Um amor improvável
25 Boatos
Fabinho estava decidido a espalhar o boato de que Amora estava traindo Maurício com Bento. Só que teria de agir na moita. Teria de se esconder, porque depois da chantagem que fez, é claro que Amora suspeitaria dele. Ele jurou vingança, disse para a Amora que ela iria se arrepender de não ter se casado com ele. Claro que Amora poderia suspeitar de outras pessoas, afinal, não faltavam pessoas que queriam derrubá-la no meio midiático, como por exemplo a Sueli Pedrosa ou a Lara Keller. Mas ele com certeza seria um dos principais suspeitos. Fabinho não queria ninguém na cola dele, para tentar forçá-lo a desmentir.
Além do mais, estando escondido, poderia agir livremente. Por isso, Fabinho decidiu dizer que ia viajar, visitar a mãe adotiva, para que ninguém o procurasse em São Paulo. Ninguém em São Paulo sabia o endereço de Margot em Ribeirão Bonito. E nem adiantaria ninguém ir na Class Mídia pegar o endereço dele, pois ele deixou um endereço falso. Ele estava hospedado em um muquifo. Ele não quis que ninguém, muito menos o Natan, soubesse onde estava hospedado. Afinal, todos achavam que ele era rico e filhinho de papai não se hospeda em hotel barato.
Fabinho fazia de tudo para manter a farsa, até mentir sobre o endereço. Queria que todos pensassem que ele era rico e que os pais adotivos mandavam dinheiro a ele. Assim, ninguém podia saber que estava em um hotel vagabundo. Por isso deixou na Class Mídia um endereço qualquer que achou na internet, mas que fosse em um bairro nobre. Ninguém iria verificar mesmo. Sempre podiam entrar em contato com ele pelo celular. E ele não precisava da carona de ninguém, pois tinha a moto. Assim, todos pensavam que ele morava no Brooklin.
Fabinho foi ao apartamento de Plínio. Precisava avisar ao pai que iria viajar, visitar a mãe adotiva. Todos precisavam acreditar na farsa. Além do mais, queria ver se Amora já havia procurado Plínio. Ela ameaçou contar a Plínio que ele, Fabinho, a chantageou. Era óbvio que ela iria cumprir a ameaça. Ela faria tudo para se safar. Mas Plínio ainda não estava sabendo de nada, do contrário, já teria lhe dado o maior sermão. Então Fabinho ficou um pouco, conversou com o pai e avisou que iria viajar.
— Como assim, viajar? Viajar pra onde e por quê? — perguntou Plínio.
Plínio estranhou. Por que o rapaz decidiu viajar assim tão de repente?
— Pra visitar a minha mãe adotiva. — disse Fabinho. — Ela está muito doente, está precisando de mim.
— Não é estranho que você não tenha me falado praticamente nada sobre a sua família adotiva? — perguntou Plínio.
Plínio gostaria de saber mais sobre a família adotiva do rapaz, mas ele nunca falava nada sobre como eram os pais adotivos, se tinha irmãos, nada. No ponto de vista dele, era estranho o rapaz não falar nada. Plínio tinha a sensação de que Fabinho estava escondendo alguma coisa.
— É gente muito boa. Eu gosto muito deles. — disse Fabinho. — Bom, quando eu voltar, a gente conversa sobre isso com mais calma. Até logo, Plínio!
Ele realmente gostava da mãe. Mas não podia apresentá-la. Ninguém podia descobrir que a família adotiva perdeu a fortuna. E ele morria de medo de que a mãe desse com a língua nos dentes sobre o inquérito dela. Plínio abriu a porta para ele, porém, Bento entrou com Amora. Fabinho ficou nervoso ao ver Bento e Amora ali. Ele sabia o que fariam.
— Ótimo que você está aqui! — disse Bento. — O que a Amora veio dizer pro Plínio pode dizer na sua frente!
— O quê que está acontecendo? — perguntou Plínio, sem entender nada.
