Um agente em minha vida.
35 Uma conversa definitiva com o chefe.
Notas iniciais
POV Isabella
Assim que chegamos em casa e fui direto para a cama, não posso ficar muito tempo em pé, preciso de descanso e se depender de mim eu fico na cama o dia todo se isso significar que terei meu bebezinho comigo. Edward estava no telefone em seu escritório, seu celular tocou assim que entramos no quarto e ele saiu para atender, não posso evitar de ficar nervosa. Tenho certeza que é algo importante.
Peguei o computador ao meu lado e coloquei sobre meu colo ligando logo em seguida. Já que não tinha nada para fazer iria começar um trabalho para a faculdade, mesmo que eu pare de frequenta-la por um tempo ainda quero fazer as atividades que ficaram pendentes. Minutos depois Edward entrou no quarto, sua expressão era fria, eu nunca tinha visto ele daquela maneira.
– Está tudo bem amor?
– Não. – Suspirei. – Eu preciso ir para a sede. Julius e os outros superiores querem me ver.
Engoli em seco e fechei o computador ajoelhando na cama, Edward se aproximou de mim e beijou minha testa. Eu estava com tanto medo. Não posso perde-lo, nunca poderia, principalmente agora.
– Então vá anjo. – Disse. – Eu vou ficar bem aqui.
– Eu não vou deixar ninguém nos separar.
– Eu sei disso, confio em você.
– Eu te amo. – Beijou-me lentamente. – Não saia da cama ok? Prometo voltar rápido.
– Vamos ficar bem. – Sorri. – Te amo muito.
Edward sorriu e beijou-me mais uma vez antes de ir para o banheiro. Logo ouvi a água cair e supus que ele estivesse tomando banho. Me aconcheguei na cama e aos poucos fui me sentindo cansada, momentaneamente esgotada. Estava quase pegando no sono quando Edward saiu do banheiro somente com uma toalha em volta do quadril e foi até o guarda-roupas. Pegou uma camisa social e calça. O observei vestir a roupa e suspirei baixinho. Ele é lindo e meu!
– Anjo, estou indo. O seu celular está aqui, qualquer coisa me ligue.
– Tudo bem. Vá tranquilo. – Ele beijou-me mais uma vez antes de sair de casa e ir ajudar a decidir nosso destino.
POV Edward
As ruas estavam movimentadas e o céu estava começando a nublar, parecia prever que algo ruim aconteceria, só espero estar errado. Bella ficará comigo, não importa o que eu tenha que fazer para isso.
Assim que estacionei em frente à sede desci do carro e segui até o elevador. Apertei o botão do último andar e esperei impaciente. Tudo parecia devagar demais agora, como se os minutos estivessem prolongando minha vida ao lado de Bella, engoli em seco somente por pensar nisso. Bati três vezes na porta da sala de Julius até ouvir sua permissão para entrar. Assim que estava lá dentro, vi Julius em sua cadeira e mais dois homens fardados a sua frente, eu sabia que eram meus superiores, Henry Dias e Samuel Lightsad.
– Olá Agente Cullen. – Henry cumprimentou.
– Sr. Dias. Sr. Lightsad. – Cumprimentei. – Julius.
– Sente-se Cullen.
Me sentei entre os dois e fiquei de frente para Julius que não me encarava, mostrava-se mais frio do que nunca para comigo e isso não é nada bom.
– Já conversei com meus superiores e eles estão cientes da sua situação.
– Então já fizeram sua escolha. – Afirmei. – Podem dizer. Só quero falar que nada do que disserem aqui vai fazer com que Bella vá para um orfanato. Ela está comigo e vai permanecer até completar 18 anos e até depois disso se ela quiser.
– Agente Cullen, essa não é uma decisão que cabe a você. – Samuel disse. – O que fez foi totalmente contra as regras. Seu chefe lhe avisou das consequências.
– Eu sei muito bem o que fiz, mas não mudaria nada. Eu a amo, Isabella me ama, estamos felizes e bem.
– Ela só tem 17 anos, estava sob sua proteção, você é um agente respeitado Cullen. – Pontuou Henry.
– Quando me mandaram para aquela missão, eu dei meu sangue, meu suor para resgatar todas aqueles meninas, pedi permissão para cuidar de Isabella, mantive o que disse.
– Desobedeceu uma ordem! – Julius bradou.
– Por que me apaixonei! – Rebati. – Não fiz nada contra a vontade dela.
– Eu já tenho minha decisão. – Henry disse. – Isabella ficará em um orfanato até completar 18.
– Não! Ela não vai! – Me levantei. – Isabella vai ficar comigo, o homem que a ama.
– Só faltam 3 meses Cullen. Não haverá nada demais.
– Ela não pode ficar sozinha agora. Ela está superando tão bem junto comigo, por que querem faze-la regredir?
– É o melhor para vocês dois. – Julius disse calmo.
– Não! Eu já disse e vou repetir. Ela fica comigo!
