Um Romance Digno De Um Livro
6 Capítulo 5
Notas iniciais
P.O.V Alícia
Acordei, e percebi que dormia no sofá abraçada com Paulo. Me lembrei do meu beijo com ele. Foi tão bom. Sorri e me levantei com cuidado, pra não acordá-lo. Fiz chocolate quente e alguns biscoitos de banana, minha especialidade.
P.O.V Paulo
Acordei e senti um cheirinho de banana. Fui até a cozinha e encontrei Alícia pondo a mesa.
– Ainda bem que acordou. — Ela sorriu. — Os biscoitos iam esfriar.
Me sentei e ela me serviu.
Mordi um biscoito. Passou cinco minutos. Os biscoitos haviam sumido misteriosamente.
– Os biscoitos tavam... Minha Nossa Senhora!
Ri.
– Onde quer almoçar hoje, boneca?
– Boneca? Que brega, Paulo!
Ela riu.
– Só queria ser gentil. As mulheres de hoje em dia...
– Parece que você é das antigas, cara. E eu não estou a fim de sair de casa hoje. Trate de preparar alguma coisa para comer.
– Como?
– Isso o que você ouviu. Agora eu vou assistir Os Guerreiros Wasabi, e não me perturbe.
P.O.V Paulo
Ótimo. Vou bancar o cozinheiro. Quero um avental com os dizeres: "Kiss The Cook". Onde eu fui amarrar meu burro?
Vasculhei os armários, a geladeira e a dispensa. Resultado:
1 — Um sachê de molho de tomate.
2 — Carne moída congelada.
3 — Um cacho de bananas.
Quem é que guarda bananas no armário, velho? (N/A: A Alícia.) (N/P: Não enche.)
Descongelei a carne no microondas e joguei o molho na panela.
Depois, coloquei a carne na panela e misturei. Fiquei olhando o celular enquanto esperava.
45 Minutos Depois
– Que cheiro de queimado é esse, Paulo?
– Como ass... AH MEU DEUS!
Tirei a panela do fogo e coloquei debaixo da pia.
– Ah, cara...
– Tudo bem, tem uma pizza no forno. — Alícia disse.
– ...
– O que foi?
– PORQUÊ NÃO DISSE ANTES?
– Tinha esquecido.
Mesmo com raiva, comi a pizza. Qual é? Tô com fome.
– O que quer fazer agora? — Alícia perguntou.
– Quero que me conte como conheceu o Abelardo.
P.O.V Alícia
– Acho que não é hora pra falar disso.
– Por favor.
– Tá bem.
"Foi há muito tempo. Ele se mudou pro lado da minha casa quando eu tinha oito anos. Brincávamos todo dia.
Quando fiquei com 16, ele ficou com 18, e disse que queria conversar comigo sobre um assunto.
Fui na casa dele, e ele me contou.
– Alícia, eu fiz uma coisa muito grave.
– O que foi? — Perguntei preocupada.
– Eu... Matei uma pessoa.
Naquele momento, fiquei com tanto medo, que corri até a porta.
Mas ela estava trancada.
Abelardo veio até mim e colocou uma faca em meu pescoço.
– Essa não é a pior parte. Eu disse que foi a mando seu.
Queria chorar. Mas me contive.
– E, se você não quiser que eu te entregue, vai ter que fazer o que eu mandar.
Sem escolhas, aceitei.
Eu fui forçada a assaltar casas, a roubar pessoas e fazer várias coisas horríveis. E tudo o que conseguia, tinha que dar pra ele. Isso aconteceu por muito tempo.
Até que recebi uma ligação.
– Alô? — Eu disse.
– Olha, não tenho muito tempo. O que eu tenho pra te dizer é que o Abelardo não falou pra polícia que matou aquela pessoa a mando seu. Ele está te usando.
E desligou.
Aquilo poderia não ser verdade, mas eu tive uma ponta de esperança.
Fui imediatamente a casa dele, e disse que tinha descoberto a armação.
Ele disse que não iam acreditar em mim, pois eu tinha cometido vários crimes, e ele apenas um.
E ele disse que, mesmo que não acreditassem em mim, se eu me atrevesse a falar alguma coisa, eu iria pagar.
Então eu fui até a casa da minha vó, contei tudo a ela, e pedi que guardasse segredo.
Ela concordou, e até então ela vem me ajudando com as despesas do apartamento. Mas ela já está muito idosa, e não sei por quanto tempo ela vai sobreviver".
P.O.V Paulo
Quando Alícia terminou, fiquei sem palavras. Ela estava chorando e eu apenas fiquei ali parado, com os olhos arregalados e a boca aberta, digerindo tudo.
Quando voltei a mim, chorei e abracei Alícia forte, e disse:
– Eu vou te proteger, Alícia. Pra sempre. E vou fazer tudo o que puder pro Abelardo ir preso, e não acontecer nada com você. Vai ficar tudo bem, tá Ali? Ali?
Ela tinha desmaiado.
– ALÍCIA!
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