Um Pouco de Nós
1 Almoço
Notas iniciais
— Sabe quando você se encanta com uma pessoa, mas mal conversa com ela?
— Sei, sei. — Marina respondeu. — Esse loirinho está acabando com sua atenção, hein, menina?
— Ai, nem me fala... Eu ainda vou falar com ele, só... não sei quando exatamente.
Marina riu. — Só quero ver. Quem sabe daqui uns anos quando ele for promovido ou demitido?
— Para, não me desanima — resmunguei.
— Não estou te desanimando, estou te encorajando.
— Estou vendo... Ai meu Deus... — Arregalei os olhos.
— Que foi? — Sua voz transmitiu extrema curiosidade.
— Ele veio almoçar... O restaurante está cheio e minha mesa está vazia...
— Hm! — murmurou, maliciosa. — Será que é hoje, senhoras e senhores?
— Não sei... Ele veio com o amigo dele que eu conheço...
— Aquele moreno bonitinho do seu departamento?
— Sim, ele mesmo... Ah! Ele me viu aqui e acenou... E agora estão vindo para cá! — exclamei baixo. — Não sei se desligo ou não.
— Por que você sempre come sozinha? — Castiel questionou, colocando seu prato cheio em cima da mesa, sentando na cadeira a minha frente. — Por acaso tem maus modos?
— Ela arrota! — Marina berrou no celular, mas acho que ele não ouviu.
— Não sei, só... não tenho com quem comer.
O loiro veio se sentar ao lado do amigo. — Você pediu licença, Castiel?
— Licença para quê? Estamos em um restaurante, a mesa não é exclusiva de uma pessoa só. Sem ofensas.
Acabei sorrindo, não sei se de nervoso. — Errado você não está, então tudo bem.
— Desculpe os modos do meu amigo, ele não sabe viver em sociedade sem ser ofensivo. — O loiro falou com um sorrisinho meigo
Eu quase suspirei ali. — Tudo bem, eu não ligo.
— Ela deve estar acostumada igual a você. — Castiel falou antes de dar a primeira garfada.
— É mesmo? Meus pêsames, então. — Segurou o riso para mim, fazendo o outro lhe lançar um olhar feio.
— Bom, mais ou menos. Não que conversemos sempre, mas... Digamos que esse aí seja conhecido pelo humor bipolar dele.
O loiro riu. — Isso porque você não o conheceu na época da escola. Acredite, era muito pior.
— Estamos em uma hora sagrada, então parem de falar mal de mim — reclamou Castiel.
— Oi? Eu estou aqui ainda! — Marina gritou e eu voltei a colocar o celular na orelha.
— Desculpe... Eu te ligo depois.
— Quero saber de tudo, viu?
— Pode deixar. — Ri. — Tchau.
— Tchau! — cantarolou, e finalizou a ligação.
Assim que voltei a olhar para frente, vi o loiro baixar o olhar para o prato e começar a comer. Mordi o lábio e tentei prestar atenção no que Castiel dizia.
— ... eu chamei a Lizzy, o Bart, a Rebeca... Vai querer ir? — Me encarou.
— Ir onde? — Fiquei perdida.
— Na minha casa. Semana que vem. Jantar — disse pausadamente, como se eu fosse idiota.
Pensei por um instante. Se ele estava falando aquilo abertamente, significava que o loiro sabia e muito provavelmente iria também.
— Claro, posso ir sim. Quando?
— Sexta-feira, lá para as cinco, depois do trabalho — explicou, voltando a comer. — Podemos ir todos juntos.
— Okay. — Dei um sorriso animado. — Levo vinho.
— Beleza.
Enquanto Castiel continuava falando com seu amigo, admirei o modo como ele segurava os talheres e cortava sua comida. A forma que o relógio se encaixava em seu pulso, ou mesmo como a gola de sua camisa parecia vestir bem em seu pescoço. Parecia que tudo combinava perfeitamente com seu jeito educado e gentil.
Era muito bom para ser verdade. Talvez ele fosse fruto da minha imaginação, e de alguma forma Castiel falava com ele.
A forma como ele ria, um pouco baixo, era tão fofinho... Até o desenho de seus dentes era fofo...
Bom, eu queria falar com ele. Consegui.
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