Um Sonho Real 2° Temporada
4 Capítulo 4 - Uma reação inesperada
Notas iniciais
Um simples gesto há muito tempo escondido, o sorriso dele me enchia de sentimentos de paz e felicidade.
– Você está sorrindo... Você está sorrindo!
– É claro que estou, pois tenho você aqui comigo. – ele me deu mais um beijo. Junior tinha lábios doces e gentis.
– Espera, espera. – eu disse – A gente vai contar ainda hoje para os teus pais?
– Não sei. – seu sorriso sumiu e ele voltou ter a expressão de sempre – Não sei que horas a mãe chega, só preciso contar a ela.
– Por que não para o teu pai? Você não disse que queria parar com essa infantilidade, que queria voltar a se aproximar das pessoas?
– Mas não dele. – ele começou a ficar mais sério
– Desculpa, mas se fosse eu, eu iria correndo contar para a minha família... – ao dizer essas palavras, um sentimento triste me envolveu – Infelizmente não posso fazer isso...
Junior passou alguns segundos em silencio e depois deu um longo suspiro.
– Tudo bem... Amanhã os dois estarão em casa, então você vem aqui e nós contamos para eles, juntos.
– Sério? – perguntei um pouco surpresa
– Sim. Mas antes... – ele pegou o controle do vídeo game o mais rápido que pode – Eu preciso terminar essa partida
– Ei! Assim não vale! – peguei o controle também, ele não estava muito mais na frente que eu. Foi ai que tive uma ideia: pausei o jogo novamente e ele reclamou um pouco, me aproximei e dei um beijo de leve na bochecha dele, o fazendo ficar surpreso e vermelho, tirei da pausa e continuei jogando enquanto ele ficava parado, confuso – Yeah! Ganhei!
– Assim não vale! – ele disse
– Tirar da pausa sem avisar e tentar passar na frente também não foi muito justo. – eu ri
– Ok... – ele se levantou – Você quer comer alguma coisa?
Ele fez um lanche e eu coloquei um filme. Passei uma boa parte do tempo com vontade de segurar sua mão, mas fiquei tímida demais. De vez em quando trocávamos olhares, o que me deixava inquieta. Nós finalmente estávamos juntos, fiquei me perguntando como seria dali em diante. Eu estava muito empolgada.
Por mais que eu quisesse ficar mais tempo, quando anoiteceu, eu tive que ir embora. Como combinado, voltei lá no dia seguinte. Quando ele abriu a porta fiquei um pouco nervosa e percebi que ele ficou também. Entrei. Mary estava na cozinha lavando a louça e Stein estava na sala lendo jornal. Os dois me cumprimentaram quando eu entrei.
– Dois dias seguidos aqui, isso é raro! – Stein disse rindo
– Bom... É que... – eu não sabia o que responder
– Alguma coisa aconteceu?
– Sim... Não... Quer dizer...
– Nós temos algo para contar. – disse Junior
– É algo sério? – Mary colocou o último prato no escorredor e veio para a sala
– Não exatamente... De certa forma... – eu disse
– Vamos nos sentar, é melhor. – disse Junior e em seguida nos sentamos, Mary do lado do Stein e eu do lado do Junior. – Mãe, pai... – ele respirou fundo – Ontem eu pedi a Natasha em namoro... E ela aceitou.
Mary e Stein ficaram bem surpresos, mas não falaram de imediato, provavelmente esperando que falássemos mais alguma coisa.
– Então nós queríamos a sua benção. – eu disse – Saber o que vocês acham.
Mary e Stein se entreolharam. Mary parecia empolgada, por outro lado Stein não parecia muito feliz com a ideia.
– Não! – Stein se levantou – Vocês não podem ficar juntos! – apesar de serem palavras fortes, ele não falou num tom de raiva
Junior e eu ficamos assustados. Essa tinha sido uma reação totalmente diferente da esperada.
– Por que não? – Junior também se levantou
– Não importa o porquê, Vocês NÃO podem ficar juntos. – ele continuava falando num tom mais calmo do que suas palavras
– C-Calma, amor... – Mary queria controlar a situação, mas também estava assustada.
– Eu sou seu pai e sei o que é melhor para você e para ela também.
– Meu pai... Isso não significa nada! Pelo menos não para mim.
– Junior, não fale assim! – disse Mary
– Não, tudo bem. – disse Stein – Eu sei que não fui o melhor pai do mundo, mas você também não me deixou concertar isso, Junior. Mas agora... Pelo menos agora... Escute o que eu digo.
– Escutar você? Eu não quero nada de você! Quem quis te contar e pedir tua benção era a Natasha. Por mim tanto faz como tanto fez.
No meio dessa confusão eu continuava sentada, sem saber o que fazer, assustada.
– Natasha – ele virou para mim – Eu agradeço, mas não posso abençoar esta união.
– Por que não? – eu perguntei e logo em seguida um silencio mortal, minha voz fina e doce pareceu um Oasis naquela confusão – Por que não podemos ficar juntos?
– Eu não posso... – Stein se sentou novamente e escondeu o rosto debaixo das mãos – Se vocês ficarem juntos, só irão se magoar... Não posso permitir que isso aconteça com você, meu filho.
– Nos magoar? – eu perguntei
Mary sussurrou algo no ouvido do marido e depois veio até mim.
– Venha comigo e deixe-os conversarem a sós. – ela colocou a mão em meu ombro e nós fomos para o quarto
De dentro do quarto não dava para ouvir direito o que eles falavam. Não prestei atenção em quanto tempo se passou, mas Mary tentava me distrair perguntando sobre as aulas. Depois de alguns minutos não pude ouvir mais nada vindo de fora, parece que tinham parado de discutir e estavam apenas conversando. Mais algum tempo se passou até que um barulho de porta batendo quebrou o silêncio e, depois de alguns segundos, Stein abriu a porta do quarto.
– Desculpe por esta confusão. – ele disse
– Cadê o Junior? – eu disse depois de sair do quarto e ver que ele não estava mais na sala
– Ele está no quintal. Por hora acho melhor você ir para casa e deixá-lo sozinho por um tempo.
Eu fiz que sim com a cabeça, bem devagar. Olhei para trás, Mary ainda estava sentada na cama, com uma expressão triste. Stein se ofereceu para me levar até em casa, me despedi da Mary e fomos embora. Fizemos o trajeto todo em silêncio e quando eu ia abrir o portão, ele colocou sua mão em meu ombro.
– Me desculpe do fundo do meu coração. Um dia você vai saber o porquê e, quando souber, irá entender.
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