Notas iniciais
Olá pessoal, me chamo Liandra e hoje vocês conheceram a história de Mariah, uma mulher forte que vive o ápice de sua vida profissional, mas acho que não é bem isso que o seu Senhor quer que ela ande.

"Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória. Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória. "

Efésios 1:11-14

Essa história que venho lhes contar é uma história de amor, fé e vida, tudo nela e sobre ela é obra Dele. Ele tem essa mania de nos surpreender e virar nossa vida do avesso, mas as vezes do avesso é o lado certo.
Bom, vamos começar do início. Conheci Rafael quando tinha 18 anos e ele 20, fazia um curso de gastronomia, para mim um passatempo, para ele uma profissão. No início não tínhamos o objetivo de ir adiante com nossa relação, pois ele queria ficar no trabalho e eu também, nosso foco de vida era apenas o profissional, sabíamos que uma relação poderia atrapalhar isso, mas quando o amor nos atinge não há o que fazer, ele vem de mansinho envolvendo a qualquer um, não importa o quanto a gente se prepare ela sempre nos surpreende, e quando se vê você já esta completamente envolvido cativo por esse sentimento implacável que é o amor, todos sabem disso e se você não sabe, irá saber.

Então, dois anos depois estávamos namorando, tinha começado minha faculdade de medicina veterinária numa cidade vizinha e ele já fazia as longas viagens num cruzeiro ao redor dos mares, no início era um pouco difícil essa relação à distância, ainda mais para mim que sempre precisei dessa coisa de estar próximo, mas nada que uma chamada no Skype e encontros durante as férias não resolvesse. Quatro anos depois, no meu aniversário, na frente de todos nossos amigos e familiares ele me pediu em casamento, na hora tomei um susto, não que eu não o amasse ou não quisesse me casar, mas como já disse nós não tínhamos o objetivo de uma relação mais séria por não querer que isso estragasse nossa vida profissional, mas não tinha como dizer não, amava-o com todas as minhas forças e a resposta foi sim. Nos casamos cerca de dez meses depois, quando ele conseguiu tirar férias do trabalho, o dia mais feliz da minha vida, a lembrança ainda é viva em minha memória, quando trilhei aquele curto caminho na areia da praia até o homem da minha vida, me lembro da expressão que ele fazia, tinha um sorriso nos lábios, mas podia-se ver o nervosismo em seus olhos, lembro como estava lindo naquela camisa com os dois primeiros botões abertos e calças caqui, seu cabelo penteado de lado e os seus pés no chão, lembro como me emocionei quando ele fez seus votos, como senti a certeza que era com ele que eu queria passar o resto da minha vida ao dizer sim, foi tudo perfeito em cada detalhe e olha que não foi nada muito luxuoso, uma cerimônia simples como nossos gostos, mas cheio de carinho e amor, o que nós precisávamos e ansiávamos.

A lua de mel foi em Londres, nosso lugar preferido no mundo, visitamos o Big Ben, andamos pelas ruas que antes autores incríveis andaram por elas, como Agatha Christie, o único Shakespeare, e além dos personagens famosos como Sherlock Holmes e muitos outros, andando nos ônibus de dois andares, na famosa roda gigante London Eye, pelas pontes, parques e museus por toda parte nos divertindo, mas a melhor parte não foi nada do que vimos lá, nenhum grande atração, mas o tempo que passamos juntos, finalmente juntos todos os dias durante meio ano aproveitando a companhia um do outro, e essa foi a última vez que pudemos desfrutar dá companhia um do outro durante tanto tempo. Depois voltamos a realidade e estamos assim até os dias atuais.

Terminei a faculdade, comecei a trabalhar e cerca de oito anos depois consegui abrir minha própria ONG, o sonho que anelo desde muito pequena e por causa dela tenho que viajar para vários lugares ao redor do mundo, o que tornou nossos encontros muito mais difíceis. Sim, temos uma casa só nossa e nos encontramos nos intervalos do trabalho, mas nunca chegamos a morar juntos por causa das viagens. Porém nada disso nunca esfriou o amor que sentimos um pelo outro, acho que tornou a relação ainda mais quente e romântica, com surpresas, presentes, jantares a luz de vela, nesse caso a saudade não é tão ruim. E é assim que vivemos a quase dez anos.

