Notas iniciais
ÚLTIMO CAPÍTULO!

“Acabei de ouvir as notícias de hoje

Parece que a minha vida vai mudar

Fechei os meus olhos, comecei a rezar

Lágrimas de felicidade caíram logo pelo meu rosto.”

(Creed – With Arms Wide Open)

~*~


Pov. Príncipe Aron.
Alguns meses depois...

— Estou tão feliz por estar aqui comigo.

— Hoje é um dia muito importante, eu não poderia estar em outro lugar. – papai olhou para mim com aquele olhar que eu costumava sentir tanta falta.

— Você foi privilegiado com uma Graça pouco concedida. – diz o Anjo Uriel ao meu lado com sua voz suave como um cântico. Ele repetia a mesma coisa para mim desde que recebemos a notícia. Ele estava muito impressionado. E não era pra tanto. Eu tinha pouco tempo aqui e tal bênção era concedida aos espíritos mais evoluídos de conhecimento. – Isso vale muito em conhecimento. – prossegue ele então vira-se para me encarar. – Seu espirito evoluiu muito com o estágio aqui no Paraíso e suas ações trouxeram a essa decisão.

— Sou muito grato diante de tudo isso. – falo realmente agradecido. Jamais pensei que algo assim fosse possível.

— Claro que deve estar – diz o Anjo Uriel, amável. –, isso é uma dádiva.

— Aron, meu filho, eu não consigo pensar em mais ninguém que mereça tanto quanto você. Apenas faça valer a pena a grande oportunidade que estão concedendo-lhe. – diz meu pai. Suas palavras penetram meu coração e eu o sinto encher-se de ternura. Ele estava evoluindo a cada dia. Quando tudo aconteceu, quando meu pai veio ao meu encontro após sua morte, achei que estivesse no mundo dos sonhos. Às coisas tinham se complicado e a alma dele pôde enfim encontrar paz mesmo em circunstâncias tão difíceis. Até mesmo eu, que já não tinha permissão para observar a vida de minha família, fiquei chocado e apavorado com todas as revelações. Aqui, onde minha alma descansa, há muita luz. Há muita bondade. Muito amor. Eu havia me desapegado há muito tempo do que eu deixei para trás após minha morte, mas uma parte de mim estaria sempre ligada à minha família. Estaria sempre desejando voltar a viver ao lado deles.

Busquei minha paz interior ao passar para este plano quando tudo o que eu queria era voltar. Aprendi a conviver com minha condição espiritual. Mas não hesitei em aceitar a proposta de meu Superior. Até mesmo meu Anjo Protetor aqui no céu surpreendeu-se. Um Anjo! Quem poderia imaginar que eu tinha um Anjo da Guarda mesmo depois de morrer? Mas eu tinha. E está aqui do meu lado, como sempre esteve.

Observamos a cena que se desenrolava a nossa frente com um misto de perplexidade. Eu que nunca havia visto nada parecido antes, sentia gotículas de suor escorrendo pelas minhas têmporas e uma miríade de sensações tomarem conta do meu corpo.

O grito dela me fez arregalar os olhos. Ela parece sofrer ao empurrá-lo para o mundo. Ali estava a minha chance de renascer.

Anastásia dava a luz ao primogênito de meu irmão, o Rei Christian Grey.

(...)

Pov. Rei Christian Grey

Eu ouvia os gritos dela no andar de cima, apavorado. Andava de um lado para o outro como um animal enjaulado sem saber o que fazer. Não podia subir. Queria estar ao lado dela nesse momento, segurando sua mão, sussurrando palavras de carinho. Mas eu não podia. Mas que droga! Eu sou o rei! Devia estar ao lado de minha esposa, minha rainha...

É em situações como essa que descobrimos que nossa posição, por mais importante que seja, não nos dar controle sobre tudo. Sobre a vida. Meus consolos não iriam diminuir a dor que minha esposa sentia no momento. Não diminuiriam o medo, a angústia e a ansiedade que cresciam dentro de mim.

Anastásia grita novamente. O grito rasgou o ar e chegou até meu coração. Fecho os olhos com força, passo as mãos pelos cabelos nervosamente e esfrego o rosto tentando me conter. Os meus nervos estão à flor da pele e é preciso uma força sobrenatural para não sair correndo em disparada até o quarto. Meu filho estava prestes a vir ao mundo trazendo dor e sofrimento à sua mãe.

Meu filho... quanto tempo esperei para vê-lo chegar! Eu lembro-me perfeitamente quando tudo aconteceu. Cada detalhe daquele dia e dos dias que seguiram até chegarmos aqui. Às vezes me pego reprisando aquele tenebroso dia inúmeras vezes até me dar conta de que estava sendo assombrado pelos demônios do passado. Já estava acostumado a este tipo de coisa, mas quando isso era com a minha esposa, que também sofria com tudo o que aconteceu, partia-me o coração. Deixava-me louco. Quando se ama alguém, não suporta vê-la sofrer.

