Um agente em minha vida.
12 Meu protetor.
Notas iniciais
POV Edward
Meu irmão... a única pessoa que pensei nunca sentir raiva, mas é isso que estou sentindo por ele agora. Como ele pode beijar minha Bella? Ele é apenas uma menina, indefesa... e minha. Eu fiquei durante quase cinco meses a amando em segredo e na primeira vez que a trago para conhecer minha família meu irmão a beija. Isso só pode ser brincadeira.
Eu não me aguentei de preocupação com ela, então peguei o carro e fui até o museu que eu já sabia ser o preferido do meu irmão. Os fiquei observando de longe, apenas garantindo que nada desse errado, mas no outro momento ele a beijou e o pior de tudo foi ver que ela não se recusou, apenas aceitou ser beijada, por ele... pelo meu irmão.
Voltei para casa na velocidade máxima que o carro do meu pai permitia e me tranquei no meu quarto, tentando acalmar a raiva e o ciúme que eu sentia naquele momento. Tomei um banho frio e me troquei, depois, me joguei na cama e liguei a TV, só precisava me distrair um pouco.
A meses eu sinto que estou apaixonado por aquela menina. Minha pequena Bella, tão frágil e sofrida, mas é ela, minha razão para acordar todos os dias e querer salvar o mundo, livrar as pessoas de todos os males que existem nesse mundo. Nunca disse nada a ela, por medo de um surto ou rejeição, eu nunca poderia afasta-la de mim, por isso sempre a admirava em segredo, quantas vezes eu não fui ao seu quarto apenas para ver como ela estava, sentir seu cheiro e beijar seus cabelos desejando uma boa noite? Varias.
As nove da noite minha mão bateu na porta me chamando para o jantar, eu não queria ir, mas acabei cedendo, estou com fome e não posso me esconder do mundo para sempre. Fui até o banheiro e tomei um banho, coloquei uma calça moletom e uma camisa fina, fui descalço mesmo. Assim que cheguei a mesa, vi Bella e Jasper conversando sobre a exposição, ela estava animada e eu chateado.
Me sentei a mesa e logo a empregada nos serviu, era meu prato favorito, risoto de salmão e um bom vinho. Isabella tomou apenas um suco já que não pode beber por conta dos remédios e da idade. Quando todos terminaram, me retirei indo para o jardim onde me sentei na beira da piscina, estava frio ali, mas eu queria ficar sozinho.
– Filho, você está bem? – Minha mãe perguntou tocando meu ombro.
– Estou. – Respondi sem olha-la.
– Me conte o que ouve. – Suspirei resignado.
– Fui atrás de Bella e Jasper, mas quando cheguei ao museu eu os vi se beijando.
– Você gosta dela. – Minha mãe afirmou. – Quando chegaram eu já em seus olhinhos o cuidado e o carinho que você tem por ela.
– Sou 12 anos mais velho que ela. – Bufei. – Além do fato que ela não gosta de mim do mesmo jeito.
– Eu notei o quanto ela é machucada emocionalmente e não sei o porquê disso, mas posso ver que ela te adora.
– Como um irmão, por agradecimento. – Bufei.
– Como se conheceram?
– É complicado mãe, talvez seja melhor deixar isso pra lá.
– Amanhã é seu aniversário, não deixe que esse ciúme estrague seu dia.
– Tudo bem. – Minha mãe beijou minha testa e voltou para dentro de casa.
Molhei a ponta do meu pé na água gélida e estremeci. Eu me sinto como um adolescente sofrendo pelo primeiro amor, mas o pior de tudo é saber que seu irmão está tentando ter aquilo que você quer para si. Ouvi passos receosos e não precisei me virar para saber quem é. Isabella se sentou ao meu lado e passou um cobertor sobre nossos ombros me abraçando de lado.
– O que faz aqui? – Perguntou.
– Pensando um pouco. – Dei de ombros.