Acordo com o tilintar do despertador, estico o braço para fora de cama e bato nele o desligando, me espreguiço sentindo o cheiro e o barulho agradável da floresta ao meu redor. Estou na Ilha de Sumatra, uma ilha pertencente a Indonésia, um lugar incrível, lindo como seu povo e seus costumes excêntricos. Vim para cá junto com minha equipe com o intuito de fazer uma pesquisa sobre a vida dos animais que correm risco de extinção aqui na região, entre eles o Elefante de Sumatra e o Orangotango de Sumatra, animais que infelizmente estão perdendo seus habitats pelo desmatamento ou pelos caçadores que usam sua pele, chifres e atrativos para suprir os desejos egoístas dos homens.

Levanto-me e caminho pelo curto espaço do meu quarto de cerca de 10 metros quadrados até um banheiro improvisado, lavo meu rosto com certa lentidão tentando afastar a moleza que toma conta do meu corpo devido as poucas horas de sono. No dia anterior fomos fazer pesquisas noturnas, as duas espécies que estamos pesquisando não tem hábitos noturnos, mas os outros animais, inclusive seus predadores e caçadores podiam ter, horas e horas sentados observando os animais dormirem serenamente enquanto não podíamos nem descansar os olhos por meia hora. Permanecemos acordados até praticamente a manhã seguinte observando o sol nascer lentamente ao leste, preguiçosamente tomar seu lugar de direito, clara a brilhar.

Entro no refeitório seguida por Camila, minha estagiária e afilhada, filha de minha melhor amiga, ruiva e de sardas aparentes Camila era ativa e falante, não parava nem por um segundo. Sempre foi como uma filha para mim, adorava sua companhia, mas as vezes o falatório todo irritava um pouco, deve ser por isso que os pais a mandaram para tão longe, mas até que eu estava me acostumando ao seu jeito hiperativo, é bom ter uma companhia jovem para alegrar o ambiente.

—Ah...os animais são seres tão lindos, não? Foi tão espetacular o parto daquela elefanta-Diz sonhadora enquanto começo a servir meu café da manhã.-Essa é a melhor profissão que poderíamos ter escolhido, né?

—Com certeza.-Digo ainda focada em pegar os dois últimos pedaços de torrada.-Já ligou para sua mãe hoje?-Consigo depois de uma pequena luta com Geoffrey, um senhor carrancudo, mas extremamente solidário que cedeu pelo seu charmoso cavalheirismo.-Obrigada Geoffrey.-Sorrio para ele que retribui com uma carranca fingida e tomamos o rumo de nossas mesas.

—Liguei não, ela me ligou. Está mais aflita do que eu por estar aqui.-Fala revirando os olhos e apoiando seu prato na mesa.

—Ela está preocupada com você. Não é todo dia que sua filha vai para o outro lado do planeta.

—Mesmo assim, não precisa ficar tão ansiosa. Ela me acordou tia, depois que a gente ficou até bem tarde vendo o espetáculo do sol, eu estava cansada e ela me acordou, não consegui dormir mais.

—Então fica aqui hoje e vai dormir.-Digo rindo de sua revolta.

—O que? Não! Eu quero ir, não quero perder nenhum detalhe.-Rio novamente da minha pequena e agitada afilhada e volto a atenção para meu prato que não me parecia tão atraente agora, faz algum tempo em que sinto enjoos​ anormais, surgem do nada e vão embora da mesma forma, talvez seja as viagens ou algo desse estilo, é com certeza deve ser algo assim.

—Olha lá quem está aqui nossa Lara Croft. -Sou retirada de meu desatino quando escuto a voz rouca de Barney e o apelido carinhoso que ele me deu, sempre diz que me pareço muito com a tal personagem dos filmes interpretado por Angelina Jolie, por mais que eu não ache nenhum pouco.

—Olá.-Sorrio para o homem de meia idade brincalhão e sorridente. Barney era a alegria da turma, sempre fazendo com que até a pessoa mais séria chorasse de rir, sua missão de vida era trazer a felicidade para o ambiente que se encontra.-Como vai hoje?

—Melhor agora que estou vendo essa bela mulher a minha frente.-Diz retirando o chapéu bege surrado e se curvando num gesto cortês que me faz soltar mais uma risada alta, então ele me surpreende ao estender uma pequena rosa.-Uma flor para uma flor.

—Oh Barney...-Sorrio e pego a linda rosa vermelha a admirando por um instante.-Obrigada.

—Sabe que ela é casada, né? E tenho certeza que meu dindo não vai gostar disso. -Cami diz em tom de repreensão a atitude de Barney que olha para ela com seus olhos astutos e diz.

