Um Verdadeiro Conto
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Úrsula passou os tentáculos nos fios ruivos de Ariel. A menina estava chocada com a notícia de que tinha um irmão e uma irmã, dois irmãos por parte de pai e que sua mãe era ninguém mais ninguém menos que a rainha do Norte, quem ela não sabia ainda que era uma das mulheres mais maquiavélicas existentes. A pureza nos olhos de Ariel era admirável. O sorriso transmitia a confiança e esperança de achar um lugar onde ela realmente pertencia. Mas havia um pequeno problema.
–E a minha cauda? Eu não posso sair por aí com ela.
–Claro, mas como meu pai dizia... Mágica tem um preço. Te dou pernas, e você vai até o baile organizado pela sua mamãezinha, e conquista o coração do príncipe Encantado.
–Mas ele não é meu irmão?
–Só por parte de pai.
–E daí? Eu não vou dar em cima do meu irmão.
–E qual é o seu plano, ruivinha? Sair gritando pro mundo que sua mãe é a rainha do Norte?
–Não. Eu vou até ela, e contar.
–E quando planeja fazer isso? Ela está organizando esse baile faz tempo, e ele vai ser essa semana. Acha que ela terá tempo pra você?
–Ela é a minha mãe.
Úrsula sabia que se Ariel saísse e contasse tudo para a rainha seu plano acabaria, por tanto, resolveu dar um jeito de tampar sua boca.
–Ok, tem outra maneira de você conseguir suas pernas. Cante.
–Cante?
–Exatamente. Cante.
Meio desconfiada, Ariel começou a cantar. Sua voz era bela, afinada e doce. Úrsula disse algumas palavras, e de repente Ariel perdeu sua voz, e o silêncio tomou conta do lugar. Úrsula fechou o cordão, e o pôs em seu pescoço.
–Você achava mesmo que eu ia deixar uma menina estragar os meus planos? Se você não quer ir atrás do Encantando, então vou eu. –ela disse isso estalando os dedos, e depois de uma fumaça preta a cercar, Úrsula era uma mulher completamente diferente. Aparentava ter uns dezessete anos, tinha um vestido azul, e pernas. Um cabelo castanho cacheado longo. Sua voz era igual a da Ariel por conta do colar que usava, o mesmo no qual tinha posto a voz da ruiva. -Bom, você fez a sua escolha. Boa sorte. –Ariel tentou falar alguma coisa. –É claro! As pernas! –Úrsula estalou os dedos, e a cauda de Ariel sumiu.
A ruiva estava muito nervosa, pois agora não era mais uma sereia e não conseguia falar, nadar ou respirar. Úrsula desapareceu, deixando Ariel sozinha. Se cambaleando de um lado para o outro, ela chegou até a areia da praia. Ariel tremia de frio, por conta de seu cabelo e vestido encharcado da água praticamente congelada. Até que de repente, ela ouviu o barulho de um cavalo. Um belo cavalo branco veio até perto dela. Em cima, um lindo rapaz de cabelo castanho claro e olhos verdes a encarava, junto a alguns soldados que o cercavam.
–Eu sou o príncipe Eric do Oeste. Qual é o seu nome? –ele perguntou sorridente.
Ela tentou falar, mas, nenhum som saiu de sua boca.
–É uma pena, realmente queria saber o nome da dona dessa incrível beleza. Soldados, ponham-na em um cavalo, vou alimentá-la e cuidar dela, é claro que está doente, mas se depender de mim ela vai melhorar logo.
Ariel subiu no cavalo com ajuda dos soldados, encarando o rapaz que lhe ajudara. Ele era incrivelmente atraente, e então, rapidamente lembrou-se da história que Úrsula lhe contara. Eric era seu primo de primeiro grau, mas isso não impediu que ela sentisse uma leve queda por ele.
Após alguns minutos cavalgando, eles entraram em uma floresta,e de repente, uma menina apareceu, no meio das plantas. Naquele momento, Eric se encantou completamente pela beleza da moça.
