Um Príncipe em Cinquenta Tons
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Depois que Anastásia terminou de esfregar o chão e deixar o piso brilhando Gail foi conferir o serviço da moça e se surpreendeu com tanta eficiência e ao mesmo tempo sentiu pena da pobre jovem no trabalho escravo, mas era ordem da realeza ela não tinha como questionar. Agora Ana tinha que arrumar o quarto da princesa Mia, Gail lhe deu lençois e fronhas limpas, Anastásia varreu esfregou o chão do quarto trocou a roupa de cama, abriu as cortinas para entrar um pouco de ar, depois foi à cozinha, desceu como Gail pediu. Em seus pensamentos era grata pelo príncipe não ter voltado para atormenta-la e pode terminar seu serviço em paz. Sentou-se na mesa de madeira da cozinha Gail terminava de preparar o almoço, o cheiro era delicioso ela se vira para Anastásia mexendo a panela grande no fogão a lenha.
__Ana pode me apanhar, um punhado de cebolinhas na horta dos fundos?
__Claro Sra. Jones.
A jovem saiu pelos fundos do castelo em direção a horta, colheu as cebolinhas era acostumada com aquilo na sua casa tinha uma pequena horta para o sustento da família, no caminho de volta dá de cara com a cena da dama da rainha, se assanhando com o príncipe Christian nos fundos do castelo trocavam um beijo caloroso as mãos atrevidas do príncipe passeavam dentro do decote do vestido de Leila.
__É mesmo um safado. –murmurou Anastásia, com o punhado de cebolinhas nas mãos se sentiu constrangida em ter que passar pelo casal que estava em seu caminho, ela se aproximando tossiu os fazendo se afastar rapidamente, Leila a olha assustada pelo flagra, Christian adverte:
__Nem pense em ficar de fuxicos por aí sobre o que viu.
__Por mim podem até rolarem no chão e praticarem suas severgonhices, não ligo. –ela dá de ombros passando pelo casal.
Gail termina o almoço, ela e Hannah começam a arrumar as bandejas com as refeições e carregam para a sala de refeições a grande mesa de carvalho começaram a arrumar tudo forraram com uma toalha de linho branco, ajeitaram o jarro de flores, colocaram cada taça e talher em seu devido lugar. Curvaram-se diante à realeza que entrou no cômodo considerava aquele gesto uma inutilidade, mas apenas repetia como todos os outros.
__Gail... – a voz da rainha soou – Essa é a nova criada?
__Sim, majestade.
__Me parece adorável – a rainha sorrir para a moça com carinho __Podem servir.
__Sim, majestade, muito agradecida. — A Jovem agradece
Anastásia percebeu que a rainha mirava suas vestes e avaliando sua saúde, a rainha não gostava de ver os criados reais vestidos tão miseráveis as vestes de Anastásia a incomodavam.
__Bem vinda, jovem! – o rei limitou-se a dizer em uma curta saudação era um homem de poucas palavras.
Anastásia notou que o príncipe Christian tinha a mesma cor do cabelo da rainha Grace um tom de cobre escuro, já Elliot se parecia com o pai, a moça baixinha de cabelos negros curtos deveria ser a sobrinha da rainha a princesa Mia, ela sorri simpaticamente para Anastásia e pergunta:
__Como se chama?
__Anastásia, mas prefiro Ana.
__Então Ana, me parece jovem, quantos anos tens?
__Dezoito.
__Ah... É bom ter alguém da mesma idade que eu aqui.
__Eu a conheço, quase derrubou Christian do cavalo na vila não é mesmo? – diz o príncipe Elliot com humor, Christian ergue uma sobrancelha encara a jovem de pé ao lado da mesa como um claro sinal de que ela devesse se retirar dali, o que ela faz quase que imediatamente.
Anastásia retorna para a cozinha e começa a organizar e a limpar a enorme cozinha, com detalhes de madeira e mármore branco nas cores dourado e branco, com armários sobre as paredes. Enquanto arruma a cozinha, Anastásia cantarola, uma mania que tem desde criança quando sempre ajudava sua mãe nos afazeres de casa, gostava de cantarolar junto com ela, ela se recorda de cada momento em que viveu com os pais e nesse momento lágrimas já saltam de seus olhos, pela saudade do conforto de sua casa de seus pais, pelo cruel destino que lhe foi traçado, sabe que não tem como fugir disso, o príncipe jamais a deixaria ir e pior poderia joga-la junto com sua família no calabouço por um crime que não cometeu. Ainda se recorda de tudo o que aconteceu no dia da morte de Aron, como poderia esquecer? Foi o pior dia de sua vida. Vê seu amigo morrer e não poder fazer nada, todo sangue, o olhar desesperado dele a luz da pequena orbita de seus olhos sumindo e dando lugar a um olhar vazio e sem vida, fez o coração de Anastásia se partir em milhões de pedaço.
