Um Toque, Uma História.
14 Entre os Andares
A camiseta grudava nas costas e o calor dentro do apartamento parecia mais pesado que o de fora. O ventilador girava no canto como se estivesse com preguiça, espalhando um ar morno que não ajudava em nada. Do outro lado da parede, a música da vizinha explodia alto, como sempre. A batida distorcida atravessava o concreto como se estivesse do lado da minha orelha. Era irritante.
Todo maldito dia ela metia alguma música agressiva no último volume, como se o prédio fosse dela. Mas o que me incomodava mesmo não era a música. Era o jeito como ela fazia parecer que não existia mais ninguém ali. Como se o mundo girasse no ritmo que ela escolhia. Como se ela tivesse o direito de incomodar, provocar, ocupar o espaço como bem entendesse. Isso me deixava mais puto do que deveria. Só que, por algum motivo, eu escutava. Sempre escutava. Mesmo quando fingia que não.
Arranquei a camiseta molhada e joguei em cima da cama. Peguei outra qualquer no armário, vesti sem me preocupar com o amasso e passei a mão pela nuca suada, tentando ignorar a pressão incômoda que vinha subindo. Olhei o celular largado em cima da cômoda. Nenhuma notificação que importasse. Só mais alertas da tempestade se aproximando, manchetes alarmistas, mensagem do chefe da mecânica e aquelas mensagens idiotas de grupo de bairro que eu não lembrava por que ainda não tinha saído. Desliguei a tela e respirei fundo, irritado com o mundo, com o calor, com a falta de ar e principalmente com aquela mulher.
Tranquei a porta do apartamento com força. No mesmo segundo, o som da música parou. Aquilo me arrancou um riso seco, curto. Como se ela tivesse esperado eu sair pra desligar. E, claro, como num roteiro mal escrito, a maçaneta ao lado girou. A porta dela se abriu. Ela também ia sair.
Perfeito.
Rolei os olhos antes de encarar. Virei o rosto devagar, já prevendo a provocação. E ela veio. Sempre vinha.
— Olha só quem saiu da toca — comentou, a voz carregada daquele deboche que parecia já fazer parte do tom natural dela.
Não respondi de imediato. Só observei. O cabelo preso de qualquer jeito, a expressão entediada, o jeito desleixado e provocante de quem andava pelo mundo com uma armadura invisível e afiada. Aquela postura que gritava “não chega perto”, mas que o corpo inteiro dizia o contrário. Ela era irritante em cada gesto. Mas eu conhecia bem demais esse incômodo. Não era só antipatia. Era o tipo de presença que te obriga a sentir alguma coisa, mesmo quando tudo em você grita pra não sentir nada.
— E olha quem resolveu dar trégua pro prédio inteiro — retruquei, apoiando o ombro na parede. — A música finalmente morreu?
— Tava ótima. Só achei que você não merecia escutar o final.
— Melhor assim. Me poupa o esforço de não quebrar sua caixa de som.
Ela sorriu com aquela malícia disfarçada de desprezo. E isso me tirava do sério. Sempre tirava. Porque era difícil saber quando ela me odiava de verdade ou só provocava porque sabia que eu reagia.
Ficamos parados ali, no corredor abafado, o som da chuva lá fora começando a engrossar. Olhei o celular de novo, mais por não ter o que fazer do que por interesse. A notificação dizia que a tempestade já atingia o centro e os ventos deviam piorar nas próximas horas. Ótimo. Um cenário perfeito pra se enfiar num elevador com a última pessoa do mundo com quem eu queria dividir oxigênio.
— Vai sair pra comprar cigarro de novo? — ela alfinetou, cruzando os braços, apoiando o peso numa perna só, como se estivesse entediada com a minha existência.
— Melhor que ficar em casa ouvindo drama adolescente com batida eletrônica. — Dei de ombros. — Tá no volume dez desde cedo.
— Se te incomoda tanto, muda de andar.
— Se me incomodasse de verdade, eu já teria batido na tua porta. Mas acho que gosto do desafio.
Ela arqueou a sobrancelha, um canto da boca levantando num quase riso. Mas não respondeu. Só ficou me encarando com aqueles olhos que pareciam ver mais do que deveriam. Lyn tinha esse olhar irritante de quem lê os outros rápido demais. E talvez fosse por isso que eu me incomodava tanto com ela. Porque, por mais que eu não dissesse nada, ela sempre parecia saber.