Amora resolveu contar a Plínio que Fabinho a ameaçou e chantageou. Bento veio junto, para dar apoio moral. Bento a tranquilizou, disse que Fabinho não faria nenhum mal a ela. Não cumpriria a ameaça. Do contrário, estaria dando um tiro no próprio pé. Plínio era uma pessoa ética, e se Fabinho estava realmente atrás de dinheiro, não iria querer decepcionar o pai. Logo, não botaria o vídeo da Bárbara na internet. Plínio não iria gostar de ver Malu e os outros filhos da Bárbara sendo expostos. E era até bom que Fabinho estivesse ali, porque ela duvidava que Fabinho tivesse coragem de negar na cara dela que a ameaçou e chantageou.
— O seu novo filhinho me chantageou. — disse Amora. — Ele disse que se eu não me casasse com ele, ele jogava o vídeo da minha mãe na internet e espalhava que eu fui cúmplice dela!
— Você chantageou a Amora? — perguntou Plínio.
— Nega, canalha! — disse Amora, desafiando-o. — Diz na minha cara que você não me ameaçou e chantageou!
Fabinho já se antecipou e sabia muito bem como virar o jogo a seu favor. Sabia muito bem o que diria a Plínio, qual história inventaria. Não havia planejado falar na frente de Bento e Amora, mas já que eles estavam ali, falaria mesmo assim. Não deixaria ninguém fazer sua caveira para o pai.
Plínio estava cansado de saber que Amora não era nenhuma santa. Somente o otário do Bento acreditava na bondade de Amora. Bento ficava defendendo Amora e achando ele, Fabinho, um mau-caráter por tê-la chantageado, mas Bento não sabia a bisca que Amora era. Amora foi capaz de se associar a dois canalhas como Bárbara e Natan, para enganar Maurício e ele topar fazer a campanha da Cosy Bed. Amora enganou o noivo por causa de quinhentos mil reais. E o idiota do Bento ainda achava que Amora era aquela menina ingênua que ele conheceu na infância. Se ela fez o que fez por quinhentos mil, o que não faria por milhões? Amora podia ter se recusado a fazer a campanha. Dinheiro ela tinha, e não era pouco. Ela podia não ter enganado o noivo, mas ainda assim, escolheu fazê-lo. Amora queria sempre mais, nunca estava satisfeita.
Além do mais, Fabinho sabia que Amora usava das mesmas armas que ele para derrubar os inimigos dela no meio midiático. Ou a Amora pensava que ele não sabia que ela ameaçava e chantageava as pessoas? Amora usava dos mesmíssimos truques que a mãe adotiva dela. Quem Amora pensava que era para chamá-lo de canalha? Ele era esperto e não deixaria Amora derrubá-lo.
Plínio perguntou:
— Isso é verdade, Fábio? Você ameaçou a Amora?
— Claro que não, Plínio, não tenho a menor ideia do que ela está falando! — disse Fabinho.
— Como assim? A equipe toda do Luxury viu a nossa briga! — disse Amora.
— Não, não! Calma aí! — disse Fabinho. — Quando eu te procurei pra falar a minha versão da história porque você é minha amiga de infância, porque você é filha da Bárbara, quem me ameaçou foi você.
— Eu te ameacei? Você está louco? — disse Amora, espantada.
Como Fabinho podia dizer uma coisa dessas, mentir descaradamente, se fazer de vítima, acusá-la de ameaçá-lo, e na frente dela ainda? Amora concluiu que Fabinho era mesmo capaz de tudo para se safar, para se dar bem. Ele sabia jogar, embora ela fosse muito melhor do que ele no jogo.
— Você tá falando sério, Amora? — disse Fabinho. — Você disse pra eu não me meter nessa história porque senão você ia fazer a minha caveira pro meu pai!
— E por que a Amora faria isso? — perguntou Plínio.
— Por dinheiro, Plínio. Isso é... É tudo dinheiro aqui! — disse Fabinho. — Bárbara e Amora estão se juntando pra me tirar da jogada!
— Isso não faz o menor sentido, Fabinho, a herdeira do Plínio é a Malu! — disse Bento.
— Ah, é, e quem é que banca a Bárbara? Não é a Malu? — disse Fabinho. Dirigiu-se à Amora. — Por que você não assume que você só pensa em dinheiro? Até o Bento sabe disso! Não tenta me botar contra o meu pai, não, que você não vai conseguir!
