Depois de alguns dias, as bruxas amigas de Mellody chegam acompanhadas de alguns lobisomens e dois dias depois alguns do meu clã aparecem, trazendo consigo também algumas armas venenosas, caso a luta fique pior do que planejamos.

Quando os vampiros saem de seus carros para que possamos recebê-los paraliso ao ver alguém que achei que nunca mais veria.

— Oi, Ellie! Linda como sempre, não? — Marx Kaelson diz com um sorriso, me puxando para um abraço.

Marx foi o homem por quem me apaixonei há alguns séculos. Alto, forte, sorriso perfeito. O tipo de homem que a sociedade padroniza comigo digno de suspiros.

— Marx Kaelson. Ressurgido dos mortos. — Digo com um sorriso brincalhão. — É bom ver você novamente.

Ele me olha com os mesmos olhos sedutores dos séculos XVII. Sorri para mim com o mesmo brilho angelical, mas então penso no que somos agora.

Ignoro todos os pensamentos ligados ao que sentia antes por ele e me afasto um pouco.

— Podemos conversar? Senti saudades suas. — Ele diz em expectativa.

— Talvez outra hora.

Meu celular começa a tocar como uma deixa.

— Com licença. — Digo me afastando um pouco, mesmo sabendo que ele pode ouvir por causa da audição ampliada.

— Oi? — digo ao atender.

— Ellie, eu descobri porque a taça de ouro é tão importante para o ritual dos Alfws. — Mellody faz uma pausa e começa a falar rapidamente em seguida. — A coroa de sangue foi usada por vários anos pelas bruxas da família Zarel. Eles a usavam para manter a força e juventude por anos. Em alguns grimórios é lido que eram capazes de alcançar a eternidade de um vampiro ou fortalecer um herege, com claro, uma força e poder maior. Sabe o que isso significa?

— Os Alfws não querem fortalecer a própria espécie. Eles querem perpetuar a linhagem do seu recente aliado, o Lorde das Trevas.

Não me surpreende que aquela raça imunda quisesse ajudar ao Lorde das Trevas. E com isso estamos em desvantagem. Segundo Mellody, eles fariam um ritual na sétima lua cheia no período do Eclipse de nove luas. O que significa que temos três meses pra encontrar uma forma de impedi-los. O que corresponde a pouco tempo do que as bruxas precisam sem as fontes suficientes de poder. Portanto o único jeito é fazer um acordo. Eu sou ótima com acordos.

"Vou ofertar o meu sangue, Mel, pode não achar uma boa ideia, mas eu sei o que fazer."

Depois de deixar o recado na caixa postal, vou para onde sempre quis ir.O palácio de sangue do Grande Bruxo.



Do lado de fora do grande palácio eu posso ouvir a voz daqueles grotescos e infelizmente não poderei fazer nada, mas terei que entrar lá de um jeito ou de outro, afinal, preciso deixar o meu pequeno recado para realizar o acordo das Nações do Sangue.

Adaga de prata, pena de pavão cristalino, sangue humano fresco e uma taça de ouro: Alguns itens importantes para o meu recadinho. Um truque que Mellody me ensinou.

Subo nos suportes de prata do edifício real e me penduro nas janelas, este não é um grande desafio já que tenho tantas habilidades vampirescas. Da grande janela de vidro consigo ver alguns lordes secretários do Grande Mal, e daqui posso ver a Sala do Mestre das Trevas. Espero eles passarem até poder entrar pela janela e pôr em prática o melhor plano de todos.

Os corredores são tão grandes quanto dizem e sinto um frio percorrer as minhas células mortas ao lembrar que estou em território inimigo, ou melhor, literalmente no seu covil. Corro em direção à sala principal idealizada pelo meu mapa vampírico e me sento no peitoril da grande janela de cristal.

— Legião das Trevas, tenho um aviso! — coloco o sangue dentro da taça de ouro e ponho a pena apoiada à beira da taça, em seguida corto a palma da minha mão e faço o pouco sangue que há no meu corpo morto cair ao lado da taça, ponho a adaga ali, e eu sei que irão entender o recado.

Faço isso com a minha enorme velocidade e saio correndo pela janela. E isso me faz ganhar tempo, pelo fato de ter soldados das trevas vindo ao meu encontro.

O meu sangue foi ofertado e eles já sabem que iremos para a Colina dos Graves Sons.

Primeira parte do plano concluída.