Notas iniciais
Oi minhas queridas leitoras, muito obrigado pelos comentários no capítulo anterior e pelos favoritos. Agradeço a vocês também fantasminhas... Espero que gostem do capítulo e me desculpe a demora.

POV Isabella

Quando acordei, Edward ainda me abraçava fortemente, eu me lembro bem do que aconteceu ontem. Dar aquele depoimento mexeu demais comigo, tive pesadelos horríveis e sinto meu corpo arder, provavelmente me machuquei. Depois, tentei me jogar da janela, mas Edward não deixou, mas depois ele quis me dar remédios e eu pirei ainda mais. Ele não podia ter feito aquilo.

Sai de seus braços e ele acordou, me olhou tentando procurar algum indicio de loucura e depois se levantou, se ajoelhou a minha frente e segurou minhas mãos.

– O que foi aquilo ontem Bella?

– Um pesadelo. – Respondi sem olha-lo. Estava magoada.

– Você tentou se matar novamente. Se machucou e eu tive que tranca-la aqui comigo.

– Eu quero ir embora. Não quero mais ficar aqui.

– E vai para onde? Para um orfanato?

– Você fez o mesmo que ele. Fez o mesmo que Aron. – Gritei.

– Bella, eu não fiz isso. Por Deus, eu nem encostei em você.

– Você ia me dopar. Você ouviu o que eles fizeram quando me doparam e ainda assim ia fazer o mesmo.

– Por Deus Bella, perdão. Eu sei que não devia ter feito isso, mas eu não vi outro jeito, você estava desesperada.

– Eu só quero morrer, você não entende?

– Eu não vou deixar você fazer isso. Não te tirei daquele lugar à toa. Eu tenho que cumprir o que prometi, vou cuidar de você.

– Eu odeio você. – Gritei.

– Não odeia. E saiba, que eu amo você. Não vou desistir de te ajudar.

– Me... ama? – Solucei.

– Sim, amo você e nunca vou te deixar sozinha.

Edward me abraçou apertado e eu retribui, eu nunca o odiaria, Edward é meu anjo protetor e eu não posso ficar sem ele. Esse amor que ele diz sentir é o fraterno, ele me vê como uma irmã mais nova e eu o agradeço por isso.

Chorei em seu ombro e ele apenas ficou ali me acalmando. Tenho que lutar pela minha vida, para não vê-lo sofrer, mas é muito difícil quando se tem tantos traumas, eu não digo nada a ele, mas sinto dores todos os dias. Tenho medo de não poder ter filhos, tenho a vontade de fazer fecundação em vitro, ser mãe.

– Você precisa de um tratamento psicológico Bella.

– Eu sei.

– Que tal a Doutora Rodriguez?

– Não, ela não. – Supliquei.

– Por que Bella? Ela é uma ótima profissional.

– Não confio nela. Pode ser outra? Por favor.

– Tudo bem. Vou escolher uma e marcar suas consultas, tudo bem?

– Tá.

Eu já tinha parado de chorar e me separei dele. Olhei para meus braços que estavam arranhados e com sangue seco. Edward vendo meu olhar tocou os machucados e os beijou, sorri com aquilo, eu apenas preciso dele para ser feliz.

– Tome um banho, e vá para a cozinha, vou preparar algo para comermos. – Informou.

– Obrigado.

Edward abriu a porta do quarto que só agora eu percebi estar trancado e eu sai de lá, fui para meu quarto e peguei uma calça jeans, uma blusa de mangas compridas e coladinha e as peças intimas, minhas toalha e fui para o banheiro.

Quando me despi e entrei embaixo da água quente, senti meus arranhados arderem, passei meu sabonete e ardeu ainda mais, tentei prestar atenção em algo e fui lavar meus cabelos com o shampoo de morango, aquele cheiro me acalmou e eu consegui terminar meu banho. Vesti minhas roupas e voltei para meu quarto, coloquei as sapatilhas que comprei e fui para a cozinha.

– Tem torradas e suco. – Informou.

– Vai sair? – Perguntei vendo o de farda e com o distintivo.

– Sim. Vou voltar a trabalhar o dia todo. – Ele disse meio inseguro.

– Eu prometo não tentar nada.

– Não disse isso. – Justificou.

– Tudo bem. – Coloquei suco para mim e peguei algumas torradas.

Comi em silencio e Edward também. Eu não queria ficar sozinha, estava mal e queria apenas ter alguém para cuidar de mim, mas eu não posso pedir isso a ele, Edward tem uma vida a qual eu não estou incluída.

– Volto a noite ok? A professora vai estar aqui a uma da tarde e vai embora as quatro. Ligue para mim se precisar de qualquer coisa.

– Pode ir tranquilo, estou bem. – Menti.

Edward beijou minha testa e foi para o quarto, vi quando ele colocou a arma no coldre e saiu do apartamento. Me sentei no sofá e logo comecei chorar, não sabia o porquê, mas ficar sozinha hoje era ruim.

