu com as mãos na mesa.

— A Júlia! Foi a Júlia! A Júlia estava com... Com... o Edu ontem. — disse Fabinho, nervoso. — Você não lembra como ela era pela... Pela-saco do Natan?

— Não menos do que você, não é? Vem cá! Quanto é que o Natan te pagou por essa traição, hein? — disse Érico. — Não. Considerando o valor dos dois, deve ter sido uma merreca, né?

Fabinho ficou furioso. O Érico achava mesmo que ele iria se vender por uma merreca, ainda mais se tratando de uma ideia dele? Foi ele que criou o slogan, ou o Érico esqueceu? Por que ele se associaria a alguém como Natan? Logo ao homem que se recusou a ajudá-lo quando ele mais precisava? Além do mais, a imagem de Natan no mercado já não era das melhores. A Class Mídia estava afundando cada vez mais, Natan não criava um slogan que prestasse. Os clientes estavam reclamando muito. O Érico achava mesmo que ele iria se associar a uma canoa furada como Natan? Se Natan tinha um espião, com certeza era o Edu. Natan devia ter mandado Edu seduzir a Júlia, para arrancar dela informações sobre a campanha.

— Eu nunca faria isso! Por quê que eu ia entregar uma ideia que eu bolei pro Natan? Você tá doido? — disse Fabinho, furioso. — Tá na cara que foi o Edu que seduziu a Júlia, que é uma idiota! Ou então, foi a Cléo!

— A Cléo? — disse Érico.

— A Cléo! Você não é o pegador do momento? Não tá pegando todo mundo, todas as mulheres? Não é o garanhão? — disse Fabinho.

— O quê que é isso, hein, cara? — disse Érico, furioso.

— A Cléo não fica em cima de você o tempo inteiro? Quem não me garante que você tomou umas e outras e falou pra Cléo a tua ideia genial, só pra mostrar como você é poderoso, agora! — disse Fabinho.

— Fabinho, você acha que eu vou enterrar a minha própria agência, é? É isso?

— Ué, você não tá lelé da cuca? — disse Fabinho, fazendo sinais de que Érico estava ficando lelé. — Você não bateu a cabeça?

— Qual é? Você perdeu o medo? — disse Érico, furioso.

— Você tá muito louco... — esbravejou Fabinho, batendo na mesa. — Se você acha que eu fiz isso! Pode ter sido o Jonas, a Júlia, todo mundo, mas eu nunca ia fazer isso com uma ideia minha! Não fui eu! Dá licença!

Fabinho resolveu ir embora.

— Dá o fora daqui, Fabinho! Some da minha frente! Some da minha frente, senão eu acabo com você, moleque! — esbravejou Érico, atrás dele.

Assim que chegou em casa, Fabinho contou à mãe tudo o que havia acontecido.

— Esse imbecil acha que fui eu, mas com certeza foi a Júlia!

Margot estava arrumando a mesa, e disse:

— Fabinho, não acusa sem provas. Você pode prejudicar essa menina.

Ela achava que foi o filho quem entregou a campanha para o concorrente. Certamente, Natan ofereceu dinheiro e o rapaz cedeu à tentação. O filho sempre quis dinheiro fácil. Além do mais, não era a primeira vez que o filho prejudicava quem o ajudava. Ela o criou, e ele a deixou assumir a culpa por um furto dele. Será que o filho não tomava jeito?

— Mas quem vai entregar a campanha pro Natan? A Júlia, claro! — disse Fabinho, porém, entendeu que a mãe suspeitava dele. — Calma aí, você acha que fui eu, não, né?

— Não, mas... — disse Margot, sem muita convicção.

— Não, porque se você acha que fui eu, imagina quem é que vai achar que eu sou inocente! — disse Fabinho, chateado.

— O Natan. Ele te ofereceu dinheiro? Eu não quero julgar, eu quero conversar só. — disse Margot.

— O que você quer saber? — disse Fabinho, irritado. — Foi, eu fiz tudo de graça. Eu espionei a agência de graça pra ferrar com todo mundo! Você não pensa que eu sou assim? Pois é, eu sou assim!

Fabinho ficou magoado. Nem a mãe acreditava nele. Ele reconhecia que já fez muita coisa errada, mas a mãe devia confiar pelo menos na inteligência dele. Ele jamais entregaria uma ideia dele para o Natan. Não era burro a ponto de dar um tiro no próprio pé. Se fosse para ele criar slogans para o Natan, ele estaria trabalhando na Class Mídia, e não na agência do Érico. Isso não fazia o menor sentido. Além do mais, jamais iria se associar a uma pessoa que lhe negou ajuda quando ele mais precisava. Ainda mais se tratando de Natan. Ele é que não iria querer se queimar no mercado. Esse foi um dos motivos pelo qual não quis ser sócio de Natan. Ele depois tentou voltar a trabalhar na Class Mídia, mas o fez por desespero. Ele estava sem emprego e sem dinheiro, não tinha nem onde dormir. Mas a mãe não dava um crédito, e isso o magoava. Se nem a mãe acreditava nele, quem acreditaria? Resolveu sair de casa.

