Notas iniciais
Boa leitura!

O dia estava claro lá fora, e eu estava sentado no balanço olhando para o céu. Meu celular estava em completo silencio e Bolinha corria pra lá e pra cá como sempre farejando tudo. Já se passaram quatro dias desde que o Anderson sairá de viagem com os pais e desde então não nos falamos. No dia da festa ele me mandou dezenas de mensagens as quais li somente no outro dia e não as respondi. Mesmo ele dizendo que não tinha nada a ver com o beijo e que ele não queria aquilo.

Gustavo disse que foi o Andersom quem o beijou e não tenho motivos nenhum para acreditar em nenhum deles. Cindy já tinha comentado comigo que o Andersom não estava feliz e não demonstrava para não me afetar, mais que em conversas com ela tinha confessado que sentia falta de algo. Eu estava certo em pensar que ele não conseguiria ser completamente feliz ao meu lado e mesmo assim decidi arriscar.

Depois de todos irem embora eu limpei toda a bagunça e tomei um banho quente e demorado. Os dias seguintes foram calmos e hoje eu decidira caminhar um pouco. No caminho de volta pra casa me surpreendo com uma visita inesperada. Gustavo está parado em frente de casa encostado no seu carro.

“Oi” ele gesticula antes mesmo de eu chegar onde ele está. Faço apenas um sinal com a cabeça pois estou com a guia do cachorro e não posso responder com apenas uma mão.

“Como você está?” Ele sinaliza de novo parecendo meio desconfortável por eu não ter respondido adequadamente, faço um sinal para que ele me acompanhe até a porta. Tiro o Bolinha da guia depois de entrarmos e ele corre para sua tigela de agua, a casa está impecável como sempre, me sento na minha poltrona e convido Gustavo a se sentar no sofá.

“Estou bem? E você?” Agora ele olha tudo em volta e fica atento!

“Bem obrigado, Você está sozinho?” Ele parece nervoso.

“Não” Faço uma pausa dramática. “Bolinha deve estar na cozinha”

Ele faz uma careta e eu sorrio, o clima e desconfortável e pesado mais somos amigos a muitos anos, não posso simplesmente deixar de falar com ele!

“Tudo bem, queria conversar com você sobre aquele dia”

“Não a mais nada para ser dito”

“Você não pode estar culpando alguém...” Interrompo ele

“Não culpo ninguém a não ser eu mesmo, não era o dia certo para uma festa. O Anderson não ficou confortável e a bebida ajudou tudo a acontecer rápido demais.”

“Victor, eu não estava bêbado, nem ele”

“Não importa. Não estávamos namorando, não oficialmente e se isso aconteceu agora. Bom melhor assim.”

Ele ficou com um olhar vago e até meio magoado, perdido em seus pensamentos.

“Você está triste, e me sinto culpado” Ele diz depois de se recobrar.

“Porque?” pergunto e deixo ele com um olhar vago e confuso.

“Porque? Você quer saber porque me culpo?” Faço que sim com a cabeça

“Victor eu não posso mais guardar esse sentimento só pra mim. Eu te amo... sempre te amei desde nossa adolescência e você sempre me desprezou.”

Sinto minha cabeça dar voltas e sinto uma leve tontura, sintomas recorrente desde a festa.

“Gustavo já conversamos sobre isso uma vez. Somos amigos e só o vejo assim!”

“Eu posso te fazer feliz, posso te dar tudo que você quiser”

“Eu tenho tudo de que preciso”

“Me dê uma chance de te fazer feliz”

“Não preciso de alguém pra me fazer feliz, tenho meus amigos e você me faz bem como amigo.”

“Não quero ser só seu amigo”

“Porque essa mudança repentina?”

“Eu não mudei, ainda sou o mesmo”

“Gustavo eu sempre te vi como o cara que namora minha melhor amiga”

“Você sabe que é tudo fachada”

“Não para ela! Ela tem sentimentos ela gosta de você”

“Isso não faz diferença eu gosto muito de você não me importo pros sentimentos dela”

“Viu como você mudou? Como você acha que pode me fazer feliz se você mesmo está dizendo que não se importa com os sentimentos de outra pessoa?”

Ele fica parado olhando fixo para mim, sua respiração está mais pesada posso ver sua expressão corporal tensa. Vejo uma lagrima escorrer pelo seu rosto!

Um baque surdo assusta ele e tira ele do transe fazendo-nos olha pra a cozinha, vejo Bolinha sair correndo e a vassoura caída no chão. Minha cabeça da uma pontada e sinto uma dor absurda. Coloco as mãos junto a cabeça e fecho os olhos, parece que minha cabeça vai explodir.

Sinto o toque gentil no meu ombro e levanto o olhar e me deparo com os olhos triste e molhados do Gustavo. Vejo seus lábios se moverem em o que eu acredito ser um sussurro. “Me perdoe”

Ele me puxa para mais peto e me beija, sinto suas lagrimas e seu toque carinhoso, e dentro de mim alguma coisa se agita, correspondo o beijo e suas lagrimas quentes e salgadas continuam a cair, ele tem o beijo firme e carregado de sentimentos e meu coração está agitado e penso no primeiro beijo que dei no Andersom e no seguinte na noite com a lua e as estrelas. E depois na conversa que tivemos no sofá depois do almoço com meu sobrinho e de como ele me beijou carinhosamente e então interrompo o Gustavo o afastando levemente.

Ele fica confuso e olha profundamente nos meus olhos.

“Acho que você deveria ir embora” Digo gesticulando para ele!

“Porque? Fiz algo que não deveria?”

“Apenas vai embora” Me levanto e vou até a porta, ainda sinto a cabeça explodindo de dor ele abaixa a cabeça e sai em seguida!

Vejo ele entrar no carro e vejo que ele não o liga mais vejo ele esmurrando o volante e sei que ele está chorando e está machucado mais do que eu mesmo estou. Preciso mandar uma mensagem para o Andersom mas a dor de cabeça e muito grande e acabo ficando deitado no sofá esperando ela diminuir e então apago!

Notas finais
Obrigado a todos!