Um Portal Que Me Leve Até Você
8 Capítulo 6: Grande recepção na ilha
Notas iniciais
Acordei era umas 06h12min da manhã, me levantei sem fazer barulho para não acordar o doutor e saindo do quarto fui direto para o banheiro. Tomei banho e durante o processo fui escovando os dentes, fiz tudo bem rápido e completo. Voltei ao quarto me troquei no escuro mesmo, penteei os cabelos com os dedos e fiz uma trança, coloquei o dispositivo rastreador e comunicador no antebraço, fui ate Edward e o chamei:
–-Kirk... Kirk... acorda! Tenho uma reunião em 3 horas e você tem que preparar as coisas para irmos embora ás 18h00min, assim chegaremos à ilha pelo menos amanhã de manhã... eu acho...
Ele se espreguiçou e se sustentando pelos cotovelos, me encara e fala:
–-Finalmente colocou o seu “treco”... não te perguntei isso antes, mas agora me veio a mente : como vamos para lá?
Olhei para ele e para o corpo desconcertantemente bonito, pensei por um segundo e propus:
–-Vou explicando e você se vestindo, feito?—aliviada o vejo concordar e se levantar—Bem... meu irmão e eu temos um pequeno barco que costumávamos usar para fazer pequenas viagens pelo litoral, não é muito grande, mas dá para fazer uma viagem de umas duas semanas nele. Ele ta guardado no estaleiro ao norte daqui e como já faz alguns anos que não é usado, é ai que você entra! Inspecione, concerte o que for necessário e encha o tanque no máximo... ah! E leve alguns galões de gasolina de reserva...
A esta altura da explicação ele tava completamente vestido, o peguei pela mão e o levei ate o banheiro, joguei uma escova para ele que na mesma hora começou a escovar os dentes, continuei:
–-É por isso que acordamos tão cedo! Vamos separar tudo o que for necessário e vital para levar: comida, água, algumas roupas, armas e munição!
–-Não se esqueça que vamos precisar de algumas peças e ferramentas para fazer o portal se abrir, sem falar da segurança que terei que reativar!—Edward me lembrou enquanto enxugava o rosto —Mas quanto a isso pode ficar sossegada posso arranjar facilmente, você também se esqueceu que teremos que levar alguns medkits com a gente. Huum... mas não acho que você já tenha tudo aqui na sua casa.
Fomos indo para a cozinha, ele se sentou á mesa enquanto fui preparar o café, fui dizendo:
–-Não! Não tenho tudo, mas é ai que você entra de novo! Vou te dar uma grana e você compra todo o suprimento necessário. Medkits, armas e munição são por minha conta! Então quando a reunião tiver acabado te ligo através do comunicador para avisar... depois das compras em hipótese nenhuma saia do estaleiro, entendeu?
Sentei-me com ele á mesa e estendi uma caneca fumegante de café, levei junto alguns pãezinhos doce de uns 3 dias atrás, Kirk tomou um longo gole e perguntou:
–-Como faremos para que ninguém me reconheça? Sabe... sou um cara procurado! Já sei!!! Vou encomendar as coisas e mandar entregar no estaleiro, enquanto as peças, ferramentas e gasolina da pra pegar sem muitas preocupações. O que acha?
–-Se isso só nos ajudar, não vejo problema nenhum!—peguei um papel e uma caneta que estavam jogados por ali e rabisquei o endereço de onde guardava o barco --Este é o lugar! Irei assim que for possível e mais uma coisa... não seja visto, não seja reconhecido! Se você colocar tudo á perder posso ate ir em cana pelo resto da minha vida, mas eu mato você, entendeu?
Ele concorda serio. Depois do café arrumei tudo, afinal, não tinha idéia de quando voltaria de novo. O doutor foi na frente, me deixando sozinha para fazer uma coisa que não fazia há anos: entrar no quarto do Dylan. Respirei fundo e entrei. Estava tudo do jeito que ele tinha deixado: a escrivaninha estava atolada de papeis de algumas missões passadas, mal se via o notebook dele; a cama por fazer com a calça azul do pijama favorito jogada por cima; os chinelos pretos pós-banho debaixo da cama; o guarda roupa fechado que podia jurar estava impecável dentro; e o criado-mudo com o abajur e uma foto nossa tirada um dia antes da missão que o levaria de mim. Tudo estava coberto por uma fina camada de pó. Respirei fundo mais uma vez, o quarto ainda tinha o cheiro dele, me segurei para não desmoronar, fechei a porta do quarto e fui ao encontro do doutor.
E depois que sai do apartamento o resto do dia passou indistinto.
Narrador On:
A moça assim que chegou ao térreo foi chamada pelo porteiro, ela deu um pequeno suspiro e foi ao encontro do homem.
