Um Toque, Uma História.
13 Sem Encostar
A aula de psicologia da percepção parecia seguir como qualquer outra naquele auditório abafado, com os alunos desinteressados distribuídos pelas cadeiras estreitas e a voz do professor soando distante, arrastada, como se ele também já tivesse desistido de tentar prender a atenção de alguém. Eu fingia prestar atenção, com a caneta parada sobre o caderno, enquanto o projetor refletia gráficos e imagens sem importância numa parede branca que começava a amarelar nos cantos. Mas o que realmente me prendia estava sentada do meu lado.
A garota nova. Pequena, meio magra demais, com uma expressão que os outros talvez ignorassem, mas que pra mim era quase um grito. Ela estava desconfortável — não com o ambiente, não com a aula. Comigo.
Marina, o nome que ouvi na chamada. Primeira aula dela no curso. E já sentou do meu lado. Sorte dela. Ou azar, dependendo do ponto de vista. Os olhos dela não sabiam muito bem onde parar. Fingiam olhar pra lousa, pro professor, pro próprio caderno. Mas sempre voltavam. Sempre se perdiam em mim por alguns segundos a mais do que o aceitável. Era aquela curiosidade contida que eu reconhecia de longe. O tipo de curiosidade que começa como atenção e termina como desejo. Mas ela ainda não sabia disso. Ou sabia, mas não queria admitir.
O corpo dela dizia mais que os olhos — tensa, inquieta, com a perna se mexendo devagar, como quem não sabe se tá ansiosa ou entediada. O problema é que eu sabia exatamente o que fazer com aquilo.
Eu aprendi — do pior jeito possível — que posso interferir nos sentidos das pessoas. Um dia foi sem querer. No seguinte, foi de propósito. E depois virou hábito. Hoje é um vício. Eu consigo manipular o que os outros sentem: dor, prazer, frio, calor, toque. Às vezes tudo junto. Não preciso encostar, não preciso falar. Só preciso focar. Entrar. Me conectar à sensação certa. Depois disso, é só esperar. O corpo obedece.
A mente tenta resistir, tenta negar, tenta racionalizar. Mas o corpo sempre entrega primeiro. E eu gosto de assistir isso acontecendo. É quase científico. Quase clínico. Quase... sádico.
Ela deixou o lápis escorregar da mão e se abaixou pra pegar. O gesto foi rápido, quase automático, mas o suficiente pra que a barra da camiseta subisse e deixasse à mostra um pedaço da pele das costas. Eu observei sem pressa. Era clara, macia, frágil. Era o tipo de detalhe que me dava vontade de começar. Fechei os olhos por dois segundos e estendi minha atenção até ela. Um fio, um impulso, uma corrente elétrica invisível saindo de mim e tocando nela, sem que ninguém mais percebesse.
O primeiro estímulo foi leve, quase imperceptível: uma pressão fantasiosa na lateral da coxa dela, como se o tecido da calça tivesse se movimentado sem razão. Ela deu um leve pulo, olhou ao redor, passou a mão na perna e continuou imóvel por alguns segundos. Eu sorri. Sabia que ela tinha sentido.
Continuei. Alternei os pontos. Um calor súbito na parte baixa das costas. Um toque frio atrás do pescoço. A ilusão de uma mão deslizando sob a blusa dela, mas sem nunca chegar a um lugar óbvio demais. Eu provocava. Testava os limites. Ela começou a reagir com o corpo — cruzou as pernas, apertou os braços contra o peito, mexeu os ombros como se tentasse se livrar de alguma sensação incômoda. Mas não era incômodo. Era desconcerto. Era o tipo de coisa que o cérebro não processa rápido o suficiente. Eu fazia isso de propósito.
Ela se mexia como se tivesse sido tocada. E de certa forma, tinha. Mas não com as mãos. Com os nervos. Com a parte mais íntima do corpo dela que nem ela sabia usar direito.
Eu fingia escrever. Mantinha o rosto neutro. A ponta da minha perna encostava levemente na dela, só pra reforçar a dúvida. Só pra deixar ela se perguntando se era toque físico, psicológico, ou só paranoia. Gosto quando elas tentam entender. Quando ficam tentando escapar sem saber exatamente do quê.
