Um Romance NADA Romântico
6 Passando Vergonha Mais Uma Vez
Notas iniciais
Anthonny Point of View...
Nesse momento estou deitado em minha cama daquele jeito meio Emily Rose, com minhas pernas jogadas para o alto e com o corpo numa posição completamente torta, quase como se estivesse possuído, com meus fones de ouvidos, ouvindo uns KPop aleatórios, pois sim eu gosto, ao mesmo tempo que espero o Alemão vir me encontrar. Théo está ao meu lado na cama, com o livro “Humanos e Como Entendê-los” aberto, folheando as páginas no decorrer dos minutos.
Sim, meu gato está lendo. Talvez ele também esteja possuído… Nunca saberemos!
Mas voltando ao Alemão, meu melhor amigo está Full Pistola comigo , na minha opinião sem necessidade alguma, já que eu desliguei o telefone na cara dele duas vezes quando eu estava naquela treta com o Piers.
Pensa numa pessoa que foi xingada? Se multiplicar infinitamente talvez chegue em mim, porém tive meus motivos então que seja.
Mesmo que eu tente, não consigo tirar o reencontro com o Piers da minha cabeça. Ele está ainda mais lindo do que era no ensino médio, não sei como isso é humanamente possível. Pena que ele é um idiota, mas fazer o quê, né? Né!
— Anthonny Alexander Juanito Ecos Von Der Holstein Murray! — Escuto uma batida forte na porta e a voz imponente do Alemão chamando meu nome.
Fodeu a merda toda, mano. Se fodeu alguma coisa, essa coisa é a merda toda. Abortar missão. Essa praga só me chama assim pelo nome completo quando ele está muito puto.
— Miauu… (Alguém está encrencado…) — Théo mia com certo deboche.
— Você acha? Ora, ora... temos um Xerox Romes aqui. — Reviro os olhos respondendo ao gato petulante.
Para vocês terem uma noção, o Alemão foi tão escandaloso que eu consegui escutar ele mesmo com o fone de ouvido no último. Na verdade, o prédio todo deve ter escutado...
Sem demorar mais, temendo pela integridade do meu courinho precioso, eu corro em direção à porta. Ao abrir, já consigo ver um Lucas com uma expressão nada amigável.
Óh meu Deus aceite a mim e a minha alma, e obrigado pela oportunidade que me destes ao deixar-me viver por tanto tempo.
— Da próxima vez que você desligar o telefone na minha cara, eu vou encher o seu cu de dinamite. — Entrou bravo no meu novo apartamento, praticamente me empurrando.
Acreditem... Já recebi ameaças muito piores.
— Posso saber o que a madame estava fazendo de tão importante que ela não pôde me atender? — Perguntou com a voz banhada em sarcasmo.
— Primeira coisa: Tira a porra do sapato pra entrar na minha casa. — Aponto para os mesmos no pé dele que logo faz uma careta.
— Qual é Thonny, nem entramos no seu quarto ainda. — Ele reclama emburrado.
— E o que o cu tem a ver com a calça? — Perguntei confuso.
— Na sua casa eu só precisava tirar os sapatos quando entrava no seu quarto. — Respondeu óbvio.
— Lá eu não podia mandar meus pais e nem os empregados andarem descalços, mas aqui eu posso, então...
— Seu chato. — Bufou colocando os mesmos ao lado da porta. — Não entendo que mania é essa de tirar os sapatos pra ficar em casa. Não estamos na Ásia, sabia? — Reclamou emburrado.
— Foda-se. — Dou com os ombros sem me importar muito com tal coisa.
Embora esse assunto do sapato tenha cessado a bronca que eu estava levando, o que não foi proposital, eu sei que ainda irei escutar muita merda por ter feito o que fiz.
O Alemão nesse momento está andando pelos cômodos do meu novo lar, estudando o local com curiosidade, até que finalmente chegou no meu quarto. Já no local, não demorou dois segundos para que ele olhasse na minha direção com uma expressão assustada.
O que foi dessa vez criatura?
— O que aquela criatura satânica está fazendo? — Indagou exasperado.
— Lendo. — Dou com os ombros, não é óbvio?
— Se arruma, precisamos ir em dois lugares. — Ele pegou em meus braços e me arrastou até o meu guarda-roupas.
— Quais? — Questiono confuso.
— No exorcista pra deixar o seu gato e depois no psiquiatra pra te internar! — Respondeu de maneira exagerada.
