Notas iniciais
Olá! Aqui está o capítulo cinco. Espero que gostem!

Marinette estava desacordada no chão. Quando abriu os olhos, confusa por não estar em seu quarto, viu a toca de Bunnix se fechar e, olhando para trás, encontrou quem mais temia.
— C-Chat Blanc? Mas como? Eu evitei esse futuro! — Disse, sentindo o medo invadir seu corpo na forma de um arrepio.
— Não dá pra "apagar" o passado quando se comete os mesmos erros. — Ele falou, referindo-se à borracha dada pelo talismã dela da outra vez que se enfrentaram.
— Mas… isso não faz sentido! — Gritou, levantando-se, mas percebeu que tudo o que havia feito até então a tinha levado para aquele futuro. Não adiantou apagar seu nome do presente de Adrien daquela vez se depois ele descobriria sua identidade da mesma forma. — N-não, isso não p-pode estar acontecendo de novo. — Disse, olhando ao seu redor. A torre Eiffel caída, a cidade debaixo d'água… Tudo como da última vez. — N-não… — Falou, colocando as mãos sobre a face, sentindo-se impotente contra aquilo tudo.
— Sim! Agora você entendeu que esse futuro é inevitável! Não dá para consertar nada! — Chat Blanc falou, fazendo a azulada sentir outro arrepio.
— Não! Vamos resolver tudo de novo!
— É claro que vamos resolver tudo! —Ele se aproximou dela lentamente, e suas mãos estavam prestes a tocar os brincos. — Agora que você voltou e agora que você vai me dar o seu miraculous! — Disse a mesma frase da última vez e ela despertou do transe, se afastando dele.
— Nunca! — Gritou. — Se eu te salvei uma vez, posso fazer isso de novo! — Chat Blanc lhe lançou um olhar frio que a fez estremecer.
— Está partindo mais do que o meu coração, Marinette. — De novo, ele repetiu a frase exatamente do jeito que ela se lembrava. Ladybug sentia uma espécie de déjà-vu, mas ao mesmo tempo notava um arrepio a percorrer. Então o que tinha ocasionado aquele futuro foi a revelação de suas identidades?
Ladybug e Chat Blanc iniciaram uma batalha corpo a corpo e azulada lutava contra o medo que tentava paralisar seus sentidos.
— Desista de lutar, Marinette! — Ele gritava — Tem um jeito mais fácil de isso acabar, sabia? É só você me entregar o seu miraculous! — Gritou da mesma forma que ela se lembrava e, como daquela vez, ele lançou seu poder onde ela pisava, o que a fez cair na água.
Novamente, encontrou a si mesma e Hawk Moth destruídos pelo cataclismo. Tocou em sua versão do passado, que se desfez. "Exatamente igual à última vez", ela pensava, sentindo o horror e o medo crescerem dentro de si.
"Me dá o seu miraculous pra eu poder fazer tudo voltar ao que era antes!", as palavras de Chat Blanc ecoaram em sua mente.
Ela balançava a cabeça, na vã tentativa de afastar aquelas lembranças que, agora, iriam se repetir. O ioiô que usava para respirar debaixo d'água afastava-se de sua boca enquanto se movia, mas, aterrorizada com suas memórias, ela nem percebia.
"Estava tudo perfeito até o Hawk Moth descobrir tudo. Quando alguém descobre, é só questão de tempo até todo mundo saber."
Com seus movimentos, o ioiô que permitia sua respiração se afastou dela, flutuando para cada vez mais longe. Ela nadava tentando alcançá-lo, sentindo os pulmões queimarem pela falta de oxigênio. Tentou ir até a superfície, mas suas pernas fraquejavam, não respondendo ao seu desejo de sair dali.
Seus pulmões clamavam por ar, ela sentia tudo ao seu redor escurecer aos poucos. Viu, flutuando, os pedaços da Ladybug do passado que tinha sido destruída pelo cataclismo.
Instintivamente, tentou respirar, mas, ao invés do oxigênio que os pulmões tanto pediam, foi a água que os atingiu. O afogamento era certo.
Era inútil tentar sair dali, era inútil lutar. Ela foi afundando aos poucos, aceitando seu temido destino. Mas antes que pudesse fechar os olhos, uma última lembrança invadiu sua mente.
"Foi o nosso amor que fez isso com o mundo, my lady"