Para Bento, não era verdade que Amora só pensava em dinheiro. Ela prezava os afetos, tanto que estava namorando com ele. Já o Fabinho não tinha afeto por ninguém, a não ser por ele mesmo. Bento acreditava que Fabinho só se aproximava das pessoas por interesse, só pensava em se dar bem. Além do mais, Amora tinha dinheiro. Ela era apresentadora de um programa de televisão, e ganhava milhares com as campanhas que fazia. Não havia razão alguma para ela brigar pela herança do Plínio.
Amora continuava tentando convencer Plínio de que ela não estava mentindo.
— Eu tô falando a verdade, Plínio, eu juro! — disse Amora. — O Fabinho ameaçou jogar o vídeo na internet se eu não me casasse com ele.
— Como é que eu vou botar um vídeo na internet se eu não tenho esse vídeo, bonitinha? — disse Fabinho. — E eu não quero ficar com você, quem é que te disse que eu quero ficar com você? Se enxerga! Deu pra mim, Plínio, desculpa!
— Peraí, peraí, onde é que você vai? — perguntou Plínio.
— Vou visitar a minha mãe adotiva que tá doente. Um abraço. — disse Fabinho, indo embora.
Com certeza Amora não acreditou que ele iria viajar para visitar a mãe adotiva. Ela acharia estranho ele viajar no meio da confusão que causou. Certamente, iria atrás dele, assim que o boato se espalhasse. Ela iria até à Class Mídia e pediria seu endereço. No endereço que ele deixou na Class Mídia, funcionava uma sapataria. Então Fabinho resolveu deixar uma encomenda com o sapateiro, e escrever um bilhete em um cartão para Amora: "Para aminha cocotinha não perder a pose quando for pra sarjeta". Depois de passar na sapataria, Fabinho voltou para o hotel onde estava hospedado. Pegou o notebook e começou a postar as fotos de Bento e Amora na internet.
— É, cocotinha, agora eu te peguei.
Ficou horas fuçando no blog, e começou a colocar legenda nas fotos, com os dizeres: “Amora Campana e seu amante”, “It girl trai o noivo à luz do dia”, “Beijos ardentes selam o amor clandestino”.
— Pronto. Agora, é só mandar o link do blog pros jornalistas. De alguma coisa serviu trabalhar na Class Mídia. Amora, Amorinha... Amanhã, você vai estar na boca do povo. E o seu nome na boca do bueiro.
Horas depois, Fabinho constatou que a fofoca já se espalhou pela internet.
— Que beleza! Cada vez mais gente vendo o caso secreto da nossa it-girl! Que amanhã vai virar shit-girl! — disse Fabinho, rindo, enquanto fuçava no notebook. Estava adorando ver o circo pegar fogo.
Fabinho pegou o celular e ligou para Plínio, para dizer que estava na casa da mãe adotiva. E também para dar uma palavrinha com o pai.
— Oi, pai. Eu já tô aqui na casa da minha mãe. Ela já tá melhor, mas eu vou ficar aqui alguns dias. Só liguei pra dizer que tá tudo bem e pra te desejar boa noite. Eu sei que tá sendo um choque pra você. Eu também fiquei assim quando descobri. Mas um dia a gente vai ter uma relação muito legal e de muito amor. Boa noite, pai.
Plínio desligou o celular. Ficou perturbado ao ouvir o rapaz. Duvidava da sinceridade de Fabinho. Estava chocado com as coisas que ouviu sobre o garoto. Ouviu coisas que só confirmavam a péssima impressão que sempre teve do rapaz. Fabinho era ainda pior do que ele pensava.
