Notas iniciais
Olá! Aqui está o capítulo quatorze. Espero que gostem!

Kagami caminhava até o parque no qual tinha passado quase todas tardes daquelas duas semanas. Desde o dia em que chegou quase duas horas depois do combinado com sua mãe apenas para conversar com os jovens que observava de longe, ela tinha feito amizade com eles e era quase como se estivesse em Paris com Marinette e as outras meninas que ela conversava.
Kagami agora observava as árvores com sua típica coloração rosada e as flores caídas na calçada. A árvore renovava-se, logo nasceriam novas flores para enchê-la de vida novamente. Poderia demorar, mas certamente aconteceria. Foi com esses pensamentos que encontrou seus novos colegas. Todos conversavam em uma espécie de rodinha, debaixo de uma das árvores.
Logo juntou-se a eles, lembrando-se que algo parecido também aconteceu em Paris uma vez, quando visitou a casa de Juleka — uma das amigas de Marinette — e todas ficaram conversando daquele jeito. Ela sorriu, sentia falta dos amigos de lá. Lembrou que faltava apenas alguns dias para voltar à cidade, mas olhou em volta. Também gostava das pessoas que havia conhecido na pequena cidade que a tia-avó morava, mas não podia evitar um frio na barriga ao pensar em Paris. Não era só de suas amigas que sentia falta. Ela imaginava que, quando voltasse da viagem, um certo loiro de olhos verdes já tivesse tomado uma decisão e, de repente, isso a atormentou. E se ele não a escolhesse? E se escolhesse Marinette? Como continuaria a falar com os dois normalmente? Perderia duas amizades de uma vez. "Não, ele vai me escolher", tentava se convencer mentalmente. "Ele já mudou seu alvo, tenho certeza".
— O que houve? Você está muito quieta hoje, mais do que o normal… — Disse uma de suas novas amigas. Tinha cabelos castanhos e era francesa, mas se mudou para aquela pequena cidade muito nova, de modo que quase não dava para notar seu sotaque.
— Nada, está tudo bem… — Kagami falou, olhando para as flores rosas caídas sob seus pés.
— Se quiser conversar, estou aqui. — Disse a menina e as duas afastaram-se da roda de amigos, sentando em um banco debaixo de uma árvore. — É alguém que você deixou em Paris, não é? — Kagami assentiu. Não sabia se falava com a nova colega sobre esse assunto. — Estão juntos?
— Não… bom, não ainda. Estou esperando a resposta dele. — Disse, e a menina ao seu lado olhou para um garoto que também estava na roda de amigos.
— Eu não sei por que, mas sinto que devo te contar uma coisa. — Kagami a encarou, surpresa. Elas não tinham conversado muito desde que se conheceram. — Sabe aquele garoto ruivo que disse que toca violão? — Ela assentiu — Eu gostava dele.
— Sério?
— É…
— Mas ele não namora sua…
— Melhor amiga. — A garota completou. — Quando mudei de escola, ele me ajudou a achar a minha sala e a gente conversou um pouco. Imagina uma garota de 13 anos encontrando um cara bonito que toca violão e ainda é simpático? — Ela riu — Achei que ele havia me ajudado porque tivesse gostado de mim, sabe… de uma forma romântica. Mas aí entrei na sala de aula e conheci minha melhor amiga. E, bom, descobri que ela gostava dele também. Como ela achava que ele nunca a notaria, sempre ficávamos fantasiando o dia em que isso ia acontecer. E aí aconteceu. E ela não me contou. Quando eles começaram a sair eu me senti traída. Por ela e por ele. Brigamos muito feio. Ela sabia que eu gostava dele e eu achava que ele gostasse de mim também.
— E… como vocês continuam se falando até hoje? Como você os perdoou? — Kagami disse, sentindo uma certa familiaridade com aquela história.
— Ela errou ao não falar nada pra mim, é claro, mas a amizade dela valia mais do que aquele garoto. Acabei percebendo que não gostava tanto dele quanto eu pensava. Ele foi gentil comigo, uma garota totalmente perdida em uma escola nova, e eu confundi as coisas.
— Mas… você não se sentiu mal por eles estarem juntos?
— Foi difícil no começo. Tudo é meio difícil no começo. — Ficaram em silêncio por alguns instantes, observando o casal na roda de amigos. — Não sei por que te contei isso. — Kagami olhava para as flores sob seus pés, sentindo algo estranho crescer dentro de si.
— Eu sei. — Falou de repente e recebeu um olhar confuso — É porque eu precisava ouvir tudo isso antes voltar à Paris.