Tínhamos acabado de voltar para o Reino quando Anastásia desmaiou em meus braços após matar Jack. Elliot havia nos encontrado junto com os soldados. Nosso pai estava morto. Doía olhar para ele. Choramos juntos em um sofrimento que ninguém podia imaginar. O corpo de meu pai sem vida iria assombrar-me para sempre. Até hoje lembro perfeitamente de tudo o que aconteceu naquele terrível dia onde as máscaras haviam caído, segredos foram revelados, destruição e morte acompanharam essa trajetória. Lembro-me perfeitamente de como sua vida foi tirada. E como estava com as mãos atadas, literalmente.

— O que vai ser de nossa mãe? Tenho medo do que pode acontecer a ela quando descobrir. – lamentou-se meu irmão aos prantos. Sua aparência era o reflexo da minha. Um homem em um sofrimento sem controle. Nosso amado e querido pai tinha virado uma casca vazia. Para sempre.

Eu estava apático. Um conflito interno que paralisou os filtros do meu cérebro. Congelou-me. Eu não conseguia dizer nada. A minha visão turva por causa das lágrimas só conseguiam enxergar uma única coisa: Anastásia. A minha amada. Minha esposa querida desmaiada em meus braços em choque. Ela tinha matado alguém! Tinha matado o meu irmão, assassino de Aron e de meu pai. O corpo de Jack jazia ali, sem vida, e eu não conseguia sentir nada que não fosse... nada. Nem do meu ódio ele era digno de ter. Os olhos dele olhavam para algum lugar. E estava congelado em maldade. Eu presenciei quando Anastásia enfiou a espada no coração dele. Vi sua feição mudar drasticamente até congelar. Ele não esperava por isso. Eu não esperava por isso. Ana também não.

O que pensar de tudo isso? O que esperar diante de tudo isso? Tudo o que eu queria era continuar segurando minha esposa. Eu só queria confortá-la e esperava que ela fizesse o mesmo por mim, à presença dela sempre acalmava meu interior, mas naquele dia as coisas estavam complicadas demais e longe de serem acalmadas.

Voltar ao castelo e ver o que àquele homem foi capaz de fazer com a cidade que eu tanto amava foi ainda pior. Os mortos nos campos de batalhas que lutei não se comparavam àquela devastação que o Reino Grey tinha se transformado. Os grandes monumentos da cidade reduzidos a pó, casas e pessoas destruídas. À noite, àquela noite, tinha se transformado em um pesadelo que mesmo após o fim do inimigo, não acabou por completo. As cicatrizes deixadas naquele dia eram profundas demais. Não estavam na pele, estavam na alma.

O mundo que eu conhecia era uma nuvem de fumaça. Chamas queimavam àquilo que por tantos anos ouvi meus pais contarem para meus irmãos e eu. Homens bons, mulheres e crianças, famílias no meio de uma guerra, perderam suas vidas, outras a dignidade. Constatar isso era como se eu perdesse parte da minha dignidade também. E eu perdi. Não fui capaz de proteger àquelas pessoas, não fui capaz de proteger meu próprio pai e, muito menos, impedir minha esposa de passar a vida inteira se culpando por ter matado alguém. Por mais que isso tivesse outro significado. Eu já havia matado inúmeros homens e mulheres, cruéis demais ao ponto de sentir pena e dar-lhes misericórdia, mas uma vida é uma vida independente de quem seja. Eu tirei algo que só Deus poderia tirar porque pertencia a Ele. E guerreiros como eu se acostumam com o tempo. Aprendem a colocar as emoções de lado por um bem maior. Pessoas como Anastásia, ficam aterrorizadas e demoram a se recuperar.

Mais um grito de Anastásia sobressalta-me, tirando-me das lembranças. Meu coração perde uma batida. Os gritos dela parecem lâminas cortando minha pele.

— Mas que droga! – tento correr para ela, mas Elliot impede-me. Tento soltar-me de seu aperto firme. – Deixe-me ir, Elliot! Anastásia precisa de mim! – o desespero é evidente no meu tom de voz.

— Você têm de ficar aqui, irmão. – ele segura meus ombros e olha-me firme. Do mesmo jeito quando sua filha nasceu, Ava Sophie, ele faz o mesmo comigo. Minha sobrinha é o serzinho mais lindo que já vi. Parece um anjo loiro de olhos verdes. Iluminada como o Sol ao amanhecer. Nunca vi meu irmão chorar tanto quando ela nasceu. Perplexo com tamanha beleza. Tristeza quando percebeu que nosso pai não estaria aqui para partilhar da alegria. Eu estava vivendo a mesma situação. Meu filho não conheceria o avô. Meu pai não conheceria meu filho ou filha.

— Ana é uma mulher forte, Christian, seja forte por ela. – aconselha-me meu sogro.

Relutante, assinto e volto a andar de um lado para o outro sem outra opção. Todos os homens estão na sala e posso sentir os olhares de cara um sob mim. Sabiam de minhas aflições ante a gravidez e todo o trabalho que estávamos tendo para reconstruir nosso Reino durante esses meses. Estávamos progredindo a cada dia. Buscando cumprir uma promessa.