Marina passou a mão nos braços, depois no pescoço, depois apertou os olhos como se estivesse com febre. O rosto já estava vermelho. O pescoço também. Ela começou a morder o lábio e balançar o pé com mais força. Os sinais de excitação eram óbvios. A pele dela reagia a cada pequeno estímulo. Eu ia subindo a intensidade aos poucos. Um toque imaginário que contornava a cintura, depois descia, lento, como se alguém estivesse explorando cada curva com intenção.
Ela murmurou baixo, como se falasse consigo mesma, mas eu ouvi.
— Tem alguma coisa errada comigo...
Inclinei o rosto levemente na direção dela, como quem se preocupa.
— Tá se sentindo mal?
Ela me olhou rápido, surpresa com a pergunta. A voz saiu hesitante.
— Não... não sei. Tá calor aqui?
— Um pouco. — respondi, deixando um tom mais sugestivo escapar na voz. — Mas acho que é mais aqui desse lado.
Toquei de leve o braço dela, só com a ponta dos dedos. A pele dela arrepiou de imediato, mesmo com o contato mínimo. Ela recuou um centímetro, mas não afastou o braço por completo.
— Eu sou Marina — ela disse, tentando disfarçar o desconforto com educação. O olhar era inquieto, mas curioso. — Cheguei hoje no curso.
Fingi surpresa.
— Prazer, Marina. Sou Lívia. — Inclinei um pouco mais o corpo, sem invadir demais. — Vai gostar daqui. Algumas aulas são bem... sensoriais.
Ela engoliu seco. Fingiu uma risada baixa. A ponta das orelhas estava vermelha agora.
— Tomara. Eu gosto de coisas que mexem com os sentidos.
Ah, gosta?
Eu sorri de novo, sem mostrar os dentes. Dessa vez, nem tentei disfarçar.
Quando ela virou o rosto e me encarou de novo, pela primeira vez desde que entrou naquela sala, entendi que ela sabia. Talvez não com todas as palavras. Talvez não com todas as certezas. Mas sabia que tinha algo errado. Ou certo demais. Me olhou como quem espera uma explicação. Como quem implora por um motivo pra não levantar dali e sair correndo. Mas não ia sair. Eu via nos olhos dela. Aquela menina não ia sair.
— Tá tudo bem com você? — perguntei, mantendo a voz baixa, mas firme.
Ela hesitou, depois assentiu.
— Tá. Acho que... eu só tô cansada.
Dei um sorriso discreto.
— Cansaço tem jeito diferente. E o teu não é cansaço.
Ela baixou os olhos. A respiração seguiu irregular. E eu soube, naquele exato momento, que Marina não era só mais uma. Ela era um projeto. Um vício em potencial. E eu já tinha começado a moldar ela do meu jeito.
Aproximei mais a perna da dela, agora sem esconder o contato. O tecido da calça era fino o bastante pra que ela sentisse. Pressionei levemente. Não com força, mas com intenção. A intenção muda tudo. O músculo da coxa dela enrijeceu. O peito subia e descia com mais pressa. Marina estava tentando manter a postura, fingir que ainda era uma aluna comum numa aula qualquer. Mas o corpo gritava outra coisa. E eu ouvia melhor que ninguém.
— Tá sentindo agora? — sussurrei, sem encarar diretamente.
Ela virou de leve o rosto, os olhos meio arregalados, o rosto vermelho demais pra essa temperatura.
— Sentindo o quê?
— O que tá se espalhando em você. A tensão. A dúvida. O calor. Isso tudo não é cansaço.
Ela apertou as mãos contra o próprio colo. Estava tentando se proteger de algo que já tinha entrado nela por completo.
Inclinei mais o corpo, fingindo que ia pegar algo no chão, só pra aproximar a boca do ouvido dela. Meus lábios quase roçaram a pele da mandíbula.
— Se fechar os olhos agora, tu sente minha mão onde?
Ela não respondeu. Mas o jeito como cruzou as pernas com força me deu a resposta. Estava sentindo no meio das coxas. Estava sentindo dentro de si.
