Um Toque, Uma História.
8 Afogada em Desejo
O sol estava de sacanagem naquele dia. Escorria pela pele como se quisesse lamber cada centímetro exposto, e eu deixava. Tava estirada na borda da piscina, com as pernas dentro d’água e os olhos escondidos atrás de um óculos escuro que não enganava ninguém. Bela falava qualquer coisa sobre o estágio novo, rindo, animada como sempre. Eu respondia com um “aham” aqui, um “sério?” ali — mas meu foco tava todo em Isa.
Sentada do outro lado da piscina, com aquele biquíni azul apertando o corpo magrinho, tentando parecer à vontade. Fingindo que tava ouvindo. Fingindo que não sentia meu olhar subindo pelas pernas dela, parando nas coxas, demorando no colo. Ela não sabia onde enfiar os olhos. Eu sabia. Queria ver até onde ia o rubor. Até onde aguentava.
Isa sempre teve esse jeitinho de bicho assustado. Olhar que foge, mão que treme. Mas o corpo dela... o corpo grita. Mesmo quando ela tenta esconder. Fica curvada demais, fecha os braços na frente do peito, cruza as pernas quando eu falo alguma coisa mais direta. Tipo agora, que ela ajeitou o coque todo torto, e deixou escapar umas mechas molhadas pelo pescoço.
Dei um gole na minha água gelada e deixei o copo encostar nos meus lábios mais do que o necessário, só pra ver se ela desviava o olhar. Mas não. Tava me encarando — ou tentando. Olhos grandes, meio castanhos, meio perdidos. Quando notou que eu percebi, virou rápido demais. Como se aquilo apagasse tudo. Como se eu não tivesse visto a forma como a respiração dela tinha mudado.
Bela não percebia nada, claro. Nunca percebe. Achava que a Isa vinha sempre aqui por causa dela, por causa da amizade de infância que as duas mantinham como se ainda tivessem treze anos. Mas não era isso. Nunca foi. A Isa me olhava diferente. Desde o verão passado, quando me viu de toalha, saindo do banho. Desde antes, talvez. E eu deixava. Deixava porque era divertido, porque Isa era sensível demais pra fingir bem. E porque, se eu quisesse, podia quebrar aquele silêncio todo dela com uma frase só. Mas não quebrei. Ainda não. Preferia assistir.
Hoje, por exemplo, ela tava mais inquieta do que o normal. As mãos subiam e desciam pelas pernas como se tivesse calor — e tinha, claro — mas também como se estivesse tentando apagar o que sentia. O que via. E cada tentativa dela só tornava tudo mais óbvio. Ela queria fugir. Ou queria que eu a segurasse.
Deixei a água com uma lentidão quase ensaiada. Mão passando no cabelo, escorrendo o excesso d’água pro lado, a curva da bunda subindo primeiro que o resto. Senti o olhar da Isa me seguir, firme, como se ela odiasse estar fazendo aquilo. Como se só de me ver ela se acusasse. Dei um meio sorriso, só pra mim, e peguei a toalha pendurada no encosto da cadeira. Não me sequei de verdade — só enrolei a toalha na cintura, fingindo uma preocupação que não existia, e fui em direção ao barzinho do outro lado da piscina.
Os degraus da madeira quente sob os pés, a luz batendo nas minhas costas, tudo conspirava a favor. E ela tava ali, ainda sentada, com aquele olhar de quem queria sumir no azulejo. Um rubor começou a subir do pescoço dela, vermelho quase tímido, e eu tive que me segurar pra não rir. Porque ela era tão fácil de ler quanto uma confissão mal escondida.
Fui até o bar, abri o freezer e peguei gelo. Enchi metade do copo, depois comecei a preparar uma batida. Rum de coco, suco de abacaxi, um pouco de hortelã — nada demais, mas o som do liquidificador me dava desculpa pra me inclinar, rebolar um pouco, fingir distração. O barulho parou, e eu virei de leve o rosto, só o suficiente pra pegar Isa me olhando de novo. Ela desviou o olhar tão rápido que quase tropeçou no próprio pescoço. Sorri.
— Tá tentando matar a Isa do coração, Bianca? — A voz da Bela veio junto com um tapa leve no meu ombro.
— Eu? Imagina. Tô só fazendo um drink. — Respondi, sem nem fingir inocência, enquanto mexia o copo com o canudo. — Quer um também?