– Quando cheguei do museu, eu queria falar com você, mas sua mãe disse que você estava bravo então deixei você quieto.
– O que queria falar comigo? – Perguntei.
– Jasper, ele me beijou e eu deixei... – Ela sussurrou e eu fiquei tenso.
– E isso não é bom?
– É, mas eu não sei se fiz certo em deixar. – Murmurou, olhei para ela.
– E por que não?
– Eu nunca vou ser boa o suficiente para ninguém. Jasper é muito legal, mas não é para mim.
– Ora Bella, você é maravilhosa e inteligente. Todos adoram você. Nunca se sinta menos que ninguém ok?
– Eu sei, mas não quero ter algo com Jasper.
– E por que não? – Sorri de canto mas ela não viu.
– Eu confio nele, mas não totalmente. O conheço a um dia. – Ela riu.
– Mas sei que ele é um cara legal, nunca forçaria nada. – Me amaldiçoei por estar falando isso.
– Eu sei que sim, mas eu não o vejo assim. Eu... – Ela se calou corando.
– Você...?
– Nada. – Ela me olhou. – Vamos entrar, está frio.
– Claro. – Me levantei e estendi a mão para ela. – Já tomou seus remédios?
– Sim.
Segurei sua mão e entrelacei nossos dedos, seguimos para casa, Jasper estava tomando vinho na sala e sorriu para nós dois acenando. Estranhei aquilo, seus olhos estavam misteriosos e eu simplesmente odeio quando isso acontece. Subi com Bella e a deixei na frente de seu quarto.
– Boa noite pequena. – Beijei sua testa.
– Boa noite meu protetor. – Sorri e ela entrou em seu quarto.
Naquela noite, dormi bem, mesmo ainda estando enciumado pelo beijo estava mais aliviado por saber que ela ainda não o via desse forma. Na manhã seguinte, assim que acordei fui para o banheiro e tomei um bom e longo banho quente. Coloquei uma bermuda branca e uma camisa polo azul, arrumei meus cabelos do jeito que pode, coloquei meus all stars e fui para a cozinha. Todos estavam lá e me parabenizaram, minha mãe me fez até assoprar velinhas.
– Feliz aniversário irmãozinho. Ficando velho em! – Jasper brincou me abraçando, me senti um pouco incomodado com a referência a minha idade.
– Mais experiente você quer dizer. – Sorri.
– Parabéns filho. – Minha mãe e meu pai me abraçaram.
– Obrigado.
– Agora falta o meu. – Bella disse.
Isabella me abraçou e beijou minha bochecha, circundei sua cintura com os braços e a apartei contra mim. Cheirei seus cabelos e ela riu escondendo o rosto no meu pescoço.
– Feliz aniversário Anjo. – Sussurrou.
– Obrigado pequena.
Depois que nos separamos, tomamos café da manhã e comemos o bolo que minha mãe encomendou. Todos estavam radiantes, também pudera, faz quase um ano e meio que eu não apareço por aqui, mas também eu não tinha tempo. Estava trabalhando no caso de Aron e depois fiquei cuidando de Bella o que foi e é prioridade para mim.
– Agora os presentes. – Meu pai anunciou.
Minha mãe me deu um conjunto de discos do Debussy, meu pai uma viagem para Itália e meu irmão meus jogos preferidos de Vídeo Game. Eles simplesmente são demais.
– Falta o seu Bella. – Minha mãe disse.
– Bom, o meu é algo simples, mas é com muito carinho. – Ela me entregou um embrulho.
Assim que abri vi que era o quadro que ela tinha feito de mim a alguns meses, era lindo, com traços delicados e precisos. Lindos. Ela me olhava esperançosa e apreensiva, um pouco corada e indecisa.
– É lindo Bella.
– Sério? – Ela sorriu.
– Claro que sim. Obrigado. – A abracei de lado beijando sua testa.
– Você que pintou Bella? – Minha mãe perguntou.
– Sim.