–-Um rapazinho da farmácia pediu para te entregar isso. Ele veio ontem á noite e deixou aqui, me disse que tinha pedido para deixar aqui mesmo que depois vinha buscar. —ele disse entregando uma sacolinha.
Terrie pegou a sacolinha, agradeceu ao homem, mas antes de ir embora se vira e fala:
–-Vou partir para uma missão hoje e talvez fique alguns meses fora, não sei exatamente por quanto tempo. Pode ficar de olha no nosso apartamento?
O porteiro lança um sorriso triste para a moça e responde:
–-Claro!
Ela agradeceu de novo e foi em direção ao estacionamento, viu que Kirk já estava dentro do carro e deu graças a Deus por isso, entrou no porsche também e partiram. Deixou Edward no estaleiro dando um beijo de despedida e rumou para a base.
Durante a reunião falaram sobre os arquivos sumidos, as coisas reviradas, o ladrão fantasma e o sumiço do Dr. Edward Kirk, isso tudo entrava por uma orelha de Terrie e saia pela outra tal era a distração em que se encontrava. A reunião foi acabar lá pelas 15h35min. A moça saiu da sala de reuniões voando e dando graças a Deus por ter acabado tão cedo, foi se esconder na sala de treinos, afinal, tinha que fingir que não estava ansiosa, nem culpada e nem que dentro de alguns instantes ia para o arsenal bélico para roubar armamentos.
Viu alguns agentes passar por lá e tentou se concentrar no saco de areia á sua frente, depois de quase 1 hora na sala resolveu sair. Durante o trajeto usou a braçadeira eletrônica para dar pane no sistema de monitoramento por uma meia hora, deu uma checada rápida na área e foi pegar os armamentos necessários. A moça pegou 2 shotgun, 1 handgun, 1 escopeta e muita, mais muita, munição que dividiu tudo em 2 mochilas enormes camufladas que sempre ficavam naquela sala. Saiu de fininho da sala contando mentalmente quantos minutos ainda tinha e qual seria o caminho que pegaria para chegar lá fora sem ser vista. Resolveu sair pela saída de emergência ao lado da sala de Regina.
Colocou as mochilas nas costas, abriu a janela e desceu quase que escorregando pela a escada e caiu como gato ao chegar ao chão, se esgueirou pelas paredes e sem se importar muito em ser vista foi direto para seu carro. Colocou as mochilas no porta-malas e estava quase indo embora quando se lembrou que tinha que pegar medkits, então deu meia volta e pela porta da frente mesmo entrou de novo. As câmeras já tinham voltado a funcionar, mas a moça pensava “dane-se! Não fui tão longe para desistir agora!” e foi direto para a enfermaria. Encontrou-se com alguns soldados e agentes especiais no caminho que a cumprimentavam, ela cumprimentava de volta, se estava tendo sorte por não ter sido pega e nem parada no meio do caminho ela não sabia, mas não ia parar para descobrir.
Na enfermaria encontrou a enfermeira ao qual sem rodeios pediu uns 40 medkits m, pois tinha que levar para o caminhão que era o general que estava fazendo o pedido. A jovem mulher não questionou e foi enchendo uma grande sacola, Terrie olhava para todos os lados ansiosa e rezando para que ninguém a interceptasse na metade do caminho. A enfermeira entregou a sacola para a soldado que a pegou, agradeceu e dando meia volta saiu as presas de lá. Teve que tomar muito cuidado dessa vez, porque o numero de oficiais andando pelo corredor era muito grande, o que significava que a reunião ao qual Regina, Gail, Rick e os outros grandões tinham terminado. Foi se misturando com a multidão no hall de entrada quando os viu perto das portas do elevador, foi com grande alivio que saiu para o forte sol e rumou para o porsche.
Jogou a sacola no banco do motorista, entrou, deu partida e sem se despedir ou pedir para sair foi rumo ao estaleiro. Corria como louca, queria mais que tudo chegar no barco e ir para a ilha. Quando chegou lá notou que tudo já estava em ordem e o doutor descansava em cima da proa com um chapéu em cima do rosto.
Narrador OFF.
–-Ei! Já acabou Edward?—perguntei tirando as coisas do carro.
O vi tirar o chapéu de cata-ovo azul marinho do rosto, se levantar e pular do barco e vir em minha direção... SEM A MALDITA CAMISA. Era difícil me concentrar assim, mas ele veio do meu lado e pegou as duas mochilas e foi dizendo:
–-Não tinha muito o que concertar. Só tive que trocar o óleo e as correias, do resto tava tudo em ordem, ate o motor tá em ótimo estado. As compras não demoraram nem meia hora depois que pedi e já guardei tudo também. Suas “coisas” esta em cima da cama e a gasolina consegui uns 10 galões e enchi o tanque todo com 4, ta bom?