Os meus pensamentos estão a mil por hora. O coração disparado e um crescente vazio no estômago. Estava com medo. Medo de perdê-los.

A gravidez de Anastásia trouxe riscos a sua saúde.

Quando voltei para a cidade, entorpecido com tudo o que tinha acontecido, fui direto para o palácio. Lá também estava um caos, percebi que as pessoas paravam para nos olhar, o corpo de meu pai carregado pelos soldados, deixou-as chocada. Um silêncio sepulcral seguiu por um longo tempo.

— O Rei Carrick está morto! – alguém gritou. Algumas choraram. E outras simplesmente não souberam o que dizer. A chuva fina tinha parado, o tempo úmido trazia consigo um frio de congelar os ossos e a alma, os raios e trovões do céu, persistiam.

Ao chegar ao meu lar, não consegui absorver todo o cenário que se estendia diante de meus olhos, senti que alguém chegou perto de mim e tentou tirar Ana de meus braços. Institivamente, apertei meus braços ao redor numa mensagem clara.

Ela era tudo o que eu tinha.

Nas minhas lembranças, essa parte é um borrão. Não conseguia lembrar-me de muita coisa. Vejo o rosto choroso de Elliot pedindo-me para entregar Ana ao médico. Pedindo-me para reagir. E eu reagi quando a dor se arrastou de forma violenta por meu corpo quando deixei de sentir o calor de Ana, quando vi o corpo de meu pai ensanguentado, sem vida, numa cama. A verdade caindo sob meus olhos. Pensei em minha amada mãe. O que seria dela, meu Deus? A fera dentro de mim rugiu. E pela segunda vez naquele dia, quebrei tudo o que vi pela frente.

— É tudo culpa minha! Eu não consegui fazer nada para impedir! – ajoelhei-me chorando. Elliot juntou-se a mim. Tão desolado quanto eu. Primeiro nosso irmão e agora nosso pai.

— Você não podia fazer nada. Eu também não consegui chegar a tempo... talvez... talvez se eu pudesse ter... chegado... nada disso... nada... ele... – ele engasga com o choro. Não digo nada. A verdade é que cada um de nós iria se sentir culpado de qualquer forma.

— O que vamos fazer? – murmurei depois de um tempo em silêncio. O que seria de nós sem meu pai? O que seria de mim se Ana não reagisse? O que seria de todos nós, afinal? Jack e Francesca Konstatinova arruinou o alicerce que nos mantinha.

— Eu não sei como consertar isso, irmão. – começou Elliot, sua voz surpreendentemente firme. – Eu nem ao menos sei por onde começar, o que pensar de tudo isso que aconteceu. Tenho uma pequena esperança dentro de mim de que tudo isso não passou de um pesadelo. Que acordarei a qualquer instante e encontrarei minha esposa deitada ao meu lado, dormindo lindamente. E poderei acariciar sua barriga e sentir meu filho chutar... Mas sei que o que vivo agora é real. Real demais. Não tem como fugir. – ele fez uma pausa e eu refleti sobre o que disse. – Mas nós não somos os únicos envolvidos nesse pesadelo, Christian. Há pessoas lá fora que precisam de nós. Nossa família. Nossa mãe. Essas pessoas precisam de esperança e nós somos as únicas pessoas que elas têm.

— Como poderemos dar esperanças a elas se nós não temos nenhuma?

— Temos, sim. – disse ele, olhando pela grande janela de vidro, a escuridão envolvendo-nos como uma nuvem. Podíamos ouvir os murmúrios lá fora. – Temos a promessa de um amanhã. – ele fez uma pausa e seus olhos verdes fitaram-me com uma determinação que eu jamais vi. Fiquei feliz e agradecido por ter Elliot comigo. – Vamos reconstruir nosso reino. Juntos vamos reerguer nossa casa.

E isso foi uma promessa.

Depois daquela conversa, fui ver minha Anastásia. Algo dentro de mim dizia que eu devia estar ao lado dela. A agitação dentro do quarto me fez crer que havia algo de muito errado. Então a noticia de que ela carregava no ventre o nosso filho chegou em meus ouvidos num volume tão alto que eles estalaram. Mal tive tempo para refletir sobre isso e ficar feliz. Ela estava sofrendo um aborto. Não tinha percebido em momento algum o sangramento em sua pélvis, manchando seu vestido. Meu sangue gelou.

— Ela sofreu emoções muito fortes. – dizia o Dr. Flynn que naquela noite envelhecera uns vinte anos. Sua aparência cansada e desgastada. – Encontrei hematomas e inchaços pelo corpo dela, provavelmente fruto de algum tombo. É importante que nos primeiros meses de gravidez a gestante fique em repouso, pois são os primeiros meses decisivos. Estou fazendo o que posso, Christian, mas receio que ela perca seu filho.

O mundo pareceu girar numa velocidade anormal. Senti um grande vazio, um oco na boca do estomago que tive que me segurar para não cair. Mal soube da noticia que teria um filho que tanto quis e corria o risco de perdê-lo. Felicidade e agonia se mesclavam. E foi impossível manter-me no controle novamente.

