Notas iniciais
Olá! Aqui está o capítulo quatorze, espero que gostem!

Marinette olhava para as amigas, certificando-se de que todas estavam dormindo. Sem sono, a azulada caminhou lentamente e em silêncio até a varanda, tomando cuidado para não acordar as meninas, que dormiam nos diversos colchões espalhados pelo chão, assim como ela.
Ao chegar na varanda, lembrou das conversas que tivera com as amigas sobre a época que fingia namorar Chat Noir. Nem parecia que aquilo acontecera há um mês. Tanta coisa tinha acontecido depois… Começou a se aproximar de Adrien como amiga, mas não demorou para que os dois percebecem que queriam mais, porém, imaginando que ele estava com Kagami, a azulada precisava se contentar com a amizade. E, ao mesmo tempo, recebia as visitas de Chat Noir em sua varanda. Ela lembrava de suas conversas, dos filmes que assistiram juntos, das risadas e da vez que quase se beijaram.
Lembrou, sorrindo, do dia em que ela e Adrien também quase se beijaram no carro dele e que, alguns dias depois, o loiro ousou lhe perguntar se ela queria que o beijo não tivesse sido só pela metade. Naquele mesmo dia, quando já tinha anoitecido, Adrien foi à sua casa e a chamou para ir ao cinema. Era incrível lembrar cada detalhe daquela noite. O perfume que ele usava, seu cabelo levemente bagunçado por causa do vento forte que surgiu no caminho entre a casa dela e o cinema. O misto de nervosismo e felicidade que ela sentiu quando ele lhe contou que era só amigo de Kagami. Seus lábios macios chocando-se contra os dela quando ela disse que não queria que aquele beijo tivesse sido só pela metade…
E então, as identidades foram reveladas e ela descobriu que os dois garotos que tinham roubado seu coração eram a mesma pessoa.
Marinette sorria com a lembrança, mas seu sorriso se desfez ao recordar a distância que os afetava no momento atual e ao sentir que boa parte da culpa por aquilo ter acontecido era dela.
Precisava seguir os conselhos de suas amigas e sua própria intuição e falar com ele. Não apenas conversar sobre outras coisas e fingir que estava tudo bem, como sempre fazia. Mas entender o que os afastou tanto e a razão de ainda sentir um aperto no peito ao pensar que Adrien quase tinha sido akumatizado. Precisava superar de vez aquele medo que a atormentava desde o dia em que Chat Blanc voltou à sua mente.
Decidida a parar de deixar tudo para depois, ela se transformou e, sentindo a brisa gélida da madrugada tocar sua face, saltou sobre os telhados até chegar à mansão Agreste. Encontrou o namorado observando a noite nublada de Paris através da grande janela de seu quarto, parecendo tão pensativo quanto ela estava naquele momento.
Porém, ele sorriu ao vê-la se aproximar. Pediu que ela esperasse e se certificou de que Nathalie não a veria — embora ela provavelmente já estivesse dormindo — fechando a porta do quarto em silêncio.
— Oi. — Ele sussurrou ao abrir a janela e Marinette desfez a transformação. Tikki se afastou e, repousando sobre uma almofada ao lado de Plagg, adormeceu rapidamente.
— Espero que ela me desculpe por ter interrompido o sono dela… — Marinette falou, rindo sem humor. Talvez pelo olhar que Adrien a lançou, a azulada percebeu que ele devia estar estranhando aquela visita repentina, principalmente de madrugada.
Ele sentou no sofá e ela fez o mesmo, ambos perguntando-se como começariam a falar.
— Eu preciso conversar com você.
— Eu preciso conversar com você. — Disseram juntos e riram levemente.
— Pode começar. — A azulada falou, dando espaço para que o loiro finalmente libertasse os diversos sentimentos guardados em relação a vários assuntos.
Falou sobre a solidão que sentia naquela casa, apesar das tentativas de conversa de Nathalie.
— Ontem ela tentou falar comigo depois do jantar, perguntou como estava na escola e se eu estava bem, mas eu não consegui falar a verdade. Fiquei tanto tempo esperando que o silêncio dessa casa sumisse de vez e, quando tenho a oportunidade, não consigo.
Explicou sobre dificuldade que estava tendo para expressar o que sentia nos últimos dias e Marinette o compreendeu, pois também estava se sentindo daquela forma.
Adrien passava o olhar de seus próprios pés para os olhos azuis de sua amada, sentindo um certo alívio por finalmente libertar o que sentia.
Quando começou a falar sobre o pai, a azulada sentiu um aperto no peito ao ver que ele segurava as lágrimas.
— Então eu percebi que o problema é que eu tenho evitado esse assunto até de mim mesmo. Sempre que o meu pai aparece em meus pensamentos, eu começo a pensar em outra coisa. Eu achava que fazia a coisa certa, que estava evitando sentimentos negativos, mas toda vez que alguém perguntava sobre ele, eu sentia que devia contar, parar de guardar tudo para mim, sabe? Mas não dava. Acho que justamente por não pensar nele, eu não conseguia sequer falar sobre isso com alguém… — Ele fez uma pausa para recuperar o ar. — Eu ainda não entendo por que estou assim. Caramba, faz mais de um mês que descobrimos que ele era o Hawk Moth! Mais de um mês daquela batalha ridícula que ele mandou a Nathalie akumatizada para nos distrair enquanto ele fugia de nós, fugia de pagar pelos seus erros, fugia de ao menos tentar explicar para mim por que fazia aquilo. Ele disse naquele bilhete idiota que fez o que fez para trazer nossa felicidade de volta… Como? Abandonando a todos e fugindo para sei lá onde? — Adrien suspirou — E eu fico aqui… com raiva por estar me preocupando com ele, me perguntando se ele vai voltar ou se já voltou e eu não sei, me perguntando o que vai acontecer se ele resolver aparecer aqui, se vou conseguir sequer lutar com ele por causa de duas jóias mágicas que eu nem sei por que razão ele quer tanto. — O loiro colocou as mãos sobre o rosto e Marinette o abraçou, deixando que ele libertasse as lágrimas que tanto insistiam em cair.
— Desculpa, eu devia ter estado ao seu lado, eu sabia que era um momento complicado e… — Ela falou, o abraçando. Iria continuar, mas foi interrompida.
— Tudo bem, você também estava lutando contra os seus problemas… — Disse o loiro, desfazendo o abraço e a encarando como se dissesse "sua vez".
— Nem sei como começar… — Adrien tocou sua mão e ela puxou o ar antes de lhe contar sobre seus receios que tanto os afastou. — Eu… nem sei se posso te contar isso… Lembra da Bunnix do futuro? Que nos ajudou com o Tagueador do Tempo? — Ele assentiu — Um dia ela apareceu, dizendo que voltava ao passado para impedir que algo terrível acontecesse no futuro. Então, ela me levou lá e encontrei você akumatizado. Era horrível, Adrien… Eu não sei ao certo o que aconteceu antes daquilo, só sei que sabíamos nossas identidades secretas e acho que foi isso que desencadeou aquele futuro. E… depois disso eu meio que tentei esquecer o que eu tinha visto, até porque naquele dia eu voltei ao presente corrigi o erro que quase revelou nossas identidades, então achei que não tinha a menor chance de tudo acontecer. Mas então nós descobrimos nossas identidades da mesma forma e eu voltei a pensar naquele futuro terrível de novo…
— Então foi por isso que você ficou tão abalada naquele dia que quase fui akumatizado… — Ela assentiu e se abraçaram novamente.
— Mas isso não justifica, Adrien. Eu me afastei no momento que você mais precisava e eu sinto que foi isso que quase te akumatizou, que quase garantiu o futuro que eu tanto temia. Eu… cheguei a achar que seria melhor que nos afastássemos, para evitar aquele pesadelo, mas eu fui egoísta, pensei só nos meus problemas, esquecendo que… — Ele colocou o indicador sobre os lábios dela, sorrindo levemente. Ficaram abraçados por um bom tempo, libertando as lágrimas e as palavras que tanto tinham guardado naqueles últimos dias.