–-Tá ótimo!—fui dizendo tirando os medkits do banco da frente e trancando o carro—já podemos ir então! Foi visto?—ele negou e me perguntou “e você?”—Não sei e isso nem me importa! Agora vai arrumando as coisas e dando a partida no barco, enquanto vou trancando o barracão.
Depois que tranquei tudo e me certifiquei que só um tanque de guerra conseguiria entrar ali, me virei e me despedindo de Regina e pedindo desculpas do fundo do coração, fui em direção ao barco e dando adeus a vida que levava embarquei.
A viagem foi calma, foi só colocar o barco na rota certa e no piloto automático e de vez em quando dar uma olhada para ver se não tinha saído da rota. Ele e eu fizemos alguns planos para quando chegássemos, transamos umas cinco vezes, jantamos, tomamos banho e deitamos para dormir um pouco. De meia em meia hora nos fazíamos rodízio para ver como andava nossa rota. Foi perto das 02h00min da manhã que chegamos à ilha. Levantamos-nos e fomos para a proa, da onde estávamos notamos que estava tendo movimentação, mas não dava para saber o que era. Foram dez minutos mais tarde que, com horror, vimos o que era.
Um grupo de mercenários, provavelmente, estava sendo massacrado por um quinze ou mais velociraptors vindos da floresta escura. Dois deles pegaram um pobre rapaz e o estraçalharam no meio, um outro foi pego pela cabeça enquanto o amigo ao seu lado era atacado pela barriga. Em menos de dois minutos o grupo foi reduzido a um amontoado de carne sangrenta, o chão do cais estava lavado de sangue e iluminado pela lua a cena era inda mais nojenta ainda. Mesmo meio longe se via pedaços do que poderia ser pernas ou braços, uma coisa mais ou menos comprida parecia ter sido um tronco, pois ainda tinha pedaços de tecido nele. Quando os velociraptors perderam o interesse e já estavam saciados foram indo embora, todos em direção a floresta e sumiram na escuridão da madrugada.
Senti que nesse meio tempo o doutor e eu tínhamos nos abraçado e que ambos tremíamos, tínhamos parado longe o suficiente para que aquelas coisas não direcionassem o interesse delas em nós.
–-Dormimos aqui hoje e... amanhã cedo pensamos em um... um jeito de entrar. O... o que acha Terrie?—perguntou o homem com a voz entrecortada que me abraçava bem firme.
Afastei-me dele o pegando pela mão, indo em direção ao interior do barco, tranquei a porta e nos guiando ate o quarto pela escuridão mesmo peguei a handgun que tinha deixado carregada sobre a mesa da cozinha, consegui falar:
–-Ótima idéia!
Deitamos e ficamos nos encarando por um tempo, o medo palpitava no meu peito e podia ver, com a ajuda da luz da lua que entrava pela janela, nos olhos dele o mesmo medo. Então pensei: se o doutor estava assustado dessa forma sendo o culpado por isso, imagine Regina que deu de cara com isso sem saber e meu irmão que mesmo sabendo parecia meio nervoso naquele dia que ia sair em missão. Cheguei mais perto dele, o abracei e disse:
–-A culpa é toda sua!—odeio admitir isso, mas estava morrendo de medo e me aconchegar assim sempre me acalmou. Afinal, fazia anos que eu não tinha medo de nada.
Kirk retribuiu meu abraço e respondeu:
–-Eu sei... e agora posso admitir com sinceridade... sinto muito mesmo!
Não sei dizer, mas antes de entrar na inconsciência notei... sinceridade na voz dele? Algo tinha mudado dentro dele naquela semana, eu não sabia bem o que era, mas tinha mudado e minha visão dele também tinha mudado. Mas estava tão cansada fisicamente e emocionalmente que a conclusão ao qual cheguei ficou esquecida, escondida no fundo da minha consciência. Mas eu iria lembrar dela de novo, mas por enquanto me deixei envolver pelo véu do sono e me preparar para o amanhã que com certeza iria ser bem longo.
Narrador ON:
Uma figura vestindo uma roupa justa e preta observava a pequena embarcação do alto do penhasco, o mesmo lugar onde um dia Regina achou que Gail tinha caído, se levantou e falando no comunicador disse:
–-Chegaram!—Pausa— Afirmativo! A embarcação esta perto da costa, como proceder agora?—pausa— Entendido! Deixarei a lista em um lugar visível. Cambio e desligando.
A figura sorrateiramente foi ate a porta ali perto e sumiu sem deixar nenhum rastro.
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