Um Toque

20 Histórias que não são contadas


Notas iniciais
Último capítulo! Só falta o epílogo que já está pronto mas só vou postar a noite. ;)
Não fique decepcionada com esse capítulo pois o epílogo irá tirar qualquer dúvida.
Desculpe pela demora, foi mais falta de inspiração que de tempo. =/
Bem, então é isso... ^^
PS: Preste atenção aos detalhes.

Atrás de cada olhar, um mundo.

É nisso que tudo se resume. Imagine quantas pessoas vemos todos os dias nas lojas, nas praças, nas praias, em festas, no trânsito, em todos os lugares! O mundo está lotado de pessoas e atrás de cada uma, todas elas, há uma história que não conhecemos. Julgamos pelo que vemos, mas não vemos nem 1% do que há. O mundo não é uma caixa lotada de pessoas, ele é, na verdade, uma caixa cheia de histórias. E quando estamos andando pela rua, nós somos, ao mesmo tempo, protagonista de nossas histórias e figurantes de outras que nem conhecemos. E a única forma de conhecer essas histórias, é fazendo parte delas. E quando isso acontece, podemos, orgulhosamente, chamar essa pessoa de amigo. E, se tudo for propício, por que não se tornar protagonista da história de outra pessoa? Caia de cabeça, arrisque, conheça... Viva!

Não há como saber o que acontece num livro, sem lê-lo. Asheley aceitou ler um livro no passado, mas, para sua surpresa, o livro tinha continuação. E sua história voltou a se unir com a de Domenick. E, cada vez mais, essas duas histórias se tornavam uma só. Um belo romance cheio de aventuras e suspense.

Domenick a tinha nos braços, recostada sobre seu peito nu. Ele se sentia melhor com ela em seus braços, sabendo que pode protegê-la, que ninguém mais pode tirá-la dele. Mas não era bem assim. Ainda faltava algo. O quebra-cabeça só está pronto quando a última peça encaixa.

Domenick deitou Asheley no chão cuidadosamente. Ela estava inconsciente. Passo a passo ele se aproximou de Jerom.

Foi um bom jogo.

Ainda faltava ver o que estava atrás dos olhos de Jerom, a história dele era um segredo e Domenick era o único que poderia vê-la.

O cérebro humano ainda fica ativo após alguns minutos depois que o coração para. E, antes disso, a história de Jerom continuava acessível, até que se perca para sempre.

Domenick se agachou, olhou para Hugo e depois voltou para Jerom.

Horas atrás eu nem sabia quem era este homem. Tanta coisa mudou... – Pensou Domenick olhando o corpo imoto.

Domenick segurou a mão de Jerom com força e conferiu o pulso por precaução.

Está na hora de me mostrar a verdade. Conte-me sua história.

Aos poucos, os olhos de Domenick começaram a mudar e seu coração acelerava sem limites. Desta vez, ele não só absorvia, como também analisava cada segundo da vida de Jerom. E, diferente de muitos, nele cada segundo era impressionante.

. . .

Hugo estava pressionando o ferimento de Luke para parar o sangramento. Ele já havia visto muito sangue na vida e aquilo se tornava quase uma rotina. Todavia, Hugo queria saber o que Domenick veria em Jerom; queria conhecer as histórias de um homem rico e de influência. Com certeza o homem mais influente do século.

– Dom?

Domenick se pôs de pé e ali ficou; imóvel.

– Hei?! O que houve? Parece que viu um filme de terror. – Disse Hugo começando a se assustar.

Domenick se manteve completamente imóvel; nem piscava os olhos.

– O que você viu? – Não houve resposta, Hugo tentou novamente, se desesperando. Jerom já havia feito muitas coisas ruins com ele e não aceitava que ele pudesse arruinar sua vida mesmo depois de morto. – Droga! O que você viu? – Gritou ele.

Hugo não obteve respostas, mas percebeu para onde mirava o olhar de Domenick. Ele o seguiu.