– Você não pode. – Samuel disse.
– Posso e vou. Ela não vai para um orfanato. Entrarei com um processo se for preciso mas ela fica comigo.
– São apenas três meses Cullen.
– Droga! Ela não vai ficar longe de mim.
Gritei batendo ambas as mãos na mesa. Os três me olharam por alguns minutos antes de bufar e pegarem alguns documentos e me entregarem. Os analisei por alguns minutos e quase não acreditei no que vi. Ela não ia ficar longe de mim nem que para isso eu tivesse que matar alguém.
– Esse documento não quer dizer nada. É apenas a tutela dela.
– Que foi revogada. – Samuel disse. – O Conselho Tutelar irá busca-la amanhã de manhã Cullen. Arrume as malas dela.
Não disse nenhuma palavra, apenas amassei aquele papel e joguei no lixo antes de sair daquela sala. Passei por todos ali sem dar atenção aos cumprimentos. Agora eu só preciso ir para casa e dar um jeito nessa situação. Passei por Rose e segui até meu carro, já dentro dele soquei o volante e a janela. Ninguém vai tirá-la de mim. Sempre fui a favor da lei, mas se isso quer dizer que preciso ficar longe da mulher que amo e do meu filho que cresce dentro dela, não me importo em ir contra.
Enquanto ligava o carro tive uma ideia, maluca e totalmente fora de questão, mas minha única chance, deliguei novamente o carro e liguei para minha advogada.
Ligação on:
– Olá Sr. Cullen.
– Sandra, prepare papeis de emancipação para Isabella Swan. Vou mandar todos os dados para você agora. Preciso disso para daqui a uma hora. Pode ser?
– Opa, rápido. Vou ver o que consigo fazer.
– Obrigado.
Ligação off.
Liguei o carro e segui para o escritório dela, não posso ir para casa agora, preciso antes resolver esse assunto. Assim que estacionei fui direto para a recepção e pedi para entrar na sala de Sandra, mas a secretaria disse que ela foi atrás de autorização do juiz para o pedido que eu fiz. Sentei em uma daquelas cadeiras e esperei por quase uma eternidade até que ela voltasse. Assim que a vi passando na porta me levantei e segui rapidamente até ela.
– Me diz que conseguiu. – Pedi.
– Sorte sua que o juiz estava de bom humor. – Sorriu me entregando a papelada. – Precisa da assinatura da mãe já que o pai está morto e da pessoa, ou seja, de Isabella.
– Você é um anjo Sandra. – Sorri. – Obrigado.
Sai rapidamente do escritório dela e segui até o presidio feminino onde Renne estava. Mesmo que eu tenha nojo daquela mulher, vou precisar dela para ter Bella só para mim.
– Sou Agente do FBI, preciso ver Renne Swan. – Disse assim que cheguei ao presidio.
Minha passagem foi liberada e eu revistado, minha arma ficou na entrada e me levaram para a sala de visitas. Momentos depois Renne entrou, estava mais velha do que a última vez que a vi e suas roupas não eram tão elegantes como antes. Ela sorriu de lado e se sentou à minha frente.
– O que foi Agente?
– Preciso que assine esses papeis.
– Para?
– Não pergunte, apenas assine.
– Nunca deve-se assinar nada sem ler Agente. – Riu.
Renne tirou os papeis da minha mão e em uma paciência invejável leu linha por linha rindo logo depois que terminou. Aquela vaca só podia estar de brincadeira.
– Não vou assinar.
– Vai sim. – Esbravejei.
– O que ganho com isso?
– O perdão da sua filha talvez?
– Não quero nada que venha daquela peste. A odeio e nunca farei nada para ajudá-la.
– Como pode uma mãe ser assim? Como pode não ama-la?
– Aquela vadia não é minha filha.
A olhei por alguns instantes me perguntando se aquilo é mentira, mas não vi nada ali além de magoa, raiva, ódio, nojo.
– Como assim?
– Eu e meu falecido marido a adotamos quando era um bebê.
– Mas você a amou.
– Amei. Até John descobrir que ela era filha legitima de Charlie. Aquele miserável me enganou.
– Por isso você a odeia tanto?
– Ela acabou com meu casamento. Tem o sangue de uma vadia qualquer.
– Bella não teve culpa se seu marido a traiu.
– Eu sei. Mas é uma maneira de me vingar. – Deu de ombros. – Agora pode ir. Não vou assinar nada.
Ela se levantou e ia seguir até a porta mas segurei seu pulso a fazendo parar. Ela me olhou com desdém e voltou a se sentar.
– Posso garantir uma diminuição na sua pena se fizer isso. Privilégios aqui.
– Que tipo de privilégios?
– Posso diminuir sua pena, trazer dinheiro para você, apenas assine.
– Quantos anos menos?
– Diminuo pela metade.
– Não é o suficiente.
– Contrato um advogado melhor do que o seu.