— Quero. Mas tô de olho, viu? Cê fica se esticando toda assim, parece até provocação.
— E se for? — Virei de leve o quadril, encostei na bancada com os braços cruzados abaixo do peito, deixando a toalha escorregar um pouco. — Provocar é arte, não crime.
Bela riu e pegou o copo que eu estendi pra ela. Tomou um gole e fez careta.
— Tá forte. Tu vai derrubar a Isa só no álcool, mulher.
— Quem disse que é o álcool que derruba? — falei baixo, mais pra mim, mas do tipo que se ouve se quiser.
Isa continuava quieta, como sempre. A amiga silenciosa da minha irmã, que todo mundo achava pura e tranquila demais pra qualquer encrenca. Mas o jeito como ela me olhava — ou tentava não olhar — me dizia tudo. E o calor que subia do corpo dela, que não tinha nada a ver com o sol, me dava certeza. Isa tava toda encharcada por dentro. E ainda nem sabia que eu sabia.
Voltei com dois copos na mão, o meu já com marca dos meus lábios e o outro, intocado, geladinho, pingando gotas preguiçosas pelo vidro. Bela tinha se deitado na espreguiçadeira com fone no ouvido, olhos fechados, e eu aproveitei o silêncio entre as duas pra ir direto até a Isa. Ela tava sentada na beirada da piscina, com os pés dentro d’água, o cabelo meio úmido colado na nuca, e o biquíni começando a secar sob o sol. Parada ali, parecia uma cena de propaganda de alguma coisa proibida. A pele dela era tão clara que refletia o azul da piscina, e quando levantei o copo na direção dela, ela piscou como se eu tivesse acordado algum pensamento sujo.
— Toma. Fiz pra ti também — disse, entregando o copo. Os dedos dela tocaram os meus rápido demais, como se tivesse medo de encostar por mais de meio segundo. Agradeceu com a voz baixa, quase tímida, e eu me sentei do lado. Bem do lado. Pernas quase encostando.
Ela levou o copo à boca e tomou um gole pequeno. O suco deslizou pela garganta dela de um jeito que me fez imaginar outras coisas descendo ali.
— E aí, tá forte? — perguntei, virando o rosto pra ela.
— Um pouco… mas é bom — respondeu, sem me encarar.
— Tu não sabe mentir, Isa. Nem pra elogiar. É fofo.
Ela riu, meio sem graça, e mexeu o canudo no copo. Os olhos ainda fugiam, mas a pele denunciava tudo: aquele rubor manhoso subindo pelo peito, o arrepio sutil no braço, os dedos apertando o copo como se aquilo a ancorasse em algo.
Me inclinei devagar, os cabelos ainda úmidos caindo por um lado do rosto, e fingi examinar o drink dela, só pra chegar mais perto.
— Tu sempre fica assim quando tá perto de mim? — soltei a pergunta como quem joga uma pedra num lago calmo. O impacto era inevitável.
Ela engasgou levemente, e eu senti o corpo dela ficar tenso.
— Assim como?
— Como se tivesse tentando segurar o ar… e falhando.
Silêncio. O tipo de silêncio que grita.
Ela mordeu o lábio, desviou o olhar pro outro lado da piscina, mas não respondeu.
E eu sorri. Lenta. Cheia de certeza.
— Tu devia parar de fugir com os olhos, Isa. Só faz parecer mais óbvio.
— Não sei do que tu tá falando — disse, com a voz mais baixa que antes.
— Sabe sim.
Fiquei ali, do lado dela, sentindo o calor entre a gente não vir do sol. Tinha algo mais — um pulso no ar, um cheiro quase imperceptível de nervoso, de vontade, de negação. E eu não tinha pressa.
Só queria ver até onde ela aguentava.
Fiquei ali, observando ela tentando disfarçar o desconforto, mas o corpo falava alto. Os ombros tensos, o gole mais longo do que o normal, o jeito que ela mexia no canudo do copo como se aquilo fosse uma distração segura. Mas não era. Nada era seguro perto de mim.
— Tu sempre foi assim? — perguntei, com a voz arrastada. — Toda certinha, toda delicada, toda... boa?
Ela me olhou, rápido demais, como se eu tivesse dito uma indecência — o que, no fundo, eu tinha mesmo. O rubor subiu de novo, mais escuro agora, manchando as bochechas dela.