—Seu "dindo" não pode reclamar de nada, ele que trocou essa deusa por cozinheiros gordos e sujos de massa.-Camilla revira os olhos nitidamente irritada com Barney que se senta ao meu lado e então Sue aparece com suas longas tranças já pronta para o trabalho.

—Bom dia senhoritas e Barney, pare de irritar a menina.-Diz com um tom de repreensão mais ameno para o senhor que anui cordialmente.

—Obrigada Sue.-Agradeço a mulher afável a minha frente. Sue tinha alguns vários anos a mais que Barney, mas nem aparentava sua idade. Era nossa líder de campo, guiando sempre todos estudos de maneira fácil e flexível, mesmo com seu jeito delicado era uma mulher forte e uma líder nata, todos a adoravam o que tornava mais fácil de seguir suas ordens.

—De nada querida.-Sorri mostrando sua fileira de dentes branquinhos e volta a postura séria.-Prontos para nossa próxima aventura?

—Sim chefe! -Dizemos em uníssono e seguimos todos para fora do refeitório.

No momento que estou saindo meu celular começa a tocar e eu pego observando ser Rafael, já estava demorando me ligar.

—Sue, posso...

—Vá e não demore.-Diz antes que eu conclua a pergunta, então atendo o celular e me afasto um pouco deles.

—Alô?

—Oi querida.-Escuto sua voz do outro lado da linha e meu coração se aquece por inteiro.

—Oi amor, tudo bem aí?

—Estaria melhor se você estivesse aqui comigo. -Sorrio sendo tomada por uma saudade enorme do meu magrinho.

—Também sinto sua falta.

—Muita?

—Muita, muita. Tanta saudade que eu seria capaz de pegar o primeiro avião para onde quer que você esteja.-Digo e o escuto rir do outro lado da linha.

—Loucuras de amor? Eu aprovo.-Dessa vez sou eu quem ri.

—Dinda! -Camilla me chama.

—Camilla?-Questiona.

—Sim, infelizmente eu tenho que ir.-Anuncio realmente triste em ter que desligar.

—Mas já?

—É que estamos saindo agora para os estudos de hoje.

—Tudo bem.-Posso sentir a decepção em sua voz.-Vê se toma cuidado lá, quero minha mulher inteira quando voltar para casa.

—Tudo bem, eu vou me cuidar e te peço o mesmo.

—Não se preocupe com isso vou estar todinho para você novamente daqui a dois meses.-Diz e eu sorrio ansiosa para revê-lo.

—Dinda! -Camilla chama novamente e eu solto um gemido de frustração.

—Vai lá vai. Eu te amo.

—Eu também te amo.-Digo e finalmente finalizo a ligação voltando para perto do meu pequeno bando.-Vamos.-Resmungo tomada por uma irritação repentina, talvez seja pela frustração de não poder falar direito com meu marido por causa de nossos trabalhos, ou porque faz cerca de dois meses que não nos vemos e a saudade começou a apertar. Bom, só queria ter mais tempo com ele, só alguns minutos a mais por dia, pois o pior de tudo é que nos ultimos tempos não dava para a gente se comunicar todos os dias, e quando conseguia nem dois minutos de conversa conseguíamos ter direito, isso é extremamente chato, sempre havia algum impedimento.

Algum tempo depois estamos na caminhonete rumo a floresta, habitat dos orangotangos, hoje é dia de observar seus hábitos alimentares. Nosso guia é quem dirige, enquanto Sue nos dá as coordenadas.

—Vamos observar o machos hoje, que são seres solitários como sabem.

—Ah! Que ótimo. Será que vamos conseguir nos aproximar?-Camilla diz alvoroçada.

—Talvez, mas temos que tomar cuidado mocinha, um orangotango pode te quebrar em duas assim.-Fala Barney e estrala os dedos.

—Eu sei... Chato.-Resmunga e revira os olhos como uma criança.

—Isso mesmo Barney, cuidado sempre pessoal, não queremos nenhuma morte, nunca esqueçam que estamos lidando com animais selvagens, suas atitudes nunca são previsíveis.

Limpo o suor de minha testa, hoje está mais quente que o normal e isso está acabando comigo, junto com a caminhada que estamos fazendo a mais de uma hora para entrar a fundo na floresta em busca de um orangotango macho, até agora nem sinal dele. Respiro fundo tentando fazer minha respiração entre cortada voltar ao normal, estou mais cansada do que de costume, isso não é bom.