***

Marinette levantou-se de súbito da cama, com a respiração ofegante, como se seus pulmões não recebessem ar havia muito tempo. Outro pesadelo com Chat Blanc. Mas esse havia sido muito mais real que os outros, de modo que as sensações ainda acelerassem seu coração, aterrorizando-a.
Ainda com a respiração ofegante, olhou para Tikki, que dormia tranquilamente sobre uma almofada.
Ela inspirou e expirou profundamente, tentando se acalmar, mas as últimas palavras de seu pesadelo ainda ecoavam em sua mente.

***

Nathalie sorria ao ver o noticiário do dia anterior e aumentou seu sorriso quando a câmera focou na expressão confusa e surpresa de Ladybug ao ver Mayura e Nathalie no mesmo local. Mais uma vez seu plano tinha dado certo. "Isso deve bastar para que eles me tirem da lista de suspeitas", pensava.
Não foi fácil criar um amok tão perfeito dela mesma e akumatizar depois, mas, ao perceber que tinha funcionado, ela sentiu que o esforço valeu a pena. Assim, Nathalie e Mayura apareceriam juntas, o que faria com que Ladybug parasse de desconfiar dela e, de quebra, ainda teria uma chance maior de pegar os miraculous, pois a transformação dos dois heróis estaria prestes a terminar depois de lutarem contra o akuma. Era o plano perfeito. E ela imaginou que finalmente conseguiria pegar as jóias para Gabriel quando notou que restavam apenas alguns minutos para Ladybug e Chat Noir se transformarem de volta. Mas ocorreu um imprevisto. A heroína conseguiu distraí-la para que ela e seu parceiro pudessem sair dali. Esse pequeno contratempo, é claro, não seria o suficiente para fazer Nathalie desistir, e, logo, ela pôs-se a correr atrás deles. Porém, antes que alcançasse os heróis, ela teve uma crise de tosses, ocasionada pelo uso do miraculous quebrado. Ela achou que, quando Gabriel o consertasse, não teria mais esse problema, mas pelo visto estava enganada. Ao não seguir a recomendação de repouso do médico, a "doença do miraculous", como ela chamava, voltou para atormentá-la. E isso gerou impactos no seu amok. Sua cópia estava no chão e poderia se desfazer a qualquer momento se a tosse e a dor que ela sentia continuasse. Algumas pessoas perceberam que Nathalie, a amok, parecia mal e tentaram se aproximar. "Não! Saia daí!", Mayura ordenou e Nathalie amok o fez.
Levantou-se para ir atrás dos heróis, mas novamente foi atingida por uma crise de tosse e precisou se apoiar para não cair. Percebeu que não conseguiria prosseguir e corria o risco de ser derrotada de vez por Ladybug e Chat Noir. Impaciente, mas exausta, ela voltou para casa.
"Eu estava tão perto!", pensou e desligou o noticiário, "Mas pelo menos eles não desconfiam mais de mim."