O som metálico do elevador se aproximando preencheu o corredor. Entramos juntos, sem dizer nada. Eu primeiro. Ela logo depois. Ficamos em silêncio. O espaço era apertado demais, quente demais. As paredes já exalavam um cheiro abafado de ferrugem e mofo. E o elevador não parecia em boas condições — mas isso não era novidade.
A porta fechou.
Dois andares depois, o impacto veio seco. Um tranco violento, um baque de metal contra metal e, em seguida, a lâmpada tremulando antes de apagar de vez. O elevador parou. Nem mais um som. Nem o zumbido fraco do motor. Nada.
— Porra. — Foi tudo que consegui dizer, no escuro.
— Claro. — A voz dela, agora muito mais próxima do que deveria estar. — Tinha que ser contigo.
Soltei o ar devagar, sentindo o calor já grudando na pele como se o elevador tivesse se transformado num forno instantâneo.
O elevador estava parado. A luz tinha morrido de vez e o som da cidade ficou do lado de fora, abafado pelas paredes grossas. Só restava o calor, o cheiro do metal velho e o silêncio desconfortável entre nós dois. Peguei o celular no bolso e acendi a tela, procurando por sinal. Nada. Nem uma barra. Tentei ligar os dados, reiniciei o aparelho. Nada mudava. Tranquei o maxilar e encostei na parede, controlando a irritação que crescia na mesma proporção do calor.
— Sem sinal, mecânico? — a voz dela cortou o escuro com sarcasmo. — E agora, vai consertar com força bruta ou vai sentar e chorar?
— Cala a boca, Lyn.
— Ah, que dó. Ficou sensível.
Revirei os olhos, mesmo sabendo que ela não podia ver. O tom de provocação era a especialidade dela. E, naquele espaço pequeno, abafado, sem chance de fuga, cada palavra saía mais afiada. Era como estar preso com um pavio aceso e esperar o momento da explosão.
— Isso aqui vai demorar, viu. — Ela falou como quem comenta o tempo. E se espreguiçou. O cotovelo roçou meu ombro e ela nem pediu desculpa. — Espero que não desmaie, Abel. Seria uma pena te ver desfalecer no chão, com todo esse tamanho inútil.
— Para de falar merda.
— Já pensou? Você caído, e eu tentando te carregar. Uma tragédia. — Ela riu baixo, mas dava pra sentir que fazia de propósito. O calor parecia aumentar com cada segundo que passava.
— Fica no teu canto. Só isso.
— Relaxa. Tô só me distraindo. Tem coisa melhor pra fazer aqui dentro?
Ela se mexeu de novo e o corpo dela esbarrou levemente no meu. Nada demais, mas naquele ambiente quente, abafado, sem ar... cada toque parecia proposital. Eu ainda tentava manter o controle, mas meu corpo começava a reagir sozinho. O suor já escorria pela nuca, e a respiração começava a pesar.
— Tu sempre sua assim ou é só quando tá perto de mim?
— Tá procurando encrenca?
— Tô presa num cubículo contigo. Já tô na encrenca.
Ela se aproximou mais um pouco. Não o suficiente pra encostar de verdade, mas o bastante pra que a proximidade incomodasse. O cheiro dela invadiu o pouco ar que ainda restava — uma mistura de perfume barato e pele quente. Irônico que, mesmo odiando a presença dela, meu corpo parecia saber exatamente como reagir.
— Sério, Abel. A camisa está começando a grudar no teu corpo, tá me dando agonia. — Ela disse com aquele tom de quem não tá pedindo nada, mas tá ordenando tudo. — Tira logo isso.
— Vai à merda.
— Já tô. Contigo aqui, o dia tá oficialmente no inferno.
— Ótimo. Queima sozinha.
Mas a verdade era que ela tinha razão. O tecido colado na pele estava se tornando insuportável. O suor encharcando as costas, a nuca, o peito. Cada vez que eu respirava fundo, parecia pior. Não era só o calor do elevador. Era ela. Era a raiva, a ironia, a presença dela colada demais.
Soltei o ar com força, virei o rosto e puxei a camisa por cima da cabeça, jogando num canto. O silêncio dela foi imediato. Mas não era ausência. Era silêncio carregado, do tipo que tem dentes. Senti os olhos dela em mim mesmo sem precisar ver. Aquilo fez meu corpo ficar mais tenso do que já estava.