— Deixa de ser idiota Alemão, pelo menos tenta. — Reviro os olhos com certo tédio. — Você nasceu assim ou fez cursinho no SENAI? — Indagou apenas para provocar.
— Miau! (Cala a boca desgraça!) — Théo reclama irritado.
— E para de fazer barulho que ele quer ler. — Continuo depois da reclamação do Théo.
— Eu desisto de você. — Ele levantou as mãos para cima, como se clamasse intervenção divina.
Idiota. Meu melhor amigo, mas um idiota.
Depois da cena desnecessária, ele continuou observando o meu quarto com atenção, até que seus olhos pararam num pôster específico na porta do meu guarda-roupas.
— Eu não acredito que você colocou isso aí. — Apontou para o mesmo com um sorriso debochado.
O item em questão era algo no qual eu encomendei a partir de uma foto do Piers. Na casa dos meus pais, eu o mantinha guardado, porém aqui eu o deixei estampado na porta do meu guarda-roupas.
— E o que tem? — Pergunto sem graça.
— Eu não vou nem falar nada. — Ele dá de ombros. — Enfim, voltando ao assunto anterior...
Merda! Ele lembrou...
— Por que você desligou o telefone na minha cara? — Indagou de mau humor. — Duas vezes ainda por cima. — Complementou cruzando os braços.
— Miaau miaaau miau? (Será que eu vou ter que matar um pra conseguir ler nessa merda?) — Théo novamente reclama do barulho.
— Tudo bem, a gente vai sair do quarto. — Suspiro arrastando o Alemão pra sala.
— Eu não acredito que o gato está expulsando a gente do quarto. — Reclamou indignado.
— Esquece isso. — Respondo indiferente. — Respondendo sua pergunta sobre a ligação rejeitada, aconteceu um evento... — Tentei explicar.
— Evento? Do que você está falando Thonny? — Perguntou curioso. — Não é possível que você estivesse transando, já que esse seu Astolfinho só não tem teias de aranha por falta de utilização porque você faz cocô. — Continuou em seguida.
Pergunta do capítulo: Por que eu ainda sou amigo do Alemão?
O próximo som articulado no ambiente não foi uma resposta minha ou coisa do gênero, mas sim um gemido do Alemão por conta do chute que eu dei em suas bolas.
— Pequena Miss Sunshine! — Exclamou com o rosto sôfrego, enquanto se curvava para amenizar a dor.
— Vamos sair pra comer que eu estou morrendo de fome. Depois eu te explico o que aconteceu. — Ajo como se nada tivesse acontecido, porém não consigo conter o satisfatório sentimento de vingança.
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Estamos numa lanchonete qualquer próxima ao prédio em que eu me mudei. A garçonete já trouxe os nossos pedidos e o Alemão está olhando para mim com cara de pamonha, depois de eu ter lhe explicado o ocorrido.
— Tudo bem Thonny, só vamos conferir para ver se eu entendi direito o que aconteceu. — Lucas coçou sua nuca confuso, me olhando como se eu fosse um retardado, e eu não tiro sua razão por pensar isso. — Tudo o que você mais sonhou na vida foi trocar ao menos uma frase com o seu loirão com cara de panaca, e quando você finalmente tem essa oportunidade você arruma treta com ele? É sério isso produção? — Ele balançou a cabeça descrente.
— Então... Vendo por esse lado, acho que realmente não foi tão legal, né? — Concordo sem graça.
— Você acha? Qual é o seu problema? Por que você foi discutir com o cara? Tu tem demência? — O Alemão me pediu indignado, porém não sei muito bem o que responder em relação a isso.
— Eu não sei, merda... Qual é Alemão, você me conhece melhor do que ninguém, talvez melhor do que eu mesmo, para saber que eu não perderia de jeito nenhum uma oportunidade dessas de ser trouxa. — Acabo suspirando frustrado.
— Nisso eu tenho que concordar. — Anuiu a cabeça positivamente, com um sorriso nos lábios.