Nada parecia parar de trazer sofrimento, pois no segundo seguinte minha mãe apareceu. Pela sua expressão e seus olhos vermelhos, desconfiei que já soubesse sobre meu pai. Foi doloroso demais ver minha mãe desabar. A ausência de meu pai trouxe a ela um vazio depressivo. Achei que perderia ela também naquela noite, na verdade, achei que estava perdendo tudo aquela noite. Sufocado por meu próprio sofrimento, eu simplesmente havia caído de joelhos no chão e rezado.

— Você vai afundar o chão, Christian! – reclama Elliot tirando-me, mais uma vez, das minhas lembranças tortuosas. Elliot parecia não entender meu estado.

Passo as mãos pelos cabelos, nervosamente.

— O que quer que eu faça? Elas estão há mais de uma hora lá em cima! Não aguento mais ficar sem notícias! – E não iria mesmo! Virei-me para subir até o quarto disposto a tirar qualquer um do meu caminho quando vi Hannah descendo as escadas, a visão dela fez meu coração falhar, minha boca e os olhos escancararem em horror. Seu vestido estava coberto de sangue! Eu sabia que isso era normal, mas olhar para aquilo parecia surreal demais pra mim. Aterrorizante demais. O sangue da minha esposa. Não consegui dizer nada, meu sogro tomou a palavra, tão aflito quanto eu.

— Como está minha filha? – Hannah hesitou e isso me deixou doente. Tinha medo de ouvir sua resposta.

— Querida? – José, que se tornará marido de Hannah meses atrás, também estava reunido na sala e chamou sua atenção quando a mesma nada disse.

— Ela está perdendo muito sangue... O bebê...

— Fale de uma vez, mulher! – brando com a voz esganiçada sem aguentar mais tanto suspense. – Como está minha família?! – ela engoliu em seco, uma lágrima escorreu de seus olhos.

— Só um milagre pode salvá-los.

Desabei diante das palavras dela.

(...)

Pov. Príncipe Aron.

Sinto meu corpo todo tremer. Ela não vai conseguir!

— Precisamos fazer alguma coisa! – peço em agonia. Não consigo vê-la sofrer desse jeito e não fazer nada. Anastásia está desfalecida na cama enquanto minha mãe e a mãe dela junto com Gail e o Dr. Flynn tentam ajudá-la no parto. O sangue que se espalha pelos lençóis me trazem lembranças pavorosas. Pensamentos ruins e uma sensação horrível.

— Não podemos interferir. – diz o Anjo Uriel.

— Como não? Ela está morrendo, Uriel! – exclamo exaltado sem conseguir desgrudar meus olhos dela.

— Há males que vem para o bem... – quando sua frase chegou a meus ouvidos, um estalo soou na minha cabeça. Foi como se eu tivesse sido atingido por um raio e ficasse desorientado. Quando a compreensão de tudo aquilo chegou até mim, virei-me horrorizado para ele.

— Não! – seus olhos diziam que sim. – Não! Não! Isso não pode acontecer, Uriel! Se o preço para voltar a viver for esse, eu não quero! Anastásia não pode morrer para eu viver! É injusto!

— Sei que é difícil pra você – diz ele num tom apaziguador, mas não me convence. –, mas há coisas que não dá para compreender. Sinto muito. – olhei para meu pai e sua expressão estava tão chocada quanto a minha. Como Uriel pôde me esconder isso? Sabia que jamais concordaria com uma coisa dessas! Eu não deixaria que isso acontecesse! Não deixaria que depois de tudo o que aconteceu, mas uma perda recaísse sobre a minha família que já estava farta de tantos lutos. Se Anastásia morresse está noite, levaria meu irmão junto consigo. Meu Deus do céu, eu não posso fazer algo assim! Não posso deixar que uma pessoa, justo Anastásia, uma pessoa que tanto amei e amo, perca sua vida pra dá-la a mim. Balancei a cabeça em negativa, o coração disparado fazia-me suar. Compreendi naquele instante que há coisas que não dão para serem consertadas se não houver sacríficos.

— Isso não vai acontecer está noite, Uriel. – digo num tom de voz decisivo. Seus olhos azuis-acinzentados miram-me indecifráveis. Ele já sabia, conhecia-me bem o suficiente que eu jamais aceitaria algo assim. E sabia também que eu interferiria se fosse necessário. Eu tinha tomado a minha decisão e não importava o que acontecesse comigo depois.

(...)

Pov. Rainha Anastásia

Eu já não conseguia sentir mais nada. Era como se a dor tivesse apagado todos os meus sentidos. Um grande entorpecimento tomou conta de mim enquanto eu via a minha vida inteira passar diante dos meus olhos. O medo aterrorizante voltou com uma força descomunal. Outra noite de sofrimento enquanto eu tentava dar à luz a meu filho. Mas algo estava muito errado. Ele não saia por mais que eu me esforçasse, por mais que eu colocasse todas as minhas forças para empurrá-lo, uma dor terrível tomava conta do meu corpo inteiro chegando até minha alma, e tudo o que eu ouvia eram as lamentações.

