Notas iniciais
Oi o Esse capítulo será narrado pelo Trunks do passado. Não reparem nos possíveis erros de Português. E espero que gostem!
Bjs

Sentimentos

Aquele beijo tinha me deixado sem ação. E eu era um idiota! Não tinha sonhado com aquilo por tanto tempo? Pensei enquanto caminhava para fora do quarto. Ela tinha feito a única coisa que eu estava desejando há muito tempo, mesmo que tentasse esconder isso. E eu... fiz a única coisa que nunca deveria ter feito na minha vida.

- Trunks, você viu a Pan por aí? – perguntou minha mãe quando eu me aproximei, ainda, confuso com tudo que estava acontecendo.

- Ela está trocando de roupa, mãe. – falei, enquanto me distanciava.

- Por acaso aconteceu alguma coisa entre vocês dois? – perguntou-me ela, desconfiada.

- Não, por que, mãe?- falei me sentando no sofá.

- Não sei, estou te achando estranho... – ela falou se sentando do meu lado. – Não quer me dizer alguma coisa?

Não respondi. Não queria dizer nada. Apenas levantei e saí de casa, sem dizer uma palavra. As únicas palavras que ouvi foram as do meu pai falando “Deixe o garoto sozinho”.

Não sei quanto tempo voei por aí, sem destino. Mas sei que estava cansado. Cansado de todo aquele sentimento que guardava dentro de mim. Foi quando senti um ki conhecido e ao mesmo tempo diferente. Pousei onde sentia o ki ficar mais forte e me deparei com uma outra Pan, não aquela que me fazia sentir confuso e indefeso, mas ao mesmo tempo a mesma Pan que eu sabia que um dia continuaria a amar.

- Você está cometendo um grande erro, Trunks. – ela falou assim que me viu. Eu sabia sobre o que ela estava falando, mas não respondi.

Ela me olhou de cima a baixo, como se me avaliasse e se aproximou.

- Você é exatamente como ele... – ela disse sorrindo. – Os mesmos olhos, a mesma determinação... os mesmos sentimentos. – e se afastou. — Mas não deixe que isso a magoe ainda mais.

Eu apertei os meus punhos, e ela apenas sorriu.

- Como foi o nosso futuro, Pan? – perguntei de repente.

Ela me encarou e pegou uma flor no chão. Eu apenas esperei. Queria saber até que ponto o meu eu do futuro tinha chegado, e se um dia, todos aqueles sentimentos teriam alguma paz.

- Uma coisa que eu aprendi quando cheguei aqui... – ela começou a falar, mas parou apertando suas próprias mãos, com aquele mesmo jeito que Pan fazia quando tinha algo muito importante para dizer. – É que o futuro de um tempo pode não ser o mesmo de outro. – ela me encarou.

Eu nada respondia, apenas a fitava, e de vez em quando olhava para o horizonte.

- Quando mostrei minhas fotos para Pan. – disse Pan. – Ela me perguntou por que seu tio Goten e Bra não estavam nas fotos. Foi aí que eu percebi que no meu futuro eles nunca existiriam. – eu a observei por alguns instantes e vi uma lágrima descer do seu rosto. – Você me perguntou sobre o nosso futuro, Trunks... – ela continuou. – Mas o seu futuro desse tempo, pode ser muito diferente do meu e o de Trunks do nosso tempo.

Finalmente compreendi. Provavelmente, era isso que ela viera fazer. Ela viera mudar o nosso futuro. E isso, poderia influenciar também o meu futuro com Pan.

- Mas... – ela completou. Olhei para os seus olhos e senti uma força vinda daquele olhar, sempre tão sombrio e doloroso. – Eu gostaria que algumas coisas não mudassem...

Senti seu ki se distanciar após essa frase. E fiquei pensando no que ela queria dizer com isso. Que coisas ela não queria que mudassem... Seria com relação ao que o meu eu do futuro sentia por ela? Peguei-me voando para qualquer lugar, pensando nessas coisas, quando senti agora o ki da minha Pan, no alto de uma montanha.

Já era noite, e eu nem tinha percebido que estava tão tarde. Pousei alguns metros dela e a vi deitada sobre a grama, o rosto virado para um lado e seus olhos fechados. Estava dormindo profundamente. Talvez de cansaço, pensei, me aproximando. Mas ao ver seu rosto ainda molhado, percebi que talvez não fosse bem cansaço que a tinha feito cair no sono.

Sentei ao seu lado tomando o cuidado de não acordá-la, e a fiquei observando. Ela estava linda, mesmo que seu rosto estivesse, ainda, um pouco machucado. Pan nem parecia ter 15 anos. Por causa dos intensos treinos, sua musculatura se desenvolvera muito mais que em outras meninas de sua idade, e seu rosto, coberto de marcas de luta, demonstrava muito mais maturidade do que sua idade poderia lhe dar.

Concluí que ela crescera. Já não era aquela garotinha que chorava por causa do seu sorvete derrubado no chão. Já não era aquela menina que fugira, uma vez, por se achar inútil para lutar. Agora, ela era outra. Era uma guerreira, uma guerreira linda e forte. Mas, sobretudo, Pan era uma mulher.

Ouvi seu gemido durante o sono, e fiquei atento. Deveria ser de frio. Já estava tirando meu casaco para colocá-lo sobre ela, quando ouvi em um sussurro “Trunks...”. Encarei seu rosto e notei que uma lágrima escorria pelo seu rosto, e uma dor no coração me atingiu.

