Um amor Silencioso!
14 Coma!
Notas iniciais
O hospital estava calmo e silencioso como tinha que ser! O único barulho era o da aparelhagem do quarto fazendo Pi a cada intervalo de segundos, indicando que o coração ainda estava batendo! Eu olho pela janela e a chuva cai fraca e constante. A temporada de chuvas veio com o clima frio, a chuva e o frio estavam sempre presentes o mês todo! Já haviam se passado 2 meses desde o acidente e ele continuava dormindo.
Seu pai estava em estado grave mais conseguiu se recupera, e sua mão passava bem, ambos já haviam recebido alta hospitalar mais estavam em casa de licença. Andersom por outro lado ficou desacordado até o momento ele não mostrou nenhuma reação nas últimas semanas.
Quando eu acordei na noite do temporal chamei minha enfermeira loucamente até ela vir ver o que estava se passando, eu respirava rápido e estava agitado. Pedi para que ele me levasse até ele e ela não o queria fazer disse que eu não podia sair do confinamento e ele seja lá quem for não poderia receber visitas.
Eu estava agitado e não consegui formar nenhuma silaba se quer, então escrevi no bloco.
“O Garoto do acidente, preciso ver ele”
— Porque? Ele está bem. Na verdade o máximo de bem que se pode estar quando se está em coma.
“Preciso ver ele. O nome dele e Andersom não é?
— Sim. Como você sabe? Não lembro de ter falado isso!
“Me leve até ele por favor” nesse ponto já tinha os olhos cheios de lagrimas.
Ela me conduziu pelo corredor, os barulhos era ensurdecedores, a chuva e os raios, as pessoas falando baixo e macas sendo carregadas às pressas. Alguém gritava enquanto os médios o atendiam tudo chegava até meus ouvido como se tivesse aumentado no volume máximo existente.
Chagamos até o elevador e subimos mais alguns andares então ali parecia tudo mais calmo. Ela me conduziu pelo corredor e então paramos na frente de um quarto.
— Tem certeza que você quer entrar? _faço que sim com a cabeça apesar de toda a dor que estou sentindo.
Ela respira fundo e entra comigo no quarto. Deitado em um leito ligado a dezenas de aparelhos ele esta calmo e sereno, seu rosto tem um corte feio e suas mão estão enfaixadas, ele tem um gesso na perna esquerda. Fui até o leito dele e chorei sem conseguir me controlar, me curvei sobre ele e fiquei ali, soluçando enquanto a enfermeira me observava.
Queria dizer tanta cosia para ele, mesmo sabendo que ele não poderia ouvir. Queria dizer que sentia muito pela briga e que não deveria ter ficado sem falar com ele, queria dizer que eu o amava e que eu queria ser feliz com ele para sempre mas agora não podia. Ele estava ali deitado silenciosamente em coma como eu fiquei anos atrás.
Fiquei repleto de dor, como se alguém tivesse despedaçado meu coração. E nesse momento a única coisa que eu queria era bater no Gustavo por ter me afastado dele e por ter me tirado o sorriso e o motivo de viver!
— Acalme-se _ sinto o toque leve no meu ombro. _ Você não pode ficar aqui, temos que ir.
Não quero sair dali preciso ficar ao lado dele mais minha cabeça está doendo muito e meus ouvidos estão latejando de dor.
— Vamos prometo que você pode voltar amanhã.
Ela me guia pelo hospital de volta para meu quarto isolado e fico ali chorando e peço que ela saia. No dia seguinte envio uma mensagem para meu irmão que não se demora a chegar. Faço ele obter o máximo de informações que ele conseguir já que minha enfermeira não está.
— Ele está estável o médico disse. _ ele estava sentado a meu lado na cama e falava baixo. _ Mais não se sabe ainda como vai ser a recuperação. A perna fraturada e os machucados em geral.
“Ele vai ficar bem?”
— O médico disse que pode não sobreviver, qualquer agravante pode levar ao óbito o coração está fraco e a respiração também.
Eu fiquei desolado e deprimido. Os dias foram passando e o quadro dele se mostrou mais estável, seu pai saiu da UTI e eu progredi nos exames, meu ouvido já não era mais tão sensível e eu já consegui formar palavras inteiras era como reaprender a falar.
Um clarão iluminou a janela e a chuva aumentou de intensidade o pi compassado da máquina foi substituído por um piiiiiiiiiiiii constante e ininterrupto.