Decidi apertar mais um pouco. Aumentei o impulso sensorial, como quem acende uma chama e gira o botão devagar. Uma carícia morna subindo da parte interna da perna até o centro da barriga, como se algo percorresse a pele por dentro da calça jeans. O toque era só uma ilusão nervosa. Mas o efeito, esse era real. A respiração dela falhou. O peito se contraiu. Ela soltou um gemido baixo — abafado, quase um suspiro. Quase. Mas eu ouvi.
Virei o rosto na direção dela e sussurrei, com a voz rouca de provocação.
— Shhh... não faz barulho, Marina. A aula ainda nem acabou.
Levei a mão até a perna dela, por fora do tecido. Apertei a coxa, firme, só uma vez, como quem avisa que está no controle. O corpo dela reagiu como um espasmo leve. A pressão entre as pernas aumentou, e os olhos arregalaram mais ainda. Ela mordeu o lábio com força, tentando não soltar mais nenhum som.
— Tá sentindo o toque? — perguntei, com a boca perto da dela, mas sem encostar. — Ou só tá se perdendo na sua cabeça?
Ela balançou a cabeça negativamente, mas a resposta foi um sussurro falhado.
— Eu... não sei.
— Então deixa eu te mostrar a diferença.
Subi um pouco mais o toque ilusório. Agora era como se meus dedos estivessem escorregando sob a blusa dela, pressionando devagar o ponto entre as costelas, depois o centro do abdômen. Marina travou o maxilar. Fechou os olhos por dois segundos. E quando abriu de novo, o olhar já não era de confusão. Era de rendição. Uma rendição silenciosa, desesperada, molhada.
Inclinei o corpo ainda mais. Quase peito com peito. O rosto colado no dela.
— Eu posso te fazer gozar aqui mesmo, sentada nessa cadeira dura, com trinta pessoas ao redor, sem ninguém perceber. Mas só se tu deixar.
Ela não respondeu.
— Quer que eu pare?
Ela hesitou. Um segundo. Dois. Três. Quase cinco.
— Não...
A voz saiu trêmula. Quase um pedido. Quase um aviso. Eu sorri.
— Então não faz barulho. E respira devagar. Senão... eu paro.
Marina fechou os olhos de novo. E eu continuei.
Ela permaneceu imóvel, com os olhos fechados e a respiração falha, como se quisesse se ausentar do próprio corpo. Mas não havia como fugir daquilo que já a tomava por dentro. Não era imaginação. Não era devaneio. Era real. Eu estava ali, infiltrado em cada ponto sensível do sistema nervoso dela, manipulando as percepções até o corpo responder por impulso. E respondia. Cada vez mais. Cada segundo, Marina afundava um pouco mais no próprio prazer, mesmo que tentasse manter a compostura diante da sala inteira.
A sensação deslizou lentamente outra vez, como se tivesse vida própria. Passou pelo abdômen, escorreu pela virilha e se deteve exatamente onde precisava. Não ultrapassou a linha, não invadiu, mas tocou — ou pareceu tocar — aquele ponto sensível com a exatidão de quem conhecia o corpo dela melhor do que ela mesma. O quadril reagiu com um leve tranco. Era automático. Reflexo direto do que estava sentindo. Era como se o desejo ganhasse forma, como se um calor líquido estivesse se espalhando entre as pernas dela, apertando a carne e inundando tudo ao redor.
Me aproximei devagar, colando meu rosto ao dela, sentindo a respiração curta que escapava entre os lábios semiabertos. O cheiro da pele dela já tinha mudado. Tinha suor ali. Tinha excitação. E tinha medo.
— Se eu descer mais um centímetro... você geme. Eu sei.
A tensão subiu de imediato. Os olhos apertaram, o maxilar travou. Ela queria resistir, mas a força de vontade dela já estava fraca demais pra segurar qualquer coisa. E mesmo que segurasse, o corpo não ia obedecer por muito tempo. Ela já não controlava mais.
Passei a mão pela lateral da cadeira, só pra me movimentar. A minha mão real continuava fora do alcance, mas a sensação dentro dela, essa, era completamente minha. Ela tentou se proteger instintivamente, puxando a barra da blusa com força, quase como se aquilo pudesse esconder o que sentia. Mas era inútil. O vermelho subia pela pele, o pescoço quente entregava tudo. Até os joelhos, antes firmes, começaram a ceder em tremores pequenos.