— Que cena, hein. — A voz dela saiu mais baixa agora, mas ainda provocativa. — Tá se exibindo ou só tentando me fazer esquecer que te odeio?
— Não tô fazendo nada pra ti.
— Mas tá funcionando.
A resposta dela ficou pendurada no ar como faísca solta. E o toque veio. Rápido, leve, só os dedos dela passando pelo meu braço. Um gesto simples, mas naquele calor, naquele espaço, naquele momento, o efeito foi direto. Reagi sem pensar, puxando o braço de volta, encarando no escuro a sombra do corpo dela.
— Não encosta.
— Por quê? Vai derreter?
— Porque eu ainda tô me segurando.
Ela deu um passo mais perto. Agora, sim, estávamos encostados. Ombro com ombro, o calor do corpo dela misturado ao meu, e aquela tensão que já não era mais só incômodo. Era outra coisa. Mais pesada. Mais perigosa.
— Tá mesmo?
— Não testa.
— E se eu quiser testar?
Ela sussurrou perto demais. A respiração dela bateu na minha pele e o calor explodiu de vez. O ar sumiu. O silêncio virou ruído nos ouvidos. E tudo que restava ali era o barulho da nossa respiração e o cheiro da tensão que não dava mais pra disfarçar.
A mão dela ainda estava perto demais. E mesmo quando não tocava, queimava. Meu corpo inteiro já gritava antes da minha cabeça entender o que estava fazendo. Era como se cada olhar atravessado, cada resposta atravancada, cada maldito momento em que a gente fingiu não querer nada... tivesse acumulado aqui, nesse espaço apertado, suado e sem saída.
Virei o corpo de vez, o peito quase encostando no dela. Ela não recuou. Nem um passo. O rosto erguido, o queixo firme, aquele olhar cínico me desafiando como se estivesse cansada de brincar. Me encarou com aquela superioridade debochada de sempre, mas a respiração dela já tinha mudado. E eu percebia. Cada detalhe. O peito subindo mais rápido, a mandíbula travada, o brilho nos olhos que não combinava com o desprezo que ela tentava sustentar.
— Última chance, Lyn — falei baixo, rouco, a voz arranhando. — Não me testa.
— E perder você se perdendo por mim? Não quero.
Ela sorriu. A porra do sorriso torto. O mesmo que sempre me deu vontade de mandar calar a boca ou fazer alguma merda. Só que agora... era outra coisa. Era impulso. Era decisão.
Encostei de vez. Uma mão na parede, ao lado do rosto dela, e a outra firme na cintura. Apertei. Só o bastante pra fazer ela sentir que eu não tava brincando mais. O corpo dela não se afastou. Pelo contrário. Se moldou no meu como se já estivesse esperando esse movimento há dias. Talvez semanas. Talvez desde o primeiro maldito olhar no corredor.
— Achei que estava se segurando, Abel — ela provocou, o tom de voz mais rouco, carregado de ironia e algo a mais.
— Mudei de ideia.
Ela riu. Um riso curto, abafado, preso entre a garganta e o peito. As mãos vieram contra meu tórax, quentes, lentas, mas sem empurrar. Deslizaram pelo meu abdômen, subindo devagar como se testasse o quanto podia provocar antes de eu perder o resto da paciência.
— Sempre soube que tu era fogo preso — ela sussurrou, o nariz quase roçando no meu. — Só precisava de calor suficiente pra explodir.
Não respondi. Não precisava. A boca dela já estava ali, à distância de um erro. E eu cometi.
Aproximei e colei de vez. A boca quente, atrevida, se abriu na hora. Sem resistência, sem hesitação. Os dentes dela morderam meu lábio, só pra provocar. Mas eu retribuí com a mesma intensidade. Nada delicado. Nada sutil. Só raiva, vontade e o gosto amargo de algo que ficou tempo demais acumulado.
Minhas mãos exploraram as curvas do corpo dela com uma mistura de raiva e urgência. A cintura marcada, as costas úmidas de calor, a pele quente demais pra ser ignorada. Ela me puxava com a mesma intensidade. Como se quisesse arrancar alguma coisa de mim. Como se tudo aquilo fosse mais necessidade do que prazer.