–Qual é o seu nome? –ele perguntou. –Sou Eric, príncipe do Oeste.
–Dorothy Gale.
Ariel conhecia aquela voz. Ela se esquivou, e viu Úrsula em seu novo corpo.
–O que faz na floresta a essa hora, Dorothy?
–Umas pessoas me capturaram e me abandonaram aqui. Acabo de ser vítima de um sequestro.
–E como posso ajudá-la?
–Creio que esteja indo em direção ao Oeste.
–Está certa, só saí para dar um passeio na praia.
–Bom, preciso ir para o Norte, e você já têm passageiros. –ela falou sorrindo para Ariel, que ardia de raiva.
–Mas, acho que uma mudança de caminho não afetará muito.
–Meu príncipe, o Norte é bem longe daqui.
–Eu faço questão.
Úrsula subiu no cavalo de Ariel e apenas sussurrou em seu ouvido:
–Você fez a sua escolha.
...
Horas depois, Úrsula, ou melhor, Dorothy, estava se despedindo do príncipe do Oeste. Ela desceu do cavalo e andou até uma pequena casa, onde morava quando pequena junto ao seu pai. Ela morou lá até os dez anos. Ao entrar na casa abandonada, as lembranças voltaram rapidamente. Ela precisaria ficar ali apenas até a noite do baile, pelo menos, esse era o seu plano inicial, até ouvir uma voz conhecida.
–Wendy.
Ela se virou lentamente. Sabia exatamente quem era. Em sua frente estava o único menino que a amou de verdade. Nem mesmo o pai de sua filha tinha sentido algo verdadeiro por ela.
–Você deve estar se perguntando como eu te reconheci, afinal já se passaram vinte cinco anos, você me deu um nome falso, e está sob efeito de um feitiço. Mas seus olhos continuam os mesmos. Ninguém deve ter reparado, mas eu também não reparei em ninguém, só em você.
–Você continua o mesmo.
–Não. Por sua causa não segui o meu sonho. Não fui criança para sempre.
–Peter, você aparenta ter o que? Dezessete anos?
–Isso porque eu passei os últimos cinco anos morando aqui, fora da Terra do Nunca, procurando você vinte quatro horas por dia, isso sem contar com os vinte anos procurando uma Wendy com dois irmãos que viviam nessa casa. Não tem noção de como fui chamado de louco.
–Minha mãe te mataria!
–Não foi só isso que te fez mentir e fugir de mim.
–Você era um menino que morava num lugar desconhecido! Queria ser criança pra sempre!
–Queria ficar ao seu lado pra sempre. Mas você me ensinou que sempre não existe. Pelo menos não com você. Eu vou voltar pra Terra do Nunca. Afinal, foram vinte cinco anos gastos com uma pessoa que realmente não vale a pena.
O menino saiu pela porta da frente, sem voar, sem nada. Não era o mesmo Peter de anos atrás. O menino simples e carinhoso, que com ajuda de sua amiga fada que morava em um lugar desconhecido visitava casas de crianças para ouvir histórias e enchê-las de esperança e imaginação. Ele sempre fazia isso, e com ajuda de sua mágica, sonhava em se tornar criança para sempre, isso até uma noite, quando conheceu a simples menina de dez anos, com cabelo até o ombro chamada Úrsula, que AP conhecer melhor o menino, tinha vergonha dele, e de sua infantilidade, sendo assim, querendo enganá-lo e fazê-lo ir embora, mentiu que seu nome era Wendy, e inventava histórias sobre seus falsos irmãos, João e Miguel, mesmo lá no fundo gostando muito de Peter, e sabendo que aquelas mentiras tinham sido um dos piores erros de sua vida.
Mas já era tarde, ele já tinha saído por aquela porta.
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Uma ajudinha para as leitoras confusas (todas, rsrs):
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