— Cala a boca que não é pra concordar porra nenhuma, seu infeliz. Enfim, como eu ia dizendo... Eu sempre admirei ele de longe, e nunca cheguei muito perto dele. A gente sabe que ele não é um doce de pessoa, muito pelo contrário. Ele é um idiota e um baita arrogante. Eu estava tão perplexo por ter encontrado ele e por saber que ele está morando no mesmo prédio que eu e no final eu acabei surtando. — Tento me explicar enquanto vejo o meu amigo me estudando em silêncio, esperando que eu terminasse o que tinha a lhe dizer. — E quando ele falou comigo, me chamando de pirralho mimado e principalmente de nanico, eu meio que explodi. Não importa quem seja, ninguém me chama dessa maneira. Eu posso gostar dele, mas eu também tenho amor próprio e não vou deixá-lo falar desse jeito comigo. — Eu disse firme, querendo acreditar em minhas próprias palavras.
— Tem certeza que foi só isso? — Lucas perguntou desconfiado. O filho da puta realmente me conhece muito bem.
— Não, também tem o fato de que Cavalo Manco da Banda Calypso começou a tocar no meu celular, me deixando ainda mais nervoso e constrangido. — Olho pra ele com os olhos semicerrados.
Ele começou a rir enquanto mergulhava uma batata frita num molho especial para depois colocar na sua boca, fazendo uma cara muito estranha como se estivesse tendo um orgasmo.
Vai entender. Eu nunca tive um então não posso afirmar com certeza.
— E como aquele pamonha com cara de fuinha está? — Ele perguntou curioso depois de engolir a batata.
— Ele ficou tão mais bonito... Ele cortou o cabelo, está ainda mais alto e muito mais forte também. Não parece mais um adolescente como quando ele se formou. A voz dele é tão bonita. Mal posso acreditar que eu conversei com ele de verdade e que tudo foi real. Agora ele finalmente sabe que eu existo. — Comemorei empolgado, enquanto meu amigo me dá um sorriso descrente.
— Você só pode estar de brincadeira com a minha cara Thonny. Tu fez uma tremenda bagunça, meu amigo. Como é que você vai consertar isso agora? — Ele me perguntou curioso.
Como é que eu vou saber? Posso pedir ajuda aos universitários? Tá certo que agora eu e o Alemão somos universitários, mas acho que não temos inteligência para isso ou para nada que seja, o Alemão principalmente!
Eu nunca imaginei conversar com o Piers na minha vida... Quero dizer, eu já imaginei sim, muitas vezes, porém nunca pensei que realmente fosse acontecer. Eu até tentei aquela vez, no último dia de aula, mas eu só passei vergonha.
— Thonny, me dá um abraço, rápido! — Lucas olhou pra mim com um sorriso divertido, sua voz saiu como um sussurro para que apenas eu escutasse.
Assim do nada? Sem nem me pagar um Romeu e Julieta antes?
— O quê? Pra quê? — Perguntei confuso.
Se eu tivesse que descrever o Alemão em poucas palavras, eu diria o melhor amigo e companheiro que eu poderia escolher em toda minha vida, contudo poderia dizer também, um mulherengo que possui um imã no pinto, porque puta que o pariu, ô garoto pra atrair mulheres.
O Lucas possui um metro e noventa e cinco de altura, sendo dez centímetros mais alto que eu, já que eu meço um metro e oitenta e cinco. Ele tem um corpo bonito e músculos bem distribuídos, cabelos loiros e cacheados, parecendo um anjo, embora Lúcifer também fosse um... Também possui um lindo, provocante e divertido sorriso, fora que é bastante atencioso e parceiro com quem ele se importa, ao mesmo tempo que um jogador barato e um conquistador nato. Não é muito difícil de entender o porquê de as garotas todas darem em cima dele o tempo todo.
Como agora.
Antes que eu pudesse concordar com o seu pedido ou ele me responder o motivo do mesmo, o maldito praticamente se joga em cima de mim, fazendo eu me desequilibrar da cadeira e cair deitado no chão com ele deitado sobre mim.
Eu vou matar esse arrombado.
Todo mundo do local está olhando confuso pra gente e eu sinto meu rosto ferver, provavelmente mais vermelho do que meu próprio sangue.
Estava demorando… Eu já estava a quase vinte minutos sem passar vergonha por culpa dele.
— Lucas? — Uma garota aparece ao nosso lado e ele se levanta lentamente, me ajudando em seguida. Mas o problema foi que a gente não se levantou e ficamos apenas sentados no chão.
— Ah... Oi Larissa. — Ele respondeu a garota com um sorriso amarelo.
Agora eu finalmente entendi o que estava acontecendo.