A boca dela desceu pelo meu maxilar até o pescoço. Mordeu, lambeu, deixou marca. Cada toque dela parecia querer provar alguma coisa. E eu deixava. Porque agora era tarde pra qualquer controle.
— Eu odeio isso. — Ela rosnou no meu ouvido, cravando as unhas nas minhas costas.
— Não mais que eu. — Respondi com a voz arrastada, enquanto a puxava pelas coxas e colava ela contra a parede, firme, o peso do meu corpo prendendo o dela no lugar. — Mas a gente já passou da fase de negar.
Ela envolveu minha cintura com as pernas, pressionando a virilha contra a minha. A fricção era brutal. Quente, molhada, incômoda no nível certo. Aquilo não era beijo de casalzinho. Era embate. Era choque de dois corpos que se odeiam tanto quanto se desejam.
A mão dela desceu pelas minhas costas até a barra da calça. Me arranhou ali, e soltou uma risada rouca no escuro.
— Vai me comer aqui mesmo?
— Tô pensando seriamente nisso.
Ela puxou meu cabelo com força e mordeu meu queixo. Eu empurrei o quadril contra o dela, sentindo a respiração falhar.
A tensão agora não era mais latente. Era física. Era presente. Estava ali, no meio das pernas dela, no aperto das minhas mãos, no gosto da língua dela, no modo como ela sussurrava cada insulto como se fosse um convite.
O calor dentro do elevador parecia aumentar a cada segundo, como se as paredes apertadas guardassem não só o ar pesado, mas também a tensão que pulsava entre nós dois. A boca dela encontrou a minha com uma urgência, era uma mistura de provocação e desafio, dentes morderam minha boca, língua que dançava com a minha num ritmo selvagem, como se quisesse dominar e ao mesmo tempo se entregar.
A pressão do corpo dela contra o meu fazia o suor escorrer mais rápido, e eu podia sentir o peso dela preso ao meu, provocando um fogo que começava a queimar tudo por dentro.
Minhas mãos exploravam cada centímetro da pele quente, agarrando a cintura dela com força, enquanto a outra mão deslizou pelas costas até alcançar os cabelos, puxando com intensidade para aprofundar aquele beijo carregado de raiva e desejo. Ela não deixava por menos, mordendo o meu lábio inferior com força, um aviso e um convite ao mesmo tempo, enquanto as unhas dela riscavam minha pele com vontade.
A respiração dela estava entrecortada, quase tão ofegante quanto a minha, e o silêncio abafado pelo ronco da tempestade do lado de fora era interrompido apenas pelos nossos suspiros, gemidos contidos e o som das nossas peles se esfregando, se buscando, se desafiando. O ar quente parecia quase sufocante, mas nenhum dos dois queria afastar-se, era como se o elevador fosse um santuário para tudo que a gente tinha tentado negar.
Ela soltou um riso rouco, provocador.
— Vai me fazer esperar aqui mesmo, Abel?
— Quero ver quem cede primeiro — respondi com a voz rouca, um sorriso duro se formando nos lábios.
O ritmo acelerava, o jogo de poder entre nós se intensificava. Tentávamos dominar um ao outro, o corpo dela desafiava o meu, as unhas marcavam minha pele, e eu apertava a cintura dela com força, tentando controlar o frenesi que começava a tomar conta. O beijo ficou mais selvagem, os mordiscos mais profundos, as mãos explorando, apertando, dominando e cedendo ao mesmo tempo.
A fricção aumentava, o corpo dela pressionando cada vez mais na minha virilha, o desejo entrelaçado com a raiva, o prazer misturado com a provocação. O elevador apertado, o calor sufocante, as paredes pareciam desaparecer diante da intensidade daquele momento. O toque dela era ousado, atrevido, cada gesto um convite para perder o controle.
A respiração falhava, o suor escorria, e a única certeza era a de que ninguém ali conseguiria resistir por muito mais tempo. A batalha silenciosa que travávamos nos lábios, nas mãos, nos corpos, começava a ceder espaço para o que vinha depois — o instante em que tudo o que restava era se entregar ao desejo que a gente tanto tentou esconder.
Ela soltou um gemido rouco contra minha boca quando minhas mãos desceram pelas coxas dela e apertaram forte, como se fosse possível conter ali toda a raiva que eu sentia da situação, dela, de mim mesmo. O beijo não era mais só quente. Era urgente. Molhado, sem ritmo, carregado de dentes e língua, como se a gente quisesse morder o que não podia dizer em voz alta.