— Não é, Fabinho. — disse Margot. Percebeu que fez besteira ao suspeitar do filho. Estava arrependida por pensar mal dele.

— Não, você pensa que eu sou assim! Todo mundo pensa! É isso mesmo! — disse Fabinho, e saiu sem dizer aonde ia.

Queria sumir. Não queria ver nem falar com ninguém. De nada adiantou ele mudar de atitude, levar o trabalho a sério, apenas fazendo sua parte em vez de fazer corpo mole ou puxar o saco do Érico ou da Sílvia. O primeiro problema que aparecia, botavam logo a culpa nele. Fabinho andou pela rua, sem destino, e acabou se escondendo nas grades, no lugar que costumava ser usado como campinho de futebol pela criançada da rua, desde quando ainda existia o antigo lar. Aquele lugar agora havia se tornado um refúgio para ele, por incrível que pudesse parecer. Até pouco tempo atrás, não iria querer nem passar por aquele lugar. Foi ali que a Giane chutou a bola dele e o carro passou por cima. Conseguiu superar o trauma, até porque para ele aquele lugar passou a ter outro significado. Ainda mais depois que descobriu que Giane não havia destruído sua bola de propósito, nem teve a intenção de feri-lo e humilhá-lo.

Ali ele havia passado os melhores momentos da vida dele, com a garota que sempre amou. Agora ele se dava conta disso. Ele levou um longo tempo até finalmente entender a verdadeira natureza de seus sentimentos por ela. Ele só a desprezou porque acreditava que ela o havia rejeitado, humilhado e inferiorizado. Ele até tentou, mas nunca conseguiu realmente deixar de amá-la. Ele negava e sufocava esse sentimento por rancor e preconceito de classe. Ele era orgulhoso e não queria dar o braço a torcer. A raiva que ele tinha dela, no fundo, era amor. Por muito tempo, o sentimento por ela era o que ele tinha de mais verdadeiro. De certa forma, ela foi sua única referência de afeto quando ele era criança. Ela era a mulher mais linda, mais incrível que ele havia conhecido, e ele a desejava como nunca havia desejado nenhuma outra mulher na vida.

No entanto, ele nunca se declarou porque morria de medo de rejeição. Ele já havia sofrido muita rejeição em sua curta vida, e não suportaria ser rejeitado por ela. Ele precisava ter a mais absoluta certeza de que ela gostava dele como homem. Até então, ela não havia sido clara sobre o que queria, o que sentia por ele. Ele também tinha medo de estragar a amizade. Era uma amizade colorida, com direito a flertes, mas era uma amizade. Ela tê-lo perdoado por tudo o que fez e se tornado sua amiga já era muito. Não queria arriscar perder a amizade dela, pois ela era sua única amiga. Ele não tinha amizade com mais ninguém ali do bairro.

Fabinho estava chateado, com vontade de chorar. Quando achava que havia ganhado uma chance para recomeçar, seguir em frente, tudo deu errado. De nada adiantou andar na linha, evitar problemas, confusão. Seu passado não o ajudava, e as pessoas sempre desconfiariam dele. Agora, sempre que alguma coisa ruim acontecesse, ele seria o primeiro suspeito. Sem chance de defesa. Não tinha mais perspectiva de melhorar de vida. Mais uma vez, ele estava sendo acusado de uma coisa que não havia feito. Agora é que ninguém mais acreditaria que ele estava disposto a mudar. Não que ele precisasse que todos acreditassem nele, mas alguém tinha de acreditar, senão o que seria dele? Era duro ver as pessoas sempre desconfiando dele. Agora, certamente, todo mundo estava achando que ele era um calhorda, e que não tinha mais jeito. Que droga de vida! Praguejou mentalmente, batendo e sacudindo a velha grade. Uma. Duas. Três Vezes.

Ouviu som de passos. Cada vez mais próximos. Ergueu os olhos e a viu.

— Fabinho, o quê que houve, cara? — perguntou Giane.

— Vai embora, Giane. — disse Fabinho.

Ele não queria que ela o visse naquele estado, fragilizado, vulnerável. Detestava demonstrar fraqueza. E não aguentaria ver a decepção no rosto dela, quando soubesse que ele foi demitido da Crash Mídia, que estava sendo acusado de ter entregado a campanha para o concorrente.

— Não. — respondeu Giane, decidida, agachando-se e ficando ao nível dos olhos dele. — Me fala, o quê que aconteceu?