Renne pensou por alguns minutos, riu e pegou os papeis da minha mão assinando logo em seguida. Respirei aliviado assim que os peguei de volta, eu poderia abraça-la, mas o nojo que eu sinto dela não passaria em momento algum, nem mesmo agora. Me levantei saindo da sala logo em seguida. Vai dar tudo certo agora, Bella ficará comigo e qualquer pessoa que sonhe em dizer ao contrario vai receber bem mais do que uma autorização judicial.
Fui direto para o cartório e autentique os papeis, Bella é definitivamente emancipada, nem quero saber o que Sandra teve que fazer para conseguir essa autorização tão rápido. Assim que estacionei em frente ao meu apartamento vi Irina na entrada, bufei e segui até lá. Iria passar direto, mas ela veio até mim barrando minha entrada.
– Oi querido. – Sua voz manhosa me fez revirar os olhos.
– O que faz aqui Irina? Não é um bom momento.
– Só vim fazer uma visita amor. Podemos entrar?
– Não. Eu estou ocupado.
– Eu posso voltar a noite. – Sugeriu.
– Irina, Isabella está precisando de mim e eu não posso e não quero te dar atenção.
– Deixe essa órfã Edward. Ela não vale a pena, não pode mais te dar o que eu posso.
– Que?
– Julius já sabe do seu casinho com ela. Isabella vai embora amanhã.
– Como você...? Foi você? – Minha irritação já estava no máximo.
– Lógico que fui eu. Não sou burra Edward. Você só estava comendo aquela garota, chega disso.
– Eu nunca “comi” a Bella. Eu a amo.
– Ama? – Riu. – Aquela vadia que ficou com meio mundo?
– Nunca mais fale assim dela. – Ordenei segurando seu braço.
– Está me machucando.
– Se você fosse homem eu te bateria agora mesmo, se considere sortuda por estar só a machucando.
– Eu não vou desistir de você Edward.
– Se eu vê-la novamente eu juro que não vou ser cavalheiro.
A deixei ali e fui para o elevador. Soquei as paredes de ferro de raiva e frustração, eu deveria saber que Irina faria uma coisa dessa, aquela vadia... como eu pude me envolver com alguém feito ela? Burro.
Quando entrei no apartamento, tudo estava em silencio. Fui direto para o quarto e encontrei Bella dormindo aconchegada no meu travesseiro, sorri e fui até ela, eu só quero poder beija-la e ama-la como minha menina merece. Deixei os papeis sobre a cômoda e fui para o banheiro tomar banho. A água fria serviu para relaxar meus músculos e esfriar minha mente, eu estou esgotado, só quero paz. Quando terminei o banho, me sequei e vesti uma cueca boxer e fui direto para a cama, me deitei e aconcheguei meu corpo no de Bella respirando seu cheiro e logo adormeci em paz.
(...)
Senti meu rosto ser coberto por beijos e meu peito ser acariciado, sorri e apertei o corpo de Bella mais rente a mim e abri meus olhos. Bella sorria e tinha os cabelos esparramados de um lado, estava com os olhos brilhantes e a pele mais corada, saudável.
– Oi amor.
– Boa noite Sr. Cullen. – Riu me beijando brevemente.
– Você está bem?
– Com fome. – Riu. – Como foi lá?
– Difícil, mas consegui.
– Conseguiu?
– Sim. Os meus superiores decidiram que você deveria ficar em um orfanato até completar os dezoito anos.
– Mas... mas eu...
– Calma, me deixe terminar.
– Certo.
– Eu fui direto até a Sandra, minha advogada. Pedi que ela desse entrada nos papeis de emancipação, felizmente ela conseguiu tudo muito rápido e eu levei os papeis para sua mãe assinar.
– Minha mãe assinou?
– Sim. Está tudo certo amor. Você é emancipada e ninguém pode tirar você de mim.
–Oh, Edward. – Ela disse em meio as lágrimas.
Abracei seu corpo ao meu e ela escondeu o rosto em meu peito, beijei seus cabelos enquanto ela chorava agarrada a mim.
– Estou tão feliz. – Sussurrou.
– Eu também estou amor. Prometi que iria cuidar de você.
– Te amo tanto.
– Idem anjo, idem.
Ficamos mais um tempo na cama curtindo a notícia de que nada iria nos separar, dei os papeis para que ela também assinasse e depois eu levei Bella no colo até a sala onde a coloquei sentada e fui para a cozinha preparar algo para nós três comermos. Ri. Três. Somos ainda mais completos agora.
Preparei salada e arroz branco, carne e peguei suco para ela e vinho para mim. Depois de tudo pronto eu servi nossos pratos e levei o de Bella e depois peguei nossos copos e fui para a sala, me sentei ao lado da minha menina e comemos em meio aos sorrisos. Depois de alimentados lavei os pratos e voltei para a sala, fiquei agarrado com Bella assistindo inúmeras series e filmes que passavam na TV. Não tínhamos sono, somente estávamos cuidando um do outro. Nada mais importa quando estamos juntos.
Fale com o autor