Um Príncipe em Minha Vida
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Nicola
Às vezes, pequenas escolhas têm grandes impactos na nossa vida.
Mas não me refiro sobre passar, aceitar e ir estudar física na melhor Universidade da Itália, que fica a quatro horas de distância da minha cidade, porque essa, sem dúvidas, foi a maior decisão que tomei na vida.
Era triste deixar meu pai sozinho, por conta própria em nossa casa, tendo que comer sua comida intragável. No entanto, dessa vez, o meu sonho falou mais alto.
Observei com carinho, já sentindo saudades, o rosto cansado do meu pai enquanto ele dirigia nossa velha caminhonete. Estávamos quase chegando à Universidade, que muito em breve se tornaria minha nova casa.
— Já está sentindo saudades do seu velho? – Meu pai pergunta arqueando as sobrancelhas e virando seu rosto em minha direção.
— Um pouco. – Admito sorrindo. — E levemente preocupada. Você pode me prometer que vai tentar comer algo saudável pelo menos duas vezes na semana?
— Duas vezes? – Ele fingiu pensar. — Acho que consigo me virar com os macarrões instantâneos da despensa.
— Argh... Estou falando sério, pai.
— Não se preocupe, Nic. – Deu uma piscadela para mim. — Seu velho sabe se virar.
E eu desejei com toda força para que isso fosse verdade. Afinal, desde o dia em que nasci, sempre estivemos juntos, cuidando um do outro.
Com o objetivo de tentar me distrair do assunto, meu pai liga o rádio do carro e coloca na estação de notícias internacionais. E de fato isso prende a minha atenção:
Os jornalistas discutiam sobre a atual situação da família real de Illéa, mais especificamente sobre como Ahren Schreave está propagando uma imagem negativa para a família. Nessa madrugada, o príncipe foi flagrado bêbado e envolvido em uma briga com repórteres.
— Humpf, príncipes... – Reviro os olhos. — Não me surpreende nenhum pouco. Se eles tivessem alguma verdadeira ocupação, nada disso aconteceria...
— Não seja tão dura com a realeza. – Respondeu rindo o homem ao meu lado. — Nem todos são assim. Imagino até que possa existir algum que possa agradar alguém difícil como você.
— Isso foi um insulto? – Retruquei bufando com a possibilidade. — E de qualquer forma, acho difícil e impossível algo assim acontecer.
— É apenas uma possibilidade. Mas se você diz com tanta convicção que é impossível, então tudo bem. – Meu pai continuou se divertindo.
Poucos minutos depois, estacionamos em frente ao prédio principal da Universidade da Itália. O lugar era imenso e bastante movimentado. Outros estudantes ali presentes já estavam pegando seus pertences e se despedindo de suas famílias.
— Então é isso, Nic. – Meu pai falou me entregando a minha mochila e mala desgastada. — Você finalmente vai começar a realizar seu grande sonho.
— Sem despedidas tristes. – Pedi, mas meus olhos já estavam marejados.
— Sem despedidas tristes. – Ele confirmou e em seguida me abraçou. — Não se esqueça de me escrever.
— Eu escreverei. – Respondi fungando o nariz. — Amo você, pai!
— Também te amo muito, querida! – Ele depositou um beijo em minha cabeça e se afastou em direção da velha caminhonete. — Vejo você no próximo feriado.
Confirmei com a cabeça e acenei em despedida na sua direção. Por fim, observei o carro e meu pai ficando fora do meu alcance de visão.
Quando finalmente voltei a minha atenção para a entrada da Universidade, um forte pressentimento me atingiu e percebi que a minha vida nunca mais seria a mesma.
...
Ahren
Acordo e estremeço ao sentir todo o peso do mundo cair sobre a minha cabeça. Cada célula do meu corpo reagia com o incômodo gerado pela dor.
O que aconteceu? – Penso enquanto me sento na beirada da cama.
E as memórias da noite anterior aparecem como flashes em minha cabeça. Festa, bebidas e briga com os repórteres.
Droga. — Praguejo ao perceber na grande confusão em que eu havia me metido.
Escuto alguém bater do outro lado da porta do quarto e sem esperar por uma resposta, o indivíduo entra sem fazer nenhuma cerimônia.
Aspen Leger – o segurança, amigo da família e, nas horas vagas, padrinho meu e da Eadlyn – me analisou minuciosamente com uma expressão séria.
— Vista uma roupa. – Ordenou com rigidez. — Seus pais estão aguardando a sua presença no escritório.
— O quão ruim é a minha situação? – Perguntei preocupado com o que viria pela frente.
— Não muito boa.
Suspirei ao ouvir a resposta e coloquei a primeira roupa que encontrei perdida em um dos cantos do quarto.
Já vestido, segui Aspen pelos corredores do castelo até o escritório do meu pai – também conhecido como rei Maxon.
— Boa sorte. – Aspen desejou quando passei pela soleira da porta do cômodo.
— Vou precisar. – Murmurei, sentindo todo o meu corpo tenso.
Encontrei meu pai sentado na cadeira atrás da mesa do escritório e minha mãe estava ao seu lado com uma profunda ruga de preocupação em sua testa.
— Sente-se. – O rei Maxon ordenou ao apontar para as cadeiras vazias em frente da mesa.
Obedeci a sua ordem e, arrependido, eu pedi perdão pelas atitudes cometidas na noite anterior.
— É um pouco tarde para isso, Ahren. – Meu pai empurra na minha direção as manchetes dos jornais em que meu rosto está estampado nas capas. “Príncipe rebelde e problemático” é o título de algumas. — Suas últimas atitudes estão impactando negativamente toda a família. As pessoas estão questionando a minha capacidade e da América de sermos bons pais.
— Vocês são ótimos pais, eu lamento por estarem falando essas coisas. – Respondo com um remorso amargo. — Apenas estava cansado de ser perseguido pelos repórteres e ontem eu acabei agindo sem pensar nas consequências. Existe alguma coisa que eu possa fazer para amenizar a situação?
— A mídia está ansiosa para divulgar qualquer deslize da nossa família, principalmente sobre algum erro cometido por você, Ahren. E isso é altamente prejudicial para a futura coroação da sua irmã. – Minha mãe finalmente se pronunciou na conversa com uma voz carregada de preocupação. — Eu e seu pai estávamos debatendo sobre uma possível solução para evitar a completa destruição da sua imagem e concluímos que o melhor será afastá-lo de Illéa por algum tempo.
— Querem que eu me afaste do país? – Indaguei imaginando esse possível cenário.
— Exatamente. – Meu pai respondeu. — Você será enviado para a Universidade da Itália, conversamos com o diretor e a sua matrícula já foi enviada.
— Universidade? Na Itália? – Engasguei.
— Ninguém saberá a sua verdadeira identidade, você estará disfarçado e Aspen também irá, para mantê-lo em segurança. – A rainha América disse simplesmente.
— Aspen também vai? Eu não preciso de uma babá. – Reclamei.
— Não é o que parece. – Meu pai retrucou apontando para o jornal. — E isso não está mais em discussão, você viajará amanhã.
Resignado, mas ao mesmo tempo consciente de que eu fiz por merecer. Aceitei contrariado o destino que foi selado sem a minha autorização.
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