Notas iniciais
A ultima peça a ser posta no tabuleiro agora e hora de definir os caminhos a serem seguidos.

Will

Eu estava frustrado e quando chego em casa me sinto mais sozinho, meu pai ainda está trabalhando vou até o rádio e ligo ele bem alto e não me importo ninguém se importa. Sou filho único e depois de perder minha mãe no último ano para uma doença degenerativa as coisa só pioraram.

Eu sempre me comportei bem, fui um bom aluno e sempre tirei boas notas, então mamãe ficou doente e ficamos mudando de cidade por conta do trabalho do papai, até a doença se agravar muito. No decorrer de um ano enquanto a doença se agravou ela só piorou e eu junto. Sempre fui um gato assustado. Sempre fiquei sozinho quando estudava e sempre sai sozinho para todos os lugares, o cara de poucos amigos que ninguém se importava.

Eu tive uma infância tranquila em uma família feliz, com muitas casa e diversos endereços. Depois que mamãe faleceu decidimos ficar onde ela foi enterrada, depois de mais uma mudança acabamos voltando para essa cidade que e bem tranquila. Nunca consegui namorar alguém por mais de alguns meses o que me tornou independente nunca me apeguei profundamente a ninguém, ou era o que eu pensava.

No último ano enquanto ainda estávamos aqui minha mãe fazendo um tratamento mais pesado porque o hospital aqui tem ótimos médicos eu estava fazendo o pré-vestibular e acabei me apaixonando incondicionalmente por um colega da minha sala. Sou gay desde que me lembre, nunca sai com meninas e nunca quis sair apesar de inúmeras propostas. Tenho a altura média de 1,73 peso media corpo nada definido, não sou gordo nem magro, um corpo normal, um sorriso bem cuidado e um cabelo bem cortado, costumo deixar ele arrepiado com gel e sempre bem aparado, me visto com roupas simples nada que chame a atenção e como gosto muito do mundo dos animes e jogos tenho dezenas de camisetas personalizadas.

Quando iniciamos o curso me mantive afastado de todos como habito e os professores não costumavam passar trabalhos em dupla ou grupo, exceto um que tinha esse habito. Ele mesmo montava as duplas e como ele dizia “Esse será o seu apoio, com ele você deve ir até o final do curso”, ele elaborou esse método para que ninguém desistisse das aulas. O erro foi aceitar isso, Kaique era incrível, lindo loiro dos olhos claros, corpo magricela com um estilo para se vestir que as vezes ia do casual ao cômico. Eu não aguentei a tentação e acabei me apaixonando mais meus instintos de defesa entraram em ação logo.

Um dia saímos e ele me propôs em namoro, como um gato travesso que bate e puxa a pata eu fiz o mesmo, me esquivei e pulei fora. Não eu não queria aquilo para ele, logo me mudaria de novo e mesmo sem saber sentia que minha mãe tinha pouco tempo. Eu não queria fazer ele se apaixonar por mim e depois ter que deixa-lo sofrendo. Achei que seria como das outras vezes, que ele entenderia e que eu ficaria bem, mas não foi.

Senti a falta dele cada dia depois daquilo, ele me evitou ao máximo a dupla estava desfeita, meses depois eu ainda sentia sua falta o que não era normal eu já deveria tê-lo posto em uma prateleira no passado como fizera com os outros. Então veio a onda de notícias ruins, mamãe falecera, depois do velório nos mudaríamos de novo e ele estava namorando o carinha da secretaria que era incrivelmente lindo. Meu mundo desmoronou em uma única semana, vê-lo com outro doeu mais que ter que afasta-lo quando tive que fazer, a morte da mamãe teve um peso considerável e a mudança foi devastadora.

No primeiro semestre não fiz nada além de passar por dezenas de consultas psiquiátricas. Tinha passado no vestibular com êxito no fim do ano, mais a depressão me tragou para um buraco negro sem fim e não fui para a faculdade como deveria. Papai decidiu se mudar de novo e me trazer pra cá, onde mamãe estava e onde eu deveria recomeçar, no segundo semestre iniciei no curso de artes e no período que estive no campus fiquei com o mesmo habito de ser a ovelha solitária até vê-lo com amigos andando para lá e pra cá.

Decidi que ele não me pertencia mais. Não tinha o direito de reclamar o amor dele para mim sendo que eu mesmo o tinha descartado. Mais não resisti, depois de um árduo ciclo de investigação consegui o número dele a muito custo, descobri que os amigos dele eram um casal, um filhinho de papai que tinha sido expulso de casa e uma garota mimada e muito atraente.