Minha gravidez tinha sido complicada depois de tudo o que aconteceu e eu estava tão deprimida que mal reagia. Isso trouxe aflição a Christian e aos meus pais, que por pouco não os perdi naquela noite. Eu havia matado um homem cruel. Foi a pior coisa que me aconteceu. Olhos negros cheios de maldades apareciam nos meus pesadelos mais profundos, Jack aterrorizava-me depois de morto. Querendo levar-me para o inferno. Mas decidi me manter firme, por meu filho e por meu marido que a cada dia estava mais preocupado. Ele estava tentando reconstruir com seu irmão a cidade. Christian pediu a ajuda das pessoas, dando esperanças a ela, de que o lar delas voltaria a ser seguro. As pessoas já o viam como o seu líder. Presenciei como as massas de pessoas se aglomeravam nos portões do palácio e gritavam o seu nome. Houve a festa de Coroação onde meu marido passou a ser o mais novo Rei do Reino Grey. A tradição exigia isso. E era também uma exigência de seu pai, Christian fez da festa o último pedido dele.

O orgulho e o amor que eu sinto por ele só aumentavam a cada dia. Eu via sua dedicação, o quanto se esforçava para que sua casa fosse uma fortaleza novamente. E ainda se preocupava comigo. Ao descobrir a gravidez, fiquei com muito medo. Meu estado não colaborava e se eu não reagisse, me cuidasse, colocaria a minha vida e a vida do meu filho em risco. E foi isso que me fez reagir. Por eles. Foram nove meses cautelosos. Noves meses alegres apesar das preocupações, das dores e das implicações à minha saúde. Nove meses em que meu marido e eu fizemos planos, sonhando com o futuro e esperando cada amanhecer vir e renovar nossas esperanças. Até que o dia chegou. As dores que eu sentia eram horríveis.

Agora, deitada na cama, sinto pressionarem minha barriga enquanto meu corpo lateja e a minha respiração está cada vez mais áspera. Falha. A visão embaçada. Giro minha cabeça numa busca divina que possa me ajudar nesse momento. Meu filho não pode morrer! O que seria de Christian? Uma desgraça nessa altura só serviria para acabar de vez com o alicerce que meu marido construirá. Não era justo! Por Deus, não é justo que isso aconteça! Onde estavam as promessas de duas vidas felizes? Onde estavam todas aquelas profecias?

Deus, por favor, ajude-me... peço em pensamento, desesperada. Sinto-me tão cansada! Estava prestes a fechar os olhos, rendendo-me, quando vislumbrei alguém atrás de uma mulher que parecia ser minha mãe. Ela estava apalpando minha barriga, logo atrás, uma luz brilhava e alguém estava nela. Eu poderia estar delirando, mas eu reconheceria aquela pessoa em qualquer lugar!

Aron...

Ele estendia-me a mão. Seu rosto estava transtornado. Seus lábios se mexiam e eu não conseguia ouvir o que dizia. As vozes no quarto, antes abafadas, começaram a aumentar o volume chegando até mim com clareza. Mas foi a voz dele que eu ouvi acima das outras. Sua voz trouxe uma centelha de alivio ao meu coração. Era bom ouvir a voz dele mesmo que fosse só um sonho.

— Reaja, Anastásia! Reaja!

Aron... não consigo.

Digo em pensamento. Não tenho forças para abrir a boca. Ele parece me ouvir.

— Você consegue, Ana! Só precisa ter um pouco mais de fé. Acredite que você consegue. Por seu filho, Ana, por ele.

Por meu filho... Tenha um pouco mais de fé.

— Força, filha! Força! Já estou vendo a cabeça do bebê! – a voz da minha mãe soou mais alta que a de Aron. Meus olhos se arregalaram de súbito e não o vi mais.

Uma dor atingiu-me em cheio e eu gritei. Aperto os lençóis entre meus dedos já doloridos tentando amenizar a dor horrível. Vagamente percebo o anel encantado no meu dedo, o belo rubi brilhando. Uma luz em meio à escuridão. Isso foi capaz de me despertar completamente. Foi como um choque. Tudo o que eu precisava para entender que esse dia não seria o fim de tudo por que eu não permitiria. Eu lutaria por meu filho. Lutaria por mim. Lutaria por minha família!

Eu lutaria até que não me restasse mais forças. Nem que pra isso, eu tivesse que morrer.

(...)

Pov. Rei Christian Grey

Quando eu ouvi, saí correndo. Irrompe o quarto em um estrondo. A imagem que eu vi quase me fez cair de joelhos. Não podia crer no que meus olhos viam. Fecho bem os meus olhos e deixo as lágrimas escorrerem enquanto os soluços veem em minha garganta num alívio. Eu ainda sentia a angustia no meu coração, mas aquela cena amenizava tudo. Aquele som era como música. O chorinho do meu filho.