Lucas comentou comigo que estava saindo com uma garota chamada Larissa, embora eu não a tivesse conhecido ainda. Ele também me disse que ela era muito chata e grudenta, fora o fato de estar tentando arrastar ele para um relacionamento sério, coisa que ele não queria e por isso o imbecil a dispensou, mas ao que parece, ela não entendeu o recado, já que o está procurando.
— Olá. E você é... — Ela olhou pra mim confusa e sem graça. Maravilha.
— Esse é o Alex, amor da minha vida. — Lucas responde rapidamente antes que eu me apresentasse, fora o fato de que ele entrelaçou seus dedos aos meus, o que fez tanto meus olhos quanto os da garota ficarem arregalados.
Só pra constar, ainda estamos caídos no chão.
— É o quê? — Ralhei indignado, tentando soltar minha mão, porém ele a segurou com firmeza me impedindo de concluir o ato.
— Como é que é? Que história é essa Lucas? — A tal da Larissa gritou histérica, chamando novamente a atenção de todos no local para a gente. — Que história é essa? Desde quando? Você já estava com ele quando estava saindo comigo? — Ela exigiu a resposta furiosa, fuzilando nós dois com o olhar.
Eu vou torturar esse arrombado até a morte por me fazer pagar esse micão.
— Claro que não. A verdade é que eu estava apaixonado pelo Alex a muito tempo, mas não tinha coragem de me assumir. Então tentei sair com você para ver se conseguia tirar ele da cabeça, mas não deu certo. No final eu resolvi me declarar pra ele e agora estamos saindo. — O Alemão mentiu na maior cara de pau.
Será que ficaria muito estranho se eu começasse a me arrastar para me esconder em baixo da mesa ou saísse correndo como uma gazela do cerrado? Provavelmente sim, mas seria menos constrangedor do que a situação que eu estou passando agora.
— Eu não acredito que isso está acontecendo logo comigo. Como você pôde? Eu te amava. Como teve coragem de me enganar dessa maneira. — Ela começou a chorar descompassada.
Como assim amar, moça? Pelo que ele me disse, vocês saíram por três dias e terminaram dois dias atrás. Não é um pouco cedo pra chamar de amor não?
Não que eu seja um perito nisso, já que eu provavelmente amo o Piers há anos. Quem sou eu pra julgar? Sou Anthonny Alexander, prazer!
— Eu sinto muito, mas eu estou correndo atrás da minha felicidade. Eu não posso mais mentir para o meu próprio coração e esperava que você entendesse isso e ficasse feliz por mim. — O Alemão fingiu uma cara triste respondendo a moça, porém seus olhos se voltaram em minha direção adquirindo uma expressão romântica.
Ele não vai fazer isso né produção? Me diga que ele não vai fazer o que eu estou pensando.
— Alex... Eu te amo com todo o meu coração e ficaria imensamente feliz se você aceitasse namorar comigo. Você aceita? — Lucas pediu com um sorriso meigo, enquanto se ajoelhava na minha frente e segurava minha mão direita com ambas suas mãos.
E vale lembrar que eu ainda estou caído no chão e ele de joelhos na minha frente.
Mano, que vontade de mijar no chão e sair nadando até o oceano Índico. Qual o problema desse corno infeliz? A tal da Larissa está me olhando de uma maneira que se ela fosse o Ciclope do X-Men, eu estaria sendo desintegrado nesse momento. Fora o fato de que todos os presentes na lanchonete estão nos olhando enquanto proferem um “que fofo”.
Lucas apertou minha mão como uma deixa para que eu respondesse. Todos estavam ansiosos com a minha resposta. Esse filho de uma rameira vai ficar me devendo a alma dele depois que essa palhaçada terminar.
Primeiro para entrar no personagem eu tive que me levantar, pois assim a situação ficaria mais decente.
— Eu aceito?! — Eu respondo um pouco sem graça, forçando um sorriso emocionado enquanto todos os presentes no local começam a aplaudir a cena.
— Beija! Beija! Beija! Beija! Beija! Beija! — Todo mundo começou a gritar com empolgação.
Nem fodendo.
Eu não vou dar o meu primeiro beijo no meu melhor amigo apenas para ele dispensar uma garota insistente. Nunca! Meu olhar nesse momento já demonstra para o Alemão que se ele ousar fazer isso, eu o mato aqui e agora e ele entende. Eu sei que ele é hétero, mas também é um retardado mental que provavelmente faria uma coisa dessas.