“Mas... Eu gostaria que algumas coisas não mudassem...”, lembrei as palavras de Pan e, finalmente, entendi. Toquei em seu rosto, secando aquela lágrima traiçoeira, que provavelmente, ela nem sabia que estava fazendo cair. E meu toque, talvez menos delicado do que eu gostaria, a fez dar um gemido e abrir os olhos.

Fiquei congelado ali, na sua frente. Vendo aqueles olhos negros me encarando confusos e silenciosos, mas não me afastei. Eu estava fazendo a única coisa que meu coração mandava naquele momento, e a única coisa que deveria, realmente, ser feita há muito tempo.

- Trunks... – ouvi Pan balbuciar confusa, e dei espaço para que ela se levantasse. Ela se sentou e eu fiquei ao seu lado.

- Você sumiu, vim te procurar. – menti. Não tinha ido procurá-la, tinha ido me procurar. Acabei me achando ao encontrá-la, e essa era a verdade. Mas Pan, talvez não soubesse disso, ainda.

- Hum... – a ouvi dizer. E fiquei quieto. Ela não estava acreditando, ou se estava, deveria estar pensando que eu viria com aquele papo de irmão, ou algo assim. – Trunks... – ela disse, arrancando-me dos meus pensamentos.

- Sim? – perguntei olhando para o céu.

- Desculpa pelo que fiz mais cedo...

Virei meu rosto rapidamente. Ela estava se desculpando pelo quê? Por ter me beijado? Por ter me mostrado o quanto eu estava sendo burro esse tempo todo? Não, ela não tinha que se desculpar. Eu é que deveria pedir perdão por tudo.

Ela não virou o rosto para mim. Apenas ficou fitando o céu e eu fiz o mesmo. Por que não falar o que eu estava sentindo, naquele momento? Por que esperar mais, quando tudo que eu queria era lhe ter nos meus braços? Continuei em silêncio, e no céu vi uma estrela cadente passar em alta velocidade.

- Que bonito! – falei, enquanto admirava a estrela passando e deixando seu rastro de luz.

- Faça um pedido! – ela falou fechando os olhos.

- Um pedido? – perguntei sem entender. – Por quê?

- Não discuta, faça!

- Tá bom! Tá Bom! – respondi fechando os olhos.

“Quero que Pan e eu fiquemos juntos para sempre”, foi o que pensei no mesmo minuto. Eu tinha tanta coisa para pedir. Poderia pedir que a terra ficasse em paz, que os inimigos nunca aparecessem, que eu ficasse forte para proteger a todos... Mas o único pensamento que surgiu na minha mente foi o de ficar com ela, com a pessoa que eu tanto amava. Sorri com esse pensamento. Era realmente o melhor pedido a se fazer.

Depois de um tempo, abri meus olhos e vi que os dela já estavam abertos.

- O que foi que pediu, Pan? – perguntei na minha incrível curiosidade.

Ela corou, olhou para as mãos e começou a apertá-las. Eu adorava ver aquele jeito dela, aquele jeito de quem tem algo muito importante para dizer, mas não sabe como.

- Ora, não posso contar, se não, não vai realizar. – ela falou e eu sorri. Essa menina tinha cada resposta.

- E que história é essa de pedido? – rebati, olhando para o céu. Eu sabia da história de pedidos às estrelas cadentes, mas estranhamente queria saber tudo sobre Pan. Mesmo que eu a conhecesse desde o seu nascimento, naquele momento parecia que existiam tantas coisas novas a seu respeito...

- Minha mãe me contou, uma vez, que quando passa uma estrela cadente, temos o direito de fazer um pedido. Como eu nunca tinha visto, nunca testei. Agora era a minha chance. – ela falou sem tirar os olhos das mãos.

- Entendi. – falei sorrindo, ainda olhando para a imensidão de estrelas. – Sabe, Pan, eu nunca fiz nenhum pedido... – me vi falando seguindo o impulso de dizer tudo que se passava no meu coração. – Nunca vi necessidade disso, acho que pelo meu próprio orgulho. Mas quando você falou para eu fazer um... – olhei-a com atenção e com muito carinho. – veio uma pessoa especial em minha mente.

Pan empalideceu. Senti como se ela fosse chorar novamente, mas nenhuma lágrima saiu de seus olhos. Simplesmente o olhar escureceu ainda mais, e ela ficou em silêncio. Por acaso ela estava pensando que seria outra pessoa, e não ela, a entrar no meu coração? Sorri e me aproximei um pouco mais de seu rosto.

- O que eu quero dizer... é que quando você mandou eu fazer um pedido, eu fiz. – falei carinhosamente com meu sorriso de sempre.

- Que... bom... – a ouvi gaguejar, mesmo tentando manter a voz firme.

Aproximei-me um pouco mais. Não resisti... Olhei para os seus lábios, o contorno deles, o seu rosto, aqueles olhos a ponto de chorar novamente, só por pensar em mim muito mais que um amigo. E não resisti...

- E sabe, Pan... – sussurrei, vendo o estrago que minha proximidade fazia com ela. Eu adorava saber como mexia com ela. – Eu queria muito realizá-lo, agora...

Sua surpresa foi a única coisa que vi, antes de colar meus lábios nos dela. Não demorou muito para aquele corpo desmontar nos meus braços, e eu delirei em resposta. Pan começou a corresponder ao beijo, e eu o aprofundei, explorando completamente a sua boca. Meu único pensamento era o quanto eu estava feliz, o quanto eu a queria, e o quanto aquele momento poderia se tornar eterno para mim. Não falamos muito naquela noite, apenas deixei que meu coração me levasse, quantas vezes fossem necessárias, até ela. Nossos beijos duraram até a madrugada.