Decidi apertar. Aumentei o estímulo num grau sutil, calculado. Transformei o toque interno em uma pressão contínua e compassada, como se uma língua quente estivesse massageando o clitóris de dentro pra fora, sem nenhum contato físico de verdade. Só sensação. Só mente. Só nervo. O ar que ela soltou foi quase um gemido, abafado contra o próprio punho, numa tentativa patética de esconder o quanto estava à beira do descontrole.
— Respira devagar — murmurei perto do ouvido dela, com o mesmo tom paciente de antes — senão eu paro.
A garganta dela fez um movimento brusco, como se estivesse tentando engolir a própria fraqueza. O corpo inteiro oscilava levemente, num ritmo involuntário que acompanhava a pulsação do prazer. Estava úmida, sem dúvida. E se molhava mais a cada novo segundo, entregue a uma sensação que ninguém mais naquele ambiente era capaz de perceber.
Me mantive ali, observando, controlando. Cada detalhe da reação dela era uma confirmação do meu domínio. O rosto, os olhos, os gestos — tudo gritava rendição. Usei o nome dela de novo, sabendo o que isso causava.
— Marina... tá querendo gozar, não tá? Mas ainda tem vergonha de admitir.
Ela não respondeu. Mas a forma como os olhos se abriram, úmidos, marejados, a boca entreaberta sem controle, os músculos tremendo discretamente... aquilo já era a resposta.
— Fala pra mim. Quero ouvir da sua boca.
Ela lutou. Mas não havia mais lógica, nem argumento. Só calor, pressão, prazer. Os olhos encararam os meus por um breve momento, e foi ali que ela desmoronou.
— Eu... não consigo pensar...
Abri um sorriso lento, satisfeito. Era isso. Ela tinha cedido. E o melhor de tudo é que nem estávamos perto do fim.
A sala começou a esvaziar. O barulho das cadeiras, das mochilas e das conversas foi ficando distante. Marina ainda estava sentada, mas o corpo inteiro denunciava que não aguentaria mais muito tempo. As pernas cruzadas, os olhos baixos, a respiração irregular. Ela estava à beira de um segundo orgasmo só com a força da mente — e sabia disso. Só que agora havia algo diferente. Raiva misturada com tesão. Uma mistura perigosa, explosiva. E foi quando ela se levantou que eu vi. Os olhos queimavam.
Ela me puxou sem dizer nada, os dedos apertando meu pulso com força, arrastando pelos corredores vazios até encontrar uma sala pequena, esquecida, com a maçaneta frouxa e as luzes apagadas. Fechou a porta com um empurrão e me jogou contra a parede, como se quisesse tomar de volta o controle. Mas eu ri. Baixo. Quase debochado.
— Finalmente resolveu parar de fingir?
Antes que ela respondesse, os lábios dela vieram com tudo. Era beijo bruto, quente, faminto. A boca procurava a minha como se já não existisse mais nada fora daquilo. As línguas se entrelaçaram com força, sem delicadeza. Eu agarrei a cintura dela, apertando com firmeza, sentindo o quadril colado ao meu, e deixei que ela me prendesse ali. A respiração saía quente entre um beijo e outro, os dentes raspando um no outro, as mãos subindo por baixo da blusa.
— Quer mais, Marina? Quer gozar de novo com trinta pessoas ouvindo ou só comigo sentindo?
Ela me olhou com os olhos dilatados, mordendo o lábio com força. As mãos estavam nas minhas costas, apertando, puxando. Como resposta, me beijou outra vez. E eu retribuí com mais fome ainda. Me afastei um pouco só pra encostar ela na parede, invertendo as posições. Ela arfou, surpresa, mas não resistiu. Eu tirei a blusa dela pela metade, deixando os seios semicobertos, só pra provocar. O sutiã fino não escondia nada.
Ela mordeu o ombro, tentando conter um som. Eu abri o botão da calça com calma, sem pressa, sentindo a barriga dela encolher sob meus dedos. E então deslizei a mão por dentro, direto pra calcinha úmida, quente, pulsante.