– Temos entre nós uma artista então. – Jasper gracejou me fazendo apertar os braços em volta de Bella.
– Nem tanto. – Ela sorriu.
Meu aniversario foi maravilhoso, minha família é maravilhosa e ter Bella junto comigo deixava tudo mais leve e feliz. Estávamos no jardim perto da piscina quando Jasper resolveu entrar na água. Eu estava um pouco afastado, mas assim que o vi pegar Bella no colo para joga-la na água estaquei. Vi o riso de Bella sumir e seu corpo ficar tenso, ela se debateu e gritou. Corri até lá no mesmo segundo.
– Solta! Por favor não! – Gritou.
– Belinha, é só água. – Meu irmão riu.
– Jasper coloca ela no chão. – Disse bravo ao lado dele. – Agora!
– Nossa que estresse. – Bella se debateu e ele a soltou.
– Bella, olha aqui, pra mim. – Segurei seu rosto. – Sou eu, Edward.
Ela me olhou assustada e com os olhos repletos por lágrimas que ela não queria derrubar. Aos poucos ela se acalmou e me abraçou soluçando. Meu irmão a olhava sem entender e meus pais nos olhavam intrigados.
– Nunca mais coloque as mãos nela ouviu? – Briguei.
– Era só uma brincadeira.
– Não interessa. Eu nunca mais quero que encoste nela.
– Edward, não brigue com ele. – Bella pediu.
– Desculpe Jasper, mas não faça isso novamente. – Pedi.
– Ok. Me desculpe Bella. – Ele pediu e ela somente assentiu.
Meu irmão pulou na água e eu me afastei de Bella para poder olhar em seus olhos que estavam assustados mas não tinham lágrimas.
– Você está bem? – Perguntei.
– Sim, só fiquei assustada.
– Quer se deitar um pouco?
– Eu vou tomar um copo d’água, volto já.
– Tudo bem. – Beijei sua testa e ela se afastou um pouco.
Fui me sentar junto com meus pais que já me encaravam com expressão de curiosidade, era melhor contar algumas coisas a eles, coisa que eu deveria ter feito antes já que ela não é tão receptiva ao toque assim. Mesmo que ela tenha beijado meu irmão, zombou minha consciência.
– O que foi aquilo? – Meu pai perguntou.
– Bella não gosta de toques. Eu sou a única pessoa em que ela confia.
– E por que isso? Filho, de onde você conhece essa menina? – Minha mãe perguntou.
– Bella era uma das meninas que eu resgatei da boate em Las Vegas. – Minha mãe arfou colocando a mão na boca e meu pai me olhou assustado.
– Deus... coitada.
– Ela está tomando remédios para depressão e não aceita bem toque de estranhos.
– E por que ela está com você?
– Ela acabou de completar 17 anos, me ajudou a prender os desgraçados e eu não podia deixar que ela fosse para um abrigo. Estou com a guarda dela.
– Tão nova e sofrendo tanto. – Meu pai lamentou.
– E os pais dela? – Minha mãe perguntou.
– Edward... – Bella chamou ao meu lado.
– Venha aqui. – Pedi e ela se sentou ao meu lado na espreguiçadeira. – Eu contei aos meus pais ok?
– Eu... eu não... – Ela corou envergonhada se encolhendo.
– Não precisa ter vergonha de nós querida. Não foi culpa sua. – Minha mãe segurou uma de suas mãos sorrindo reconfortante.
– Obrigado.
– Você quer que eu conte para Jasper?
– Não... eu não quero.
– Tudo bem. – Beijei sua testa.
Minha mãe mudou de assunto e isso pareceu deixar Bella mais confortável, era bom assim, ver ela com um pequeno sorriso e mais calma. Jasper veio logo depois e se sentou ao nosso lado. Pediu desculpas mais uma vez a Bella e depois terminamos meu aniversário com um belo vinho para os Cullen e para a pequena Swan um suco de uva. Tudo é perfeito enquanto estamos em família.
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