***

No intervalo das aulas, as amigas de Marinette conversavam animadamente, enquanto a azulada estava com um olhar distante, ainda atormentada pelo pesadelo que tivera naquela noite.
Suas sensações durante o sonho se repetiam em sua mente. "Eu achei que evitaria aquele futuro se apagasse meu nome do presente do Adrien naquele dia…", pensava, "Mas do que adiantou isso se descobrimos as identidades do mesmo jeito? Estamos a cada passo garantindo aquele futuro".
— Terra chamando Marinette. — Alya brincou e a azulada voltou-se para ela. — Geralmente você ficava assim quando pensava no Adrien… — Ouvir o nome dele fez com que Marinette o encarasse. Ele ria enquanto conversava com Nino, um pouco distante dali.
"Quando alguém descobre é só questão de tempo até todo mundo saber", as palavras de Chat Blanc voltaram a repetir-se em sua mente.
— Nossa, ela ficou tão pálida de repente… — Mylène observou.
— Amiga, tá tudo bem? — Alya perguntou, olhando para a expressão aflita da azulada.
— T-tá, eu só… tive um pesadelo muito real hoje, não consigo parar de pensar nele. — Falou, pois, além de não encontrar nenhuma desculpa, não viu razão para esconder aquilo. Mas é claro que iria ocultar sobre o que se tratava.
— Nossa, isso aconteceu comigo esses dias também, foi
horrível! — Mylène comentou. — Sonhei que tinha sido akumatizada de novo e que prendia todo mundo, até minha família. Fiquei quase uma semana sem dormir direito.
Logo, todas começaram a comentar sobre os pesadelos que já tiveram.
— Mas fica tranquila, foi só um sonho. — Rose falou.
— Vocês acreditam naquela história de que os sonhos querem nos avisar alguma coisa? — Alix falou, chamando a atenção de Marinette.
As meninas começaram a expressar suas opiniões, que, cada vez mais, assustavam a azulada.
— Algumas pessoas dizem que eles estão apenas transmitindo nossos medos e pensamentos mais profundos. — Alya comentou.
— É… mas várias pessoas que eu conheço já disseram que sentiram o sonho lhe avisar algo e aquilo aconteceu mesmo. — Mylène disse.
A discussão continuou, com cada uma contando uma história que atemorizava Marinette.
E se aquele pesadelo estivesse querendo lhe avisar algo? Pedindo para que evitasse aquele temido futuro? "Mas… as identidades já foram reveladas, não há nada que eu possa fazer para mudar isso", pensava, mas, sem perceber, voltou o olhar para Adrien.
"Foi o nosso amor que fez isso com o mundo, my lady", aquelas palavras voltaram a se repetir na mente dela.
"Ou talvez há", ela pensou, sentindo um súbito aperto no peito ao pensar naquela possibilidade.

***

Adrien aguardava Marinette na porta da escola para fazer-lhe uma surpresa. Quando ela se aproximou, ele sorriu.
— Oi, você vai adorar isso: o "senhor ocupado" aqui está com a tarde livre hoje. — Disse ele, referindo-se ao apelido que ela lhe dera. Mas seu sorriso se desfez ao encarar a expressão desanimada de Marinette. — O que foi? Já tem compromisso hoje? Não tem problema, podemos deixar para outro dia.
— Não, não, eu… tô livre também. — Ela falou, ainda um pouco distante.
— Bom, então mais tarde eu passo para te buscar. — Ele se aproximou e falou um pouco mais baixo — Pensei em sairmos para algum lugar, mas nosso "segredinho" nos impede de ficarmos próximos em público, então acho melhor irmos pra minha casa, tudo bem? — Ela assentiu, embora mal tivesse escutado o que ele havia dito, pois estava perdida em seus pensamentos.
Mais tarde, Adrien a lembrou do seu convite por mensagem e ela sentiu-se mal por não estar com o menor ânimo para ir à mansão. "Eu tenho que esquecer aquele pesadelo! Como a Rose disse, foi só um sonho…", pensava, para ver se conseguia animar-se para ir, mas não adiantou muito.
Mesmo assim, se arrumou e esperou o carro de Adrien chegar para buscá-la.
— Preparada para ser derrotada no videogame? Não achou que eu fosse desistir tão fácil, achou? — Adrien disse e ela forçou um sorriso, entrando no carro logo em seguida.
O loiro falava animadamente, enquanto ela se limitava a olhar para a janela e a respondê-lo com poucas palavras de vez em quando, distraída.
Quando chegaram à mansão, os pensamentos e receios dela ganharam uma nova dimensão ao encarar Nathalie. A tarde anterior lhe veio à mente, trazendo a incerteza sobre a mulher estar envolvida nos planos de Gabriel para pegar os miraculous. As mesmas dúvidas voltaram a atormentá-la. Quem era Mayura? Por que os últimos vilões que enfrentaram pareciam mais poderosos? Gabriel tinha voltado?
"Estava tudo perfeito até o Hawk Moth descobrir tudo…"
Chat Blanc voltou a dominar sua mente. Ela sentia que ia enlouquecer.
— Marinette? — Despertou do transe ao ouvir a voz de Adrien, que já estava no segundo degrau da escada. — Vamos lá pra cima? Já perguntei umas três vezes…
— A-ah, claro. Vamos.
Logo, os dois estavam jogando videogame no quarto dele e a azulada estava mais distraída do que nunca, totalmente imersa em seus pensamentos.
— Há! Não falei que seus dias como rainha desse jogo estavam prestes a acabar? — O garoto brincou, iniciando uma dança de comemoração que conseguiu arrancar um sorriso da menina. — Mas acho que hoje você não está nos seus melhores dias, né? Tinha horas que nem parecia que você estava jogando… — Ele comentou, rindo, mas percebeu a expressão distante dela. — Ei, o que houve? Achei que você estava só cansada, mas mal falou uma frase desde que chegou. Tá tudo bem?
"Agora você entendeu que esse futuro é inevitável! Não dá para consertar nada!", Chat Blanc voltava a atormentá-la. Ela balançou a cabeça, tentando afastá-lo de seus pensamentos.
— T-tá sim. Estou só cansada mesmo. Não vai se acostumando com a coroa do rei desse game não, hein. — Ela brincou e ele selou seus lábios com um beijo.
"Não dá pra 'apagar' o passado quando se comete os mesmos erros", as palavras ecoaram na mente dela e Marinette interrompeu o beijo.
— Eu… estou muito cansada mesmo. Preciso ir. Te vejo na escola amanhã. — Ela levantou-se, mas não antes que o loiro lhe roubasse um selinho.
— Até amanhã, princesa.