— Deixa eu ver tudo — falei com a boca colada no pescoço dela, enquanto minhas mãos já desciam pelo cós da calça. — Quero te sentir gozar comigo olhando nos meus olhos dessa vez.
Comecei a massagear devagar, primeiro com a palma, depois com dois dedos pressionando o clitóris de leve, desenhando círculos pequenos, intercalando o real e o ilusório. O toque mental amplificava tudo. Cada estímulo parecia se multiplicar dentro dela, como se várias mãos estivessem tocando ao mesmo tempo — uma por dentro, outra por fora, e mais uma no fundo da barriga, esquentando tudo de dentro pra fora.
Ela gemeu contra minha boca, as mãos agarrando minhas costas com força. E aí deslizaram. Marina levou uma das mãos até os meus seios e apertou sem cerimônia. Um aperto forte, direto, que me arrancou um gemido baixo, rouco. Ela massageava com as duas mãos agora, alternando entre puxar minha blusa, esfregar a palma contra o bico dos seios e me provocar com o olhar carregado de desejo.
— Tu gosta disso também, né... — ela sussurrou, a voz trêmula, mas carregada de fogo.
— Gosto de te ver assim. Perdida. — Respondi entre beijos, minhas palavras quase engolidas pelos gemidos dela. — Gosto de saber que tu vai lembrar de mim toda vez que fechar as pernas.
Ativei o impulso de novo. Enquanto meus dedos reais massageavam o clitóris dela com círculos lentos e firmes, criei uma sensação ilusória dentro dela. Como se mais um dedo, talvez dois, estivessem penetrando devagar, explorando cada canto com precisão. E junto disso, a sensação de uma língua quente subindo pelo interior das coxas, lambendo, sugando. Tudo ao mesmo tempo.
Ela não conseguiu segurar. Gemeu alto, mordeu meu ombro, grudou as mãos nos meus seios com força, os polegares girando nos mamilos como se isso a ancorasse em algo real.
— Respira, Marina — falei com firmeza, com a boca no ouvido dela. — Cada vez que perde o ar, eu aumento. E agora não tem ninguém pra ouvir. Só eu. Só você. Só teu corpo molhado na minha mão.
Ela gemeu de novo, mais alto, e as pernas começaram a fraquejar. A mão escorregou pela parede até alcançar minha cintura. Marina me puxava contra ela com força, como se quisesse me absorver inteira. Os olhos estavam vidrados, a boca entreaberta, o corpo tremendo sem parar.
— Quer gozar de novo? — perguntei, provocando, sem parar o movimento dos dedos.
Ela assentiu com a cabeça, sem conseguir falar. Então eu intensifiquei tudo. O toque real virou mais rápido, mais pressionado. A sensação ilusória ganhou força — a penetração mental, a língua quente, os arrepios pelo ventre. Tudo junto. Tudo nela.
Ela enterrou as unhas nas minhas costas, os músculos travando, a respiração cortada. A mão que antes apertava meu peito agora me puxava pela nuca, colando a boca dela na minha como se precisasse daquilo pra não cair.
E ela gozou de novo. Um orgasmo demorado, violento, daqueles que fazem o corpo desabar. Escorreu nas minhas mãos. Escorreu pela calça. E ficou ali, suando, arfando, com o rosto escondido contra meu pescoço, tentando recuperar o controle. Mas controle... já não existia.
A respiração dela demorou a voltar. Ficou ali, caída contra mim, os olhos fechados, os dedos ainda grudados nos meus seios, as pernas abertas, as coxas escorregando no próprio prazer.
Fiquei ali, segurando, sustentando, esperando ela respirar de novo.
E quando ela abriu os olhos... o jeito que me olhou disse tudo.
Ela não queria parar.
E nem eu. Peguei na mão dela e puxei pela escola como se nada mais importasse. Passamos por corredores ainda meio vazios, desviamos da visão de professores e viramos direto pro banheiro mais afastado. O som da porta batendo ecoou pelas paredes frias. Marina ainda ofegava. Eu encostei o trinco e virei pra ela.