Gail entra na cozinha e encontra a pobre moça soluçando com seu rosto banhado em lágrimas, a senhora preocupa-se com a jovem e se aproxima.
__Minha jovem, o que houve?
Ana não consegue formular nenhuma palavra, a expressão no rosto da plebeia é de pura tristeza e dor, Gail se compadece e a abraça para aclama-la.
__Vai ficar tudo bem querida.
Sem querer dar explicações, depois de se acalmar Ana volta aos seus afazeres, Gail pede para que ela termine de arrumar a cozinha, pois as outras serviçais tiraram os pratos da mesa e que depois fosse descansar para tratar dos outras serviços do castelo.
***
O barulho da água a reconfortava se sentia livre em paz, sabia que ali era o único lugar onde poderia ter descanso. O vento batia em seu delicado rosto, fazendo seus cabelos voarem, em sinal de aprovação abriu um largo sorriso. Sentada em uma pedra, Ana contemplava a margem do rio com aguas cristalinas, fazendo a moça sentir cada vez mais vontade de entrar e mergulhar nele para lavar sua alma. Era isso que iria fazer: lavar seu corpo e sua alma, tirar qualquer impureza que exista em si. Com os pés no chão sentindo as pequenininhas pedrinhas de areia levantou-se e se despiu, seus trapos amarelados e sujos já não se encontravam mais em seu corpo, quando criança tinha o costume de ir até o rio que fica a alguns metros do castelo e se banhar nua, gostava de sentir sensação da agua em seu corpo o frescor gélido que a fazia relaxar.
Anastásia caminhou até a margem do rio e mergulhou. A sensação de se sentir livre existia ali, quisera poder sentir isso a todo o momento, naquele momento não existia mais nada, apenas ela, ela e sua tranquilidade. Ela emerge da agua depois de alguns segundos, se sentindo renovada e até mesmo feliz, sabia que essa felicidade não duraria por muito tempo quando voltasse para seu martilho, mas não queria pensar nisso, não agora, não ali. Ana estava tão submersa em seus pensamentos que não percebeu que alguém a observava.
Mesmo a contra gosto Ana sai da agua, precisava voltar ao castelo e terminar seus afazeres, a sensação de está sendo observada começou a se fazer presente, por um instante sentiu medo, vestiu sua roupa rapidamente e quando virou-se para ir embora deu de cara com a pessoa que menos queria ver: Jack.
Em seus aposentos o príncipe Christian agradecia mentalmente por durante o almoço seus pais não terem tocado no assunto do anel. Ele sabia que não tinha como escapar de seu destino e que uma hora para outra teria que se casar e assumir o trono de seu pai. Deitado em sua cama, ele se recorda do momento em que foi flagrado por Anastásia aos beijos com Leila, Leila sempre se insinuou pra ele e ele nunca negou fogo, é homem sempre teve suas necessidades, apesar de que Leila não era a única mulher com quem o príncipe se relacionava e esse era um dos motivos que fazia o príncipe se sentir mais frustrado por ter que largar sua liberdade em prol do trono.
Christian sempre fora muito namorador, assim como seu irmão Elliot. Aron era o mais recatado em seus 20 anos o jovem nunca tinha tocado uma mulher intimamente ele sempre dizia que estava se guardando para a mulher certa. Certa vez Christian tentou levar seu irmão para o Harém para que pudesse se divertir, mas não adiantou. O Harém é o lugar onde homens procuram diversão, procuram prazer com as mulheres disponíveis que existiam lá. O lugar era composto por mulheres de idade jovens que desonraram a família com seu mau comportamento, naquela época não era tolerado jovens de má comportamento que perdiam sua honra antes do casamento, quando isso acontecia elas eram expulsas de casa e o único caminho que tinha a se seguir uma rameira, era o Harém.
Antes de se casar o príncipe Elliot juntamente com o príncipe Christian frequentavam o lugar com alguns dos soldados do reino, despois que seu irmão se casou com Katherine, Christian passou a frequentar o lugar sozinho. Lá ele se sentia liberto, sem preocupações, sem compromissos, apenas estava lá para se divertir para dar e receber prazer. O príncipe tinha muitas amantes e era invejado por isso, a cada noite que ia ao Harém passava com uma moça diferente, mesmo que depois ele repetisse o “cardápio”. Mas suas amantes não eram apenas mulheres rameiras, além de Leila, Christian mantinha um caso com a duquesa Elena Linconl esposa do duque Roger Linconl, grande amigo de sua família, esse caso é mantido em segredo a anos. Aos 17 anos sua primeira experiência sexual foi com a duquesa, sempre se sentia atraído pela mulher mais velha de curvas esculturais, que não era indiferente a ele. Sempre que o Duque e a Duquesa resolvem fazer uma visita ao Rei e a Rainha os dois mantinham as relações as escondidas, apenas os dois sabiam disso, pois se alguém descobrisse seria um escândalo à integridade do reino.