—Podemos parar um segundo?-Digo e logo me sento perto de uma árvore qualquer, os demais se aproximam de mim.

—Obrigada, também estou cansada.-Camilla diz se jogando a poucos centímetros​ de mim e pegando sua garrafa de água.

—Ah vamos lá Lara, se fazer corpo mole não vamos encontrar nosso primata em extinção.-Barney provoca, mas não tenho forças para responder, apenas fecho meus olhos e me concentro em minha respiração, meu coração está a pular no peito com uma bravura que chega a doer, não me sinto nada bem.

—Mari?-Sue me chama e eu abro os olhos tentando me concentrar, mas ela está meio borrada.-Está me ouvindo?-Ela diz e eu consigo assentir, então pega um pouco de água e joga em meu rosto, fazendo com que eu fique mais lucida, mas não adianta muito, a fraqueza em meu corpo está imensa.-O que sente querida?

—Estou tão cansada.-Digo com dificuldade e fecho meus olhos novamente, eles estão pesados.-Acho que minha pressão caiu...

—Temos que tirar ela daqui.-Escuto Sue dizer e depois mais nada.

Abro meus olhos lentamente e é necessário alguns segundos para eles tomarem foco, estou num lugar rústico, já estive em um ambiente assim, mas não consigo lembrar onde, é difícil pensar quando me sinto ainda desnorteada, o teto é cheio de folhas de palmeiras acredito eu e galhos, consigo virar minha cabeça para o lado e encontro Camilla a dormir numa cadeira improvisada. Nesse instante uma senhora por volta dos seus 90 e tantos anos entra no lugar e vem até mim, tira um folha gosmenta que estava em minha testa e me dá algo, acredito que seja chá, dentro de uma casca de coco, empurro sua mão em recusa, então diz algo que eu não consigo compreender e literalmente me obrigada a beber o líquido quente. Camila finalmente vem para o nosso lado e tenta perguntar para a mulher o que era aquilo, mas não adianta muito já que nenhuma das duas entendem a língua uma da outra, então sai e volta alguns segundos depois com Sue e nosso guia.

—O que aconteceu?-Questiono tentando me sentar, mas desisto no meio do caminho, minha cabeça ainda dói, a mulher idosa faz não com seu dedo fino e enrugado.

—Você desmaiou Mari, passou horas desacordada.-Sue diz e eu a encaro sem entender.

—Por que? Eu estava muito bem, de repente senti esse mal estar.

—Deve ser cansaço.-Sue conclui e eu concordo.

—É, deve ser isso. Andamos muito esses dias.-Digo e a senhora começa a falar algo que não sou capaz de compreender.

—Pode traduzir para nós Pejan?-Sue pergunta para nosso guia e ele assenti.

—Ela estava dizendo que uma mulher nas condições dela não deveria estar fazendo esforço como Mariah estava fazendo.

—Nas minhas condições?-Questiono confusa.

—Sim.-Ele olha para ela e diz algo na língua deles, a senhora balança a cabeça positivamente e vem até mim, segura minhas mãos e me olha por um instante, então sorri e fala, olho para Pejan que começa a traduzir o que diz.-Ela está dizendo que dos altos veio um presente para você. Que Ele sente muito a sua falta. Ele te quer de volta, pois você já andou muito tempo distante dos caminhos que tinha planejado para você.-Ela coloca a mão em minha barriga e alisa de leve.-Essa benção que carrega no ventre vai parecer ser uma desgraça, você vai sofrer por causa dela, mas não precisa se preocupar, você sempre foi uma mulher forte e Ele sabe disso, por isso que está te dando essa luta, porque Ele só dá batalhas difíceis para os seus melhores soldados.-Sua mão sai do meu ventre e vem até meu rosto, ela alisa de leve enquanto a encaro assustada com o que diz.-Vai ficar tudo bem, Ele vai estar com você mesmo que você não possa ver.-Termina, diz algo para Pejan e sai de lá.

Então olho para Sue que me observa com os olhos cheios de lágrimas, ela balança a cabeça lentamente. É exatamente o que eu estava imaginando, o que eu passei anos evitando aconteceu, eu estava grávida.

Notas finais
Espero que tenham gostado da leitura e de como a estória, continuem acompanhando para ver como irá se desenrolar. Se divirtam, comentem e amem comigo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.