Notas iniciais
Thanks a todos que comentaram até então.

P.O.V Alícia

Acordei, e percebi que dormia no sofá abraçada com Paulo. Me lembrei do meu beijo com ele. Foi tão bom. Sorri e me levantei com cuidado, pra não acordá-lo. Fiz chocolate quente e alguns biscoitos de banana, minha especialidade.

P.O.V Paulo

Acordei e senti um cheirinho de banana. Fui até a cozinha e encontrei Alícia pondo a mesa.

– Ainda bem que acordou. — Ela sorriu. — Os biscoitos iam esfriar.

Me sentei e ela me serviu.

Mordi um biscoito. Passou cinco minutos. Os biscoitos haviam sumido misteriosamente.

– Os biscoitos tavam... Minha Nossa Senhora!

Ri.

– Onde quer almoçar hoje, boneca?

– Boneca? Que brega, Paulo!

Ela riu.

– Só queria ser gentil. As mulheres de hoje em dia...

– Parece que você é das antigas, cara. E eu não estou a fim de sair de casa hoje. Trate de preparar alguma coisa para comer.

– Como?

– Isso o que você ouviu. Agora eu vou assistir Os Guerreiros Wasabi, e não me perturbe.


P.O.V Paulo

Ótimo. Vou bancar o cozinheiro. Quero um avental com os dizeres: "Kiss The Cook". Onde eu fui amarrar meu burro?

Vasculhei os armários, a geladeira e a dispensa. Resultado:

1 — Um sachê de molho de tomate.

2 — Carne moída congelada.

3 — Um cacho de bananas.

Quem é que guarda bananas no armário, velho? (N/A: A Alícia.) (N/P: Não enche.)

Descongelei a carne no microondas e joguei o molho na panela.

Depois, coloquei a carne na panela e misturei. Fiquei olhando o celular enquanto esperava.

45 Minutos Depois

– Que cheiro de queimado é esse, Paulo?

– Como ass... AH MEU DEUS!

Tirei a panela do fogo e coloquei debaixo da pia.

– Ah, cara...

– Tudo bem, tem uma pizza no forno. — Alícia disse.

– ...

– O que foi?

– PORQUÊ NÃO DISSE ANTES?

– Tinha esquecido.

Mesmo com raiva, comi a pizza. Qual é? Tô com fome.

– O que quer fazer agora? — Alícia perguntou.

– Quero que me conte como conheceu o Abelardo.

P.O.V Alícia

– Acho que não é hora pra falar disso.

– Por favor.

– Tá bem.

"Foi há muito tempo. Ele se mudou pro lado da minha casa quando eu tinha oito anos. Brincávamos todo dia.

Quando fiquei com 16, ele ficou com 18, e disse que queria conversar comigo sobre um assunto.

Fui na casa dele, e ele me contou.

– Alícia, eu fiz uma coisa muito grave.

– O que foi? — Perguntei preocupada.

– Eu... Matei uma pessoa.

Naquele momento, fiquei com tanto medo, que corri até a porta.

Mas ela estava trancada.

Abelardo veio até mim e colocou uma faca em meu pescoço.

– Essa não é a pior parte. Eu disse que foi a mando seu.

Queria chorar. Mas me contive.

– E, se você não quiser que eu te entregue, vai ter que fazer o que eu mandar.

Sem escolhas, aceitei.

Eu fui forçada a assaltar casas, a roubar pessoas e fazer várias coisas horríveis. E tudo o que conseguia, tinha que dar pra ele. Isso aconteceu por muito tempo.

Até que recebi uma ligação.

– Alô? — Eu disse.

– Olha, não tenho muito tempo. O que eu tenho pra te dizer é que o Abelardo não falou pra polícia que matou aquela pessoa a mando seu. Ele está te usando.

E desligou.

Aquilo poderia não ser verdade, mas eu tive uma ponta de esperança.

Fui imediatamente a casa dele, e disse que tinha descoberto a armação.

Ele disse que não iam acreditar em mim, pois eu tinha cometido vários crimes, e ele apenas um.

E ele disse que, mesmo que não acreditassem em mim, se eu me atrevesse a falar alguma coisa, eu iria pagar.

Então eu fui até a casa da minha vó, contei tudo a ela, e pedi que guardasse segredo.

Ela concordou, e até então ela vem me ajudando com as despesas do apartamento. Mas ela já está muito idosa, e não sei por quanto tempo ela vai sobreviver".

P.O.V Paulo

Quando Alícia terminou, fiquei sem palavras. Ela estava chorando e eu apenas fiquei ali parado, com os olhos arregalados e a boca aberta, digerindo tudo.

Quando voltei a mim, chorei e abracei Alícia forte, e disse:

– Eu vou te proteger, Alícia. Pra sempre. E vou fazer tudo o que puder pro Abelardo ir preso, e não acontecer nada com você. Vai ficar tudo bem, tá Ali? Ali?

Ela tinha desmaiado.

– ALÍCIA!