Uma lagrima escore pela minha face e a chuva batuca na janela entre a correria dos enfermeiros e o desespero da mulher do ocupante do quarto a frente. Olho para o Andersom e depois para sua maquina e me coloco no lugar da família do outro cara. O que eu faria se fossem as maquinas dele a estarem desligando? Se ele não resistisse?
Sua perna quebrada já estava melhor sem gesso mais ainda em recuperação, seus cortes e arranhões haviam melhorado mais não sumido por completo. Seu coração batia mais forte mais ainda não o bastante, ele já não corria mais risco de vida só precisava acordar.
Puxei minha cadeira até o lado da cama dele e fiquei ali observando ele dormir, depois fui até uma poltrona no fim do quarto e me sentei ali, encostei a porta para que a família da frente pudesse sofrer sem incomodar ele. O sono veio logo e adormeci ali mesmo como estivera fazendo por vários dias, sem sair de perto dele.
...
O sol estava quente e eu podia senti-lo esquentar meu corpo, eu estava sentado em um lindo gramado a céu aberto. O Céu estava azul e as poucas nuvens brancas pareciam deslizar calmamente pela superfície lisa lá em cima. Eu estava recostado em uma pedra grande e de frente para um lago cristalino e magnifico, pássaros cantavam nas diversas arvores ao redor e peixes eram vistos pulando para fora da água. Animais andavam em todos os lugares, esquilos nas arvores, belos cavalos pastavam ao redor do lago.
Era uma paisagem linda e eu desfrutaria mais se não passasse de um sonho. Eu sabia disso pois a última coisa que me lembro era de um temporal nos atingindo na estrada. Minha memória era distante e por se tratar de um sonho não fazia sentido, na verdade nenhum sonho fazia sentido nunca.
— Acha mesmo que isso é um sonho? _ me viro e vejo Pedro sentado sobre a pedra próxima admirando a paisagem como eu!
— Sim com certeza é um sonho! _ Desvio o olhar. Não quero sonhar com ele tão pouco conversar com ele no sonho, só quero aproveitar a paisagem.
— Não acha que e muito calmo para um sonho?
— Sonhos são calmos! _ respondo e observo o lago.
Fico pensando brevemente sobre a pergunta ela não fazia muito sentido.
— Você está sonhando com isso por muito tempo não acha?
Do que ele estava falando, sonhos eram atemporais quando eu acordasse provavelmente estaria na minha cama e já seria de manhã.
— Não, não acho. _ respondo amargamente, ele já estava se tornando um pesadelo no meu sonho.
— Andersom _ ele havia levantado e caminhado um paços a frente ficando de costas para mim _ Como você acordaria na sua cama se você estava na estrada?
Então ele se vira e fica me observando uma brisa leve passa e sinto um calafrio. Um pássaro faz um barulho estridente ao sobrevoar minha cabeça e me viro para olhar, quando volto a baixar a cabeça Pedro não está mais ali. Levanto e olho ao redor e não o vejo em lugar algum.
Decido caminhar um pouco e sinto meu corpo pesado e cansado, paro próximo ao lago e me olho na superfície da água.
— O que ele vai pensar de você com esse rosto deformado? _ Me viro rápido procurando o Pedro mais quem eu vejo encostado em uma arvore próxima é o Gustavo.
— O que você disse?
— Ele com certeza não vai querer mais você com esse rosto.
Sem entender o que ele está falando volto a olhar meu reflexo na superfície do lago e recuo um passo. Minha respiração fica mais acelerada e volto a me aproximar do lago, para ver o estranho corte no rosto. Um corte que segue da orelha até o queixo. Quando levanto minhas mão para sentir o corte vejo que meus dedos estão machucados também.
— Ainda acho você bonito _ Ele segura em meu pulso e me vira para ele então me beija forçado como da primeira vez o beijo e grudento e estranho então me fasto e vejo o rosto dele sujo de sangue sinto o liquido quente e pegajoso escorrer pelo meu rosto e minas mão estão sujas também ele se aproxima de novo e recuo um paço.
Um erro fatal visto que estava na beira do lago. Caio de costa e afundo por completo, minha vista fica turva e vejo o sangue se misturar com a água, a água está agitada meu corpo afunda como uma pedra não consigo nadar nem subir. Entro em pânico e faço força para sair dali então consigo submergir com muito esforço.