***

— Não acredito! — Falou Alya, na porta do colégio, após ouvir tudo o que Marinette havia dito sobre a noite anterior.
— Nem eu! Toda hora me pergunto se foi real mesmo…
— Amiga, sinceramente, eu achava que esse dia não ia chegar. Ainda mais depois que você falou que ia esquecer o Adrien. As garotas vão surtar quando souberem! — As duas amigas riram e o olhar da azulada voltou-se para um certo loiro que havia acabado de chegar.
— Oi! — Disse Adrien para as duas amigas, mas com os olhos fixos em Marinette.
— É real mesmo! Por um momento achei que fosse um delírio seu… — Alya sussurrou para amiga e o sinal tocou, fazendo com que todos fossem para a sala.
Pouco antes do intervalo, Marinette sentiu o celular vibrar e, por baixo da mesa, verificou quem era, achando que poderia ser um novo akuma.

O que acha de repetir o programa de ontem?

Mensagem de Adrien. Ela sorriu.

Qual parte? Eu te derrotando no videogame ou você quase derrubando o sorvete no parque?

Você não cansa de me zoar, não é?

Ela riu baixinho e olhou para a professora, que escrevia no quadro. Antes que digitasse, outra mensagem chegou.

Estava falando do cinema. E, antes que pergunte, não foi a hora que estávamos saindo da sala e eu quase caí da escada. Geralmente essas coisas aconteciam com você.

É a convivência…

Antes que mandassem qualquer outra mensagem, a professora começou a explicar a matéria.
No horário do intervalo, Adrien e Marinette sentaram juntos em um banco do pátio.
— A Alya e o Nino nem disfarçam que querem juntar a gente. — Adrien disse e os dois riram.
— Talvez quisessem ficar sozinhos… — Marinette falou enquanto bebia um gole de suco e o modelo percebeu que ela mentia.
— Ah! Você é cúmplice disso!
— Sempre fui, Agreste. — Ela disse, sorrindo, e o loiro pareceu pensar durante alguns instantes.
— Nossa, tudo faz sentido agora! Então aquele dia do museu do cera…
— É… — Marinette tentava desviar daquele assunto, ainda era um pouco constrangedor.
— E pensar que eu disse pro Nino uma vez que você nunca se apaixonaria por uma estátua. — Ele notou as bochechas dela ficarem avermelhadas.
— Era cada vergonha que eu passava…
— Agora sou eu que estou passando. Quase caí de novo quando estava saindo da sala!
— Por que que eu não vi isso? — Ele fez uma expressão ofendida que arrancou gargalhadas da menina.
— Sobre a mensagem que estava te mandando na sala, tenho um tempo livre hoje antes da aula de chinês, quer fazer alguma coisa? Talvez aquele parque…
— Você cismou com isso!
— Talvez eu consiga te derrotar em algum daqueles jogos, já que no videogame é impossível. — Os dois riram. — Mas acho bem difícil meu pai me deixar ir. — Ele olhou para os pés.
— Bom… tenho alguns jogos de tabuleiro lá em casa e uns filmes clichês de adolescente. — O loiro riu, lembrando-se de quando fazia isso com ela, só que como Chat Noir. — Quer ir?
— Claro! Ainda pergunta? — Os dois sorriram um para o outro, mas o da azulada logo se desfez.
— Ah não!
— Que foi?
— Lembrei que tenho que fazer uma pesquisa na biblioteca para o trabalho do clube de artes hoje! Desculpa…
— Tudo bem, eu fico aqui com você, posso adiantar o trabalho de física também. — A azulada assentiu — Na verdade, você pode me ajudar. O trabalho é sobre… — Ele se aproximou, fazendo a menina corar — Atração entre corpos.
— Ah não! Eu não ouvi isso! — Marinette riu e foi acompanhada pelo loiro.
— Ah… pode admitir que gostou. — Ela lhe deu um tapa leve no braço, rindo, embora estivesse surpresa. Aquele comentário era típico de alguém como Chat Noir, e não Adrien.

***

Logo após o último tempo, os dois se encontraram na biblioteca. Estavam sentados em uma mesa um pouco afastada dos outros alunos, enquanto liam os livros para seus respectivos trabalhos. Adrien se aproximou e olhou para o que a azulada estava lendo.
— "As mais belas obras de arte francesas de todos os tempos?" — Ela o encarou — Para mim, a mais bela obra de arte está bem aqui na minha frente. — Ele falou. Marinette se surpreendeu novamente ao ouvir esse tipo de comentário vindo de Adrien, mas logo riu e lhe roubou um beijo, o surpreendendo.
— Que foi? Estou te ajudando com o trabalho de física. Toda ação gera uma reação, não é? — Ele riu e a beijou novamente. Mas o celular do loiro o notificou de uma mensagem que o fez sorrir.
— Minha aula de chinês de hoje foi cancelada. Então parece que teremos mais algum tempinho…
— É muito sortudo, mesmo. — Ela falou, rindo. — Se seu pai deixar, podemos ir a algum lugar depois daqui. — Adrien selou seus lábios com um beijo rápido.
— Realmente eu tenho muita sorte.