— Desculpa gente. Ele é tímido. — O maldito ficou em pé e apenas deu um beijo em minha bochecha, sorrindo em seguida.
Todos fizeram um “Ahhhhhhhh” de descontentamento, mas compreenderam e não insistiram, enquanto a Larissa ainda olhava abismada para nós.
— Eu não acredito que você fez isso comigo. Me humilhou dessa maneira na frente de todo mundo. Isso não ficará assim, entendeu? — A moça saiu pisando em passos firmes, sem olhar nos olhos de ninguém.
Não demorou muito para o nosso “público” voltar aos seus afazeres e tanto eu quanto o Lucas deixarmos de ser o centro das atenções. Graças aos deuses.
— Ufa... Ainda bem que deu tudo certo. — O Alemão dá um sorriso aliviado.
Meu amigo se sentou e eu estava prestes a fazer o mesmo, porém primeiro tive que levantar a minha cadeira que havia caído no chão quando ele tentou me abraçar.
— Mano, tu tem demência. E isso não foi uma pergunta. — Eu ralhei frustrado por ter passado por tudo isso.
— Qual é o problema? — Ele perguntou confuso. Esse filho da puta só pode estar de sacanagem com a minha cara.
— Por que é que você disse que gostava de mim e depois me pediu em namoro na frente de toda a lanchonete? Não tinha uma maneira melhor de dispensar a garota? De preferência uma maneira que não me fizesse passar tanta vergonha? — Expliquei com a minha voz banhada em sarcasmo.
— Isso não precisaria ter acontecido se você não tivesse caído no chão. Ela teria passado direto e nem perceberia que eu estava aqui. A culpa foi sua. Era só ter me abraçado. — Ele deu de ombros, sorrindo sem ressentimento algum.
— Foi você quem me derrubou da cadeira seu idiota. — Eu devolvi indignado. — E por que você me chamou de Alex? — Pedi confuso.
— Eu não podia te chamar de Thonny, afinal eu já falei de você pra ela. Então fiz um apelido com o seu segundo nome. — Respondeu indiferente ao assunto.
— Tu tá ligado que agora você me deve a sua alma né? — Cruzei meus braços sem conseguir controlar a expressão emburrada que se formou no meu rosto e o cretino ainda bagunça meu cabelo em resposta.
— A culpa não é minha se eu tenho mel no meu corpo, atraindo todo mundo por conta disso. — Ele dá um sorriso convencido.
Com essa autoestima ele poderia muito bem se candidatar para presidente… Dentre todas as atuais opções, eu votaria no Alemão com certeza! Façam como eu, votem vinte e quatro!
— Cuidado pra não encher o cu de formiga. — Devolvo ainda irritado.
— Isso tudo é inveja. — Ele alega confiante.
— Inveja do quê? — Questiono sem entender seu ponto.
— Embora você seja um gato e muito gostoso, você não é como eu. Um metro e noventa e cinco, cabelos loiros e cacheados, pele branquinha e sedosa toda trabalhada no Monange e corpinho esculpido pessoalmente pelos Deuses. — Ele se gabou.
— Alemão se você não calar a boca nesse momento, juro que você vai ter que trabalhar o seu corpinho no Merthiolate com o tanto de hematoma que eu deixarei em você assim como os médicos terão que esculpir esse corpinho depois de eu quebrar todos os seus ossos, seu abusado. — Ameaço-o com um olhar inquisitivo.
Não sou obrigado a escutar essas merdas a essa hora da tarde.
— Qual é Thonny? Eu já vou te ajudar com o seu macho, não custava você fazer isso por mim. — O puto deu um sorriso sem graça, depois da minha ameaça.
— Sei... — Falo simplesmente, sem ter muito o que argumentar.
— E voltando ao assunto, antes disso tudo ter acontecido. — Ele ajeitou sua postura e mudou sua expressão para uma mais séria. — O que você pensa em fazer para concertar a cagada que você fez? — Seu tom ao mesmo tempo que curioso, estava cauteloso, mas o que eu ia responder? Nem eu sei a resposta.
—Eu não faço ideia Alemão. — Acabo passando minhas mãos no cabelo e os puxando com um pouco de força, sinal claro de nervosismo.
Lucas está certo, por incrível que pareça. Eu fiz uma merda gigantesca arrumando encrenca com o Piers logo na nossa primeira conversa. Eu arruinei o nosso primeiro contato, embora isso tudo tenha acontecido por culpa dele e não minha, mas isso não importa.