***

Marinette encarava o teto de seu quarto após olhar para o relógio do celular, que marcava quatro e meia da madrugada. Mal conseguira dormir. As palavras de seu temido pesadelo repetiam-se em sua mente em todos os sonhos que tivera.
Não lembrava de ter lhe acontecido nada semelhante alguma vez. Já teve pesadelos que pareciam tão reais quanto aquele, mas, com os acontecimentos do dia, acabava esquecendo-se deles. Porém, ela sabia que boa parte daquele sonho não havia sido fruto de sua imaginação. A maioria vinha de suas lembranças da batalha real com Chat Blanc e talvez fosse isso que a fizesse sentir tanto medo. Aquilo realmente chegou a acontecer na vida real, não era como aqueles pesadelos "normais" em que era perseguida por fantasmas ou que caía sem parar. Ela viu aquele futuro, ouviu aquelas palavras.
E agora o temor do pesadelo juntava-se à suas incertezas sobre Hawk Moth e Mayura, além, é claro, do receio de que talvez aquele sonho tivesse algo para lhe dizer.
Ela e Adrien sabiam, desde o dia em que descobriram suas identidades, que aquela revelação não devia ter acontecido. Apesar de ficarem felizes por saber quem estava por trás da máscara, tinham consciência de que era arriscado e que tinham "quebrado uma regra". Mas não podiam mudar o passado.
Eles estavam juntos e isso bastava, mas agora esse fato atormentava a jovem de cabelos azuis. "Não dá para mudar o passado, mas o futuro sim", pensava, mas foi novamente invadida pelas palavras de Chat Blanc.
"Esse futuro é inevitável!"
Ela lutava contra uma lágrima insistente, mas foi em vão. E, ao libertar uma, as outras logo vieram. Mesmo sabendo daquele futuro terrível, ela o garantiu com seus atos. Sentia-se impotente e, ao mesmo tempo, culpada.
"O que foi que eu fiz?".

Notas finais
(Momento surto da autora) AAAAAAAA O CHAT BLANC!!! EU TÔ TENDO UM TRECO SOCORROOO Surtos à parte, gente, o que foi isso? kkkkkk Ok, vou parar de falar desse capítulo hahah! Vou postar o próximo capítulo depois de amanhã (quinta-feira), por volta desse mesmo horário. Obrigada por ler!