– Dom... – Disse Hugo por fim.

Hugo “herdou” o coração e o nariz de Deus. Este último o permitia sentir o que os olhos não podem ver, o que o corpo não mostra, ou seja, o estado espiritual da pessoa, além de poder localizar qualquer pessoa através de sua alma, espírito, psique, nume, etc. O que não funciona em gente morta. Mas Domenick estava bem vivo e Hugo pôde sentir a dor espiritual dele. Era tão intensa que talvez outra pessoa não suportasse.

Domenick, sem ser capaz de mover um músculo, olhava fixamente para a garota que conheceu no colegial.

Asheley...

Uma lágrima começou a escorregar em seu rosto.

Asheley.

– Chame uma ambulância. – Disse Domenick reunindo todas suas forças para vencer a dor em seu cerne – Diga que temos um ferido. Vamos tirar Asheley daqui.

Hugo não estava entendendo.

– Asheley? Mas e Luke? – Perguntava atônito – Ele não vai durar muito tempo desse jeito. Eu posso sentir a essência das pessoas. Ele está morrendo!

Domenick pegou seu telefone e fez isso ele mesmo.

A ambulância estava a caminho.

– Mas que porra você está fazendo? – Gritava Hugo com raiva – Precisamos tirar Luke daqui! Ela só desmaiou. Ela está bem!

– Eu sei. – Disse ele correndo de carro em carro procurando algo. Algo o incomodava.

– O que está fazendo? Pelo menos me diga o que viu em Jerom!

Domenick voltava correndo com um papel, uma caneta e dois tapetes de carro em mãos. Antes de tudo, ele escondeu o corpo de Jerom e jogou os tapetes sobre o sangue de Jerom e Luke, depois foi até a escada perto de Asheley e começou a escrever no papel. A cada letra que escrevia, parecia sofrer mais.

– Hugo, eu sei que não vai gostar do que vou dizer, mas tenho más notícias. – Disse Domenick – Ainda não acabou. Ao contrário, começa aqui.

Hugo fechou os olhos sem acreditar no que ouvia. Seu corpo ficou dormente por alguns segundos. Ele achou que depois de tanto sofrimento poderia, enfim, viver em paz e ter uma vida tranquila. Mas seu sonho se tornava impossível novamente.

– A habilidade de persuadir de Jerom ainda funciona. – Explicava Domenick – Ou seja, as pessoas ainda acreditam no que ele disse enquanto estava vivo.

– E o que o desgraçado fez? – A raiva de Hugo corria no sangue corroendo seus sonhos.

Domenick parou de escrever e o olhou nos olhos de Hugo, mesmo distantes.

Antes que Domenick dissesse alguma coisa ele ouviu a ambulância chegando e correu para recebê-la.

“Por aqui!” – Ouviu Hugo.

Dois homens traziam uma maca e vinham correndo ao lado de Domenick.

– Eu sou médico! – Gritava Domenick enquanto corria até Asheley – A pressão dela caiu e ela ficou cerca de um minuto sem oxigênio. Precisam levá-la com urgência para que ela não fique com sequelas pela desoxigenação. Dê oxigênio no caminho, sabem o que fazer. Eu não sei se ela tem alguma doença crônica. Não podemos correr o risco!

Os paramédicos pararam de correr quando viram um homem ferido que lhes chamaram atenção.

– E ele? – Perguntou um dos paramédicos apontando para Luke.

– Ele sofreu uma lesão superficial incisa, deixe um equipamento de primeiros socorros que eu cuido dele.

Eles se entreolharam.

– Rápido! – Gritou Domenick – Ela não pode ficar aqui!

– Certo!

Eles colocaram Asheley na maca e foram até a ambulância do lado de fora da casa, Domenick correu na frente deles e pegou o kit de primeiros socorros na ambulância.

– Já tenho o que preciso.

– Podemos mandar outra ambulância vim para adiantar. – Disse um deles.