O príncipe estava tão absorto em seus pensamentos que nem percebeu quando Elliot entrou em seus aposentos se acomodando no sofá de couro preto.
__ O que tanto pensas? – perguntou assustando Christian.
__Como entrou aqui? Ah, esquece, esqueci o quanto és enxerido.
__Nossa irmão qual o motivo para todo esse mau humor?
__Não estou de mal humor!
__Está sim! E eu sei por que é. Falta de sexo! –diz malicioso. Elliot adora provocar o irmão. __Ouvi de alguns soldados que eles iram para o Harém está noite, você deveria ir.
__Acho que tens razão. Ando muito estressado depois da morte de Aron.
__Eu sei irmão.
Olhando para Elliot, Christian estreitou os olhos e percebeu que o mesmo tinha um quê de curiosidade e logo percebeu que ele não estava ali para dar-lhe conselhos.
__Desembucha Elliot, sei que não foi para isso que veio aqui.
__A moça, Anastásia, qual o motivo dela está trabalhando aqui?
__A família dela não pagou os impostos como deveriam e como pagamento ela irá servir aqui no castelo. –Christian não quis contar ao irmão sobre as suspeitas dela ser a assassina de Aron, se alguém iria se vingar dela, esse alguém era ele.
__Sei.
__O que foi? Porque o interesse?
__Nada, apenas curiosidade. Ela é muito bonita.
Sim ela é, pensou Christian.
***
Lá estava ele parado a sua frente lhe encarando com os olhos negros de predador. O homem alto, de corpo atlético e cabelos escuros mantinha uma expressão séria e ao mesmo tempo assustadora. Jack, era um dos soldados da cavalaria do reino e sempre nutriu um desejo por Anastásia, ele sempre a observava e a perseguia como um caçador a espreita, desejando toma-la para si. Ana nunca gostou de Jack acha-o muito estranho, quando ele se aproximava dele sentia uma sensação de desconforto, não conseguia identificar o que era, sabia apenas que era ruim.
Desde que pôs os olhos em Anastásia ficou obcecado, já tentara várias maneiras de aproximação o que falhava miseravelmente, ela sempre se afastava o que deixava ele irritado, sabia que ela não gostava dele, mas isso não o impedia de persuadi-la, ainda mais agora que ela se tornou serviçal do castelo e está tão perto dele.
__Licença?! – pediu a moça.
__Porque a pressa?
__ Tenho mais o que fazer e estas a me atrapalhar! – Anastásia começa ase irritar e cruza os braços em sinal de proteção. Jack se aproxima da moça fazendo a mesma se afastar. Ele a olha fixamente.
__Você é tão bela! – diz ele e pega uma pequena mecha de cabelo da moça e enrola em seus dedos.
Ana se assusta com o gesto e corre pra longe dele. Ela não entende, mas o gesto do homem lhe causou um arrepio sombrio, fazendo os pelos de sua nuca enrijecerem em sinal de alerta.
Já era noite. Anastásia se encontrava recolhida em seus aposentos, totalmente esgotada, seus pés estavam inchados, resultado de todo o trabalho que tivera. Depois de ter voltado do rio para o castelo, seus afazeres se multiplicaram, além de lavar, passar, varrer e esfregar o chão do castelo, teve que ajudar a banhar os cavalos e limpar o curral e dar alimento aos animais. Depois de terminado, jantou e se recolheu, sabia que amanhã teria muito mais.
****
As vozes altas e gritos femininos alegres podiam ser ouvidos a quilômetros de distancia, para ele aquilo era musica para seus ouvidos. Para alguns ali era um antro da perdição, mas para outros era o caminho para o paraíso. O Harém.
Ao adentrar naquela casa, o príncipe foi recebido pelo cheiro forte de bebida. Percorreu seu olhar pelo lugar que estava cheia aquela noite, mulheres com apenas vestes intimas -camisolas- desfilavam por entre as mesas de madeira simples arredondada, ocupadas por homens que pareciam verdadeiros animais no cio. Ele observava todo o lugar, iluminado por velas, paredes de madeira, piso escuro, mulheres de todos os tipos, morenas, loiras, ruivas, algumas em pé circulando entre as mesas, outras sentadas no colo de homens, outras se agarrando pelo corredor que dava para os quartos para os seus deleites e prazeres, podiam-se ouvir os gemidos e gritos de alguns dos quartos que estavam ocupados. Não tinha nenhum luxo ali, mas não era importante naquele momento. Enquanto andava pelo local, o príncipe Christian percebeu os olhares selvagens e maliciosos de algumas rameiras e sorrio. Ele ia se divertir muito essa noite.
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