— Eu sou perigoso. Você não lembra que eu sou perigoso? — disse Fabinho, levantando-se. — Esqueceu que sou perigoso?

Ele deu as costas a ela e se afastou.

— Como assim, perigoso? Tá louco? — disse Giane, levantando-se e seguindo-o.

Fabinho ficou em silêncio.

— Fabinho, anda, me diz. O quê que houve? — perguntou Giane.

O rapaz parou diante da grade, as mãos tocando o ferro frio.

— Alguém de dentro da agência entregou a nossa campanha pro Natan e o Érico pensa que fui eu e me mandou embora. — disse Fabinho. As palavras saíram todas de uma vez. Deixou escapar um suspiro, misturado a uma risada irônica. As lágrimas brotavam dos olhos. — Mas também, era muita loucura isso, né? Sonhar que eu ia ter outra chance. Não adianta, as pessoas sempre vão lembrar do meu passado. Vai todo mundo sempre me julgar pelo que eu fiz. Aconteceu alguma coisa, a culpa é do Fabinho. Eu tô perdido, Giane. Não tenho saída, a minha mãe não acredita em mim, ninguém acredita em mim.

Respirava pela boca, e a visão estava embaçada com as lágrimas que não queria derramar. Ele não queria chorar na frente dela, mas não conseguia evitar, então evitava olhar para ela.

Sentiu um toque em seu ombro, a princípio leve e hesitante, mas que logo se tornou mais firme. Virou-se. Giane segurou seu rosto entre as mãos.

— Eu acredito em você. — disse Giane, olhando-o diretamente nos olhos.

— Tá. — sussurrou Fabinho, incrédulo, desviando o olhar. Se nem a mãe acreditou nele, por que ela acreditaria?

— É sério. Eu acredito em você! — disse Giane, emocionada.

Ela aproximou-se ainda mais, ficando a meros centímetros do rosto dele.

— Eu juro! — disse Giane, tocando o rosto dele com as mãos novamente.

O coração de Fabinho bateu acelerado. Será que ela iria beijá-lo? Ela inclinou o rosto e aproximou os lábios dos dele, sem tocá-los. Fabinho entreabriu os lábios, ofegante. Hesitava. Queria beijá-la, mas e se ela virasse o rosto? Segurou-a pela cintura. Giane inclinou o rosto para o outro lado e mais uma vez aproximou os lábios. Ele continuava com os lábios entreabertos. A garota não resistiu. As mãos dela se lançaram em torno dos ombros e dos cabelos dele, puxando-o, e suas bocas se uniram. Ela o beijou com sofreguidão, e ele correspondeu, adorando a sensação de ter aquela boca deliciosa colada à sua. A mão dele subiu pelas costas dela, pela nuca e emaranhou-se nos cabelos dela. Ela tocou o rosto dele com as mãos, ele a imitou. Havia língua, calor, saliva e respirações entrecortadas. Fabinho a puxou para mais perto, a mão estreitando a parte inferior das costas dela. Giane ainda segurava o rosto dele, beijando-o com vontade, e ele correspondia com ardor. Fabinho segurou a nuca dela novamente, afundando os dedos nos cabelos dela. Os dedos dela passearam pelos cabelos dele, apertando, quase puxando os fios próximos à nuca. Em seguida, a mão dela pousou no ombro dele, apertando o tecido da camisa. Continuaram se beijando intensamente, porém, Giane resolveu parar.

Ofegante, Giane afastou-se, apoiando a mão no ombro dele.

— Desculpa.

Fabinho nem a ouvia. Queria beijá-la, senti-la, mais e mais. Esperou por isso há muito tempo. Segurou-a e empurrou-a em direção à grade, ao mesmo tempo em que tascou outro beijo nela. Giane correspondeu ao beijo com a mesma intensidade, abraçando-o. Fabinho se virou, colocando-a de costas para o outro lado da grade, sem desgrudar os lábios dos dela. O barulho da grade balançando com seus movimentos misturava-se ao som dos beijos que trocavam. Suas mãos passeavam em seus rostos, nucas e ombros.

De repente, inesperadamente, ele sentiu que a garota o empurrava.

— Não! — disse a garota, e saiu correndo.

— Giane! Giane, calma! Giane! — Fabinho chamou, porém, ela não deu ouvidos.

Tentou ir atrás dela, mas estava tão zonzo que mal conseguia acompanhar o ritmo da garota, que já estava alguns metros adiante. Ficou parado, olhando-a andar depressa, rumo à casa dela. Seu peito ainda arfava, respirava pela boca. Sorriu. Tinha sido intenso demais. Foi uma loucura. Mal podia acreditar no que acabou de acontecer. Foi maravilhoso. Era louco por aquela mulher. Ele estava mesmo muito apaixonado por ela.