***

Tenho uma visão perfeita do templo dos miraculous daqui, mas todas as minhas tentativas de invadi-lo falharam. A segurança é muito reforçada, parece que eles também lêem os jornais de Paris e sabem que queremos os miraculous. Talvez o melhor jeito de entrar seja usando uma das jóias, ou melhor, duas delas…
Por falar nisso, faz tempo que não leio notícias sobre novos vilões e agora, pelo que li nos noticiários, há muitas garotas com corações partidos por causa do anúncio do namoro do meu filho que dariam ótimas vilãs. Há algum problema com as jóias e por isso você não está aproveitando tantos sentimentos negativos? De qualquer forma, meu retorno não está tão distante. Em breve vamos trabalhar juntos de novo.

Nathalie leu a mensagem, sentindo um misto raiva e decepção tomar conta de si. Gabriel nem sequer perguntara por Adrien! Pelo contrário, queria que ela aproveitasse as emoções negativas que o relacionamento do menino causava.
Lembrou das emoções que sentiu quando quase akumatizou Adrien e do olhar triste que ele exibia naqueles últimos dias.
Ela tossiu repetidas vezes e, ao sentir-se um pouco tonta, desligou a tela do celular, repousando de vez a cabeça sobre o travesseiro.
Não podia continuar a fazer o que Gabriel queria. Além de sentir que a "doença do miraculous" a atingia de um modo mais forte do que antes, ela sabia que aquilo não era certo.
Há alguns meses, cega por sua admiração e interesse amoroso por Gabriel ao ver que ele faria tudo por sua família, tinha aceitado ajudá-lo a atingir seu objetivo e prometido a ele e a si mesma que faria de tudo para pegar os miraculous e trazer Emilie de volta, trazer aquela família de volta.
"A que preço?", Nathalie se perguntava agora. Machucava pessoas inocentes para atingir aquele objetivo e, mesmo que o poder de Ladybug restaurasse tudo ao final da batalha, não era justo que colocasse outras pessoas em risco para fazer o que Gabriel desejava.
O olhar triste de Adrien voltou à sua mente. "Talvez se a Emilie retornar, ele possa ser feliz de novo…", pensava, tossindo novamente.
Ainda com aquela indecisão a atormentando, ela adormeceu.