Dizem que a primeira impressão sempre é a que fica e eu fiz a cagada colossal de deixar a pior primeira impressão possível. Como eu pude fazer isso? Ser idiota ao ponto de procurar treta com o cara que eu gosto?
Parabéns Thonny, você está de parabéns. E olha você de novo referindo-se a si mesmo na terceira pessoa do singular. Adeus sanidade, se é que algum dia você esteve presente.
— Sabe, eu acho que podemos usar isso a seu favor. Pode ser uma coisa boa no final das contas. — Lucas anui pensativo, enquanto pega o meu suco e toma um considerável gole do mesmo.
— Você não tem dinheiro pra comprar um pra você? — Perguntei indignado.
— Foca no assunto Thonny e deixa de ser mão de vaca. — Ele desconversa.
— Okay... Como isso pode ser uma coisa boa? — Suspirei frustrado, mas admito que eu estava curioso.
— Sejamos sinceros Thonny, embora você seja uma pessoa bonita, inteligente e sexy, ainda mais depois da minha transformação, você é tão meigo quanto coice de girafa. Tão doce quanto limão. Tão delicado quanto uma manada de touros desgovernados. Tão discreto quanto um dinossauro de saia. Tão amoroso quanto uma viúva negra após o coito ou até mesmo um louva-a-deus já que a fêmea nem espera o coito acabar pra matar o macho. Tão...
— Tudo bem, eu já entendi. — Eu reviro os meus olhos.
Olha a petulância desse cavalo. Eu sei que eu já fiz essa pergunta hoje, mas tudo bem repetir… Sinceramente Britto, porque sou amigo do Alemão mesmo?!
— Resumindo, você não tem bolas o suficiente para confessar que gosta do seu loirão com cara de panaca. Você não tem coragem de convidar ele para um encontro. Acho que nem mesmo um “boa noite” sairia da sua boca, mesmo que pra ele e mesmo que saísse, você provavelmente iria gaguejar ou então desmaiaria antes que pudesse dizer. Estou mentindo? — Ele sorriu com escárnio e me encara com provocação.
— Você tem certeza que você é meu amigo? — Indago indignado.
— A questão aqui é que você não teria a capacidade para realizar um diálogo suave e gentil com ele sem cagar no processo, entretanto você conseguiu manter uma discussão firme e não amarelou, pelo menos com base no que você me disse, presumindo que não me escondeu nada. — Concluiu pensativo.
— E o que você quer dizer com isso? — Pergunto me sentindo mais confuso que a Nazaré com fórmulas matemáticas.
— Mesmo que ele não pense em você do jeito que você quer, ele continuará pensando em você se continuar agindo dessa forma. Continue provocando-o. Discuta com ele mais vezes. O amor e o ódio andam lado a lado e uma hora ou outra ele vai se dar conta de que você gosta dele, sem você precisar dizer nada. — Lucas explicou tranquilo, orgulhoso de sua linha de raciocínio.
Ou vai me dar um murro na cara...
— Alemão, quantas vezes você caiu do berço quando era criança? Que raios de ideia é essa? Tu tem probleminha, só pode ser isso. — Eu respondo desacreditado.
— Quando você se casar com o seu loirão com cara de Astolfo, você vai me convidar para ser o seu padrinho. — O idiota disse confiante.
Eu mereço… Acho que cortei carne de Cordeiro na tábua dos dez mandamentos, não é possível.
Como esse imbecil pode dizer isso com tanta tranquilidade? É mais do que óbvio que isso só vai dar mais merda do que já deu, porém não tenho o que responder nesse momento. Mesmo que involuntariamente, eu balanço a minha cabeça de forma negativa discordando das palavras do meu amigo.
Eu não sei se foi uma coisa boa ou ruim, mas o que importa é que eu finalmente conversei com o Piers depois de tantos anos olhando pra ele apenas a distância. Levando em conta o que aconteceu no nosso primeiro contato, definitivamente não foi uma coisa boa.
Da próxima vez que eu o encontrar, talvez eu possa tentar uma nova abordagem, sendo mais calmo e amigável, isto é, desde que ele não seja um idiota de novo. Mas o que eu poderia dizer... Você está bem? Estudando muito? Quem sabe algo parecido, ou até mesmo um pedido de desculpas.
