Um Sonho Real
9 Capítulo 9 - Ele bate na minha porta
Notas iniciais
Eles estavam atravessando a área das lanchonetes quando os avistei. Quem era esse garoto com o Junior? Era o mesmo de antes, o que estava com ele quando eu tava andando de patins com as meninas. Eu sabia que era errado, mas eu decidi seguir um pouco eles e saber o que eles faziam ali. Tomei o máximo de cuidado para eles não me verem. Eles pararam perto de uma das pontes e ficaram conversando e eu me escondi atrás de uma árvore, onde eu conseguia ouvir uma parte do que eles conversavam.
– E como ela está? – Junior perguntou
– Ela está bem – o garoto respondeu –, amanhã ela já pode voltar para casa.
– Isso é bom.
“De quem eles estão falando?” pensei.
– Por que você não passa para visitar ela? – o garoto continuou – Ela ficaria feliz de ver você, já que não foi visitá-la desde o que aconteceu.
– Eu já disse...
– Eu sei, eu sei. – o garoto ficou um pouco mais sério – Mas você sabe que não foi culpa sua.
Junior fechou os olhos por um instante e respirou fundo, ele parecia não se convencer com as palavras do garoto. O garoto começou a olhar em volta observando a paisagem. Eu me escondi mais ainda para que ele não me visse, mas enquanto me ajeitava meu pé prendeu entre as raízes da árvore. Tentei tirar fazendo o mínimo de barulho possível, mas em vão, pois quando eu finalmente tirei meu pé acabei perdendo o equilíbrio e cai no chão fazendo barulho. Junior e o garoto se viraram assustados e me viram ali no chão, logo Junior fez cara de que não estava feliz em me ver.
– Ah... Eh... Oi? – falei um pouco sem jeito
– O que você está fazendo aqui? – perguntou Junior
– N-Nada. Eu só estava dando um passeio... – tentei disfarçar
– O que foi Junior? Isso são modos? – o garoto estendeu a mão para mim e me ajudou a levantar – Meu nome é Marco e o seu? – ele sorriu
– Meu nome é Natasha, prazer em conhecê-lo. – sorri meio sem jeito
– Pronto. Agora você já pode ir. – disse Junior – Vamos Marco, não vale à pena perder tempo com ela.
– Então até mais senhorita! – Marco fez um sinal dando tchau e saiu atrás de Junior que já tinha começado a sair.
– Até... Eu acho...
Na hora achei que depois disso ele não ia mais me perdoar, também me achei a pior pessoa do mundo. “Com toda essa cena eu definitivamente perdi a confiança dele, que na verdade eu não tinha.” Pensei. Então fiz o que me restava: voltar para casa, tomar um banho e mergulhar na cama.
Durante a semana que seguiu depois do acontecido os dias foram bem solitários, eu não insisti mais em falar com o Junior. E também eu não vi mais ele na escola e nem por ai. Contei ao professor Stein, à Mary e à Lucy o que aconteceu, eles entenderam e também desistiram. Fiquei pensado que tentar se desculpar só iria causar mais um conflito.
No oitavo dia, quando eu voltava da aula para o apartamento, enquanto me aproximava vi uma pessoa parada de frente para a porta. Apressei o passo pensando ser alguém perdido ou coisa do tipo, mas quando me aproximei percebi que era uma pessoa conhecida, um garoto, o Junior. “O que ele está fazendo aqui?” fiquei confusa. Então desacelerei e andei devagar até ele.
– Junior? – perguntei e ele se virou par mim
– Oi.
– Oi. – falei meio sem jeito, pois estava estranhando aquilo – O que...
– Você tem um tempo? – ele me interrompeu
“Um tempo? Ele quer conversar? Por quê?” essa situação estava realmente confusa. Acabei ficando meio nervosa.
– Ah, claro! Mais tarde vou sair para fazer compras, mas ainda vai demorar um pouco. Então... Eu tenho tempo.
– Que bom... Eu posso entrar?
– Claro, vamos.
Nós entramos, eu ofereci água e disse para ele sentar. Ele sentou no sofá, ele também parecia meio nervoso. Guardei minhas coisas e fui para a sala e sentei também.
– Então... Por que você está aqui?
– Bom, é... Eu... Queria pedir desculpas.
“D-d-desculpas?? Pelo que??” Agora sim estava mesmo confuso.
– Você não precisa...
– Não. Eu preciso sim. Eu fui o tempo todo arrogante com você.
– Não o tempo todo...
– Não o tempo todo?
– É... Você sempre respondia minhas perguntas, ou quase sempre. Além disso, eu me meti na tua vida e te persegui... Sou eu quem deveria pedir desculpas.
– Mas você só estava tentando se aproximar. – o olhar dele ficou triste – Acho que não estou nem um pouco acostumado com alguém pegando no meu pé. Mas isso você já deve ter percebido.
– Se você ta se referindo ao fato que você está sempre sozinho, então sim, eu já percebi. Mas tem uma exceção, não tem?
– Exceção?
– Sim, o Marco. Eu já vi vocês dois juntos outras vezes além daquele dia no parque.
– Ah, sim. O Marco... É uma longa história.
– Você me contaria? – perguntei mesmo sabendo que as chances da resposta ser “não” eram grandes.
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