***

— Desculpa não ter te contado antes… — Marinette falou, referindo-se à Chat Blanc. — Achei que quebraria algum tipo de… "lei do tempo", sei lá. Se a Bunnix aparecer do nada, já sabe que ela vai dar um jeito de apagar sua memória pra esquecer que eu te contei isso, né? — Ela riu sem humor.
— Eu não entendo muito de viagem no tempo, mas acho que não vai acontecer de novo. Pelo menos não exatamente igual à última vez, quer dizer, a única coisa que você sabe que pode ter desencadeado aquele futuro foi termos descoberto as identidades?
— É… — Percebendo a preocupação dela, o loiro lançou-lhe um sorriso reconfortante.
— Não vai acontecer de novo, princesa, o futuro não está escrito em pedra. E, se acontecer, tenho certeza que você vai me salvar de novo. — Ela sorriu também e permaneceram em silêncio por alguns instantes. — Mas temos que confiar um no outro, Marinette. Digo isso pra você e pra mim. Passamos por muita coisa e se guardarmos tudo pra nós vamos enlouquecer. — Ele falou, lembrando-se que Kagami tinha dito isso para ele há alguns dias.
— Eu sei… De agora em diante, somos eu e você contra o mundo.
— Sempre. — Ele respondeu e selou seus lábios com um beijo.
Ambos sentiam um misto de alívio e felicidade tomar conta de seus corpos. Finalmente tinham libertado aqueles sentimentos que tanto os atormentavam e, apesar dos problemas ainda existirem, era incrível saber que poderiam contar um com o outro para enfrentá-los.
Logo, estavam observando as luzes da cidade pela enorme janela do quarto dele, abraçados.
— Sabe de uma coisa? Estou aliviado por finalmente não precisarmos mais esconder que estamos juntos. — Disse ele. — Sério, eu não aguentava mais dizer "ela é apenas uma amiga". — Marinette o encarou com uma sombrancelha arqueada.
— Falou o garoto que ficou repetindo isso por meses antes de me notar…
— Ei! — Ela riu da falsa expressão brava dele.
— Mas eu concordo com você. É realmente muito bom parar de esconder isso, principalmente das minhas amigas. Bom, claro que vai ser bem chato ler manchetes do tipo "Podem chorar, garotas: o coração de Adrien Agreste já tem dona!" e ser perseguida por fotógrafos e tudo mais…
— Mas vamos passar por isso juntos, my lady. — Ele completou e selaram seus lábios com um beijo rápido.
Após se separarem, Marinette bocejou e olhou para Tikki.
— É… acho que está na hora de ir, gatinho.
— Ah, mas já? Amanhã nem tem aula… O que acha da gente ir ao cinema, que nem naquele dia que…
— Adrien, são três da manhã! — Os dois riram.
Eles permaneceram mais alguns minutos conversando ali e olhando as luzes de Paris. Marinette deitou a cabeça sobre o ombro dele, sentindo uma tranquilidade que já não sentia há dias. Não pensavam em akumas, nem em vilões, e nem em futuros aterrorizantes. Estavam juntos e, o que quer que viesse, sentiam que iriam encarar juntos também.
— Já disse que você fica linda com esse pijama? — A azulada corou e olhou para suas roupas, tinha até esquecido que estava com aquele pijama de gatinho. — Me lembrou aquele dia que fomos ao cinema juntos pela primeira vez. Eu com um capacete e você de pijama e com uma toalha na cabeça. — Os dois riram com a lembrança e permaneceram alguns instantes em um silêncio confortável, completamente diferente do que ocorrera mais cedo, na escola.
— Sério, Adrien, é melhor eu ir pra casa. — Ela falou, quebrando o silêncio.
— E vai acordar a Tikki? Ela parece estar tendo um sonho tão fofinho…
— Você está falando isso por que acha que é verdade ou por que quer que eu fique? — Disse a azulada, e ele sorriu, jogando-se na cama.
Logo, ela estava deitada ao lado dele, o abraçando.
— Ué, e o papo do "está tarde, preciso ir?" — O loiro falou e Marinette riu levemente.
Ela começou a acariciar os fios loiros, lembrando que uma vez tinha feito isso com Chat Noir em sua varanda e ele tinha ronronado. Sorriu com a lembrança e fechou os olhos, tentando captar cada segundo daquele momento.
Os dois adormeceram abraçados, sentindo o perfume do outro e desejando que nunca mais se afastassem.

Notas finais
Aaaaaa que fofo kkkkkk (Mas pausa pro surto porque ele finalmente tiveram a "sessão desabafo": AEEEEEE FINALMENTEEEE ELES CONVERSARAAAMM NÃO AGUENTAVA MAIS ESSES DOIS SE LAMENTANDO PELOS CANTOS FSBIJFSBDSBSOSOS) KKKKKKKKKKKKKKK O próximo capítulo sairá amanhã. Obrigada por ler!