— Eu... não sei o que tu quer dizer com isso — disse, tentando se ajeitar na borda da piscina, mas o movimento só me deu uma visão melhor do contorno da coxa dela. Fiquei olhando sem pudor, só pra ver se ela notava. Notou. E quase engoliu o gelo do copo.
— É que tu tem jeito de quem nunca fez nada errado — falei, girando o líquido no meu copo. — Mas pensa, né?
Isa mordeu o lábio. O copo dela tremeu na mão.
Foi aí que ela levantou de repente, como se o chão tivesse ficado quente demais.
— Eu... já volto.
Saiu rápido, os pés molhados deixando marcas pelo piso de pedra, e eu nem disfarcei a risada baixa que me escapou. Aquela menina era um convite ao pecado, e nem percebia. Ou pior: percebia sim, mas achava que esconder funcionava comigo.
Fiquei mais um tempo na piscina, deixando o sol secar minha pele devagar, sentindo o drink escorregar gelado garganta abaixo. Ainda dava pra ouvir a música de fundo e alguns carros passando pela frente da casa. Mas minha cabeça... tava na garota, Se estava bem, se estava aguentando me ter tão próxima, minha mente vagava aos poucos pensando em todas as possibilidades.
Levantei, fui até o barzinho improvisado e comecei a preparar outro drink. Algo mais cítrico agora. Enquanto mexia a bebida, Bela tirou um fone do ouvido e me olhou, curiosa.
— E a Isa? Sumiu?
— Foi no banheiro — respondi, casual, dando de ombros. — Acho que o sol bateu forte.
Ela arqueou uma sobrancelha, desconfiada.
— Tu não tá mexendo com a cabeça da menina, né, Bianca?
— Eu? — falei com um sorriso debochado, entregando o copo pra ela. — Eu só existo. Se a cabeça dela gira... não é culpa minha.
Bela revirou os olhos e voltou pro fone. Eu larguei o copo vazio no balcão, limpei os dedos com um guardanapo qualquer e fui verificar o estado da garota.
Subi o corredor com passos calmos, mas o coração já batia firme. Eu sentia o que me esperava antes mesmo de ver. A porta do banheiro estava entreaberta, a luz acesa pelas frestas. Nenhum barulho de descarga, de torneira, de água escorrendo. Só o som abafado da música lá fora — e, por um instante, mais nada.
Até que eu ouvi.
Fraco, mas claro.
Um gemido. Arrastado. Baixo.
E meu nome no fim dele, dito como se doesse.
— ...Bianca...
Fechei os olhos por um segundo, e sorri. Aquilo ali... não tinha mais volta.
Me aproximei devagar, em silêncio. Encostei na parede ao lado da porta e inclinei o rosto, tentando ouvir mais. E ouvi. O som molhado. O ritmo do corpo. A respiração engasgada, o suspiro urgente, a mão batendo contra o corpo já sem força. Perto demais do ápice.
Olhei pro espelho do banheiro, procurando pela garota. E ali estava ela.
Curvada, de costas pra porta, uma perna dobrada no banco do chuveiro. Cabelos úmidos colando na nuca. O biquíni puxada acima dos seios, um deles apertado pela própria mão. A outra entre as pernas, se movendo com desespero.
O quadril rebolando, inconsciente.
A cabeça tombada pra trás.
A boca aberta.
E de novo...
— Bia... ah... B-Bianca...
Meu nome saía da boca dela como um sussurro proibido. Como oração.
Fiquei ali parada, imóvel, observando tudo por aquele reflexo torto, deixando que cada cena ficasse cravada em mim. Até que ela arqueou o corpo de uma vez, travando as pernas, a boca contra o antebraço pra não gritar, e tremeu inteira.
Gozo bonito, intenso, daqueles que dobram o corpo e limpam a alma.
Foi aí que eu abri a porta.
Tranquei atrás de mim.
O estalo seco do trinco ecoou como um trovão.
Ela virou o rosto devagar, ainda ofegando, e o susto no olhar dela me fez sorrir.
Não tinha mais pra onde correr.
— Tá tudo bem, gatinha? — falei, com a voz baixa e firme. — Precisa de ajuda?
Ela se encolheu num reflexo instintivo, puxando a parte de cima do biquíni como se isso apagasse o que eu tinha acabado de ver. As bochechas em brasa, o olhar arregalado, a respiração falhada. Tentava falar, mas não saía nada além de uns sons embolados.