Ughh, não... Melhor não. Eu tenho dignidade e amor próprio. Embora não tenha sido legal da minha parte arrumar briga com ele e ter sido mal-educado, eu apenas agi da mesma maneira que ele. Não irei me desculpar por uma coisa que não partiu de mim. Eu não estou errado. Se ele tivesse sido educado e gentil, eu não teria agido daquela maneira.
— Que horas vai começar o trote do seu curso? — Lucas me perguntou curioso, me despertando de meus devaneios.
— Seis horas. — Respondo indiferente.
— Acho que o de todo mundo é ao mesmo tempo então, já que o meu também. — Ele responde empolgado. — Mal posso acreditar que nós somos universitários. Isso é surreal.
— Eu que o diga. — Concordo sorrindo. — Embora não esteja muito ansioso assim pelo trote. — Continuo.
— Eu fiquei sabendo que o trote será dividido em duas partes. vai reunir todos os cursos. Mandaram até a gente se vestir a caráter para dançar uma música. Já a segunda vai ser separado pelos cursos onde os veteranos vão fazer brincadeiras com a gente. — Comentou empolgado.
— Mal posso esperar… — Suspiro desanimado.
Você já escolheu alguma música para a apresentação? — Indagou com um olhar sugestivo.
— Ainda não. — Dou com os ombros. — Eu não estou muito confiante com isso. — Comento com sinceridade.
— E por que não? Você adora dançar. — Comentou confuso.
— Eu gostar de dançar e eu saber dançar são duas coisas completamente diferentes. E outra, dançar no meu quarto sozinho e dançar na frente de uma caralhada de gente são duas coisas completamente diferentes. — Explico óbvio.
— Se você diz... — Revirou os olhos com desdém. — Eu sei o que eu vou fazer. — Ele falou com empolgação.
— E o que seria? — Peço desconfiado, boa coisa não é e provavelmente eu irei passar vergonha, mesmo que as apresentações sejam individuais.
O Alemão sempre me arrasta para o fundo do poço com ele.
— Eu não vou te dizer ainda, é surpresa. Mas garanto que eu irei deixar todo mundo de queixo caído. — Respondeu com um sorriso animado, mais animado do que o necessário.
Lá vem merda...
— Vindo de você, eu não duvido muito. — Anuo pensativo.
— Seu recalque bate no meu passarinho e volta pra você em forma de prisão de ventre. —
O quê? Isso nem faz sentido... Está certo isso produção?
— Mano, não vou nem me dar ao trabalho de retrucar. — Faço uma careta de desaprovação.
— Enfim, eu vou nessa Thonny, tenho muito o que preparar. Você paga a conta. — O corno se levantou com um sorriso sínico.
— Teu cu. Eu fui pedido em namoro na frente de todo mundo. Você vai pagar a conta. Isso não é jeito de tratar seu recém namorado. — Eu brinco com um sorriso divertido nos lábios.
— Tem razão. Venha que eu vou te levar num motel e transar com você até você precisar de uma cadeira de rodas. — Lucas estende sua mão em minha direção, piscando marotamente. — Embora eu saiba que com a potência que o meu passarinho tem, em menos de cinco minutos o seu Astolfo vai estar pedindo misericórdia. — Continuou em seguida rindo de sua própria piada.
Sinceramente… Quem está pedindo misericórdia neste momento sou eu!
— Ha-ha. Muito engraçado. Você quer aplausos? Eu enfio minhas duas mãos no seu cu e bato palma. — Eu o ameacei sem humor.
— Parece que o jogo não só virou, mas deu um duplo twist carpado não é mesmo? — Ele debocha com um sorriso vitorioso.
— Some da minha frente Alemão, antes que eu de um soco carpado na sua cara. — Eu ralhei sem humor.
— Te vejo mais tarde Thonny. — Se despediu e saiu andando. — Ou melhor dizendo… Amor, eu preciso ir para organizar os preparativos da nossa primeira vez. Não se esqueça de usar aquela cueca que eu te dei de presente e principalmente depilar o Astolfinho. — Ele disse em voz alta para que todos escutassem e começassem a rir.
Eu vou matar um Alemão. Eu to com tanta vergonha que nem xingar ele por causa dessa cena eu consigo.
E o filho da puta não pagou a conta a conta, pra piorar.
Na frase “Caminhando para a morte” o sujeito é o Alemão.
E na frase “Tomando no cu sem fronteiras” o sujeito é… Bem, vocês já sabem!
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