Um Pouco De Sorte, por favor
1 A primeira impressão.
Notas iniciais
Pousei com raiva a mão sobre o botão do despertador. Abri apenas uma frecha dos olhos e foi o suficiente para a luz do sol me cegar
– Segunda feira, 5 horas da manhã, colégio novo, o que mais eu poderia pedir? – falei para mim mesma esboçando um sorriso de desgosto.
Me levantei, com muita má vontade, mas levantei. Alguns passos depois e já estava tropeçando em um de meus sapatos, um dos vários espalhados pelo chão. O chutei para longe, e torcia para não precisar dele mais tarde, pois certamente eu não o acharia. Me coloquei a caminho do único banheiro da casa, e só para variar, Nick, meu querido irmão o ocupava. Me apoiei na parede, e esperei por longos 20 minutos.
– Mas será possível? Já não disse que se quiser se masturbar que faça isso no seu quarto?
– Será que um homem não pode nem ter alguns minutos de prazer em paz? – Nick disse usando todos seu sacarmo.
– Eu não tenho culpa se você não come ninguém a mais de 1 ano e precisa de seus dedos para se satisfazer! – Terminei de falar e abri a porta. Não iria me atrasar esperando a boa vontade de Nick.
A imagem não me impressionava em nada: um garoto de 16 anos com a mão em seus próprios genitais. Eu poderia ver isso em qualquer vídeo da internet – se eu ao menos gostasse de homens – na hora em que eu quisesse. Nick resmungou um pouco, e disse algumas coisas num sussurro que eu não pude ouvir, mas certamente estava me xingando, o que já era normal.
Puxei Nick pelos cabelos o arrastando para fora do banheiro, ele ainda não tinha colocado sua calça, mas eu pouco me importava com isso. Fechei a porta e liguei o chuveiro para que o vapor pudesse aquecer um pouco o local; apesar do sol, ali sempre era mais frio. Tirei minha roupa e a deixei jogada no chão. Assim que entrei para debaixo do chuveiro, a água quase morna fazia meu corpo se aliviar, aquele era o único momento do dia em que eu me sentia realmente bem.
O banho já durava pelo menos 40 minutos e logo pude ouvir a voz de meu irmão gritando.
– Eu não posso ficar 30 minutos me masturbando, mas você pode ficar 40?
– Eu não preciso me masturbar, e vai comprar alguma coisa para comer que você ganha mais. – Falei enquanto desligava o chuveiro e pensava na besteira que tinha feito: Nick apesar de seus 16 anos, ainda detinha de pensamentos de um adolescente de 12 e era fissurado por comer besteiras.
Dito e feito, fui a cozinha ainda envolvida na toalha e sobre a mesa quadrada de mármore, bolachas, doces diversos, salgadinho e refrigerante. Ignorei tudo aquilo, e peguei um iogurte na geladeira — no momento era a única coisa que me restava.
– Qual o problema com a comida que eu comprei? – Nick falava enquanto mastigava mais uma bolacha.
– Todos, porque isso não é comida, mas não vou perde meu tempo discutindo contigo, ok?! – disse e sai da cozinha voltando ao meu quarto.
Meu armário era uma verdadeira zona, mas era a minha zona. Peguei meu uniforme, ainda estava no saco plastico. Me vesti rápido já passavam das 6 horas e não estava nos meus planos encontrar o diretor no primeiro dia.
Vaidade não era meu forte, e isso não mudaria agora. Penteei os cabelos, coloquei os sapatos e peguei minha bolsa. Sai em direção a sala, gritando alto o suficiente para que o surdo ouvisse.
– Se quiser carona venha agora, estou saindo! – peguei as chaves e me coloquei para fora de casa.
Fui direto para meu carro, e pude notar Nick logo atras de mim com um copo de refrigerante na mão.
Eu só gostaria de saber, para onde vai tanta porcaria…
Ele se limitou a tomar uma golada da bebida e em seguida soltar um arroto que me fez ter ainda mais nojo de homem.
Assim que coloquei o carro na rua, afundei o pé no acelerador. Prudência para que? Costurei por entre os outros carros, e em questão de de 15 minutos já havia chegado ao colégio. Tinha encontrado o estacionamento, agora só precisava achar uma vaga, mas sempre tem que aparecer um idiota [...]
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