A respiração dela batia contra meu rosto, quente, descompassada, cheia de provocação mesmo quando já não restava tanto jogo. E eu sentia. Sentia o corpo dela implorar por mais, mesmo que a boca ainda me desafiasse.
— Vai mesmo ficar me testando ou vai fazer alguma coisa com isso? — Ela rosnou, rebolando devagar contra meu quadril, sentindo o volume que crescia e pressionava sem pudor.
Soltei um palavrão baixo, os dentes cravando no pescoço dela com força. Ela arqueou o corpo e mordeu o lábio. A tensão virou faísca, e a faísca virou incêndio. O corpo dela escorregou na minha frente e logo os dedos estavam dentro da minha calça, ousados, firmes, decididos. Ela queria me destruir com aquilo. E, porra, tava conseguindo.
— Eu sabia que ia ceder primeiro — ela sussurrou, com aquele riso atrevido que me fazia querer prender ela ali até a maldita luz do elevador voltar.
— Cala a boca, Lyn.
— Faz calar.
E eu fiz.
Minhas mãos agarraram firme sua cintura, o quadril colado no dela, e a gente se movia num ritmo frenético e desajeitado, abafado pelas paredes que suavam junto com a gente. A boca dela vinha até mim em investidas curtas, desesperadas, lambendo, mordendo, gemendo contra minha pele. Eu arranquei a blusa dela no impulso, puxando com brutalidade e deixando os seios à mostra no escuro abafado. Meus lábios desceram sem pensar, abocanhando, sugando, deixando marca.
Ela gemeu alto e apertou meu ombro com força, as unhas cravando como se quisesse fazer de propósito cada linha vermelha.
— Isso é o que tu queria, né? — murmurei contra o pescoço dela, ofegante, duro, colado nela com cada fibra do meu corpo — Só precisava de um motivo pra abrir as pernas.
— E tu queria uma desculpa pra me foder.
O ritmo aumentava. As mãos dela se agarravam a mim com mais força, e a fricção entre nossos corpos ficava mais urgente, mais agressiva. Me movi entre as pernas dela, pressionando, roçando, fazendo ela se contorcer contra a parede de metal. Os gemidos dela vinham cada vez mais baixos, abafados, mas carregados de prazer. O corpo dela implorava por mais, mesmo que a boca continuasse me provocando.
— Me fode direito, Abel.
— Manda mais uma dessas que eu te viro de costas agora.
Ela sorriu.
— Vem logo e me fode, Abel.
Me afastei só o suficiente pra fazer isso. Girei o corpo dela contra a parede do elevador, um braço apoiado acima da cabeça dela, o outro descendo até a cintura, puxando o quadril dela pra mim. Ela arqueou as costas e roçou a bunda em mim, se esfregando sem nenhum pudor. O sorriso que soltou era puro veneno, e aquilo só aumentou o fogo que já consumia tudo.
Desci as mãos até o cós do short dela e puxei com força, fazendo o tecido descer pelas coxas devagar, sem pressa, só pra provocar. Ela empinou mais, o corpo obedecendo sem resistência, como se já soubesse o que vinha e pedisse por isso. Me ajoelhei por um segundo, só pra ver o quanto ela já tremia, e passei as mãos por trás das pernas dela, subindo com firmeza até alcançar a cintura de novo. O cheiro dela, quente e úmido, subiu junto com o calor que parecia se multiplicar dentro daquele cubículo abafado.
— Tira de uma vez, Abel — ela rosnou, a voz rouca, impaciente. — Ou eu mesma arranco.
— Tu fala demais — murmurei rente à pele dela, mordendo a lateral da coxa antes de me erguer e colar o corpo no dela de novo.
Puxei o resto da peça com agressividade, jogando o short em algum canto do elevador sem me importar com onde ia parar. Posicionei meu quadril contra o dela, sentindo a pele quente, o suor, o atrito — tudo contribuía pra tensão que não cedia, só crescia. Me pressionei mais, os dedos cravando nos ossos do quadril dela, e ela gemeu baixo, o som abafado pela parede de metal.
Ela virou o rosto de lado, me encarando por cima do ombro com um sorriso cínico, a boca entreaberta, os cabelos colados na testa de suor.
— Vai ficar só se esfregando?
