Um Plano Irrecusável Parte II
22 Final.
Notas iniciais
2 meses depois...
Abriu os olhos ao sentir um certo arrepio percorrer seu corpo. Olhou para o miraculous preso em suas roupas, que brilhava ao indicar mais uma emoção negativa naquela semana. Sorriu, levantando-se da cama.
Tocou na jóia, lembrando-se do que tinha acontecido há dois meses:
Desceu do elevador e encarou aquela cena, sem acreditar no que via. Ladybug, Chat Noir, Hawk Moth e Mayura estavam ali, à sua frente, no meio do que parecia ser uma batalha épica pelos miraculous.
Certamente não imaginou que veria isso quando tocou, há poucos minutos, a campainha da mansão Agreste repetidas vezes sem obter resposta alguma. Estava prestes a voltar para casa quando, por alguma razão estranha, notou que o portão não estava trancado como tinha imaginado, mas apenas encostado. "Eu não acredito que só notei isso agora!", pensou naquele momento, impaciente. Abriu o portão e caminhou pelo jardim até chegar à porta da casa.
— Gabriel? Está aqui? — Perguntou para a enorme sala vazia, não obtendo respostas.
Iria sair dali quando ouviu um barulho estranho vindo do escritório de Gabriel. Correu até lá, encontrando a secretária dele, que cambaleava um pouco, tocando certos pontos de um quadro de Emilie.
Observou tudo, percebendo que Nathalie nem tinha notado sua presença ali. De repente, um círculo se abriu sob os pés da secretária, que foi levada em uma espécie de elevador para o que parecia ser o subsolo da mansão.
Aquilo tinha sido surpreendente. O que a secretária de Gabriel poderia esconder?
Se aproximou do quadro de Emilie assim que Nathalie desapareceu do cômodo. Tocou no quadro, errando algumas vezes até que finalmente colocasse a senha certa. Então, também desceu pelo estranho elevador até o local que estava agora.
Ladybug, Chat Noir e Hawk Moth pareciam surpresos demais ao olhar para a mulher com os trajes azuis, de modo que nem notaram que havia mais alguém além deles ali.
Não demorou muito para que sua mente ligasse os pontos e, então, escondeu-se em um canto escuro do covil, observando a cena para ver no que aquilo ia dar.
Quando as armas do covil foram ativadas, continuou a observar tudo de onde estava, mas, ao ver o celular de Gabriel no chão, tentou se aproximar dele sem que ninguém visse, ao mesmo tempo em que desviava dos mísseis que saíam das paredes.
Quando as armas finalmente pararam de ser disparadas e Hawk Moth jogou-se no chão, a pessoa que até o momento tinha observado tudo em silêncio sentiu que estava na hora de agir. Olhou para o celular em suas mãos e depois para o local em que Gabriel estava. Não era uma distância muito grande, mas, se falhasse, teria que enfrentar os dois heróis.
De repente, Chat Noir começou a falar e todos pareciam distraídos demais com o que ele dizia.
Correu até Gabriel Agreste, pegando o cetro que estava ao lado dele, no chão. Pensou em ligar a energia para descobrir a identidade de Chat Noir, mas, se fizesse isso, poderia arruinar seu plano.
Assim, usou a memória visual para correr até Hawk Moth, o atingindo com o cetro. Puxou a jóia presa próximo ao pescoço do vilão, que estava no chão após ter sido atingido.
— Parece que teremos trabalho hoje, Nooroo. — Disse, trancando a porta do quarto.
O pequeno kwami tentou esconder sua tristeza por ainda não ter sido libertado.
— Mais uma vez, mestre? — Perguntou, com a voz baixa. A garota riu de um jeito assustador.
— Sim, mais uma vez. E… mestre? Já disse que pode me chamar de Lila.
Nooroo assentiu. Ela nem parecia tão assustadora aos olhos de outras pessoas, mas só o kwami sabia tudo o que ela tinha feito nas últimas semanas. Mentia tanto e de forma tão natural que ninguém notava o segredo que escondia há dois meses.
Levou apenas uma semana para aprender os poderes das jóias e akumatizar sua primeira vítima. Nooroo viu pelo noticiário a expressão surpresa de Ladybug e Chat Noir ao enfrentar um akumatizado tão forte, principalmente depois de Gabriel ter sido preso.
O kwami tentou fugir diversas vezes, mas Lila aprendera a proibí-lo de sair de perto dela, assim como Gabriel fazia. Além disso, Nooroo também tinha sido afetado pelo feitiço que o impedia de contar a identidade de sua portadora, da mesma forma que Tikki e Plagg, portanto, mesmo que conseguisse sair, seria muito difícil conseguir falar a verdade para alguém.
Viu Lila olhar para si mesma no espelho enquanto tocava a pequena jóia que a transformaria em vilã, embora o kwami soubesse que ela não precisava de poderes para ter aquele título.
— Nooroo, asas negras cresçam! — Gritou, encarando-se no espelho, agora vestida com os trajes roxos.
*
Marinette estava descendo as escadas quando lembrou que tinha deixado o celular no quarto. Voltou correndo para pegá-lo no momento em que chegou uma mensagem de Adrien.
Já estamos indo, você já está no parque?
Ainda não, mas estou saindo agora.
Dessa vez eu não vou chegar atrasada kkkkk
Assim que enviou a mensagem, o alerta akuma ressoou pelo quarto.
Não vai se atrasar, é?
Ela sorriu ao ler a mensagem do namorado.
Não foi culpa minha dessa vez kkkkk
— Nem no meu aniversário eu tenho descanso, Tikki. — As duas riram — Tikki, transformar!
Logo, os dois heróis enfrentavam mais um akumatizado da nova portadora do miraculous da borboleta.