Já conhecia a opinião de Bento, de Amora e de Malu sobre Fabinho. E estava cansado de saber que Fabinho não era nenhum santo. Ele sempre acreditou que o garoto tinha sérios desvios de caráter. Não aprovava as coisas que ele fazia. Mas não conhecia o rapaz o suficiente, então precisou saber mais sobre ele. Afinal, não sabia quase nada sobre Fabinho. Achava Fabinho um mau-caráter, mas sabia que sua opinião era baseada mais na sua intuição e na opinião de outras pessoas, do que em fatos concretos. Bento, por exemplo, nunca se deu bem com Fabinho. Ele e Fabinho tinham uma rixa desde pequenos. Plínio admirava Bento, mas sabia que o rapaz, por mais qualidades que tivesse, não era uma pessoa isenta. Malu conheceu Fabinho outro dia, e Amora tinha caráter duvidoso. Mas Plínio não sabia nada nem sobre a família adotiva de Fabinho. Duvidava de que Fabinho tivesse chantageado Amora, porque achava que o rapaz não tinha o vídeo. Fabinho acusou Amora de se juntar à mãe para derrubá-lo, e Plínio acreditou. Amora não era flor que se cheire, era bem capaz de ficar do lado da Bárbara na briga pela herança e querer ajudar a mãe a tirar Fabinho da jogada. As duas sempre foram cúmplices. Amora nunca ficava contra a mãe, nunca criticava a mãe, e desta maneira, sempre compactuava com tudo o que Bárbara fazia. Amora dava muito valor ao dinheiro, a bens materiais. Por isso Plínio tinha dúvidas. Não que confiasse no caráter de Fabinho, mas também conhecia bem Amora e ela era unha e carne com a Bárbara.
Bento e Amora insistiram para que ele fosse até a Casa Verde, conversar com os donos do lar adotivo e com os vizinhos, e Plínio não viu mal algum em ouvir o que tinham a dizer. Ele precisava ouvir a opinião de pessoas que criaram Fabinho. Plínio conheceu os donos do lar adotivo onde Fabinho foi criado. Gilson e Salma haviam dito que, quando criança, Fabinho havia sido uma criança problemática e que ninguém na rua gostava dele. Érico informou que trabalhou com Fabinho na Class Mídia até outro dia, e que Fabinho o fez perder o emprego.
Plínio conversou até com Odila, que fez o parto de Irene. Odila contou tudo o que sabia sobre Irene. Ela disse que Irene estava muito doente e que piorou depois do parto, sendo encaminhada para a ala psiquiátrica do HC. Odila disse também que não o chamou quando o menino nasceu, porque Irene já estava separada dele, e jamais informou quem era o pai da criança. Plínio entendeu que Irene não queria que o procurassem, do contrário, teria dito quem era o pai do menino. Achou que Odila sabia ou ao menos suspeitava que ele era o pai, afinal, o país inteiro sabia que ele e Irene tinham sido noivos. Irene teve a criança meses depois do rompimento do noivado. Porém, Odila devia ter entendido que Irene não disse o nome do pai da criança porque não queria que o procurassem, então ela respeitou a vontade de Irene e deixou por isso mesmo. Odila também o alertou para tomar cuidado com Fabinho, pois ele não prestava. Para Plínio, não foi uma surpresa. Nunca achou que Fabinho prestasse. Mas estava realmente chocado com tudo o que descobriu, pois não tinha noção, não sabia até onde Fabinho era capaz de chegar. Fabinho tramou para Érico perder o emprego, e no ponto de vista de Plínio, isso era muito grave. E agora Plínio tinha certeza de que Fabinho chantageou Amora. Afinal, Fabinho não tinha o menor escrúpulo. Se Fabinho armou para Érico ser demitido, e se fez um jogo de sedução para arrancar uma confissão da Bárbara, então era capaz de tudo, até de usar de chantagens para conseguir o que queria. Plínio lembrou-se de ter visto o rapaz fuçando em seu notebook. Certamente, Fabinho enviou o vídeo para o e-mail dele, e mentiu dizendo que precisou entrar no e-mail do trabalho. Plínio saiu da Casa Verde abalado com tudo o que ouviu. Será que esse rapaz era mesmo o seu filho com a Irene? Já deu para ver que Fabinho era mesmo gente da pior espécie.
No dia seguinte, Fabinho continuou fuçando no blog.
— O dia nem amanheceu e o blog já tá bombando. Ah, Amorinha, quanta gente maldosa existe neste mundo! — disse o rapaz, para si mesmo. Foi olhando na internet, abrindo páginas e mais páginas. — Olha, quem tá na página inicial do Mexerico.com! Sensacional! Espalharam a sujeira no ventilador mais rápido do que eu pensava.
Fabinho continuava postando novas fotos. Postou uma foto com os dizeres: “A cocotinha se entrega ao seu amante sem medo da opinião pública”.
Horas depois, em Ribeirão Bonito, Margot recebeu uma ligação de Santa:
— Alô, Margot? Senta que lá vem bomba. O Plínio já sabe que o Fabinho é filho dele.