Aproximei-me da cama onde as duas pessoas mais importantes da minha vida estavam deitadas. O quarto tinha um cheiro estranho, as criadas limpavam a cama, retirando os lençóis e toalhas usados no parto de Anastásia. Vi minha mãe pelo canto do olho cochichando com Carla, elas me abriram um sorriso e fizeram sinal para que as criadas se retirassem. Agora estavam minha esposa, meu filho e eu. Observei-os bem. A aparência de minha esposa estava tristemente abalada pelo esforço. Pálida, com os cabelos longos completamente desalinhados e alguns fios grudados na testa. As pálpebras pesadas e sombras arroxeadas sob seus olhos, os lábios sequiosos e pálidos. E a respiração um pouco ofegante enquanto aninhava um pequeno montinho envolto de uma manta de lã cor bege em seus braços. Dei mais alguns passos, fascinado pela cena, temeroso que isso fosse um sonho, nem ao menos ousava piscar por medo que eles desaparecessem, quando os olhos azuis dela fitaram-me. Enxergo ali, o grande amor que ela sente por mim. Sua felicidade pela conquista de trazer nosso filho ao mundo, por ter lutado e mantido sua promessa de que nunca me deixaria.

— Ah, Anastásia – deixo escapar um soluço quando minha língua acaricia seu nome. Ela abre um largo sorriso e me deixo envolver por essa emoção. Abraço-a e beijo-a com todo amor. Derramando nas minhas caricias suaves o quanto estava feliz. Sentindo sua pele, sentindo que tudo é real. Ela está aqui. Olho para meu filho e sinto uma nova onda de emoção estremecer meu corpo. Como ele é lindo! Ele é branquinho com uma penugem clarinha cobrindo sua cabeça, os bracinhos e dedinhos gordos fechadinhos enquanto agitava-os no ar, chorando. Seu choro era baixinho, meus ouvidos apreciavam. Seus olhos estão fechados e desejei ver qual a cor deles. Eu queria pegá-lo no colo! Não conseguia desviar o olhar!

— Ele é a coisa mais linda que eu já vi – a voz rouca de Ana chama minha atenção. Ela ainda mantinha o sorriso nos lábios, seus olhos azuis estão mais claros, cheios de lágrimas. Tão linda... – Nosso bebê, Christian, nosso filho. – ela solta uma risadinha baixa como se não acreditasse. Algumas lágrimas escapam e ela deixa um soluço estrangulado sair de sua garganta. – Pensei que não ia...

Shiii. – coloco um dedo sob seus lábios impedindo que ela fale. – Eu quase enlouqueci está noite, Anastásia. Se eu falar sobre isso, não vou suportar. Prefiro retirar isso de minha mente e me concentrar no agora. No que está diante de mim. As duas coisas mais importantes da minha vida. Você e o nosso bebê. Quero concentrar toda a minha atenção à vocês dois, nesse milagre. Nessa felicidade que sinto por tê-los comigo. Por amar vocês demais.

— Oh... – ela ofega e pousa sua mão no meu rosto, sinto o calor em minha pele. – Eu não teria conseguido se não fosse por esse amor. Você me mudou tanto...

— Você que me mudou, Anastásia, minha vida não tem mais sentido sem você. – inspiro profundamente. – Eu vivo e respiro por você. Se você não existisse, eu não existiria. Somos um só, meu amor.

— Como eu te amo. Tanto. Tanto. – ela chora e beija-me. Estamos completamente entregues numa emoção sem fim.

Olho de novo para meu filho, sorrindo.

— Posso? – peço estendendo os braços. Anastásia sorrir e com cuidado coloca nosso filho em meus braços. Estou em êxtase, presenciando o milagre da vida, sentindo meu filho contra meu peito. Deus, como ele é tão frágil e pequenino! Como pode ser tão perfeito! Ele se mexe um pouco em meus braços e percebo que seu chorinho parou. Lentamente, vejo que seus olhos se abrem. Prendo a respiração esperando com paciência para ver seus olhos. E quando os vejo, sinto uma enxurrada de emoção transbordar em meu peito. Seus olhos são cinza. Iguais aos meus.

— Os olhos dele são lindos. – murmura Ana. Confirmo com a cabeça sem conseguir tirar os olhos dele, respiro fundo para evitar que mais lágrimas caíam. Sei que tenho um sorriso bobo no rosto.

— Como vamos chamá-lo? Não escolhemos um nome apropriado para ele.

— Eu sei de um que vai cair muito bem. – Anastásia morde os lábios.

— Qual, querida?

— Aron James. – ela sussurra olhando minha expressão atentamente. Não consigo esconder minha surpresa diante das palavras dela. Ana escolheu o nome de meu irmão. Antes que eu possa dizer alguma coisa, ela respira fundo, e logo diz: – Christian, você pode achar que eu estava delirando, e seria normal pensar assim. Mas quando pensei que não conseguiria mais, quando esperei por um milagre... Eu o vi. – sua voz está hesitante. – Eu vi o Aron. Assim como eu o vejo nos meus sonhos. Ele me pediu para ter forças. Aron foi meu anjo da guarda.