Comecei mandando e-mails e depois mensagens e ele se negava a responder, ele dizia não lembrar de nenhum Wil o que me partia o coração, decidi continuar investindo e nada dava resultado, fui à casa dele e deixei lá uma pelúcia branca com um cartão e então depois de muita insistência ele aceitou sair comigo, nos encontraríamos no laboratório de química no último período hoje mais não aconteceu, o laboratório estava trancado e ele não veio, esperei por dez minutos ou mais não sei. Depois fui embora.

Mando uma mensagem para ele aqui de casa e decido não ligar mais, decido que não vou correr atrás que ele já não me pertence mais. Meu celular toca indicando uma nova mensagem, ignoro e continuo absorvendo a música alta do rádio, o celular faz barulho de novo e não resisto.

Quem é você? Thiago? Vinicius? Não existe nenhum Will? Existe?”

Isso parece incoerente, quem são esses? Thiago e o mimado que foi posto pra fora, o outro não sei talvez o cara que costuma incomodar ele com seus amigos valentões? Paira uma dúvida!

Me responde por favor? Quem é você!”

Penso em cada palavra que ele disse, ele já deve estar com outro, não vou mais correr atrás, penso nas palavras que devo usar.

“Não importa mais. Sou alguém do seu passado, mais acho que seu presente está bem acompanhado. Não sou o Tal Thiago muito menos o tal Vinicius. Foi um erro no passado eu ter dispensado você quando se declarou, mais entenda eu tive medo, estava assustado e passando por uma fase complicada, não queria envolver você em tudo isso, achei que ainda me amava como eu ainda te amo.

Isso mesmo EU TE AMO, não disse isso aquele dia mais amo, corri por estar assustado e só depois vi o tamanho do meu erro. Imagino que outro amor já ocupa seu coração então me despeço agora, muito obrigado por tudo Adeus

Ass.: Carlos Willians!!!”

Como ficou muito grande para uma mensagem de texto, mando por e-mail.

Não demoro muito para receber uma resposta e isso deixa meu mundo de cabeça para baixo mais uma vez.

Kaique.

Eu vou para meu quarto e envio duas mensagens quase que em seguida uma da outra. Espero uma resposta aflita que não chega, tomo uma ducha rápida e abro meu e-mail quase meia hora depois e lá está um e-mail com minha resposta quando termino vejo o nome do remetente e meu coração acelera. Carlos Willians. Como assim, como isso pode passar despercebido. Estudamos juntos e nunca me preocupei em ler o nome dele em nenhum trabalho que fizemos juntos. Sempre achei que fosse só Carlos.

Dou uma revirada em alguns documentos do curso que mantive guardado para futuras pesquisas acadêmicas e acho todos os trabalhos que fizemos juntos e vejo o nome completo dele ali. Em todos eles. Como eu iria imaginar que ele era o Will, ele nunca foi chamado assim, então me lembro que ele disse que era solitário, que era sozinho. Como ele nunca estava com os amigos que ele não tinha nunca ouvi Will e não tinha a menor chance de ouvir.

Agora eu estava em uma encrenca enorme, como ele ousa dizer que me ama depois de me dizer que eu o entendi mal que eu estava brincando que não podia ser verdade que eu o amava, depois de ele me deixar a minha própria sorte ele diz “EU TE AMO” e diz que teve medo e por isso fugiu, sinto muita raiva e vontade de mata-lo, mais meu peito dói e as lagrimas vem, no final meu irmão disse para eu decidir entre o Thi e o Vini e para não fazer ninguém sofrer mais no final quem sofre sou eu.

Fico ali chorando e ouvindo música e pensando, respondo o e-mail do Will com poucas palavras “O amor nunca morre, não tenho ninguém, como ousa dizer essas palavras”. Meu quarto está claro e a música está em um volume razoável, meu irmão bate à porta e entra.

— Kaique? Está tudo bem? _ faço que não com a cabeça e ele vem até onde estou e me abraça. _ O que você está fazendo em meu irmão?

— Não sei, por um momento perdi o controle da situação. _ ele tem um bilhete amarelado em mãos o mesmo que eu peguei no laboratório quando rolei com o Vini. _ O que é isso?

— Isso o que? _ ele parece meio confuso e afasta o abraço. _ A isso um bilhete que achei nas coisa que deixou na mesa. O que é? É seu?

Pego o papel e leio!

— Não isso não é meu.

— Parece muito triste, queria saber quem o escreveu parece ter sido uma história de amor triste. _ ele fica com uma expressão sombria meio dor meio tristeza.

— Eu acho que sei quem são os envolvidos e acho que posso concertar toda essa encrenca que em envolvi!

— Não gosto quando está com esse olhar! _ ele diz sorrindo para mim _ Estou dentro, sei que vai precisar de ajuda.

— Kaio já disse que te amo?

— Várias vezes irmão!

— Obrigado. _ Abraço ele bem apertado e ele me deixa com meu pensamentos.

Notas finais
=D me diz como estou me saindo para isso basta comentar aqui =D