— Vai continuar provocando?
— Sempre.
Mordi o ombro dela com força. Um aviso. Ou uma promessa. O corpo dela estremeceu na minha frente, e o meu já estava no limite. Posicionei uma das mãos entre as coxas dela, firme, explorando, testando o quanto ela já tava entregue. Ela gemeu de novo, abafado, impaciente, empurrando o quadril pra trás com mais intensidade. O calor entre nós dois agora era insuportável.
— Fala que é isso que tu quer.
— Eu quero mais do que isso, Abel.
Abaixei a cabeça até o pescoço dela, pressionando beijos úmidos enquanto minhas mãos voltavam a segurá-la com firmeza. A pele dela queimava sob os meus dedos. Ela rebolava, gemia, se empinava com raiva, como se desafiasse cada segundo que eu demorasse pra invadir de vez. E era exatamente isso que eu queria — ver até onde ela suportava sem implorar.
O corpo dela colado ao meu era um convite aberto. E eu já tinha aceitado.
Afastei o suficiente pra empurrar minha calça pra baixo, os movimentos apressados, mãos tremendo de tensão. A cueca veio junto, com a mesma urgência. O ar frio bateu no meu corpo úmido e não adiantou nada — o calor entre nós dois engolia qualquer outro estímulo.
Ela olhou por cima do ombro, ainda com aquele olhar que misturava sarcasmo com tesão, como se tivesse certeza do que eu ia fazer.
— Vai me deixar esperando agora?
Não respondi. Só segurei firme o quadril dela, ajeitando a posição com um movimento seco, decidido. Me encaixei ali, atrás dela, roçando o suficiente pra fazer os dois soltarem um gemido baixo e impaciente. Ela empurrou de volta, se oferecendo com mais força, a bunda pressionando o meu quadril, exigindo mais, querendo tudo.
— Porra, Lyn...
Ela soltou uma risada curta, provocadora, o rosto encostado na parede metálica.
— Para de falar e mete logo.
A pressão entre nós aumentou. O corpo dela tremia, o meu já não obedecia mais nada além do instinto. Me posicionei de vez, o coração martelando no peito, as mãos marcando a cintura dela com força. E quando ela empinou mais, gemendo só de sentir a ponta do meu pau escorregando entre as pernas, eu cedi. Sem aviso. Sem calma. Sem mais jogo.
Me movi.
Não com delicadeza, não com hesitação. Mas com força, com raiva, com a urgência de quem segurou por tempo demais. O corpo dela tremeu sob o meu, e o som que saiu da boca dela foi um gemido rouco, entre dor e prazer, entre rendição e fúria.
Ela arqueou mais, me dando espaço, me puxando mais fundo com os quadris. Cada estocada era uma resposta. Um embate. E porra, ela não recuava. Rebolava contra mim com uma fome que deixava qualquer controle fora de questão. O barulho dos nossos corpos batendo ecoava no elevador abafado, junto com os gemidos dela e minha respiração falhada.
— Isso... — ela gemeu, arrastando a voz. — Assim mesmo.
A voz dela me quebrava. Cada frase parecia gasolina no incêndio que já me consumia. Eu agarrava a cintura dela, puxando de volta com força a cada movimento, as pernas quase falhando, o suor escorrendo pelas costas, pelos braços, pelo peito que colava nas costas dela. O calor fazia tudo parecer mais sujo, mais intenso, mais impossível de parar.
— Porra, Lyn...
Ela olhou por cima do ombro, a boca aberta, os olhos turvos de tesão, e respondeu com um sorriso rouco.
— Continua...
E eu continuei.
O ritmo ficou mais pesado. Mais descontrolado. Eu sentia o corpo dela vibrar, reagir, estremecer com cada investida. Os gemidos saíam abafados, depois mais altos, até ela não se conter mais. Ela se apoiou nos cotovelos, o rosto virado pro lado, a bochecha colada na parede do elevador enquanto eu enterrava os dentes no ombro dela e gemia junto. Os dois já estavam no limite.
— Vai gozar comigo, Abel?