— B-Bianca, eu... — começou, a voz tremendo. — Eu juro que não–…eu não queria que você–…eu só–..
Ela se perdia nas palavras, era incrivelmente fofo.
— Que eu o quê? — interrompi, me aproximando devagar, como se cada passo meu espreitasse o espaço entre nós. — Que eu visse? Que eu soubesse?
Ela abaixou a cabeça, os olhos marejando. Parecia se odiar por aquilo. Por ter sido pega. Por ter sentido prazer demais.
— Me desculpa... — sussurrou. — Eu não consegui evitar. Eu tentei... mas tu–… tu mexe comigo e eu...
— E tu se toca pensando em mim. — completei, parando na frente dela. — No jeito que eu te olho. No que tu queria que eu fizesse contigo.
Isa mordeu o lábio, e foi ali que o corpo dela desistiu de fingir. Tremeu. Quase caiu sentada de novo no banquinho do box. As pernas molhadas, abertas, ainda levemente contraídas do orgasmo de antes.
Aproximei mais. Ajoelhei na frente dela. Passei os dedos pela coxa, subindo com calma, sentindo cada arrepio no caminho. Ela não me afastou. Só fechou os olhos, respirando como se estivesse prestes a se afogar de novo.
— Me deixa te mostrar como é de verdade, Isa — murmurei, arrastando a mão pro quadril dela, puxando devagar a parte de baixo do biquíni. — Te mostra o que tu ainda não teve coragem de pedir.
Ela me olhou com um medo bonito. Aquele medo de quem quer, mas nunca viveu.
— Eu nunca... com mulher... — confessou, voz baixa, olhos grudados nos meus.
— Mas tu pensa. Sonha. Goza, né?
Ela assentiu, quase sem forças, e foi tudo que eu precisava.
Beijei a parte interna da coxa dela com lentidão, sentindo o gosto leve de cloro e pele suada. O corpo dela reagiu na hora — a respiração perdeu o compasso, a mão agarrou meu ombro.
Quando toquei a língua entre as pernas dela, ela arfou alto, surpresa com a intensidade.
Era quente. Salgado. Molhado de novo.
Fiz com calma, com gosto. Explorando. Lendo cada gesto, cada arrepio, cada gemido que ela tentava esconder.
— B-Bianca... p-por favor... — Ela choramingava, quase implorando, sem saber ao certo o quê.
Agarrou meu cabelo, puxou sem querer, mas eu não parei. Só intensifiquei, deslizando dois dedos pra dentro dela devagar, com cuidado. Ela estava sensível, o que fazia seu corpo pedir mais.
Ela arqueou. Gemeu alto.
O nome dela virou reza na minha boca.
O meu virou grito na dela.
E quando ela gozou de novo, tremendo inteira, colada em mim, eu subi e beijei sua boca como se fosse dela desde o começo.
Beijei a boca dela com fome, com gosto de gozo ainda na língua. Um beijo molhado, quente, de misturar tudo. Isa ainda tremia, as mãos sem saber onde segurar, como se o corpo dela tivesse deixado de obedecer. Era um susto bom, aquele que arrebata e deixa bamba.
Mas eu queria mais. Não ia parar ali.
Minhas mãos desceram outra vez, rápidas, firmes. E quando deslizei os dedos de novo pra dentro dela, foi com força. Sem mais aviso. Um estalo molhado, urgente. Ela arqueou com um gemido engasgado, quase gritando meu nome de novo.
— Ah! B-Bianca...!
— Porra, tu tá escorrendo por mim — murmurei contra a boca dela, ainda metendo forte. — Ouve isso. Tá ouvindo o barulho da tua boceta me engolindo?
Ela choramingou algo, perdida, a respiração falhando.
— Hein? — continuei, lambendo o queixo dela. — Era assim que tu se tocava? Pensando na minha boca te chupando, em mim te fodendo até tu implorar?
Ela tentou responder, mas só choramingou, a respiração falhando, os olhos vidrados.
Ela agarrou meu ombro com força, os quadris se mexendo por impulso, querendo mais, querendo tudo.
— Fala logo. — grudei a boca no ouvido dela, chupando. — Tu queria que eu te achasse aqui, toda aberta, se fodendo por mim sozinha?