*****

As horas foram passando e eu não conseguia mais ficar sozinha, pensei em ligar para Edward, mas eu não podia atrapalhar, ele não tinha me ligado isso quer dizer que ele possivelmente está ocupado, não posso atrapalha-lo.

Tentei fazer alguma coisa, olhei ao redor e notei que o apartamento estava imundo. Peguei baldes com água, quiboa e sabão, limpei o piso com uma pequena escova que encontrei no armário, mas não parecia limpo, cada vez parecia ainda mais sujo. Esfreguei com mais força e meus dedos começaram a sangrar. Eu estava em pânico, vi vultos na sala e a janela se abriu, parecia me chamar até ela, esfreguei o chão com ainda mais força e meu sangue manchava o piso branco.

Num impulso me levantei e fui até a janela mas antes de chegar até lá, vi uma foto de Edward em cima da mesinha e peguei o telefone que estava ao lado, digitei o número de seu celular e vi novamente um vulto, me encostei na parede. A janela estava ao meu lado e ainda parecia convidativa.

Meu corpo tremia e eu gritei, estava sufocada, ouvia sussurros e gritos, eu não queria estar ali. Ouvi a voz de Aron me mandando pular pela janela, ao longe a voz de Edward chamava meu nome pelo telefone. Eu não conseguia responder.

Uma dor aguda se instalou em meu peito e eu me ajoelhei no chão, sussurrei o nome de Edward antes de desmaiar.

Quando acordei, notei que estava no hospital, Edward estava ao meu lado, ainda fardado e parecia preocupado comigo, assim que viu meus olhos abertos beijou minha testa em sinal de alivio e uma maneira de me passar conforto.

– Quer falar comigo sobre o que aconteceu? – Apenas balancei a cabeça negativamente e ele concordou.

– Quero ir embora.

– Vai ter que passar a noite aqui em observação. – Afagou meus cabelos. – O médico aconselhou que você tomasse antidepressivos.

– Eu vou apagar quando toma-los?

– Não. Só vai se sentir com mais sono e calma. Vai ser bom.

– Não me deixa mais sozinha Edward, estou com medo.

– Eu vou pedir alguns dias para ficar com você.

O médico entrou e conversou comigo, logo uma psicóloga entrou para conversar comigo, Edward disse que ela é muito boa e ele mesmo a escolheu. A mulher de meia idade e com aparência amistosa pediu para conversar comigo a sós, antes de sair Edward beijou minha testa e disse que estaria lá fora.

– Pode me contar o que quiser ok? Eu nunca contarei nada. – Ela garantiu. – Meu nome é Meredith Prior.

– Isabella Swan. Tenho 17 anos.

– Você é muito bonita Isabella. Sabia?

– Eu já fui bonita. Tenho marcas sabia. Nas partes intimas.

– Marcas?

– São pequenas, mas ainda assim...

– Mas a beleza não é só a externa. Você tem um bom coração.

– Eu já tive, mas o quebraram.

– Quer conserta-lo? – Concordei. – Então, você pode me dizer o que mais gostava quando era pequena. Qual era seu sonho?

– Eu queria ser pintora, escultora.

– Isso é bom. Quer saber de uma coisa, invista nessas coisas, você vai se sentir melhor.

Doutora Prior conversou muito comigo sobre meus sonhos, minha vida, meus sentimentos, meus pais e sobre Edward. Gostei muito daquilo, consegui me abrir com ela sem receios, as perguntas dela eram simples e naturais, parecia uma conversa como amigos, não sei por quanto tempo ficamos ali, mas quando ela saiu eu me sentia melhor.

Edward entrou e eu sorri para ele, Doutora Prior me disse que era bom demonstrar meu carinho por ele, meus agradecimentos. Ele se sentou ao meu lado e segurou minha mão entrelaçando nossos dedos.

– Está melhor? – Perguntou.

– Sim. Eu queria pedir uma coisa.

– O que é? – Ele perguntou curioso.

– Será que eu poderia colocar instrumentos de arte no meu quarto?

– Você quer pintar?

– A Doutora Prior disse que seria bom. Um calmante.

– Claro que sim Bella. Vou mandar comprar tudo o que for necessário e fazer um cantinho só para isso no seu quarto.

– Obrigado.

– Tudo por você pequena. – Beijou minha testa. – Agora descanse, amanhã vamos embora.

– Obrigado Edward.

Me deitei e fiquei tranquila, vou tentar seguir tudo o que a Doutora disse. Lembrar apenas das coisas boas e quando não conseguir, pedir ajuda e tentar enfrentar meus medos. Lentamente o sono foi me dominando e eu acabei pegando no sono, não sem antes ver os olhos verdes de Edward me encararem com carinho e cuidado.

Notas finais
Comentem, favoritem e recomendem ok? Até logo, prometo postar um pouco mais rapído.