– Não precisa, podem ir e depois de dar os primeiros socorros dele, eu o levo ele em meu carro.

– Ok. Mais alguma coisa?

– Sim, venha aqui.

O paramédico mais velho se aproximou. Domenick apertou a mão dele e fechou seus olhos para que ele não reparasse na mudança da coloração de sua íris. Em segundos Domenick já conhecia a vida daquele homem e o julgou confiável.

– Tome. – disse Domenick entregando o papel para o homem – Entregue isso quando ela acordar. – Ele deixou escapar um pouco de seus sentimentos – E diga a ela que eu a amo... Me prometa que fará isso.

– Eu prometo. – Respondeu o homem indo embora.

Ele sabia que aquele homem sempre cumpre suas promessas, por isso o fez prometer.

A ambulância se foi.

Domenick pegou o kit e voltou para dentro correndo. Quando alcançou Hugo e Luke, fez logo os primeiros socorros. Antes de Luke acordar, Domenick foi obrigado a usar sua habilidade nele ou ele ainda acreditaria em tudo que Jerom tinha dito. Em menos de dez minutos Luke já estava consciente e Domenick já havia explicado tudo o que havia acontecido.

– Preciso que os dois prestem atenção no que vou falar agora. – Disse Domenick – Jerom conheceu os homens mais poderosos deste planeta. E os deixou uma ordem direta usando sua “persuasão”.

– Que ordem foi essa? – Perguntou Hugo.

Domenick olhou para os dois e disse:

– A ordem de nos caçar e matar quando ele morresse.

– Maravilha! – Ironizou Hugo – Literalmente, não podia ser melhor! Jerom morre e deixa os donos do mundo para terminar o trabalho.

– Calma.

– E quem são essas pessoas? – Perguntou Hugo, se controlando.

– Eu não sei quem são. – Respondeu Domenick – São quase intocáveis. Eles são invisíveis, desconhecidos, deixam apenas suas ordens. Mandam naqueles que mandam e nunca mostram seus rostos. Mas eu sei como achá-los.

Domenick pensou por uns segundos e se levantou.

– Eu tenho um plano, mas para isso precisamos ficar juntos. E eu preciso saber se vocês dois estão comigo, porque separados podemos ser capturados, mas juntos, vencemos qualquer exército. – Domenick olhou diretamente para Luke e Hugo. – O que me dizem? A decisão é de vocês. Se vierem comigo terão que deixar muitos de seus sonhos para trás. Pensem bem.

Luke levantou desajeitado e expressando dor. Quando conseguiu ficar de pé com a ajuda de Hugo, ele pôs a mão no ombro de Domenick e acenou com a cabeça.

– Talvez agora eu lute por uma causa que eu escolha. – Disse Hugo – Eu estou com vocês.

– Perfeito. – Disse Domenick – Agora venham comigo.

– Para onde vamos? – Perguntou Hugo carregando Luke.

– Vamos passar em minha casa enquanto a notícia da morte de Jerom ainda não espalhou e depois vamos nos mudar.

Domenick parou antes de entrar no carro de Hugo que estava na porta do casarão.

– Sintam este vento no rosto, pois, depois de hoje, momentos como esse serão raros. – Disse ele inspirando fundo enquanto admirava o pôr do sol.

– Dom? – Disse Hugo preocupado com Domenick. – E Asheley?

– Perto de nós ela estaria em perigo. Ela estará mais segura longe de mim.

– Tem certeza de que é isso que você quer?

– As vezes... – Domenick parou uns segundos admirando o pôr do sol. – temos que fazer coisas que não queremos, para poder continuar sonhando.

Hugo preferiu não tocar mais no assunto.

– E para onde vamos?

– Para onde o vento nos levar.

Notas finais
Mande uma review bem critica! Se elogiar, explique o por quê, e se criticar, tbm. ;)
Aguardando o epílogo... ... ... *-*
Desculpe qualquer coisa e obrigado por tudo. ;p