— Não terminei contigo — falei baixo, com a voz já rouca de desejo.
Antes que ela pudesse reagir, empurrei seu corpo contra a parede azulejada, levantando sua perna com uma das minhas coxas e colando meu quadril no dela. A boca dela veio até mim num segundo. O beijo foi mais sujo, mais desesperado. Os dentes batiam, as línguas se enrolavam, a respiração se misturava em ofegos curtos. Eu a prendia ali como se o espaço inteiro tivesse desaparecido. E talvez tivesse mesmo.
Minhas mãos correram pelo corpo dela como se já soubessem o caminho de cor. Levantei a blusa de uma vez, empurrei o sutiã pra cima e abocanhei o seio esquerdo com vontade, sugando com força, deixando a marca. Ela jogou a cabeça pra trás, gemendo alto.
— Aqui ninguém vai ouvir. — murmurei contra o peito dela. — Pode gemer o quanto quiser.
Enquanto isso, minha outra mão foi pra dentro da calça dela de novo. Nem precisei de muito esforço — ela continuava molhada, escorrendo como se nunca tivesse parado. Comecei a massagear outra vez, circulando o clitóris com os dedos, pressionando com firmeza. E quando ela fechou os olhos, entregando o corpo mais uma vez, ativei de novo o toque ilusório.
Criei uma sensação intensa dentro dela — como se algo estivesse a penetrando fundo, ritmado, e junto disso, uma língua quente sugando cada centímetro entre suas pernas. A sensação se espalhava como fogo. E ela se derretia de novo.
Ela gemeu alto e puxou minha blusa, enfiando as mãos por baixo, desesperada. Agarrou meus seios com força, apertando, os dedos deslizando sobre os mamilos já enrijecidos. Ela os massageava com vontade, como se quisesse memorizar a textura da minha pele novamente.
— Tu vai me enlouquecer... — ela sussurrou, sem ar, as mãos tremendo.
— Essa é a ideia. — retruquei, afundando ainda mais os dedos.
O ritmo ficou mais rápido, o toque mais firme. Eu a deixava sentir tudo — o real e o mental. As pernas dela fraquejaram. A respiração virou um som único, misturado com gemidos e súplicas. Ela não ia aguentar muito mais. E eu queria ver ela desabar de novo, ali mesmo, contra os azulejos gelados, marcada por mim em cada canto do corpo.
Mas antes que o clímax viesse, um som cortou o ar como uma lâmina.
— Tem alguém aí dentro?
A voz feminina soou do outro lado da porta, firme, desconfiada.
Marina congelou.
Eu tirei a mão de dentro da calça dela com calma, como se nada tivesse acontecido. Ela me olhou com os olhos arregalados, o rosto ainda vermelho, o corpo tremendo de desejo contido.
Respirei fundo e respondi, sem pensar:
— Tô ajudando uma amiga. Ela passou mal... — falei alto o suficiente, tentando controlar o tom.
Um silêncio incômodo veio do lado de fora. Mas a pessoa não insistiu. Só se afastou, talvez ainda duvidando.
Lentamente, olhei de novo pra Marina. O cabelo dela desgrenhado, os lábios inchados, os olhos dilatados e a respiração errática. O corpo inteiro gritava por mais. Mas não dava. Não ali. Não agora.
— Isso não acabou. — murmurei, passando a língua pelo canto da boca, ainda sentindo o gosto dela no ar.
Ela se ajeitou devagar, ainda sem conseguir parar de me encarar.
— Eu sei.
Saímos do banheiro com a tensão grudada na pele. Ninguém nos notou. Ou fingiram não notar. Mas bastava um olhar entre nós duas e tudo voltava a ferver.
Enquanto caminhávamos pelo corredor, passei a mão nas costas dela discretamente, como quem não quer nada. Me aproximei do ouvido e deixei escapar, baixo, só pra ela ouvir:
— Tô com vontade de te tocar de novo... mas devagar agora. De te deixar gemendo só com a ponta dos dedos.
Ela travou por um segundo. E eu sorri.
Porque sabia que, dali em diante, cada passo dela ia ser com a calcinha molhada e a mente em mim.
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