— Q-queria... — ela gemeu baixinho, sem fôlego. — Te queria desde o início…
Meti os dedos mais fundo nela, sem dó, sentindo o corpo se arrepiar e tremer com a brutalidade. Meus beijos descem até seu pescoço, beijando e mordendo, a vontade de deixar uma marca era grande, mas não podia. Não por enquanto.
As pernas já se fechando em volta da minha mão anunciam outro orgasmo da garota. Vou mais rápido quando escuto ela balbuciar a sua vontade. Ela gemia baixo meu nome, arfava como se o ar tivesse sumido daquele banheiro.
Ela tentou fechar os olhos, mas eu segurei o rosto dela, firme.
— Olha pra mim. Eu quero ver tua cara quando tu gozar de novo.
E foi isso que ela fez.
Ela gemeu alto, sem conseguir se segurar, o corpo sacudindo, as pernas travando em volta da minha mão, os olhos arregalados nos meus. Gozou forte, quente, como se o mundo dela tivesse quebrado em pedaços ali mesmo, no meu colo.
Fiquei com os dedos dentro, sentindo cada tremor. Quando ela desabou mole no meu ombro, tirei devagar, levei os dedos à boca e chupei.
— Tu tem o gosto mais doce que eu já provei.
Ela só respirava. Ofegante. Quebrada. Totalmente entregue.
Beijei o rosto dela com carinho. A testa. As bochechas. Os cantinhos dos olhos ainda úmidos. E, por fim, a boca, mais macia agora, entregue.
— Respira, Isa… — sussurrei, passando os dedos devagar pelos cabelos molhados dela. — Respira, gata. Tô aqui.
Ela tentou sorrir, mas o corpo ainda tremia.
Abracei com força, envolvendo como quem protege, mesmo depois de ter destruído. Ficamos ali por alguns segundos — pele quente em pele quente, ofegos tentando voltar ao ritmo.
Então encostei minha testa na dela.
— A gente precisa voltar… — falei, baixinho, com um beijo leve na ponta do nariz. — Minha irmã não é burra. Vai notar se demorarmos mais um segundo.
Isa arregalou os olhos na hora.
— Merda...
— Relaxa — sorri, erguendo o queixo dela. — A gente mente bem. Só precisa parecer que nada aconteceu... mesmo que teu cheiro ainda esteja grudado nos meus dedos.
Ela corou até a alma. Tentou se ajeitar, procurando o biquíni às pressas, os olhos ainda turvos de prazer.
Enquanto ela se recompunha, eu lavei as mãos com uma calma quase debochada, prendi o cabelo e conferi no espelho se dava pra disfarçar o fogo nos olhos. Não dava. Mas que se foda.
Abri a porta com um suspiro quase cínico. Isa veio atrás, os passos instáveis como quem ainda sentia a memória dos meus toques entre as pernas.
Voltamos à beira da piscina. O Sol já começava a descer devagar, tingindo tudo de dourado.
Bela nos olhou com uma expressão mista de tédio e curiosidade, mastigando uma uva e apontando o garfo com descaso.
— Ué… o que foi? Vocês caíram no vaso?
Isa congelou. E eu tomei a frente com naturalidade de quem nasceu com sangue teatral.
— Ela teve uma crise de tontura. Pressão despencou — disse, encenando um leve tom de preocupação, mas sem exagerar. — Tive que ajudar a limpar o estrago. Acho que fiz a bebida forte demais pra ela.
Bela franziu a testa, largando as uvas.
— Tá melhor agora, Isa?
Isa engoliu seco, forçou um sorriso curto, mas doce.
— Tô… já passou.
— Então vem, peguei uva e melancia. E vou entrar, porque já tô me sentindo um frango de padaria nesse Sol. — Bela revirou os olhos e mergulhou sem esperar resposta.
Entramos na água logo depois, e o frescor da piscina foi quase um choque. Isa sentou perto de mim, o corpo ainda sensível, e quando nossos olhos se encontraram sob a linha da superfície, tudo gritou de novo. Um desejo quieto, ardendo por trás de um disfarce mal feito.
A gente fingia que nada tinha acontecido.
Mas o silêncio dizia mais que qualquer gemido.
E ali, entre risos soltos e gotas escorrendo do cabelo, o que crescia entre nós não era calma — era um incêndio esperando o próximo fósforo.
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