P.O.V. Renesmee.

Não importa onde eu vá, pra onde eu olhe lá está aquela criatura, aquele demônio com rosto de homem que povoa meus pesadelos.

—Apareça seu desgraçado! Sei que você está ai!

—Olá.

—Se toca cara, vai embora! Me deixa em paz!

Eu me virei para ir embora, mas ele segurou o meu punho.

—Não. Por favor, não vá.

—Eu não quero passar por aquilo de novo. Nunca mais.

—Por favor, eu mudei. Melhorei, aprendi a manter o controle.

—Sabe, queria poder acreditar em você.

—Por favor, eu lhe imploro não vá. Por favor.

Ele tava chorando? O homem demoníaco dos meus pesadelos estava chorando feito um bebê.

—Tá de brincadeira? Se tá chorando?

—Por favor. Eu lhe imploro não me abandone.

Fiquei morrendo de pena do cara. Eu o abracei, senti que ele precisava de um abraço.

P.O.V. Elijah.

Ela havia me chamado de desgraçado e eu sabia que merecia esse e muitos outros xingamentos. Mas, quando ela me abraçou eu senti algo que não sentia a muito tempo. Paz.

Eu me senti em paz.

—Porque eu?

—Porque não?

—Boa resposta. Olha, se você vier pra cima de mim eu não terei pena querido, vou usar o meu dom em você.

—Seu dom?

—Eu tenho muitos, mas esse é de longe o mais macabro e maléfico de todos. Mas, funciona muito bem contra ataques repentinos.

—Eu sou Elijah Mikaelson.

—Mikaelson? Mikaelson? Que nem o Klaus Mikaelson? O cara que sacrificou a minha prima num ritual profano e a sequestrou fazendo-a de bolsa de sangue?

—Sim. Esse é o meu meio irmão.

—Ha. E quanto a loira maluca que jogou o carro dela dentro do rio? Rebekah Mikaelson?

—Minha irmã do meio.

—Que família ein cara? Os seus parentes tem sérios problemas psiquiátricos e precisam de tratamento urgente. Felizmente eu estou aqui pra isso. Aqui ó, leva o meu cartão pra eles. Principalmente o tal do Klaus.

—Uma mulher médica?! Que tempos são esses?

—O que? Você também não bate bem né?

—Não, eu bato muitíssimo bem. Sou um exímio lutador.

—Você deve ter ficado com aquela faca no coração por um bom tempo. Não bater bem nesse sentido quer dizer que você é meio louco.

—Você não me disse seu nome.

—Eu não preciso. Você já sabe o meu nome. A Hannah contou tudo.

—Hannah?

—A menina com quem conversou depois que eu fugi. Fiquei surpresa dela ainda estar com o coração batendo. Acho que de tanto que eu rezei Jesus me ouviu.

—O que quer dizer?

—Eu me lembro do que aconteceu. Eu me lembro daquele dia, sonho com aquele dia praticamente todas as noites. Os seus dentes no meu pescoço, tudo se apagando bem devagarzinho, aquela agonia, aquele medo, aquele pavor. Você não faz ideia de como é. Eu sabia que iria morrer, eu estava paralisada. Lutar contra você era inútil, a minha visão foi ficando turva devido a perda de sangue, ouvi o meu próprio coração caminhar para as suas últimas batidas. É uma sensação horrível.

Ouvi-la descrever a própria morte foi assustador. Imagino como ela se sentiu.

Ela caiu sentada no chão. Tampou os ouvidos, fechou os olhos e começou a chacoalhar a cabeça de um lado para o outro como se tentasse espantar aquela lembrança.

—Vou deixar você entrar e você vai apagar essa lembrança da minha memória.

—O que?

—Você consegue fazer isso não consegue?

—Sim. Consigo.

—Então. Faça.

Enquanto eu apagava sua memória ela parecia estar fazendo um esforço descomunal.

—Acabou?

—Sim.

No que eu disse sim o seu corpo deu um tranco pra trás como se tivesse sido atingido por um estilingue gigante.

—Ai.

—Como se sente?

—Quem é você mesmo?

—Elijah Mikaelson.

—Ah! Desculpe, mas nós já nos conhecemos antes?

—Talvez numa outra vida.

—Pode ser. Prazer, sou Renesmee Carlie Cullen.

—É um prazer senhorita. Gostaria de caminhar comigo?

—Adoraria.

Nós caminhamos pela cidade e tomamos sorvete.

—Isso é mesmo uma delícia.

—Você nunca tinha tomado sorvete antes?

—Não. Estive trancado num caixão por mil anos.

—Tadinho. Mas, não se preocupe. Vou ser sua guia turística, se você quiser é claro.

—Adoraria.

Ela começa a tocar música.

—Não vai ter jeito. Vou ter que trocar o chip! Logo agora que eu estava começando a decorar o número! Peste!

Ela abriu a coisa, desmontou-a, jogou uma peça minúscula no chão e pisou em cima.

—Pronto. Agora, vou ter que ir até a operadora trocar de chip. Vou ter que reconfigurar o aparelho todo de novo!

—O que é isso?

—É o meu celular. Nunca viu um celular?!

—Já. Vi um nas mãos da minha irmã.

—E ela sabe usar?

—Sim.

—Ela não ficou como você né?

—Não. Ela já passou um tempo no caixão, mas não tanto quanto eu.

—Uau! E como é? Vocês escutam o que as pessoas falam?

—Sim. Podemos ouvir só não podemos responder. Ficamos paralisados e num estado de semi-consciência.

—Um vampiro em coma. Rá! Que coisa.

—Coma?

—Coma é um termo médico para esse estado em que você se encontrava.

—Interessante.

—Meu Deus! Como você aguenta ficar de terno nesse calor do inferno!

—Eu não sinto calor, nem frio.

—Mais uma semelhança para a minha lista. Os anéis também funcionam nos nossos. Mas, o sol não os queima faz eles brilharem como se fossem feitos de diamante. Nem mesmo uma estaca feita com a madeira do carvalho branco é capaz de matá-los. Você tem que decapitar, esquartejar e queimar os pedaços.

—O que?

—Estou estudando as semelhanças e diferenças entre as raças. Em algum momento houve um erro na transformação de um humano ou esse humano tinha algo em suas células, em seu DNA, que acabou lhe possibilitando se adaptar á doença, moldá-la á seu benefício e assim nasceu a nova raça dos vampiros. Uma geração mais potente que a anterior.

—Isso é mesmo possível?

—Se não fosse, eu não estaria aqui agora.

—Como assim?

—Eu sou metade vampira. Meus pais pertencem a uma raça diferente da sua, mais forte. Mas, antes da minha mãe ser vampira ela era uma bruxa o que faz de mim algo inédito. Uma híbrida, uma pessoa que é vampira e bruxa ao mesmo tempo.

—Fascinante. Você tem certeza de que é capaz de fazer magia?

Ela cruzou os braços e fez uma cara indignada.

—Eu transformei o peste do seu irmão na âncora que segura o véu. Ele é a única coisa que mantém o outro lado inteiro e eu não fiz isso por milagre. Foi magia. Eu posso ver o futuro, mudo de forma, sou um escudo, sou telepata... tenho mais habilidades do que qualquer outra criatura viva.

—Como?

—Eu sei lá. Eu consigo copiar os dons dos outros, mas a magia e essa habilidade de copiar nasceram comigo.

—Mas, sinto que há algo a mais.

—Eu consigo sugar os poderes das outras pessoas. Principalmente bruxas.