Santa havia acabado de falar com Verônica e Renata, e Renata contou toda a história de Irene, Plínio e Fabinho. A história se espalhou.
— Mas como o Plínio Campana ficou sabendo? O Fabinho contou? — perguntou Margot.
— Eu não tenho a menor ideia! — disse Santa. — Eu só sei que a história já se espalhou. É. E tá todo mundo sabendo que ele é mau-caráter.
— Você acha que é o caso de eu ir pra São Paulo? — perguntou Margot.
— Tá louca? Você não tá respondendo processo? Quer ir pra cadeia?
— Ai, eu sinto que o meu filho está precisando de mim, Santa. — disse Margot. — Santa, muito obrigada.
Margot desligou. Resolveu ligar para o filho. Estava preocupada. Não sabia o que estava acontecendo, o que o Fabinho andava fazendo em São Paulo. As pessoas estavam falando coisas horríveis sobre ele. Ele nunca dava notícias, não dizia como estava, nada. O filho nunca contava nada. Não sabia como andava o relacionamento do rapaz com Plínio, se o homem concordou em fazer o exame. Ligou no número do filho.
— Ai, caixa postal. Fabinho, meu filho, me dá notícias, tá? Te amo!
Fabinho ouviu a mensagem que a mãe deixou na caixa postal. Resolveu não ligar de volta. Com certeza, a mãe iria querer saber o que ele andava fazendo. Certamente, ela imaginou que ele andou aprontando alguma, que estava metido em alguma encrenca. Ela o conhecia muito bem. Mas jamais contaria à mãe o que andava fazendo, até porque ela jamais aprovaria e lhe daria sermão. Ele não estava a fim de ouvir. Além do mais, era adulto, não vivia mais com a mãe e não devia satisfações a ela. Continuou fuçando na internet, procurando notícias sobre Amora. Até que viu notícias sobre Bárbara Ellen: “Amora Campana teve a quem puxar”, “Bárbara deu o golpe do baú em Plínio”. “E Fábio Queiroz, que cresceu como órfão, foi a mais indefesa das vítimas nesse tsunami de maldade”. “Irene, por onde anda? Quem tiver notícia, avise a esse blog”. Na página, não havia a foto dele. Ainda assim, Fabinho ficou nervoso.
— Quem publicou isso? — disse Fabinho, e olhou no fim da página. — Anônimo. Droga! Meu pai vai pensar que fui eu!
Pouco tempo antes, ele havia falado com Plínio e Malu sobre botar na internet o vídeo onde Bárbara confessou ter separado Plínio de Irene. Agora, Plínio iria suspeitar dele e vai ficar furioso. Plínio não queria, de jeito nenhum, que a família fosse exposta, e Malu queria proteger os irmãos. E agora?
Algum tempo depois, Fabinho resolveu ligar para Plínio.
— Alô? — disse Plínio, do outro lado da linha.
— Fala, pai. Tudo bem? — disse Fabinho.
— Não. Não tá tudo certo, não. — disse Plínio. — E eu acho muito estranho você me fazer essa pergunta depois dos escândalos que estão correndo na internet, envolvendo a Bárbara e a Amora.
— Ah, é? Faz tempo que eu não entro na internet. — disse Fabinho.
— Então, abra e veja. — disse Plínio.
— Você tá chateado com alguma coisa ou é impressão minha, pai?
Plínio estava furioso. Cansou de falar para o garoto não envolver o nome da família em um escândalo. Não sabia se foi Fabinho quem espalhou os boatos sobre a Bárbara e a Amora, mas também não botava a mão no fogo por ele. Malu, os irmãos Luz, Kevin e Dorothy, Bento, Amora, estavam todos sofrendo com isso. A vida de todos virou um inferno.
— Escute com muita atenção. — disse Plínio. — Se eu descobrir que você foi o autor dessa sujeira, eu nunca mais quero olhar pra tua cara.
— Não, pai. Mas eu não fiz nada. Eu juro, pai. Pai?
Plínio havia desligado.
— Droga! — disse Fabinho, pegando o notebook e olhando o blog. — Quem pode ter publicado isso?
Certamente, Bárbara estava cercada por inimigos. Mas ele não tinha como adivinhar quem poderia ser.
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