Continuo olhando para minha esposa enquanto deixo suas palavras penetrarem meu cérebro. Meu irmão. Meu amado irmão. Mesmo após sua morte, ele continuava tão presente! Às vezes eu sonhava com ele. Recentemente, passei a ter uma sucessiva onda de sonhos com Aron que eu não conseguia explicar como e nem o porquê. Mas era tão reconfortante e bem vindo os sonhos que eu não me importava nem um pouco de sonhar com ele todos os dias. E saber que minha esposa tinha o mesmo, saber que meu irmão de alguma forma ajudou-a naquele momento, deixava-me agradecido. Mais do que isso. Deixava-me em divida com ele. Sorri para Anastásia, na verdade, eu ri. Soltei um riso jubiloso. Ela me acompanha. Estamos em êxtase, em plena felicidade.

— Aron James. – acaricio o nome em meus lábios. – Não vejo outro nome que seja melhor que esse. — Ergo meu filho. Sorri para ele.

Meu pequeno Aron.

(...)

“Você é um pedaço em mim

Eu quero viver em teus braços pra sempre

Pra sempre”.

(Roberta Campos – Minha Felicidade)

~*~

Dez anos depois...

Pov. Rainha Anastásia

Caminho a passos largos na direção da biblioteca a procura de meu esposo. Ele não está na sala do trono e isso significava que estaria lá, na biblioteca, onde tem passado muito tempo.

Assim que chego, vejo-o saindo. Ele me vê e abre um sorriso maravilhoso. Dez anos tinha se passado e o efeito era ainda mais arrebatador. Christian se tornou ainda mais belo. Os cabelos antes caindo sob a testa estava cortado. A coroa brilhando em sua cabeça. Suas ficções tinham se tornado mais viris. O corpo atraente, meu cobertor de todas as noites, mais musculoso devido seus treinamentos. Olhar para ele causava um reboliço em meu ventre. Assim como ele, eu também havia mudado. Já não era mais uma menina. Envelheci. Tornei-me uma mulher forte e madura. Uma boa esposa e uma boa mãe para meus três filhos. É... Três filhos, quem diria? Aron, Elise e Beatrice eram nossas alegrias. E ainda não era suficiente para Christian que queria ter mais filhos! Esse homem ainda vai me enlouquecer!

Aron com dez anos é a cópia fiel do pai, seus olhos cinza continha um brilho que sempre me fascinava. Era um brilho especial. Às vezes, eu tinha a impressão de enxergar Aron nos olhos dele. Como se eu pudesse ver o próprio Aron em minha frente. Um sentimento bobo de minha parte achar que meu filho poderia ter algo a mais em comum com o falecido tio do que o nome e a doçura. Não me importaria se tivesse. E eu sabia que Christian também não. Pois assim como eu, ele tinha a mesma impressão. Elise tinha sete anos e é a minha cópia mirim. Os cabelos castanhos encaracolados e os olhos azuis não negavam sua semelhança comigo. A princesinha do papai. E não era a única. Beatrice, a mais nova de quatro anos, é uma mistura minha e de Christian. Autoritária e meiga. Na verdade, meus três filhos tinha essa característica e se davam muito bem apesar de algumas discussões. Mas as duas princesinhas do papai sabiam dobrar qualquer um quando queriam algo. E eu não podia negar que no fundo concordava com Christian em querer mais filhos. Ele é um pai maravilhoso capaz de tudo pelos filhos. Eu mais que amava e adorava minhas três crianças. Elas eram o xodó dos avós além dos dois filhos de José e Hannah, os gêmeos Gael e Damião, elas eram tudo o que meus pais queriam: crianças para alegrarem seus dias e os dois poderem mimar a vontade.

— Olá, meu amor. – a voz dele soou rouca quando se aproximou de mim e beijou-me nos lábios com a mesma paixão de sempre. Senti o corpo incendiar.

— Olá, querido. – passo os braços ao redor de seu pescoço, puxando-o para mim. – Ainda escrevendo o livro?

— Estou quase finalizando. – ele sorri feito uma criança travessa. – Vai ser bom para as gerações futuras lerem sobre a nossa história.

— Estou muito curiosa pra ver como vai ficar. – assim como mandava a tradição, Christian estava registrando nossa história. A história do Reino Grey sob seu comando. Isso também era uma homenagem a seu pai que não pode registrar sua própria história.

— Hum – murmura ele e morde meu queixo. Seus braços se apertam em minha cintura. Um calor brota em meu ventre e se espalha por todo o meu corpo. Christian é capaz de me incendiar em questões de segundos. Seus lábios sob os meus são exigentes. Os beijos são de enlouquecer, tiram-me do chão e levam-me as alturas. Mas tudo o que é bom, dura pouco. Ele para de me beijar e fita-me com os olhos em chamas. – Onde estão nossas crianças?

— Onde mais estariam? No jardim brincando com os primos.

— Presumo que minha mãe está com eles – ele solta uma risada enquanto seguimos pelo corredor em direção ao jardim, abraçados. –, não sei como não enlouqueceu com tantas crianças!