Quando consigo respiras de novo o céu está escuro e a chuva cai pesadamente o vento está forte é o lago se agita formando pequenas ondas com a tempestade presente. Não vejo Gustavo em lugar algum. Nado para sair do lago e me arrasto para a margem, já não estou em uma paisagem tão bonita a tempestade está forte e o vento cortante parece querer carregar tudo ao meu redor.
Caminho com dificuldade procurando abrigo, não vejo mais um lago atrás de mim apenas a encosta de uma serra, estou caminhando com dificuldades no meio ao temporal quando vejo um carro batido contra uma arvore. Meu coração se aperta, não consigo ver nada dentro do carro, não a fogo e não vejo ninguém ali. Dou mais alguns paços na direção do carro e então caio.
Sinto minha perna doer muito e sinto meu rosto queimar onde eu vi o corte. Minha mão está tremendo e doendo muito, meu corpo está dolorido.
Alguém encosta no meu ombro estou de joelho na lama, meu corpo todo treme de dor, não posso mexer a perna. Em poucos segundos meu sonho havia virado um pesadelo.
— Você deveria acordar então. _Não consigo me virar para ver quem está falando.
— Eu não consigo acordar sozinho.
— Quem disse que você está sozinho?
— Isso é um sonho.
— Andersom já passamos tempo de mais dormindo!
Eu tentei me virar parar ver quem era. Tudo se silenciou, não havia mais nada estava escuro e gelado apenas isso eu abri o olho com dificuldade! Minha vista estava embaçada e tive dificuldades para enxergar direito, minha vista se acostuma com o tempo e lentamente. Ouço o barulho constante de uma máquina e me viro para ver uma máquina monitorando meus batimentos cardíacos, vejo o sol entrando pela janela, um sol fraco e pálido.
Olho ainda com dificuldades ao redor e vejo uma cadeira ao lado da cama um criado mudo e ao longe um poltrona. Vejo que tem alguém dormindo ali. Fico observando ele dormir e tentando adivinhar que horas são e o que exatamente estou fazendo em um hospital.
Levanto a mão e sinto o corpo todo pesado, fico olhando para os meus dedos e não vejo os machucados, desço a mão e passo no meu rosto e sinto a marca onde eu vi o corte no sonho. Tento me sentar e não consigo meu corpo está fraco. Vejo que minha perna está pesada e movo ela com muita dificuldade. Ainda quero me sentar apesar da dor no corpo e do desconforto em tentar mexe-lo.
Consigo me forçar um pouco mais isso gasta todas as minhas energias, respiro com dificuldades isso chama a atenção do Victor que resmungou e se móvel na poltrona. Continuo deitado ali olhando para o teto sem conseguir mover o corpo direito, sinto os membros formigarem.
Me viro para ver o Victor dormir e ele respira tranquilamente, imagino se ele não fica com o corpo todo dolorido de dormir sentado e imagino o porquê de ele estar ali já que estávamos a dias sem nos falar. Ele acorda e se espreguiça, massageia os ombros confirmando minha dúvida sobre os músculos doerem de dormir sentado. Ele esfrega os olhos e muda de posição sentando com a cabeça baixa. Faço um barulho com a garganta minha boca está seca e tento engolir a pouca saliva que tenho. Ele levanta a cabeça quase no mesmo instante. Ele se levantou e veio andando em minha direção e então para e fica me olhando.
Eu endireitei a cabeça e sorrio para ele, tento mexer meus braços para gesticular um oi mais o cansaço e maior, então mexo os lábio em um “oi” silencioso, ele me abraça e começa a chorar e soluçar compulsivamente. Não consigo abraçar ele também me sinto um peso de papel.
— Você está bem, graças a Deus. _ Ele diz pausadamente.
Estranho o som harmônico da sua voz e então deduzo que estou sonhando de novo! Ele pega um dispositivo atrelado a minha cama e o aperta várias vezes ainda chorando.
Não demora muito uma enfermeira é um médico entram no quarto ás pressas.
— O que houve? _ ele pergunta em um tom enérgico.
— Ele acordou! _ Ouço a voz harmônica do Victor responder!
— Por favor afaste-se precisamos fazer alguns exames.
Vejo a enfermeira arrastar ele para fora! Depois disso tudo parece confuso e agitado no fim acabo adormecendo logo após uma bateria de exames.
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