Ao longo daquele último mês, perceberam o quanto os planos dela eram mais elaborados do que os de Gabriel. O simples fato da nova portadora ter conseguido pegar o miraculous sem que os dois a vissem já mostrara o quanto era inteligente.
Adrien e Marinette puderam confirmar isso ainda mais quando, ao olharem o registro das câmeras do dia da batalha contra Gabriel, não encontraram ninguém entrando na mansão. Tentaram, com a ajuda de Max e Markov, rastrear o celular de Gabriel, que foi levado pela nova vilã, mas pelo visto o aparelho tinha sido destruído. Quem quer que fosse a nova Hawk Moth, era alguém calculista e que raramente seria surpreendida.
Mas os heróis logo estavam enfrentando os akumatizados com a certeza de que um dia conseguiriam recuperar de vez o miraculous da borboleta, mesmo que sentissem que isso talvez fosse demorar mais do que o esperado.
— Zerou! — Disseram juntos, cerrando os punhos.
— Espero que ninguém estranhe o meu atraso de meia hora na minha própria festa. — Ladybug falou enquanto saltavam pelos telhados.
— Ah, fique tranquila, já estamos acostumados com os seus atrasos. — Disse Chat Noir e ela lhe lançou uma careta, o fazendo rir.
***
Marinette olhou para seus amigos que conversavam durante a festa e se afastou para observar a paisagem. O pôr do sol refletia no rio Sena e feixes de luz dourada tocavam seu rosto. Fechou os olhos e respirou fundo, como se quisesse guardar cada segundo daquele momento em sua memória. Foi surpreendida quando Adrien a abraçou por trás, depositando um beijo em sua bochecha.
— E então, como está a aniversariante mais linda que essa cidade já viu? — Ele falou, arrancando um sorriso da namorada, que logo virou-se para beijá-lo.
— Ela não está conseguindo acreditar em tudo o que viveu nesse último ano.
— Pode ter certeza de que você não é a única. — O loiro voltou a abraçá-la, observando a paisagem junto com ela.
— Adrien, Marinette, venham tirar foto na mesa! — Sabine falou e sorriu ao ver o casal abraçado.
Emilie se juntou a ela, com um sorriso tão intenso quanto o da mãe de Marinette.
— Acho que eles estão meio ocupados… — A mãe de Adrien disse, ainda sorrindo. — Melhor não interromper. — Sabine a encarou, também com um sorriso nos lábios.
— Dá pra acreditar que nós vamos para o último ano da escola? Quando foi que o tempo passou que eu não vi? — A azulada falou, caminhando ao lado dele. — Parece que foi ontem que eu estava na porta do Colégio Françoise Dupont e um certo loirinho me ofereceu seu guarda-chuva.
— Alguém está nostálgica hoje… — Ele comentou, passando os braços ao redor dela enquanto andavam até a mesa. Os dois sorriram ao ver Nathalie e Gorila chegarem ao local e cumprimentarem a azulada.
Depois que a festa terminou, Adrien e Marinette permaneceram no parque. Ela levou uma toalha que usava para fazer piquenique e os dois deitaram para observar as estrelas enquanto conversavam.
— Teve mais um julgamento essa semana. A pena foi reduzida a um ano e quatro meses. — Falava Adrien — Eu já imaginava que meu pai não ficaria muito tempo na cadeia com os melhores advogados que o dinheiro dele consegue pagar…
— Acha que ele vai atrás de vocês?
— Sem dúvida. — Disse, com uma expressão um tanto aflita. — Mas… eu o fiz prometer que manteria distância de nós, pelo menos por enquanto. Ele diz estar arrependido e… por incrível que pareça, acredito nele.
— Como ele reagiu quando soube que sua mãe estava de volta? — Marinette perguntou.
— Não te contei essa? Caramba! Ele praticamente surtou lá! Achou que tínhamos usado o poder absoluto e tudo…
— Você falou a verdade?
— Não deu pra falar muita coisa com os policiais ouvindo, a não ser que eu quisesse que descobrissem minha identidade secreta.
Passaram mais alguns minutos conversando sobre Gabriel Agreste até que Adrien contou, muito feliz, como estava sendo conviver com sua mãe novamente. Disse que Nathalie os visitava bastante, e que ela tornou-se uma grande amiga de Emilie, mas, apesar disso, nunca revelou que Adrien era Chat Noir, a pedido dele. As identidades precisavam ser secretas, ainda mais que havia uma nova portadora do miraculous da borboleta.
— Então… a patrulha de hoje terá uma pequena surpresa de aniversário. — Adrien falou, virando-se para Marinette.
— Ih… por que eu estou sentindo que "patrulhar" vai ser a última coisa que iremos fazer nessa patrulha? — Ela disse e o garoto corou. — Tanto tempo juntos e eu ainda consigo deixar você vermelho. — O loiro riu e se aproximou para beijá-la.
— Vamos ver quem vai ficar corada depois da minha surpresa. — Marinette arregalou os olhos e colocou as mãos sobre a face para esconder as bochechas ruborizadas. Adrien riu e a beijou novamente.
— E pensar que tudo isso começou com um plano maluco de namoro falso, que não fazia o mínimo sentido e que tinha um milhão de motivos para eu não aceitar.
— Mas que você acabou aceitando no final das contas, não é? — Ela sorriu.
— É… vou admitir, era realmente um plano irrecusável.
E ali, beijando-se sob as estrelas, Adrien e Marinette tinham a certeza de que poderiam enfrentar tudo o que viesse, desde que estivessem juntos. Afinal, eram Ladybug e Chat Noir, a dupla imbatível.
— Eu e você contra o mundo? — Ele perguntou entre beijos.
— Sempre.
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