***

Para a felicidade do loiro, seu pai o deixou ficar algumas horas com Marinette. Ficaram alguns minutos no Place des Vosges conversando e depois foram para a casa da azulada. Tom havia preparado um lanche um tanto exagerado para apenas duas pessoas, com um bolo em formato de coração. O padeiro falava animadamente dos doces que havia feito.
— Pai! Eu disse que só vinha o Adrien, não precisava disso tudo… — Marinette falou baixo para Tom, ao encarar a incrível quantidade de comida na mesa. Ela sentiu as bochechas esquentarem quando viu o bolo de coração. — Meu pai é um pouco exagerado com essas coisas. — Ela se dirigiu a Adrien e ele riu, lembrando do dia em que tinha ido, como Chat Noir, tomar café da manhã na casa da azulada.
— Tudo bem, obrigado, Tom. — Disse, pegando um pedaço de bolo — Está incrível.
Após terminarem de comer, Marinette levou Adrien até a sala e depois voltou com uma pilha de jogos de tabuleiro.
— Toda vez que fazemos festa do pijama, uma das meninas esquece um jogo. Acharam melhor deixar aqui direto para a próxima festa. — Ela riu, pegando um dos jogos.
Adrien sentia-se tão bem ali, que nem lembrava que tinha hora para voltar para casa. Gostava tanto de estar com Marinette, ainda mais agora, que estavam mais próximos do que antes. Após muitas risadas e alguns beijos, ele recebeu uma ligação de Nathalie. Precisava voltar àquelas paredes frias e sem vida que chamava de lar. Agradeceu aos pais de Marinette e a menina o acompanhou até a porta.
— Não queria ir agora… — Ele disse e ela se aproximou, tocando o rosto dele.
— Amanhã vamos nos ver na escola. — Falou e lhe deu um beijo no rosto.
— É… só na escola. Tenho esgrima depois da aula. — Ela ficou em silêncio e viu o conhecido carro cinza se aproximar — Aí, você podia ir amanhã!
— Pra aula de esgrima? Não deu muito certo da última vez… — Lembrou que Kagami tinha sido akumatizada por sua causa. "Caramba! A Kagami! Ela vai voltar de viagem esse fim de semana e vai ficar muito mal quando souber que eu e o Adrien estamos…", ela pensava, embora não soubesse definir o que estava tendo com o loiro.
— É porque da última vez você ficou toda "a-ah, é p-pra e-eu t-t-te t-tocar?" — Ele tentou imitar a voz a voz da azulada, arrancando gargalhadas dela — Acho que esse não vai ser um problema agora, não é? — Disse com uma voz rouca e Marinette corou. Antes que ele entrasse no carro, deu um selinho rápido na azulada, deixando-a completamente tônita na calçada. Realmente nunca imaginaria ouvir cantadas de alguém como Adrien.

***

— O amor é tão lindo! — Rose falou, com as mãos juntas e um olhar apaixonado.
— Eu não falei que eles iam ficar juntos quando ninguém esperava? — Disse Alya e o sinal tocou, fazendo as garotas irem para suas respectivas aulas naquele horário, exceto Alix e Marinette, que tinham tempo vago antes da aula de artes e caminhavam juntas até o pátio.
— Realmente… nem eu estava esperando. — Marinette anunciou.
— É… ainda mais depois daquela coisa toda com o Chat Noir. Ah, viu o que ele falou lá no blog da Alya? — Alix comentou.
— Vi sim.
— Que bom que vocês ainda continuam amigos depois de tudo. Vocês não brigaram nem nada assim, não é?
— Não… — A azulada disse, tentando fugir daquele assunto. Não queria mais mentir.
— Foi rápido, né? O quê? Umas três semanas?
— Aham…
— E na outra você já estava começando a falar com o Adrien? Estou amando essa Marinette bem resolvida.
— Tá! Tá bom! Eu falo! — Ela disse alto, como se a amiga estivesse implorando que falasse. Puxou Alix para um canto pouco movimentado naquele horário, perto dos armários dos alunos. — Eu e o Chat Noir… nunca namoramos. — A garota com os cabelos rosas lançou-lhe um olhar surpreso, não por conta da revelação, mas por Marinette ter resolvido contar tão de repente. — A gente fingiu o tempo todo. Tipo naqueles filmes que eu gosto, sabe? Tentei explicar que nunca daria certo, mas acabei aceitando depois de perceber que talvez funcionasse, e também porque tinha falado pra vocês que estávamos juntos. Ele fez isso para tentar chamar atenção da Ladybug, mas é claro que nunca ia funcionar porque… — Foi interrompida.
— Porque você é a Ladybug.

Notas finais
AAAAAAAA ATÉ EU TÔ SURTANDO SOCORRO kkkkkkkk (Alerta de spoiler): Só digo uma coisa: Se preparem para o próximo capítulo... É isso, joguei a bomba e saí correndo kkkkkkkk