— Ah, amor, não diz isso! Sabe que isso faz bem a ela, ajuda a amenizar a saudades que ela tem de seu pai. – Grace ainda sofria com a morte de Carrick, mas aprendeu a superar um pouco a cada dia. Os netos foram sua salvação. Elliot e Katherine tiveram outros filhos além de Ava Sophie. Em homenagem ao pai, Elliot colocou o nome do filho de Carrick. Seu outro filho chamava-se Victor. Ainda tinha a pequena Sara, filha de Mia e Ethan. O palácio tinha se tornado um lugar mais alegre com a presença das crianças.

— Eu sei. — um sorriso malicioso surge em seus lábios. – Por isso é bom termos mais filhos, sabe? – ele deu uma piscadela e caímos na gargalhada.

Chegamos ao jardim e nos sentamos em um banco de frente ao campo onde as crianças brincavam. Grace estava sentada junto com Katherine em um banco mais a frente, perto deles. Elliot também está por ali, como uma criança, ele fazia a alegria dos filhos e sobrinhos inventando alguma brincadeira. sorriso no rosto de minha sogra era maravilhoso. Elas nos vê e acenam para nós. O cheiro agradável de rosas ainda era o mesmo. O jardim voltou a ser o magnífico lugar de antes: a grama verde bem aparada, as flores coloridas pelo campo soltando seus perfumes suaves. As árvores balançando suas folhas quando o vento soprava. Algumas trazendo seu fruto. Continuava tudo belo.

Christian me abraça pelos ombros e beija minha cabeça. Tanta coisa mudou nesses anos. Coisas boas e ruins aconteceram. Mas as boas superaram as ruins. Nosso Reino se tornou uma fortaleza e cada um buscou refazer suas vidas, buscando a felicidade. Mia e Ethan estavam felizes com a filhinha deles e com mais um que estava por vir. Meus pais se tornaram grandes empresários ao expandirem seus negócios pela cidade. O amor deles continuava imenso. Katherine e Elliot eram dois eternos namorados. José e Hannah, que se tornou minha dama de honra, não podiam estar mais felizes com seus dois filhos e levando a vida que levavam. Gail também encontrou seu caminho. O caminho a levou para os braços do general Taylor, a quem ela tinha se casado. Aos quarenta anos, Gail deu à luz ao pequeno Samuel. Hoje com nove anos. Até mesmo Leila estava feliz. Ela revelou-se uma grande pessoa no fim das contas. Era dona de um ateliê na cidade, um presente de Christian por ela ter se arriscado tanto por nós naquele dia tenebroso. Suria tinha indo embora assim que tudo acabou. Sua missão aqui já havia acabado, assim disse ela, e a mesma nos desejou tudo de bom. Aquela mulher jamais deixaria de ser um mistério.

Para todas essas pessoas, e as outras lá fora, atrás dos portões do palácio, cada uma delas encontraram seu caminho assim como eu encontrei o meu ao lado de Christian. Do meu amor. Eu não podia deixar de sentir que nada mais poderia nos atingir. Agora compreendia o que era viver plenamente feliz de acordo com meu destino. Sem nadar contra a correnteza. Aceitando seus desafios e superando cada um deles.

— No que está pensando? – pergunta-me ele acariciando os meus cabelos. Uma de suas mãos mexe com o bendito anel encantando que continua grudado no meu dedo, sorri ao perceber.

Observamos Aron correndo atrás da irmã, Beatrice. A mesma corre em nossa direção com suas perninhas gordinhas soltando gargalhadas. Sinto uma pontada no coração com medo que ela caía e se machuque, mas Aron está perto o suficiente para não deixar isso acontecer. Sempre tão protetor. Christian se remexe visivelmente incomodado, os olhos cravados na nossa pequenina.

— Em como sou feliz ao estar ao seu lado. – beijo seus lábios. – Eu te amo demais.

— Eu também te amo. – seus olhos brilham e ele sorri maliciosamente. – Está presa em meu coração para sempre, minha rainha. Jamais poderá fugir.

— E quem disse que eu quero fugir?

— Mamãe! Papai! – Beatrice chega até nós gritando e sorrindo ao mesmo tempo. Seus irmãos logo atrás. Christian se levanta e a pega no colo, girando-a no ar. Os gritinhos dela se tornam altos. Abraço Elise e Aron com toda a força. Rindo sem me conter. O amor que sinto por eles é grande demais.

— Vamos brincar com a gente mamãe! – Aron puxa-me por uma mão enquanto Elise puxa-me a outra.

Não contesto, apenas sorriu e os sigo. Os seguiria para qualquer lugar. Eles são o meu caminho. O meu destino. O meu final feliz.

FIM.

Notas finais
Não acredito que chegamos ao fim!! ❤ Gente, desculpem-me por ter demorado tanto pra postar. Mais tive que resolver alguns problemas pessoas e estava preocupada com a prova do Enem. Por isso ainda não postei o capítulo de "A troca". Mas ele tá quase finalizado e postarei na terça ou quarta. Espero que tenham gostado. Como o penultimo capitulo foi o confronto final, o Epilogo seria bem curtinho, um resumo sobre a vida de todos. Mas decidi fazer algo diferente. Despois postarei um capítulo em agradecimentos. Abraços! ❤
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.