Um Show de vizinha
2 Hannah Nightingale
P.O.V. Derek.
Eu invadi a casa dela, entrei no quarto dela. Eu tentava me dizer que estava fazendo isso porque ela podia ser uma ameaça, mas eu sabia que só estava curioso.
Logo de cara eu já vi que ela era normal, a sala de estar era ampla com móveis antigos, entalhados, mas isso não provava nada só que ela gostava de antiguidades. No próximo cômodo encontrei um lavabo com todos os cacarecos de beleza que as mulheres tem.
—Eu nunca vou entender pra que tanta coisa na cara.
E o que eu reparei é que em todos os cômodos que entrei até agora tem velas.
Finalmente cheguei até o quarto dela. Ela estava dormindo na cama, havia um abajur aceso e um gato preto deitado no meio das pernas dela que estavam cobertas com o cobertor.
—Morgana, sai dai. Vai deitar em outro lugar.
Ela estava acordada?! O gato miou.
—Morgana, eu não consigo me mexer com você deitada ai.
O gato nem se mexeu.
—Ah, Morgana eu te amo, mas você é um pé no saco.
Ela levantou e me viu. Ela soltou um grito.
—Eu vou chamar a polícia!
Ela pegou uma arma e apontou pra mim.
—Calma ai.
—O que é que você quer?
—Primeiro que abaixe essa arma.
—Não. Eu sei que você é fichado.
—Olha, abaixa a arma.
Bateu um vento e a luz da lua cheia entrou pela janela.
—Impossível. Era pra você estar quebrando todos os seus ossos a essa hora. Como é que você não tá se transformando?
—Eu consigo controlar.
—Impossível. Só os híbridos podem controlar quando se transformam, se transformar não é uma opção para um lobisomem, vocês são forçados.
—Como assim?
—O que é você? Um lobisomem que controla a própria transformação até mesmo na lua cheia? Isso é além da insanidade.
Ela colocou a arma encima da mesa.
—Você tem uma bruxa do seu lado? É algum tipo de feitiço?
—Bruxa? Se tá brincando certo?
—Não.
Ela acendeu a luz do quarto. E caminhou até mim, começou a me analisar.
—O que é? O que impede a transformação? É um talismã?
Ela pegou um pingente e começou a falar numa língua que eu não conhecia.
—Nada. Eu não consegui detectar nenhuma fonte de magia no quarto a não ser eu. Você é um milagre. Um lobisomem que consegue controlar quando se transforma. Isso pode mudar tudo! Você é algum tipo de lobisomem mais evoluído.
—Para de falar.
—Você vai se transformar?
—Não. Eu só to cansado de ouvir as suas teorias idiotas.
—Minhas teorias idiotas? Já ouviu falar da família Lockwood?
—Já.
—O gene dos lobisomens corre nas veias deles, Tyler Lockwood era um lobisomem, ele acidentalmente matou uma menina numa festa ativando a maldição. Era forçado a se transformar toda a lua cheia, ele quebrava cada osso do seu corpo. Ele não conseguia controlar até o meu tio morder ele, quebrar seu pescoço e ele acordar em transição e ter que o sangue da tia Elena pra sobreviver e se transformar no primeiro híbrido de vampiro e lobisomem além do tio Klaus. Dai pra frente foi um pandemônio. O tio Klaus começou a caçar lobisomens e a transformá-los em híbridos escravos. Então, o Tyler descobriu como quebrar o elo e começou a desligar todos os híbridos do tio Klaus. Ele ficou puto da vida quando descobriu e matou todos eles menos o Tyler. E quando a Hope nasceu começou tudo outra vez. O sangue dela assim como o meu cria híbridos, mas dessa vez o tiro saiu pela culatra de novo. Os híbridos criados com o sangue da Hope estão ligados a ela e os criados com o meu sangue estão ligados a mim. Eles seguem cada movimento nosso.
—Isso é que é uma agulha.
—É a agulha das tristezas. É um objeto amaldiçoado, eu roubei alguns deles das bruxas de Nova Orleans.
—Agulha das tristezas?
—É para aumentar a temperatura do sangue e causar um aborto.
—Credo!
—Eu tirei isso da posse das bruxas de Nova Orleans para que nunca mais outra criança inocente morresse pelas mãos delas. Tentaram usar isso pra matar a minha prima, felizmente não obtiveram sucesso, mas imagino que devem ter obtido em outras vezes.
—E porque não destrói essa coisa?
—Não é assim tão simples. Acha mesmo que se eu soubesse como eu não teria destruído?!
—Você é o que?
—Uma bruxa duplicata.
—Quantos anos você tem?
—Dezesseis. Eu já sou formada na faculdade.
—E porque você está fugindo da sua família?
—Porque o meu tio quer me drenar para fazer mais híbridos escravos.
—E qual é o seu primeiro nome?
—Hannah. Eu quero ver a árvore, o Nemeton. Eu senti a magia dele assim que entrei na cidade. Posso senti-la agora, viajando como uma onda.
—E pra onde essa magia está viajando?
—Pra mim. Eu não sei se sobreviverei a quantidade de energia crescendo em mim. Magia atrai magia, eu ia ter que precisar de outra bruxa para dividir.
—Bruxas. Quem diria.
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