A voz dela me atravessou como um choque, e naquele ritmo, naquele calor, naquela posição, não tinha mais nada que segurasse. O corpo dela tremia, rebolando contra o meu com um desespero que já era instinto puro. O som dos nossos corpos batendo, da pele suada deslizando, do metal rangendo atrás de nós, tudo se misturava com os gemidos soltos, com a respiração falhada, com o som rouco da boca dela dizendo meu nome entre dentes. Eu grunhi, empurrei mais forte, e foi ali, naquele maldito cubículo apertado, com o cheiro de nós dois impregnado nas paredes, que ela veio primeiro — se arqueando toda, gemendo alto e trêmulo, as pernas falhando, o quadril tremendo na minha mão.
Isso me fez perder o controle de vez.
Enterrei os dedos na cintura dela, afundando contra seu corpo, até o mundo sumir. Soltei um gemido arrastado, abafado contra a nuca suada dela, o corpo inteiro vibrando quando gozei com força, sem freio, quase perdendo o equilíbrio. Ficamos assim, colados, sujos, ofegantes, com o suor escorrendo por cada centímetro de pele, as respirações misturadas preenchendo o silêncio abafado daquele elevador que testemunhou tudo que a gente negou por tanto tempo.
Apoiei a testa nas costas dela por alguns segundos, os olhos fechados, tentando recuperar o fôlego e fingir que isso não ia foder minha cabeça depois. O ar ainda estava quente, o silêncio desconfortável demais pra deixar qualquer coisa parecer leve. Me afastei devagar, os músculos tensos, os pensamentos ainda desorganizados. Ela se virou, os cabelos grudados no rosto, o peito subindo e descendo num ritmo acelerado, e me olhou com aquele sorrisinho maldito nos lábios.
— Vai dizer que não foi bom?
— Vai se foder.
— Já fizemos isso, amor.
Ela soltou uma risada seca e se abaixou pra pegar o short. Eu puxei a cueca e a calça de volta, sem pressa, sem dizer nada. O clima tinha mudado. Mas a tensão não tinha ido embora. Só estava contida de novo, empurrada pra baixo da superfície. Ela vestiu a blusa ainda com os peitos marcados de mordida e chupão, sem se importar em esconder. Eu notei. Ela percebeu que eu notei. E sorriu com escárnio.
— Tá olhando por quê? Vai querer de novo?
— Vai sonhando, Lyn.
— Não precisa sonhar quando eu já gozei com tua boca no meu pescoço.
Revirei os olhos. O silêncio voltou por alguns segundos, só interrompido pela tempestade do lado de fora e o som abafado de alguém batendo no teto do elevador.
A luz piscou. Voltou.
A gente não se moveu.
O barulho do sistema sendo reativado, do motor tentando funcionar, da tranca sendo acionada. E então, por fim, o som metálico da porta destravando. Ela abriu devagar, e a cara do síndico apareceu ali, junto com o zelador e mais um ou dois curiosos do prédio.
— MEU DEUS, vocês estão bem?! — o homem perguntou, desesperado.
— A gente sobreviveu — ela respondeu antes de mim, com a voz mais seca que o ar do corredor. — Ficar preso com esse cara foi a pior parte — completou, já saindo do elevador e puxando o cabelo pro alto, como se precisasse desesperadamente de ar.
Eu fui atrás, passando pelos olhares desconfiados dos vizinhos, ignorando as perguntas, fingindo que não estava suando como um condenado. O zelador falou algo sobre “um calor infernal” e “sorte que ninguém morreu lá dentro”, mas eu nem ouvi direito. Meus olhos estavam presos nas costas dela.
Lyn parou no fim do corredor, virou o rosto por cima do ombro, o cabelo bagunçado ainda colado na pele, e lançou aquele olhar que já vinha com navalha embutida. Só que, dessa vez, a lâmina tinha gosto.
— Tenta não perder a linha essa semana, Abel — ela soltou, num tom seco, mas com a boca puxando um sorriso que ninguém entenderia.
— Depende de quem for cruzar a linha primeiro — respondi, deixando a frase escapar sem pressa, olhando direto pra ela, do jeito que só a gente sabia o que queria dizer.
Ela arqueou uma sobrancelha, como quem gostou da provocação, e virou de volta sem dizer mais nada. Os passos dela ecoaram no corredor, deixando aquele rastro de silêncio tenso no ar. Os curiosos olharam pra mim. Eu apenas dei de ombros e caminhei na direção oposta, ignorando o gosto dela que ainda parecia estar na minha boca.
Mas por dentro... eu sabia. Aquilo não tinha terminado.
Aquilo mal tinha começado.
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